Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Marcas de Agência

I

Arquivos\1º Ciclo\Anita - § 1 referência codificada [2,02% Cobertura]

Referência 1 - 2,02% Cobertura

Faço formações, várias formações, de vários níveis. Um ano em que estive com a dispensa da componente letiva – tive um ano com dispensa total da componente letiva – encarreguei-me de duas bibliotecas e achei que, nesse ano, era importante fazer uma formação na área das bibliotecas, por exemplo. Decidi fazer. E, pronto, tenho feito várias. Não muitas, mas tenho feito. Neste momento, as nossas formações são muito viradas para as tecnologias, há várias formações, exatamente porque já fizemos uma “selfie” relativamente à nossa posição perante as tecnologias - se calhar, os professores estão a precisar muito de fazer formação nesse sentido. Eu estou um bocadinho naquela posição confortável de dizer: "Eu já não preciso!" Mas digo assim: "Mas eu não posso ficar para trás enquanto cá estiver!". Não me quero sentir muito para trás. E, aí, sinto mais uma liberdade de escolher - ou não - fazer formação.


Arquivos\1º Ciclo\Bruna - § 2 referências codificadas [1,09% Cobertura]

Referência 1 - 0,85% Cobertura

Em 2002, 2003 eu fui coordenadora da Biblioteca Escolar, fiz um projeto e conseguimos a nossa biblioteca escolar, que ainda hoje funciona. Fomos nós que escolhemos o mobiliário, fomos nós que a mobilamos, fomos nós que adquirimos todo o material de livros, de DVDs, de filmes, de tudo. Também foi uma experiência muito, muito, muito interessante.

Referência 2 - 0,24% Cobertura

Continuava como vice-presidente do agrupamento, mas tinha também as funções de coordenadora do PES.


Arquivos\1º Ciclo\Carla - § 3 referências codificadas [6,58% Cobertura]

Referência 1 - 3,00% Cobertura

Depois, no ano a seguir, eu pedi para ir para o apoio e foi-me concedido. No ano a seguir, eu fui colocada para as bibliotecas. Mas o que aconteceu é que às tantas requisitaram-me. Havia umas crianças pretinhas que tinham vindo dos Camarões, que não falavam português, nada. Precisavam de alguém que os acompanhasse, a tempo inteiro. O meu inglês também é pobre, eu tenho só dois anos de inglês e já lá vão 30 anos. Primeiro tratei do K., que tinha nove anos. Depois, juntaram uma mana com 16 anos, portanto estava matriculada no 10.º ano. Depois, juntaram a L. que tinha 12 anos. Com diferentes níveis de inglês. O C. não tinha ido à escola por causa da guerra, portanto foi mesmo, mesmo, aprender a ler . Estive com eles praticamente o ano todo a partir de maio. Foi uma experiência diferente. O facto de serem pretinhos não me faz diferença nenhuma. Eram educados, muito trabalhadores. Como só eu é que estava com eles, era ficha, atrás de ficha, atrás de ficha. Nunca se queixaram. Às vezes o C. já estava cansado, mas nunca disse que não queria, nem mostrou enfado. Deu gosto trabalhar com eles, pelo interesse que eles tinham em aprender. Foi fantástico!

Referência 2 - 2,14% Cobertura

Mesmo em grupo pequeno, eu não paro na secretária, eu ando de um lado para o outro. Não dou uma aula expositiva como se faz nas salas onde há uma turma. Vou-lhes passando os trabalhos. Estou sempre disponível para as perguntas que queiram fazer. " Já vou!". Graças a Deus ainda não me doem as pernas, porque se fosse o caso ia ser mais complicado. Em termos de pais, são menos chatos do que os da cidade. Essa é a vantagem principal. Se estivesse na cidade, dava menos trabalho, em termos de ter uma turma, em termos de planificação, em termos de estudo. O facto de os pais serem mais simpáticos, vale a pena. Pois é, assim tem que se fazer a viagem. Se fosse cá eram uns cinco ou seis quilómetros da minha casa. Como é lá, faço 18 quilómetros em cada viagem. Almoço lá, levo lanche. Só me custa quando há gelo, porque tem curvas.

Referência 3 - 1,44% Cobertura

Depois eu ligo de volta. Sei que para algumas pessoas isto pode parecer um disparate. Sei que há pessoas que, se eu dizer isto, dizem mal de mim! Eu acho que fiz a atitude certa. Isso também é crescer. Já é triste um pequeno apanhar de um grande. Um grande apanhar de um pequeno, acho que é mais triste! Nunca houve violência lá na escola, mas se houvesse necessidade de intervir, intervinha. Esta é uma das coisas que pode parecer errada, mas para mim foi educativo. Nós estamos lá para ensinar Matemática e Português, mas também estamos para formar gente.


Arquivos\1º Ciclo\Carmina - § 5 referências codificadas [3,31% Cobertura]

Referência 1 - 1,00% Cobertura

Eu tenho tido reconhecimento da parte dos pais, do meu trabalho. Tinhamos vários alunos que competiam. Fui convidada para participar nos Paraolímpicos de Atenas, em 2004, depois em 2008 também. Fui a Pequim. Claro que os meus primeiros jogos, entrar num estádio olímpico... eu fico arrepiada quando falo nisto. O João Martins, trouxe três medalhas. Ele não tem visibilidade, a nível dos meios de comunicação. Até hoje, foi o atleta que ganhou mais medalhas, a nível da natação

Referência 2 - 0,70% Cobertura

Fizemosum painel, orientado pelo artista plástico Eurico Gonçalves, que morreu agora há pouco tempo. Ele tinha sido professor do primeiro ciclo na minha primeira escola. Eu tenho-me cruzado com pessoas muito giras. Eu acho que isso também faz parte da minha formação e acho que tive essa sorte. Era um painel sobre o 25 de Abril.

Referência 3 - 0,24% Cobertura

Quando a pessoa tem vontade de trabalhar, vai lendo algumas coisas e faço. Não sou nenhuma especialista, mas fiz.

Referência 4 - 0,68% Cobertura

Foi em 2007, 2008. Eu tenho aqui uma cábula! (risos) Não tirei férias nesse ano porque tive um estágio para acompanhar a equipa de natação. Fomos estagiar para a Serra Nevada. Em finais de agosto, fomos para a China. Estivemos lá três semanas. Cheguei sábado de Pequim, e segunda-feira estava a trabalhar na escola, por aí.

Referência 5 - 0,69% Cobertura

Até porque eu sinto que a minha geração, que ainda viveu o 25 de Abril, sabe o que é viver num país não democrático. Eu tenho muitas lembranças disso. E continuo a àisr manifestações. Lutámos. Quer dizer, eu já não tenho nada a ganhar, mas eu acho que tenho que lutar também pelas pelas condições de trabalho das minhas colegas.


