I
Projetos de caráter curricular com intuitos de inovaçao com impacto ou não na evolução profissional (ex: PIPSE, Ensinar é Investigar, Minerva, etc.)
Arquivos\1º Ciclo\Bruna
O projeto PES baseava-se em ter uma parceria com os centros de saúde. Nós fazíamos... Agora há o cheque dentista. Na altura não havia isso. Então, sobretudo nas aldeias que ficavam mais distantes, o centro de saúde informava-nos dos meninos que tinham que fazer a vacinação, quando havia qualquer problema que nós detetássemos numa escola de que os meninos poderiam precisar, ser orientados para a terapia da fala ou para o serviço de psicologia, nós é que orientávamos. Eram parcerias da escola com os centros de saúde.
Arquivos\1º Ciclo\Celeste
Houve um período de grande aprendizagem, que foram aqueles anos iniciais dos anos 2000. Começaram a surgir os projetos educativos. Foi uma grande revolução. A escola começou a mexer, a formação de professores, numa oferta maior ainda, antes da formação creditada, os projetos "A Ciência Viva", as bibliotecas escolares, quando surgiu aquele incremento na dinamização da leitura. Foram momentos muito ricos para a escola. Foi importante, portanto, paralelamente a tudo o que eu procurava fora ainda da escola, havia também na escola uma oportunidade de nós, sem censura, digamos, sem imposições, podermos pôr em prática muitas das coisas que defendíamos. A formação, por exemplo, na matemática, numa nova perspetiva dos programas, que acabaram por dar um enfoque maior na experimentação, na compreensão, na comunicação e na resolução de problemas. Depois, na parte dos projetos e da oportunidade dos alunos desenvolverem projetos, mesmo a modificação do currículo. Nos anos 2000, no final dos anos 90, foram anos muito ricos de partilha de experiências entre escolas, de uma ligação da formação também às escolas superiores de educação, que eu penso que vieram nas próprias localidades, nas próprias regiões, abrir uma porta à formação contínua. Foi interessante. A minha geração apanhou aqui diferentes formas. Também tem a ver com as políticas. Quando o partido que está no poder é mais conservador, tem-se uma tendência de ver um ensino mais conservador. De qualquer modo, isto nunca me fez mudar a minha prática.
Arquivos\1º Ciclo\Clotilde
Sei identificar um momento que foi muito positivo, que foi, penso que por volta do ano 2000, quando começamos a falar - não é nas aprendizagens essenciais -, mas quando se começou a abordar o programa de uma maneira diferente e quando se começou a falar nos projectos curriculares de turma. E para muita gente aquilo fazia muita aflição, e que eu acho que muita gente não conseguiu perceber o que é que era um projeto, que era a forma dos professores se incluírem e estarem ou terem o seu projeto docente para aquela turma, enquadrando as coisas, não é aprendizagens essenciais...
Arquivos\1º Ciclo\Filipa
Eu posso mesmo dar um exemplo: houve um ano que eu estava no distrito da Guarda em que apareceu o PIPSE, o Programa Interministerial de Promoção do Sucesso. Então, muitas colegas foram fazer formação para depois nos dar formação. E elas diziam: vocês têm de fazer isto e aquilo e não sei quê. E nós ouvimo-las e, no fim, dizíamos: nós já fazemos tudo isso. Só que não registávamos, e a partir desse momento - cada colega tinha o seu registo pessoal, portanto, fazia grelhas, fazia sumários, mas não era nada com caráter obrigatório. Depois começou a ser com algum caráter obrigatório nós registarmos, num caderno – era uma coisa quase informal – nós termos um registo para, se fossemos inspecionadas, mostrarmos aquilo que dávamos todos os dias, portanto, não é com aquele caráter muito rígido com que agora fazemos, que é nas plataformas digitais. E então, eu e as minhas colegas frequentávamos essas formações e tudo aquilo que nos transmitiam como inovador não era inovador, porque nós já fazíamos. Seria inovador – e como agora nós vemos – seria inovador do 5º ano em diante, principalmente a interdisciplinaridade. Para nós, aquilo era…nós já fazíamos há muitos anos. Nós, às vezes, não compartimentávamos as disciplinas, um texto de Português era o motivo para darmos Estudo do Meio logo a seguir, ou mesmo, dentro da exploração do texto de Português dávamos Estudo do Meio e partíamos para a Matemática, portanto – estou a dar este exemplo, mas havia outros – nada disso para nós era novidade. E elas transmitiam-nos aquilo como uma novidade muito grande. E nós não registávamos. Fazíamos muita coisa, só que não tínhamos o hábito de registar. E então, passámos a registar aquilo que elas achavam que nós devíamos, pôr no papel.