Arquivos\1º Ciclo\Celeste - § 3 referências codificadas [5,66% Cobertura]

Referência 1 - 2,92% Cobertura

Numa escola que tinha na altura quatro anos de escolaridade. Depois mais tarde passou a ter a pré primária também, mas que na altura não tinha. Onde se construiram relações pessoais muito fortes. Permaneci naquela escola, com uma outra colega também, ao longo de 13, 14 anos, em que foi possível fazer um trabalho mais ao nível da comunidade. Em que ao longo desses anos, passando por vários grupos e tendo vários grupos de meninos de etnia cigana, etc, se conseguiu ver a evolução a nível social daquela população. Desde o absentismo que existia no início e muitas daquelas criançasnão tinham aprendido a ler porque não iam à escola, até a uma maior regularidade na frequência e uma redução do absentismo escolar. Uma construção de uma identidade, de uma maior identidade. Eu podia perfeitamente ter concorrido. Ter lá estado um ano e ter saído, mas construiu-se ali uma escola. Depois, passados esses anos, acabei por concorrer sim. [risos) Foi muito, muito importante. Entretanto, tive estagiários também da ESE. Durante todos esses anos passei eu a ser professora cooperante. Tive sempre aqui uma experiência de andar em círculo, em espiral. Como é que eu hei de dizer. Todas as experiências, todas elas enriquecedoras.

Referência 2 - 1,28% Cobertura

Mudei para outra escola do mesmo agrupamento, onde estive depois de cinco anos. Há dois anos houve o concurso de professores e eu concorri para ficar aqui mais perto de casa. Fiz aqui opções. Senti necessidade de mudar, de sair daquele agrupamento de escolas. Não é que estivesse... Nesse mesmo agrupamento, fui coordenadora de departamento do primeiro ciclo, antes disso tinha sido coordenadora de ano. Fui coordenadora de escola, nessa escola onde estive. Defendo que deve haver circulação, que as pessoas não devem estar muito tempo.

Referência 3 - 1,45% Cobertura

Essa cultura adquiri-a, e tenho que ser justa, foi no movimento da escola moderna, na associação de professores a que pertenço. É um movimento que tem uma filosofia, tem princípios, tem um projeto de autoformação cooperada, em que vamos construindo a profissão, em que vamos partilhando, em que vamos estando atentos às orientações do Ministério da Educação, em que vamos integrando na nossa prática. O nosso objetivo é trabalhar o currículo e ainda ir ao encontro de tudo aquilo que é a matriz curricular, quer dizer, o perfil do aluno, etc., é o resultado de uma construção que nós temos feito na profissão.


Arquivos\1º Ciclo\Clotilde - § 4 referências codificadas [6,69% Cobertura]

Referência 1 - 1,13% Cobertura

Mas, por incrível que pareça, e tendo tido já experiências na educação especial, nunca exerci depois do curso na Educação Especial, porque eu achava que a integração e a inclusão é feita nas salas de aula, o trabalho do professor de educação especial pode ser muito importante, mas para mim era o trabalho na sala de aula que eu acho que é mais significativo. E os contextos ao longo da minha vida, as pessoas costumam dizer que eu tinha muita sorte com as turmas que apanhava, e eu aprendi a replicar esta questão com o meu filho e digo assim "a sorte a mim dá-me muito trabalho."

Referência 2 - 2,34% Cobertura

Às vezes sim, outras vezes não, porque às vezes pensa-se que se está a falar da mesma coisa, dizem-se as mesmas palavras, mas não se está a dizer a mesma coisa. Sei lá, por exemplo, o movimento da Escola Moderna começou por falar na questão das assembleias de turma e evoluímos para um Conselho de Cooperação educativa. O que é que isso quer dizer? As pessoas continuam a dizer que fazem assembleias e que os meninos votam, portanto, pensando que estão a dizer coisas que têm a ver connosco, com o Movimento da Escola Moderna. Nós fazemos conselhos de cooperação educativa, é a prática da democracia direta. Os miúdos estão ali a participar e a dizer e a pensar e não fazemos votações. Tentamos chegar a consensos, o que é uma coisa completamente diferente, não é? Discutimos, apresentámos as nossas questões, de forma a tentar convencer o outro. E quando estou a falar disto é entre miúdos, a tentar convencer os miúdos. Criar-se um diálogo de tal maneira que o outro perceba os pontos de vista dele e vice versa, para se chegar a uma... Porque as votações valem o que valem, não é? De que me adianta uma votação? Então aquela é a melhor posição se eu não estou convencido que aquela é a melhor posição?

Referência 3 - 2,26% Cobertura

Envolverem-se e verem como é que os projectos podiam nascer nas turmas. "Ah, mas as minhas não dão sugestões nenhumas". A verdade é que os miúdos muitas vezes não dão sugestões porque os professores não lhes dão a voz. Não dão a voz, não dão oportunidade para isso. E às vezes é um bocadinho difícil. É um bocadinho terrível. É ter que dizer "olha, desculpem lá, vamos falar de outra coisa, porque já estou cansada de ouvir falar mal dos meninos", não é? Porque depois por mais que se pense, que se diga "mas então vamos ver como é que podemos fazer para ajudar este menino", porque a verdade é esta: temos muitos problemas e cada vez com crianças mais novas. Crianças de seis anos que trazem problemas inimagináveis. E a questão é "mas eu não estou aqui para apanhar porrada dele". Pois, não está. E também acho que sim, que não está. Então o que é que vamos fazer? Não é? Mas essa discussão na escola não se põe, na escola não se põe! Tem culpa a educadora, tem culpa o pai, tem culpa a mãe, tem culpa a criança, coitada, que eu acho que é a única que não tem culpa nenhuma. E depois, não se pensa sobre "o que é que eu posso fazer para que isto não aconteça?".

Referência 4 - 0,97% Cobertura

O que me dá mais prazer no trabalho? Ver meninos interessados a fazer o trabalho que estão a fazer. A diversidade. A diversidade de trabalhos que se produzem, às vezes, ao mesmo tempo. O que não gosto? Não gosto de às vezes me chatear com os meninos. Também me zango, não gosto. Sobretudo, não é por eles, é por mim, pela minha atitude que não está a ser coerente com aquilo que defendo. Mas isso é mesmo o que eu odeio, é às vezes não estar a ser correta com os meninos, é o que mais me preocupa.


Arquivos\1º Ciclo\Gabriela - § 4 referências codificadas [4,79% Cobertura]

Referência 1 - 0,83% Cobertura

Era muito engraçado, era muito engraçado! Pronto, eu lembro-me muito bem. Ah! E depois fizemos essa história e no fim representamos para os pais, no fim do ano. Eles gostaram muito de representar porque eu também gostava muito de representar. Se eu gostava, tentava incutir a ideia de representar, fazíamos histórias, brincadeiras, dramatizávamos. Então depois fizemos isso para os pais, dramatizámos a história. Depois de ter a história toda, claro, demos uma composição mais airosa para os meninos poderem representar e depois os pais foram à escola. Eu acho que até tenho um filme disso! Porque depois os pais faziam filmes e lembro-me que me ofereceram, mas eu agora não sei onde é que o tenho. Eram histórias engraçadas.

Referência 2 - 0,56% Cobertura

Fizemos coisas muito bonitas, muitas saídas, muitas viagens de estudo. Chegámos a ir à Assembleia da República com eles e eles adoraram e eu também que nunca lá tinha ido (risos). Fomos a Vila Viçosa, ver o Palácio dos Reis - não lembro agora do nome do Palácio - ao Jardim Zoológico, à praia, ao campo. Fizemos muitas visitas de estudo e visitas a monumentos aqui em Trancoso. Visitávamos os monumentos todos que eu acho que eles aprendem muito mais vendo do que estando só na teoria, não é?

Referência 3 - 1,80% Cobertura

Eu lembro-me de convidar uma professora, aqui há uns anos, para ir à minha escola para contar aos meninos como é que era a escola no tempo dela. E ela veio ali e os garotos adoraram. Ela a contar que levava uma escalfeta, que faziam horas debaixo de chuva para ir para a escola, que as sacolas eram feita de uma serapilheira que as mães lhes faziam, que passavam frio na escola, que levavam a merenda. Portanto, essa professora reformada, eu convidei-a um dia para ir lá à escola para contar aos miúdos. Eu também lhes contava muita coisa, mas é diferente estarem a ouvir a professora que veem todos os dias, ou uma professora que fosse de fora. E foi outra senhora, também, uma avó - ela tinha lá o neto - contar que ela tinha estado em Angola e como era também o ensino lá e como iam para a escola. Eu acho que isso tudo enriquece! Enriquece muito os miúdos e que é bom e não está sempre a mesma professora, porque é diferente ir uma pessoa de fora e eles gostam imenso de ver lá os pais. Eles gostam imenso de ver os pais na escola. Uma vez por mês, um pai ir à escola, a ajudá-los, a dar aulas, a contar histórias, falar sobre os cheiros e sabores. Por exemplo, todos os anos tínhamos um projeto que era "cheiros e sabores da nossa região", durante os seis ou sete meses que tínhamos escola, uma mãe inscrevia-se, fazíamos a ficha, dizia-me qual era a planta que queria levar, para que é que servia... Houve mães até que levaram plantas em que faziam lá o chá e levavam um bolo. Os miúdos todos contentes: "hoje é minha mãe que vem cá" . Eu acho que isso é muito enriquecedor!

Referência 4 - 1,60% Cobertura

Agora era fundamental para mim criar jovens conscientes, críticos, honestos e depois o ensino, também, muito importante para mim que eles aprendessem muita coisa, não só da escola, mas do mundo em si. Deixá-los falar, dentro da sua hora claro, mas dos conhecimentos que eles tinham e pronto. Eles também tinham muitos conhecimentos e acho que era muito bom levá-los para a escola. Também queria que fossem bons alunos, que aprendessem bem. Eu dizia sempre "nós temos que treinar muito". Eu dizia muitas vezes "olha o Ronaldo, porque é que ele é tão bom jogar à bola? Porque treina. Pronto. Então nós treinamos, treinamos, treinamos e também somos bons". E querermos ser todos bons. Não é "eu tenho que ser o melhor". Nós temos de ser bons e aquele também tem que ser bom e podemos ser, se nós quisermos! Ser bom aluno e boa pessoa também. E assim nós vivemos muito melhor no mundo, quando as pessoas são boas e quando somos amigos uns dos outros. E depois, como eu dizia, gostava e gosto muito português de explorar textos, de fazer rimas, de fazer poemas com eles. Portanto, eu criava neles o gosto disso. Dramatizações. Gostava muito de dramatizações, às vezes um texto que se proporcionava para dramatizar. Porque acho que é alegre, que é bonito, porque a gente aprende, aprende brincando e aprende-se brincando. E que eles fossem felizes na minha escola, e era aquilo que eu gostava que eles fossem.


Arquivos\1º Ciclo\Gaspar - § 1 referência codificada [2,90% Cobertura]

Referência 1 - 2,90% Cobertura

Dos projetos que mais me agradaram foram os projetos de férias. Tinha também a faculdade. Aqui, na Junta de Freguesia, fazia parte da direção de Associação. Estive aqui, muitos anos, na minha localidade a dar aulas. Às vezes diziam que os santos de casa não fazem milagres, mas eu gostei de cá estar. Nesses anos, fiz coisas com os alunos e miúdos cá da terra - que mais me agradaram. O que mais me agradava eram as férias desportivas. A maior parte deles não tinha grande possibilidade de sair, então com o apoio, na altura da FNAJ e o Instituto da Juventude, faziamos algumas atividades de verão e isso foi muito gratificante. Mesmo miúdos cujos pais nao eram de cá e estavam a viver noutra localidade, vinham nas férias e fazíamos as atividades. Eles gostavam muito de cá estar. Faziamos muitas coisas, desde saídas, caminhadas, atividades de bicicleta, visitas de estudo. Acho que, às vezes, até fazia algumas coisas que se fosse hoje já não podia fazer. É levar os miúdos ao museu, no ano em que ele abriu. Ainda não tinham sido inauguradas as gravuras rupestres. Era naquele verão que estava a falar-se das gravuras rupestres. "Vou levá-los ao Côa a ver as gravuras!".


Arquivos\1º Ciclo\Gisela - § 3 referências codificadas [3,43% Cobertura]

Referência 1 - 1,32% Cobertura

Acho que a escola é uma coisa tão vasta que nós temos que ter imaginação e ver o que é que é melhor agora neste momento. O que é que eu posso fazer agora. Quando me dizem assim "tens que seguir isto, levar uma planificação". Claro que eu posso ter os tópicos do que vou dar. Agora quando me dizem, até mesmo nas aulas assistidas, se o professor não tocou naquele ponto ou naquele, já falhou, Por amor de Deus! Então, mas as nossas aulas são assim uma limitação que nós temos? Não podem. Nós temos que ver no momento o que é mais importante. E se me obrigam a seguir aquela planificação que eu tenho ali, não estou a ter liberdade. Olha, eu às vezes sentia uma revolta dentro de mim, mas apesar de tudo, não me vejo a fazer outra coisa.

Referência 2 - 1,76% Cobertura

Eu tive um miúdo muito complicado, não foi neste quarto ano, foi no anterior, que eu nunca tive na minha vida. Um miúdo tão difícil de se adaptar à escola. Ele ficava manhãs inteiras a chorar, mas a chorar alto. E eu dizia à mãe assim "Olhe, fique aí na sala até acalmar o miúdo." Eu sabia que a coordenadora não gostava muito que lá entrassem na escola, o diretor dizia que os pais não podiam entrar na escola, mas eu, perante aquela situação, eu dizia à mãe "senta-se ao lado, quando estiver mais calmo você sai". Acho que nós temos que trabalhar conforme as situações, conforme cada criança. Nesses casos porque é que não devemos deixar entrar o pai ou a mãe acalmar o miúdo, dez minutos, até que o miúdo começasse a ficar mais sossegado. E eu acho que temos que fazer o melhor, entender o que é melhor e ver o que é melhor naquele momento. Não haver coisas assim tão rígidas. Não tem que ser assim. No momento é que vemos aquilo que é mais saudável e o que é melhor para todos.

Referência 3 - 0,36% Cobertura

Dá muito trabalho, eu nem sei como é que eu aguentava a noite, serões a fazer assim estas coisitas. Depois no dia seguinte ter lá uma coisa diferente para os motivar, mas tudo se fazia, tudo se fazia.