Arquivos\1º Ciclo\Ilda
Então, na altura, havia umas equipas de… como é que se chamava? As UOE, as Unidades de Orientação Educativa, que eram coordenadas na Direção-Geral pela E.A. E ela estava muito em contacto com Adabeja, um projeto, também, inovador, onde estava o meu marido. E que era coordenado pelo Sérgio Niza. E fez muita formação de professores, destes professores das UOE, através destes contactos é que eu soube que havia vagas para equipas das UOE. Estas equipas estavam nas escolas para, não só apoiar meninos com dificuldades de aprendizagem em horário alternativo, portanto, não tiravam as crianças da turma, esse trabalho com elas era um pretexto para dialogar com os professores, no sentido de tentar valorizar aquelas crianças, que muitas vezes os professores já não queriam saber deles. Valorizar o trabalho delas, do percurso delas, mas também tentar que elas alterassem alguma coisa das suas práticas pedagógicas de maneira a que facilitasse a aprendizagem, sobretudo destas crianças. Portanto, era aqui um trabalho de um certo jogo de cintura (risos).
Arquivos\1º Ciclo\João
Ficou com a turma. Foi giro e eu, nesta coisa, recebi o convite para ir trabalhar no Núcleo de Apoio a Crianças Deficientes Auditivos, na ACTA. Quer dizer, havia aquela perspetiva da continuidade pedagógica, trabalhar com surdos, as questões da comunicação, fiquei outra vez com as velas do barco enfunadas. E fui. Estive quatro anos.
Arquivos\1º Ciclo\Marlene
O primeiro ano [de escolaridade] tem monodocência, embora tenha o projeto com um professor que vai lá fazer atividades. O segundo ano [de escolaridade] tem a turma de ancoragem. Depois, no terceiro ano [de escolaridade] já tem o inglês, já tem a música, já tem professores do outro lado.
Entrevistadora: No segundo ano de escolaridade têm o programa Ancoragem, que projeto é esse?
Marlene: Eu tenho sete alunos em Vila Real de Santo António e sete em Monte Gordo. São os miúdos que, embora matriculados no segundo ano [de escolaridade], não adquiriram as competências linguísticas, nem de escrita, nem de leitura. Estão a trabalhar conteúdos do primeiro ano. Enquanto a outra professora está a dar o segundo ano [de escolaridade] ao resto da turma, eu estou com o mesmo horário a dar o português do primeiro ano.
Arquivos\1º Ciclo\Mónica
Ainda hoje tenho colegas que se suportam naquilo que aprenderam no “Ensinar a Investigar” para dar aulas. E é ótimo porque eu assim vou lá espreitar o quê que se faz, como é que se faz, e trocamos essas coisas.
Arquivos\1º Ciclo\Morgana
Depois foi o projeto Minerva, porque começámos com a introdução dos computadores na escolas, Ainda na CEFET, neste centro, quando funcionava essa turma, já tivemos um computador. Começavam-se a dar os primeiros passos e havia os primeiros financiamentos para se comprarem computadores para a escola. E havia uma ligação com o Departamento de Educação da Faculdade de Ciências e conseguimos ter um computador na sala de aula. Portanto, o computador era mais um instrumento e era o que se usava naquela altura.
Arquivos\2º Ciclo\Aldina
Portanto, o trabalho colaborativo começa a aparecer com a interdisciplinaridade e com a área escolar. Que foram as disciplinas que apareceram, penso eu, com a Maria de Lurdes Pintassilgo, não tenho bem a certeza. É aí que começa o trabalho colaborativo. Antes disso não há. E sempre vi. Às vezes alguns fazem porque sim, porque dá jeito cruzar algumas disciplinas, mas a maioria faz por gosto, por paixão, por ver nascer coisas que os miúdos fazem e ficam interessados. E entre professores de várias idades, portanto eu sempre vi este trabalho colaborativo, bom e bem feito.