Arquivos\1º Ciclo\Graziela - § 3 referências codificadas [2,28% Cobertura]

Referência 1 - 0,71% Cobertura

No final do ano, o miúdo já com 15 anos, com barba, era pequenito, gordito, com barba…reprovaram-no, para ele ir novamente para os miúdos de 10 anos. E eu, na altura, escrevi que não concordava com a retenção, porque aquele aluno não se podia juntar aos miúdos…a idade cronológica não correspondia à nova turma. E depois ainda me chateei com os professores, porque eles ficaram zangados, porque na altura aquele meu depoimento tinha muito valor. Agora não sei como é que isso está, mas tinha muito valor. O miúdo chumbou, não é? E eu disse, aos professores: “Os únicos que são obrigados a estar aqui na escola são os alunos, os professores estão porque querem”. Quase que me comiam viva, mas eu não disse mentira nenhuma. Quase que me comiam viva.

Referência 2 - 0,78% Cobertura

Eu comecei a ir a casa dos pais tinha a minha filha um ano, há 31 anos, em Lagos. Porque eu estava lá a apoiar seis alunos, e às vezes, eles moravam nuns bairros…nuns barracos, e se eu não os fosse buscar, eu não tinha alunos. E eu então ia com a empregada, porque eu sozinha não ia para aquele meio, porque era ciganos, era isto e era aquilo, ainda cheguei a ter um: “Eu também não andei na escola e estou aqui”, porque vivia tudo era de rendimentos… Depois…até cheguei a ir buscar um ciganito e tudo, nós, ao irmos buscar os filhos a casa, para eu ter alunos, que eu tinha seis alunos, se eu não os fosse buscar não tinha alunos. Não tinha, pronto. Eu ia buscá-los. E isso, o pai…pronto, mostra interesse ao pai, “Afinal a professora veio a minha casa buscar o meu filho”, portanto a professora está interessada…

Referência 3 - 0,79% Cobertura

Mesmo no 2º Ciclo, eu ia a casa dos pais. No 2º Ciclo, quando o aluno não aparecia na escola, eu ia a casa. Olhe, eu cheguei a ir aqui a um bairro, mas aí fui com o meu filho, que eu não ia sozinha, a um bairro social que é abaixo da linha, que lhe chamam o Iraque, não sei se conhece?

Entrevistadora: Não… Aqui, do lado de cá, aqui em Gaia?

Graziela: Não, aqui em Valadares, mesmo abaixo da estação de Valadares, tem lá um bairro social, que lhe chamam o Iraque, portanto já está a ver o estilo de bairro. Eu cheguei a lá ir, a esse bairro. Uma vez fui lá com o meu filho, não tinham nada dentro do frigorífico, tinha €20 na carteira, isto já para aí há 20 anos. Eu fui aos €20 que tinha na carteira e dei-lhe os €20. Fiquei tão chocada… Mas, cheguei a arranjar casa a um aluno que o puseram fora, a ele e à avó, percebe…


Arquivos\1º Ciclo\Ilda - § 4 referências codificadas [2,39% Cobertura]

Referências 1-2 - 1,71% Cobertura

Mas, pronto, foi muito interessante, logo nesse ano as duas, também, um bocado revolucionárias, formámos uma associação de pais, porque, na altura, era também mal visto, os pais na escola, então foram fundamentalmente pais das nossas duas turmas, não é? Eu lembro-me do pai do meu F., que era um senhor já reformado, e muito disponível, e que vinha ter connosco e dizia-nos: “mas, oh professoras, digam-nos o que que é que a gente pode fazer, digam-nos o que é que a gente há-de fazer”, portanto, muito interessante, muito disponível. Entretanto, a M., no seu projeto de final de curso, fez sobre formação do centro de recursos na escola, e então no fundo combinou com alguns pais e crianças, constituiu um grupo, fora do tempo letivo, no fundo para classificar os livros todos, e para organizar um centro de recursos na perspetiva atual, um centro de recursos enquanto biblioteca, computadores… E em vez de ela impôr um sistema de classificação, os meninos, no fundo, tentaram perceber que livros tínhamos, e a partir daí emergia a classificação. Foi um projeto muito interessante. E pronto, e montou-se, a Câmara pôs grades, era uma sala de rés-de-chão, pôs grades nas janelas, fez não sei o quê, tínhamos o centro de recursos, já tínhamos um plano de classificação, tínhamos os livros… durante as férias de verão, a escola foi assaltada, tiraram as grades, tiraram, portanto as grades estavam aparafusadas, de fora! Levaram tudo, foi uma coisa horrível… Então, passaram o centro de recursos para um espaço mais reservado, no primeiro andar, com uma porta blindada, não de acordo com aquilo que é perspetivado, que o centro de recursos deve ser um espaço mais central da escola, mas pronto, foi a forma que tivemos de recuperar o centro de recursos.

Referência 3 - 0,47% Cobertura

sempre por trás, por trás, ao lado, pela frente, há sempre um trabalho paralelo no Movimento da Escola Moderna. Grupos cooperativos, lembro-me que, na altura, tive um projeto de investigação-ação, sobre, exatamente, a aprendizagem da leitura e da escrita, e depois daí decorriam alguns escritos que entretanto fui fazendo na Revista da Escola Moderna, portanto, a aprendizagem não foi só pela prática pedagógica, foi por esta formação, autoformação, e pela escrita, e pela escrita.

Referência 4 - 0,21% Cobertura

apresentei um projeto que era oficinas de escrita, primeiro ano e pré-escolar, que me deu imenso prazer, imenso prazer, descobri imensas coisas dos meninos do pré-escolar… escrevi, também, um artigo, para a Revista,


Arquivos\1º Ciclo\Inês - § 4 referências codificadas [6,37% Cobertura]

Referência 1 - 1,58% Cobertura

A primeira coisa que decidi fazer era uma escola do plano dos centenários - não sei se sabe como é que é. Tinha um recreio onde chovia imenso, os miúdos nem sequer podiam lá estar... pedi à Câmara Municipal para me fechar o recreio e fiquei com aquele espaço todo fechado. Montei aí uma oficina para os miúdos, montei um canto de pintura, montei uma série de coisas para eles poderem fazer qualquer coisa enquanto estavam no recreio, porque o recreio não tinha condições. Lembro-me que cheguei a essa escola e a escola estava cheia, cheia de carteiras daquelas carteiras antigas, castanhas...

Referência 2 - 1,24% Cobertura

E a escola horrível, uma coisa fria… então pedi mesas à Câmara Municipal. As carteiras pedi a pais que me serrassem a parte de trás, fiz bancos. Pintámos os bancos de cores, amarelo, vermelho, azul, todas as cores... fiz uma sala de entrada assim toda colorida e depois no recreio... a escola ficou assim. Porque, para mim, era muito importante o espaço. Um espaço que fosse agradável para os miúdos, que fosse agradável para mim. E nessa escola fiquei 20 e tal anos.

Referência 3 - 1,74% Cobertura

Fui quase sempre presidente do conselho docente. Primeiro, era presidente do conselho escolar, depois modificaram a nomenclatura. Também tentava que as nossas reuniões – lembro das primeiras reuniões, voltando atrás...dessas reuniões com os colegas mais velhos, em que as pessoas iam e levavam crochê para fazer, na reunião. Era só para passar o tempo. Falavam em grupo, mas levavam o crochê, as pessoas mais velhas levavam crochê. Quando comecei a ser presidente do conselho escolar... temos de modificar isto, não vamos ficar aqui duas horas sem fazer nada. Começámos muito a falar de projetos, e a desenvolver projetos e a rentabilizar aquele tempo.

Referência 4 - 1,81% Cobertura

Pronto, olhe, tentava da melhor forma. Às vezes, chamava à atenção, dizia: “Olhem, se estamos aqui, se temos de estar aqui, o melhor é rentabilizarmos o tempo, fazer qualquer coisa, discutir qualquer coisa". Eu tentava sempre. Depois, nos últimos anos, era colegas, tudo já mais novo, as pessoas mais idosas já se tinham reformado e já era mais fácil. Já desenvolvíamos muitos projetos a nível concelhio e com as educadoras – nessa escola onde estive 24 anos trabalhávamos imenso com as educadoras, que eram as que estavam mais próximas de nós. A nível de freguesia, fazíamos espetáculos de final de ano, de Natal, essas coisas todas fazíamos sempre em conjunto e com a comunidade.


Arquivos\1º Ciclo\Irene - § 11 referências codificadas [7,48% Cobertura]

Referência 1 - 1,19% Cobertura

Eu queria trabalhar com crianças, portanto eu estava num agrupamento de escolas que tinha uma escola bilingue para alunos surdos, portanto, a minha especialidade. Foi para essa escola que acabei por concorrer, para esse agrupamento precisamente para poder trabalhar na minha área, com os surdos. Portanto, tinha turmas de primeiro ciclo. Portanto, eu trabalhava com alunos surdos de primeiro ciclo, que tem a turma específica. Mas como eu sou muito apologista da inclusão, embora na escola bilingue os meninos surdos, severos e profundos, devam estar juntos para poderem em língua gestual, receber o seu currículo, currículo de primeiro ciclo. Eu tentei sempre que os meninos estivessem juntos com meninos ouvintes para poder, mesmo nas questões da aprendizagem, não só nos recreios, não só nas atividades mais práticas como educação física e, às vezes, artes. Não só aí, mas também nas aprendizagens. Então eu fazia parcerias com os meus colegas para podermos fazer troca de trabalhos, para fazer trabalhos em conjunto.

Referência 2 - 0,82% Cobertura

Portanto, nós fizemos e depois começámos a fazer, eu e as minhas duas colegas, com o apoio de algumas pessoas surdas que fomos conhecendo, adultas, começámos a fazer o levantamento dos meninos surdos que havia no distrito e começámos a apoiá-los. Na época deslocávamos às escolas e fazíamos o apoio dessas crianças. Percebemos que, numa altura em que já estávamos de alguma forma esclarecidos, e eu, através do movimento da Escola Moderna, mais uma vez, porque sempre estive ligada, percebi que era impossível as crianças surdas poderem fazer aprendizagens sem o domínio de uma língua, estou a falar destas que não tinham acesso de facto à língua oral devido ao tipo e ao grau de surdez que tinham.

Referência 3 - 1,31% Cobertura

Entretanto, eu tive um convite para ir para a Direção Regional de Educação do Alentejo e acabei por aceitar para a parte da Educação Especial e de alguma forma entrei primeiro no centro da área educativa e depois, mais tarde, no Instituto, quando os centros desapareceram na direção nacional, e estive lá 14 anos, sempre na área da Educação Especial. Portanto, era responsável de alguma forma pelo acompanhamento e aconselhamento às escolas na área de Educação Especial de todo o distrito e também no concelho de Alcácer do Sal. Portanto, aquilo que resolvi depois fazer, eu e estas duas colegas com quem trabalhávamos, íamos percebendo o que é que se passava com os surdos ou com a população surda. Pronto, percebemos que a Língua Gestual, como já disse, era essencial. Acabei por propor à Direcção Regional que contratasse, e a única forma era contratar à hora, porque não havia quadros, estas pessoas surdas que pudessem ir à escola e ao jardim de infância poderem ensinar Língua Gestual aos meninos surdos e a quem rodeava na época, para eles poderem comunicar e para para os professores poderem também comunicar com eles

Referência 4 - 0,56% Cobertura

Ao mesmo tempo, eu ia propondo formações para os professores de Educação Especial e para os do regular também com estas pessoas, quer com os cegos, quer com os surdos. E trazia pessoas. Houve algumas pessoas, por exemplo, que eram professores também e praticavam o Movimento da Escola Moderna, mas trabalhavam com cegos e com surdos e vinham fazer formação para poderem passar experiência e poder formar os professores de Educação Especial, a maioria não tinha especialização

Referência 5 - 0,56% Cobertura

Este despacho saiu em 1996 ou 97, talvez. Mas entretanto, desde 92 que este grupo de pessoas em Évora já fazia isso. Portanto, o que nós fizemos foi logo a partir de 92/ 93; começámos a tentar juntar os meninos surdos numa escola só, os meninos do primeiro ciclo e depois avançámos para os outros ciclos. Mas primeiro ciclo e pré escolar numa escola só. Foi muito difícil, porque as pessoas não estavam habituadas e tinham muito medo de ter os meninos surdos nas suas escolas

Referência 6 - 0,85% Cobertura

Penso que tivemos alguma influência junto da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular, porque como estava na Direcção Regional, havia reuniões a nível nacional no Ministério, portanto na DGIDC. Eu representava de facto a parte da Educação Especial e a questão dos surdos. Nós depois púnhamos em comum a experiência que tínhamos de norte a sul. Havia depois um representante do norte. Era por regiões. Eram cinco regiões e portanto, íamos partilhando o que se fazia nas suas zonas. Eu acho que nós tivemos alguma influência depois na criação deste despacho, porque o despacho depois veio, mas também estava em discussão já a educação dos surdos e o facto de não haver língua gestual já estava a ser muito contestado.

Referência 7 - 0,21% Cobertura

. Portanto, eu sabia que era por aí que tinha que ir o ensino de surdos e fiz uma grande pressão, eu e os meus colegas conseguimos de alguma forma alterar aqui o ensino de surdos

Referência 8 - 0,41% Cobertura

Depois em 2009 voltei à escola para poder trabalhar na minha área com alunos. E assim foi, comecei a trabalhar com surdos ali na escola, mas fui ao mesmo tempo, passados logo dois anos, fui eleita Coordenadora do Departamento de Educação Especial e foi um cargo que desenvolvi até sair. Era um bocadinho pesado porque o Departamento era muito grande.