Arquivos\2º Ciclo\Cecília
Tem havido um esforço, eu sei que tem havido um esforço. Esse esforço, também, obrigatoriamente, a partir de 2018, fruto da legislação, mesmo antes, em 2018 – nós fomos escola-piloto desde 2017 da articulação e flexibilidade curricular. Isto também é devagar, é por degraus.
Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda
Houve uma altura em que a escola teve aí uma modalidade, foi moda, a supervisão pedagógica, que aliás em certas escolas se chama intervisão, ou seja, os professores trocavam como pares, eu ia assistir e vinham às minhas aulas. Duas aulas, por exemplo, por ano. Digo que essa experiência foi muito positiva, porque nós tínhamos uma grelha para preencher e o que é que se avaliava? Sobretudo a postura do professor, não era só ministrar os conteúdos, era a maneira como cativava a Assembleia de Turma. Como os interpelava, se não negligenciava nenhum...aquele mais tímido, toda a dinâmica da aula, se se centrava apenas na exposição, que tipo de estratégias usava para aquele assunto. Eu acho que teve vantagens e entretanto deixou de existir. Naquela escola deixou de existir, mas eu acho que era vantajoso de vez em quando existir, embora isso causasse um certo constrangimento, porque íamos ser… tínhamos espectadores e vice-versa. O objetivo, no fundo, era depois dizer à minha colega o que eu tinha gostado e o que eu não tinha gostado. Tanto o que eu tinha aprendido, porque havia sempre aprendizagem, e eu acho que essa experiência de partilha era benéfica.
Arquivos\2º Ciclo\Fátima
Eu lembro-me que tive uma turma muito difícil - que eu acho que era uma turma do oitavo ano – que eu consegui dar-lhes a volta, porque em 1995 celebramos os 500 anos da morte do rei D. João II. E eu era delegada de História. E então, com as minhas maluqueiras, resolvi propôr ao grupo fazermos uma semana de atividades nesse âmbito, da comemoração dos 500 anos dos Descobrimentos. E consegui – conseguimos – mobilizar a escola toda! Fizemos uma semana de atividades desde um desfile na cidade com nobres, povo, clero, 300 figurantes; fizemos um jogo de xadrez ao vivo com os alunos, em que uns eram torres, outros eram cavalos – tinham uma coisa na cabeça – andei de noite, com duas colegas, a pintar o jogo de xadrez no chão, fora de horas; fizemos conferências, fizemos teatro e dança medieval. Os meus filhos no final da semana disseram assim: “Mãe, sabes quantas vezes dançámos esta semana? 23.” - porque, como éramos uma escola que não tinha um espaço de espetáculo grande, era o hall e era o espaço do refeitório que era transformado em palco. Para não haver grandes aglomerados fazíamos todos os dias um espetáculo para x turmas. Fizemos um banquete no Castelo de Leiria em que os alunos que foram participar como grupo de dança com músicos profissionais de música medieval – lembro-me que foi patrocinado esse espetáculo pelo governo civil. Os alunos ensaiaram com música gravada, com uma colega de Educação Física, e depois só no dia é que ensaiaram com os músicos. E então nós fomos todos vestidos de nobres para o Castelo e convidámos o Bispo, o Pároco da Sé, o Presidente da Câmara, foi o Vereador da Cultura – estava o Bispo a sério ao lado do Bispo a fingir. E foi uma experiência muito interessante. Fizemos fatos para nós todas a partir de…sei lá, de tecidos de cortinados e de não sei quê…foi um ano de trabalho louco, mas foi uma experiência incrível. Ah, isto a propósito da tal turma! Essa turma eu consegui dar-lhes a volta porque fizemos o mercado medieval. Uns tinham a Botica – e então eles fizeram com a professora de Ciências e tal. Outros fizeram moedas – cunhámos moedas, de barro, fizemos o molde, com os colegas de trabalhos manuais, claro. Fizeram o molde em gesso e depois com barro fizemos moedas, pintámo-las; era a moeda de ouro do tempo de D. Manuel. E outros, os mais rebeldes, eram talhantes. Então houve um talho que nos emprestou presuntos, carne que não se estragava, portanto, enchidos, e eles, no mercado, venderam a carne. Bem, o entusiasmo dos miúdos foi uma coisa incrível. Deu-se-lhes a volta porque se envolveram em projetos diferentes.