Referência 9 - 0,60% Cobertura

Fizemos imensas coisas e uma das coisas que fizemos com a ajuda de muitos dos pais, foi uma sessão de fados traduzida em Língua Gestual, nesta escola que encheu; o nosso anfiteatro tem cento e tal lugares, encheu e muito, e muitos ficaram de pé. O anfiteatro da escola, portanto, não só foram os professores, foi a comunidade em geral que assistiu e que foi um bom momento para que os pais pudessem movimentar-se e para que se pudesse divulgar a Língua Gestual através de uma outra forma, que foi neste caso o fado

Referência 10 - 0,32% Cobertura

Nós, por exemplo, criámos também a Associação de Surdos de Évora, fomos nós os professores. Foi em 1998 que foi criada com os pais. Foi essencialmente com os pais, nós os professores com os pais. E aí eles também tiveram uma influência enorme e movimentaram-se bastante

Referência 11 - 0,66% Cobertura

E portanto, eu até tenho um artigo que escrevi em 2007 das equipas que acompanhei sobre uma experiência que se desenvolveu nessa altura. Marcou-me imenso. Os meninos não eram meus alunos, mas era a família sobre os quais eu escrevia naquele artigo. Depois, o Ministério da Educação publicou e é utilizado, que descreve a vida de uma criança que estava em perigo e também da evolução da sua mãe e a evolução daquela pessoa, daquela mãe enquanto pessoa também. Portanto, as aquisições que ela fez acompanhada pela intervenção precoce. E isso foi muito gratificante


Arquivos\1º Ciclo\João - § 3 referências codificadas [7,38% Cobertura]

Referência 1 - 1,93% Cobertura

Não havia grandes constrangimentos. Os professores do primeiro ciclo têm essa grande liberdade de adaptar. Havia uma outra coisa que nos fazia bem. Saíamos da escola sempre sem pedidos. Não sei se a lei já exigia alguma comunicação com a delegação escolar, acho que não. Portanto, saíamos. Visitámos a Quinta da Bacalhoa… saíamos para o campo, ali em Vendas de Azeitão. (incompreensível) fizemos estimativas, métricas, andando pela estrada, contando os metros com 120 passos que correspondia a 100 metros. Essas coisas, essa liberdade grande que nós tínhamos, permitiu depois criarmos condições na escola, por exemplo, na Aldeia Grande. Espaços de pintura, biblioteca. Comprei umas ripas que tinham umas ranhuras para os livros ficarem nos escaparates.

Referência 2 - 4,54% Cobertura

Houve um grupo de quatro jovens que vieram aqui para a Escola M.. mas não estavam totalmente integrados. Era uma integração e uma experiência, nomeadamente nas áreas fortes da Educação Física e Educação Visual, claro. Tinham também algum tempo com aulas de Língua Portuguesa com colegas e tinham um tempo comigo no desenvolvimento da Língua. E criámos um espaço que, neste momento, é onde funciona a Escola Moderna, em Setúbal, equipado com espelhos destinados a esse projeto. Esses miúdos depois ainda passaram o outro ciclo. Estiveram aqui no sétimo e no oitavo, porque havia crianças com deficiência auditiva profunda. Eu sempre defendi a Língua Gestual, mas eu não a dominava nem tínhamos comunidade. De maneira que esses miúdos foram encaminhados para a Quinta de Marrocos. Tinham uma verdadeira comunidade de surdos, uns professores à altura, pronto. E eu articulava com os professores, nessa experiência, por que passaram. Depois, fizeram aqui o quinto e o sexto anos. No âmbito desse projeto, foram para o terceiro ciclo. Ficámos com eles na Quinta de Marrocos e claro um surdo prefere estar com surdos (incompreensível) e já tinham Língua, já tinham mais linguagem.
E houve um outro grupo que seguiu, digamos, as pegadas, mas nem chegou a ir para a Quinta de Marrocos, no quinto ou nono ano. E, entretanto, houve mudanças ao nível do Ensino Especial até chegarmos àquele período em que vim para aqui.
Portanto 90 e 92. É quando este projeto é implementado. Passada meia dúzia de anos, os núcleos de apoio às crianças com deficiência auditiva acabam e são completamente integrados nas escolas. Numa escola de referência onde vou também acompanhar estes miúdos; esses miúdos e não só. Ainda havia muita liberdade. No fundo, é quase um modelo pedagógico construído.

Referência 3 - 0,91% Cobertura

E o melhor é, no fundo, a mim custa-me deixar alguém para trás. É uma coisa que mexe comigo.
E passar isso aos professores e olhe depois, algumas vezes, encontrei outros colegas e diziam valeu a pena, tinha razão. Percebem agora, à distância. Professores de Língua Portuguesa, ali todos orgulhosos do seu percurso. Professores profundamente respeitados.


Arquivos\1º Ciclo\Mónica - § 3 referências codificadas [1,11% Cobertura]

Referência 1 - 0,48% Cobertura

Depois também se entrou em contacto com o centro de saúde, a nutricionista foi lá fazer uns encontros com as mães e os alunos, e depois era engraçado: “Estás a ver, mãe? Eu disse-te que não fazia mal comer fruta e leite,” por exemplo [risos]. A mãe dizia que fazia mal ao menino e a nutricionista [dizia] “não, não faz mal.” “Estás a ver, mãe? Estás a ver como não faz mal?”

Referência 2 - 0,31% Cobertura

Outra coisa que eu fiz aqui no Porto, há muitos anos atrás—ainda há mais anos—que eu adorei, que foi levar a minha turma, todos os domingos eu ia com a minha turma ao teatro Tivoli assistir aos concertos, como é que se chama, aquele maestro…?

Referência 3 - 0,32% Cobertura

Meados de noventa, exatamente… Ia com os miúdos, não era obrigatório para eles irem, mas eles apareciam todos ou quase todos. E havia outros que as mães não gostavam nada daquilo, deixavam-me as crianças à porta do teatro e íamos ouvir os concertos do…


Arquivos\1º Ciclo\Morgana> - § 3 referências codificadas [2,39% Cobertura]

Referência 1 - 0,46% Cobertura

Voltei para a escola. Portanto, eu tenho uma série de blogues online, que foi os blogs que eu fiz depois com as minhas turmas que tive, depois veio esta coisa do Crato e eu desiludi-me muito com esta via neoliberal na educação e eu quis me reformar e já não aguentava mais e queria fazer outras coisas.

Referência 2 - 1,60% Cobertura

Ele tinha ido buscar os filhos à escola e eu saí ao mesmo tempo e íamos a pé pelo passeio e ele ia aos gritos com o miúdo, não sei o que, eu desafaço-te... Duma maneira completamente assustadora e desadequada no meio da rua. Mas assim deste estilo, anda cá que eu mato-te, anda cá que eu desfaço-te. Eu pus-me mesmo no meio entre os dois, e ter olhado o senhor na cara e disse: oh senhor C não pode falar assim com seu filho. Não se faz assim com uma criança pelo pior que ele tenha feito por aqui, pelo pior que tenha acontecido. Não pode falar assim com ele. Acalme-se, e sobretudo no meio da rua. Acalme-se lá e depois em casa ou daqui a um dia, ou isso logo fala com ele e logo resolve a situação com ele. O homem caiu nele. E passou a considerar-me de uma maneira diferente, a professora tem razão. Obrigada, professora tem razão. Foi mesmo uma coisa de ter reagido ali na altura, de deparar com aquela situação que era de uma violência inacreditável, de violência verbal completamente despropositada. Como ele conseguiu foi maravilhoso, foi fantástico.

Referência 3 - 0,34% Cobertura

Eu podia não ter feito nada, mas naquela altura e naquela situação, e sendo professora do miúdo, aquilo custou-me tanto e foi quase uma coisa assim: tens que intervir, tens que dizer qualquer coisa, não podes deixar passar.


Arquivos\1º Ciclo\Nélia - § 3 referências codificadas [2,60% Cobertura]

Referência 1 - 0,64% Cobertura

Eu, a partir dessa altura, comecei a valorizar muito a autonomia. Foi uma das coisas que me fez começar a valorizar muito mais a autonomia. Foi quando trabalhei com estas crianças e a valorizar muito mais cada pequeno passo. Entenda-se passo como uma pequena aprendizagem, qualquer tipo de aprendizagem que eles façam, por muito pequena que seja, para quem trabalha com eles aquilo é um passo de gigante. E então habituamo-nos a valorizar este tipo de coisas.

Referência 2 - 0,34% Cobertura

Eu acho que são experiências de vida. Nós tínhamos uma vez aulas em Faro ou noutro sítio qualquer, depois tínhamos em Sevilha, em determinadas terriolas que tinham trabalho em comunidades ciganas, portanto de grande intervenção na comunidade.

Referência 3 - 1,61% Cobertura

Faz o melhor que pode e sabe. Então e no dia a dia? Quando os problemas se nos apresentam? Porque nós todos os dias - e sabe muito bem - o nosso trabalho não é rotineiro, nós podemos ter uma rotina, chega à sala, distribui cadernos, rega as plantas, fazemos isso, fazemos aquilo. Mas mesmo dentro desta rotina, há sempre um fora da rotina. Há sempre um imprevisto. Há sempre um copo que se derramou, há sempre uma queixa, há sempre aquelas coisas que a gente sabe. Estou-me a lembrar, um dia eu tinha feito umas experiências com os miúdos, aqui há uns anos - nós estamos há 13 anos numa escola nova - na escola dela fiz uma experiência com os miúdos. Uns trouxeram café, outros trouxeram vinagre e tinha lá um que a mãe tinha um café e eu pedi para trazer um bocadinho de aguardente. Ele trouxe um frasquinho de aguardente, uma garrafinha d'água com aguardente. Então não quis deitar fora. Pus lá atrás. Podia ser que viesse a fazer falta para uma brincadeira ou algo assim. Um dia de manhã entro na sala e era um fedor a aguardente, um mau cheiro. Tinha sido a funcionária, que tinha visto aquela garrafinha com água e tinha deitado nas plantas (risos).


Arquivos\1º Ciclo\Roberta - § 1 referência codificada [0,21% Cobertura]

Referência 1 - 0,21% Cobertura

Posso-lhe dizer como é que eu olho, eu não cumpro nada disso! Escrevo sumários aldrabados e continuo a fazer o que fazia.


Arquivos\1º Ciclo\Zacarias - § 1 referência codificada [0,41% Cobertura]

Referência 1 - 0,41% Cobertura

Pelo menos bloqueou-os. Pelo menos bloqueou. Foi um empecilho que puseram ali. Um empecilho! Eu nunca liguei muito porque eu saía quando queria, mas mesmo na aldeias já incomodava um bocadito.


Arquivos\2º Ciclo\Adelina - § 7 referências codificadas [14,10% Cobertura]

Referência 1 - 2,91% Cobertura

Muito novinha e, portanto, eu disse: "Desculpe, é que sabe, eu sou professora". E ela: "Ai desculpe!". Aquelas coisas. A experiência de dia foi interessante, mas a experiência da noite ainda foi mais interessante. Isto porquê? Porque fui trabalhar com alunos, alguns mais velhos do que eu. Portanto, alunos já com família, homens que estavam a acabar a sua formação. Eu fui assim um bocadinho atirada às feras porque fui logo trabalhar com disciplinas, porque eu era de electrotecnia mas a minha formação inicial... aquilo que se comparava com outros colegas que tinham vindo das escolas técnicas, já vinham com alguma formação prática muito diferente da nossa, uma vez que nós tínhamos a formação da formação feminina. Portanto, não estávamos tão habilitados como eles e, portanto, eu fui logo atirada um bocado às feras, como eu digo, porque fui logo dar uma cadeira de laboratório em que eu não me sentia tão à vontade como isso. Mas os alunos foram impecáveis e, portanto, eu, ao fim e ao cabo, era aluna deles como professora. Ao mesmo tempo, houve ali um intercâmbio fantástico de conhecimento e de prática que me deixou realmente muito agradada e com muito boas recordações. Porque a turma era pequenina, eram seis ou sete indivíduos da noite e, portanto, eles tratavam-me muito bem. Eu era novinha, tinha acabado de me formar e, portanto, eu também fui muito aberta com eles, dizendo qual era a minha situação, mas fizemos ali um trabalho muito interessante! Qualquer das formas, eu também era bastante apoiada pelos outros colegas e foi uma experiência realmente muito interessante.

Referência 2 - 1,47% Cobertura

Depois de Santo Tirso fui para Vila Nova de Famalicão, também para o segundo ciclo. Tive algumas experiências interessantes com meninos que eram ciganos. Esse trabalho era um trabalho difícil, porque as meninas queriam continuar a estudar, mas não podiam, não as deixavam. Umas até já casariam no ano seguinte - por aí. Pronto, a escola em si ainda ainda fez um trabalho interessante em fazer o acompanhamento dessas famílias no sentido de fazer com que os miúdos continuassem a estudar - as miúdas fundamentalmente. Mas pronto, creio que o sucesso não foi assim muito nesse sentido, as coisas ainda não se resolveram muito nesse sentido. Quando eu estive em Famalicão, eu creio que já tinha saído a Lei de Bases do Sistema Educativo e, portanto, acho que é aí que as coisas começaram a levar um caminho.

Referência 3 - 3,63% Cobertura

Eu trabalhei com EFAs, tive uma experiência fantástica a trabalhar com EFAs e trabalhei com os meninos ditos mais complicados nos cursos CEF. Os cursos CEF foram cursos, na altura era importante que se começasse a resolver algumas franjas que estavam já um bocadinho fora do ensino e, portanto, ir buscar estes meninos para completar a sua escolaridade foi fantástico. Foi muito trabalho, tínhamos que ter um grupo de professores muito, muito dedicados a esta causa, porque senão era muito difícil trabalhar com eles. Mas fez-se um trabalho muito, muito, muito, muito bom nesse sentido. Claro que há sempre muitas coisas que eu acho que deveriam ter sido feitas, ou seja, deveria ter havido alguma continuidade, depois, no percurso destes meninos, porque muitos destes meninos ficaram por ali, porque o trabalho que deveria ter sido feito também com as famílias não foi feito. Porque nós queríamos levar os meninos depois de terem feito, por exemplo, o nono ano, e conseguirem entrar, por exemplo, em cursos profissionais em que nós lhes davamos as possibilidades todas de eles fazerem visitas, nós fazíamos visitas a tudo quanto era centro de formação. Nós íamos a tudo quanto era centro de formação para lhes dar a possibilidade de eles continuarem a estudar e prosseguirem os seus percursos escolares, tendo mais formação. Para já era muito difícil, porque as famílias não ajudavam. As famílias diziam: "Ai é muito longe, professora, não, não, isso é muito longe.". Eles tinham subsídios, como sabe com certeza, porque havia a possibilidade de eles serem subsidiados ao nível dos transportes, etc. Mas as famílias não ajudavam nada. Portanto, aí acho que deveria ter havido um trabalho diferente a nível não sei das autarquias, não sei. Mas de qualquer das formas, acho que o que se fez acho que valeu a pena. Ainda temos algumas experiências, hoje, de alunos que encontramos ou uma vez um ou outro vêm ter comigo. Nós não mudamos muito, eles mudam mais do que nós normalmente (risos)