Arquivos\2º Ciclo\Glória
Entramos naquele projeto encantador da Europa, o Sócrates/Comenius, fomos das primeiras, nós e o liceu, levamos miúdos para a Holanda, trouxemos miúdos da Holanda, sei lá o que é que a gente fez. Elas! Eu era só a presidente. Mas foi muito bom, foram anos muito bons.
Arquivos\2º Ciclo\Iva
Antigamente havia uma área, que era a área escola. Na verdade, aí, nós em conselho de turma planeávamos um tema que pudesse ser abrangente a várias disciplinas. Isso foi fantástico. Eu fiz vários projetos com várias turmas. Houve essa área escola. Correu muito bem e fizemos coisas interessantíssimas. Depois, isso mudou, mudou o nome e mudou tudo, porque deixou de ter horas. Na altura, a escola tinha duas horas semanais, a que nós podíamos, com os alunos, trabalhar a área, o tema que se propunha ao projeto. Os outros professores colaboravam nesse tema. Havia um ou dois professores que geralmente era a diretora de turma, mais outro professor que estava dentro da sala de aula e, portanto, os outros colegas colaboravam com eles, dentro da sua área disciplinar, de acordo com aquele tema. Faziam algumas aulas e ajudavam assim o projeto. Eu acho que foi muito interessante e valeu muito a pena. Depois disso, então, já não se consegue fazer mais nada.
Arquivos\2º Ciclo\Joca
Em 1993, o ambiente estava absolutamente estabilizado, muito bom, com projetos inovadores. Hoje, fala-se nas turmas de currículo alternativo, um currículo alternativo, pois O. teria sido a primeira escola aqui, pelo menos no concelho de Leiria, a ter uma turma, que na altura não se chamava currículo alternativo, tinha outro nome, mas as características eram exatamente iguais. Eu tive a sorte de ser escolhido para ser professor de Educação Física dessa turma, que era constituída por alunos um pouquinho mais velhos, com alguns anos de repetência, pouco motivados para as questões académicas, mas, enfim, mais profundas. Mas naquela turma havia ali uma série de rapazes absolutamente fantásticos, eles também que sempre disseram "a melhor disciplina é a Educação Física, e de certeza que não há professor no mundo melhor do que o que nós temos”, estas coisas simpáticas.
Arquivos\2º Ciclo\Orlanda
Depois, houve projetos em que eu estive bastante envolvida, que eram projetos a nível nacional, que era o PEPT, o Projeto Escola Para Todos. A nossa escola aderiu logo e foi muito importante. Foi mesmo uma aprendizagem: como elaborar projetos – nós não sabíamos – como fazer a avaliação de projetos, etc. Isso também foi muito importante, nós estivemos envolvidos no PEPT quase de 1990 até 1998.
Arquivos\2º Ciclo\Sofia
Depois, as grandes mudanças de programa, não de História. O programa de História continua o mesmo desde os anos 90. Apesar de ter entrado as metas e depois as aprendizagens essenciais, mas o programa e o currículo em si é o mesmo desde 1990. Língua Portuguesa foi mudando e a última mudança foi com a nova terminologia, gramática, com conceitos, com vocábulos, nomes totalmente diferentes. Na altura fizemos formação e eu fartei-me de estudar. A gramática que eu sabia, era aquela que depois, ao longo dos anos, eu tinha aprendido. Depois, as formações que ia fazendo. Houve diferenças, ao longo dos anos, principalmente a nível da parte gramatical. Esta última eu vi-me e desejei-me para compreender alguns conceitos. Nós tínhamos horas de discussões na escola. Telefonamos para os formadores e para as faculdades e, às vezes, nem eles sabiam explicar. Depois, as mudanças de paradigma da avaliação, das formas de avaliação, aquelas mudanças que foram sempre havendo. No início também ninguém me ensinou e então o que eu fazia era: "De zero a tantos era uma coisa, de tantos a tantos era outra". Nós tínhamos sempre que dar a volta.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália
Houve um ano em que tivemos um projeto, o projeto solidariedade, com uma ONG... durante um ano inteiro andámos a recolher material, eles colaboraram em tudo, traziam o material… nós, praticamente, publicitávamos o que é que – havia a semana das borrachas, dos cadernos... os nossos alunos – eu estou a dizer nossos porque quem dinamizou foram os professores de Filosofia – semanalmente, ajudavam a divulgar as atividades... o que é que se ia passar, o que é que se ia recolher... no final do ano, fizemos uma coisa que eu achei muito bonita, que foi a organização chamava-se a rota dos povos... então, tinham recebido uma catrefada imensa de sapatos que tinham ido para um país qualquer que depois acharam que aquilo estava tudo mal confecionado e devolveram aquilo tudo. O dono da fábrica lá entregou os sapatos mal-amanhados à organização. Depois, o que é que eles... foi proposta deles: "Vamos vender os sapatos, um a um, mas é para serem decorados! Vamos decorar os sapatos!" Então, vendíamos cada sapato por um euro, porque era para angariar fundos para a organização para depois fazer chegar à Guiné. Portanto, eles compraram os sapatos, decoraram… apareceram coisas lindíssimas, que eu nunca imaginei que pudessem surgir. Depois, mesmo no final do ano letivo, fizemos, para lá, uma coreografia, por sugestão, também, da própria organização, fizemos uma exposição dos sapatos e aquilo foi uma coisa fantástica. Os miúdos ficaram satisfeitos, nós também, e foi a solidariedade, mas agregada assim a esta vertente, também, lúdica, porque funcionou e eles aderiram bem. Dessas coisas eu tenho muito boas memórias.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana
Todos os anos. Além disso, tínhamos um projeto anual que depois íamos apresentar com gente de todo o mundo. E depois, a partir daí, houve um projecto de ambiente em que, por exemplo, os finlandeses nos convidaram para ir fazer um curso de verão com tudo pago. Só tínhamos que pagar o voo daqui para cá, para lá do Polar Ártico, numa universidade de verão. Eu chegava à aula e dizia "Olha malta, recebi isto, quem quer ir?" Havia sempre um ou dois que queriam ir, que os pais já estavam sincronizados e houve gente que foi. Foi muita coisa, porque inscreviam-se logo, os pais iam logo lá à escola, porque mesmo que eles fossem maiores, os pais tinham que ir assinar um termo de responsabilidade e autorizar.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia
Temos os livros de Química, de Física. Fizemos livros de Português em fascículos. O manual de Português era uma caixa com fascículos, com todo o programa. Coisas novas! Foi feito com o D.E., H.N., I.G., tudo gente muito interessante. Eu fiz estes manuais pela didática, dois no início dos anos 90 para criarmos a Raiz Editora. Eu aprendi muito sobre negócios - eu não sabia nada. Eu negociava com as gráficas. Nunca foi assim uma coisa simples.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva
Eu não sei contabilizar, mas em 46 anos apanhei dez programas diferentes. Pode não ter sido bem, mas por aí. Depois vem uma teoria do não sei quem e vamos fazer não sei o quê!
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana
Aquilo que estava previsto na área de projeto permitia um grande desenvolvimento do espírito crítico dos alunos e do espírito de trabalho. Era isso que era importante fazer, desde pequeninos, não era só no final. Digo-lhe que, ainda hoje, não percebi porque é que desapareceu a área de projeto.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara
Agora, por exemplo, uma coisa que as escolas passaram a ter, muitos projetos. É preciso ver se esses muitos projetos não acabam por fazer perder o foco. Porque há projetos interessantíssimos. Eu estou envolvida no Parlamento dos Jovens, no Euroscola, e adoro isso. E os miúdos gostam. No ano passado, fomos para Lisboa representar o distrito no Euroscola, no Parlamento Jovem. Eu acho que são experiências maravilhosas. Agora estou num outro projeto Ubunto, e também gosto. E eu acho que há outros projetos que eu acho que são interessantíssimos e bons e ricos, e que devem ser abraçados e que, portanto, nós devemos estar abertos a isso. Agora, acho que há também aquela ideia de querer fazer muito e, a certa altura, o verdadeiro, que é aquele trabalho de sala de aulas, que pode não ser sempre agradável, mas tem que ser feito. Eu acho que, se calhar, perde-se um pouquinho, não sei.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo
Entretanto, o que é que acontece logo ali, em 1993/1994, o Centro de Formação pede-nos para fazermos formação sobre interdisciplinaridade, porque vai começar a área escola.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Teresa
Por exemplo, um que eu acho que é muito interessante é o Ubuntu, tem a ver com projetos que foram aplicados em África. Tem a ver com contextos sociopolíticos e emocionais frágeis e agora estão a ser trazidos para a educação. O Ubuntu é mesmo uma palavra africana.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita
Agora, no ensino secundário, já houve mais abertura a projetos. Eu, quando era coordenadora do eco-escolas, no início tive muito boa colaboração. No final, saltei fora, porque nem alunos, nem professores - havia muita pouca colaboração…
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta
E o programa mudou, portanto, algumas coisas passaram do 11º para o 10º, de novo, porque isto, ao longo dos meus anos, andou, 10º-11º, quer dizer isto muda, mudam os programas e vai mudando tudo, mais ou menos. E isso já me obrigava a um esforço muito grande de estar a produzir novos documentos que se adaptassem à nova orientação curricular.
Arquivos\Pré_Escolar\Gina
Quando saiu o primeiro documento das orientações curriculares, a R., conhece com certeza, o documento passou pelas pessoas que estavam nos CAE. Portanto a I.L. .S reunia connosco, mandava o documento. "Leiam esta parte, um capítulo. O que é que falta? O que é que está a mais?", e nós íamos colocando "isto parece-me importante, isto já não". Portanto, foi um documento que evoluiu sempre, numa colaboração de todos os educadores que estavam nos centros da área educativa. Foi muito interessante! A primeira versão, portanto, agora a segunda também tivemos, também pertencia a um grupo já diferente. Eu já estava no terreno, mas também fui convidada a pertencer a esse grupo, também para analisar as novas orientações curriculares, o novo documento. Mas o primeiro foi diferente. Houve assim um envolvimento enorme e uma vontade de fazer, porque era o primeiro documento que nós tínhamos para nos orientar e então aquilo era uma coisa fantástica.
Arquivos\Pré_Escolar\Noel
Quando estive em Alcácer do Sal, foi num projeto de investigação-ação, talvez o primeiro em Portugal, nos anos 80. Era um projeto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pela Fundação Bernard Van Leer, que já tinha mais experiência neste tipo de projetos de investigação. A Fundação Calouste Gulbenkian foi quando se iniciou nestas andanças. E o diretor do projecto foi precisamente o Professor B.P, e tive um ano de trabalho com ele, com reuniões semanais, era segunda-feira. Era lá o confessionário (risos] e ia-lhes dizendo o que é que se ia fazendo no terreno e portanto, ele ia dando também algumas achegas. E, portanto, tenho boas recordações desse tempo e do professor B. P. C. Nessa altura ele era o nosso diretor.
Arquivos\Pré_Escolar\Olga
Por estes anos também - em 88 por aí - começou um projeto da Escola Superior de Educação com o início dos computadores nos jardins de infância, na escola.
Entrevistadora: Em 88, inícios de 90?
Olga: 88, por aí. Tenho referências de 88, de ações de formação que começámos a fazer. Portanto, a CERCI foi convidada para fazer a formação aos educadores e começámos a mexer nos computadores com meninos deficientes, com meninos com problemas. Agora não se diz deficientes. Mas na altura era a linguagem mais comum. Portanto, isto é por causa deste percurso. Daí, dois anos depois, a Escola Superior de Educação pediu-me para ir para lá. Estive um ano a trabalhar também na Escola Superior de Educação, no projeto Minerva, que começou a introdução do trabalho com computadores na educação.
Arquivos\Pré_Escolar\Rute
Fui então convidada para ir para um projeto [que se] chamava CNASTI, que era a Confederação Nacional de Ação sobre Trabalho Infantil. Era um projeto que pretendia intervir junto das crianças que trabalhavam e que, por via dessa condição, faltavam à escola, portanto, abandonavam ou não acompanhavam o seu percurso académico, não faziam o seu percurso académico.