Referência 4 - 2,61% Cobertura

Portanto, foi um período muito interessante. Com os alunos da noite, a mesma história. Houve um trabalho com os alunos adultos que foi fantástico! As pessoas manifestaram imenso interesse pelos cursos e houve, pelo menos em Perafita, nós fizemos um trabalho, acho eu, meritório. Do trabalho que fizemos com alunos que conseguiram fazer o terceiro ciclo e que depois fizeram o secundário e portanto acho que houve um trabalho muito compensador para as pessoas que estavam a trabalhar com estes alunos, para o grupo de professores, que também não éramos muitos porque não havia muita gente também interessada neste tipo de trabalho. Mas foi muito, muito gratificante e mais gratificante, pelo menos para mim, foi o trabalho que foi feito com alunos que nem sequer sabiam o que era um dossier. Lembro-me de dizer: "Têm que trazer uma capa grande ou um dossier". Para eles aquilo era tudo um bocadinho chinês. Isto porque eram pessoas com a escolaridade de há muitos anos, porque eram pessoas já com alguma idade, portanto, pessoas com 50 e tais anos, muitos deles eram operadores da Câmara, varredores de rua ou funcionários do cemitério. Mas eles adoraram a escola! Eles achavam que aquilo era um mundo novo, uma coisa totalmente deliciosa para eles. E, portanto, eles ficaram mesmo muito, muito, muito, muito reconhecidos por aquela possibilidade que tiveram. Para mim foi uma experiência, uma experiência muito marcante para mim.

Referência 5 - 1,63% Cobertura

Eles achavam quase que nós éramos deuses. Eles diziam assim: "Professora, mas como é que é possível eu fazer isto?". Eu até dizia: "Mas o senhor ainda me está a ensinar a mim, eu não lhe estou a ensinar nada a si, é o senhor que me está a ensinar a mim!". Havia uma outra aluna que desenhava muito bem e que me dizia assim: "Professora, como é que é possível?". Eu dizia "Tudo é possível, está a ver? É mais que possível. É a senhora que está a fazer. Não sou eu!", "Mas eu nunca fiz isto", "Está a fazer agora". Era uma coisa deliciosa. Quando viam os trabalhos expostos... depois, eles também a serem um bocadinho protagonistas... porque eles é que orientavam também as visitas às pessoas que iam depois à escola. Esse trabalho, eu vou-lhe dizer, esse trabalho com os adultos e com os alunos mais complicados das turmas de educação e formação realmente marcaram imenso o meu percurso escolar.

Referência 6 - 1,11% Cobertura

Sim, sim, acho que sim. Acho que sim. Acho que alargou-me um bocadinho os horizontes relativamente à estrutura e percebi, também, que as relações interpessoais são uma coisa um bocadinho complicada e, portanto, nesse aspeto, era preciso ter ali muito bom senso. Pronto, estar muito, muito atenta ao que se vai passando nos diferentes grupos, tanto a nível dos funcionários, como a parte da organização da secretaria, dos próprios professores, dos próprios alunos. Sim, acho que foi muito importante e acho que deixei marca. Eu acho que sim. Não gosto muito destas coisas, mas só estou a falar consigo (risos).

Referência 7 - 0,73% Cobertura

Realmente acho que é isto que me pode caracterizar. Pronto, eu tive sempre muito com esses meninos com mais dificuldades, a todos os níveis. Mas sim, acho que consegui. Acho que consegui deixar marcas nos meninos. Tenho quase essa certeza. Sim. Isso também me faz feliz... e se dissesse como a primeira pergunta, quase, se voltasse ao início, seria novamente professora? Acho que sim. Acho que seria!


Arquivos\2º Ciclo\Aldina - § 3 referências codificadas [22,64% Cobertura]

Referência 1 - 3,84% Cobertura

Eu como professora de Português, que é uma área onde eu tenho muita liberdade, posso levar os alunos para o parque e depois para o rio, desenhar e depois escrever sobre isso. Eu sempre tive essa liberdade, ali em Carnaxide não tinha, pronto. Não tinha porque a coordenação e a direção do agrupamento era muito aconselhada pelos pais, e depois havia pais que era "ai o meu filho não vai para o Rio, não vai desenhar, não vai conversar para o rio". Então as outras também não vão. Pronto, foi isso que eu senti. Isto para dizer, portanto, foi preciso aprender a dizer aos pais e à coordenação, a pôr algum travão. A dizer, "olha isso não faz falta", "não é preciso fazer isso". Mas eu percebo também que me era dado esse aval porque eu era velha. Por exemplo, estes últimos anos - nós estamos a falar enquanto diretora de turma - estes últimos anos eu tinha conselhos intercalares - agora estamos em conselhos de turma intercalares.- nestes conselhos intercalares vão os dois representantes dos pais - é de lei, isto apareceu na lei - e nós passamos a ter dois encarregados de educação, que serão os representantes e, em princípio, o diretor de turma perguntará na reunião alguma informação global e o que eles levam para ali são as especificidades. Eles deveriam só ter um quarto de hora, mas nós alargamos sempre para os ouvir, mas é levar para ali o que é global, o que é específico, não. Isto para dizer que nestes últimos anos os pais passaram-nos à frente. Porquê? Porque nós deixamos e porque eles quiseram. Não sei quem autorizou quem. Por acaso sabemos, vem de cima não é? Mas também vem da força que os pais fazem e, de alguma maneira, como estão tão dentro, também lhes é dado o aval de verificar o meu trabalho. E, também lhes é dado o aval à avaliação que eles fazem. Isto é completamente perverso! Não era assim. Portanto, quando se permite aos pais estarem - o que como finalidade e como filosofia estará certo - mas eu acho que não se teve em conta que a imagem e o papel do professor estava a perder terreno! Portanto estava a perder terreno, porque se tudo estivesse muito claro dentro da cabeça dos profissionais e do ministério, quando se abre a porta aos pais, seja nos conselhos de turma, seja nos conselhos gerais das escolas, seja abrir a porta da direção...porque a porta da direcção está sempre aberta para os pais. Claro, quando se abre a porta aos pais não está estabelecido qual é o campo deles. Nós estamos em crise, nós a profissão. Portanto, este imaginário coletivo da profissão está em crise. E então eu acho que entrou a perversidade. Mas é verdade, também, que reina muito bom senso. A maior parte dos pais tem muito bom senso, e a maior parte dos profissionais tem muito bom senso. Mas basta haver um chalado encarregado de educação para pulverizar, dinamitar todo um conselho de turma.

Referência 2 - 9,54% Cobertura

Eu tenho esta grelha, mas numa turma que era a minha direcção de turma em Carnaxide, era uma turma de sexto ano muito intensa, muito intensa. Era tão intensa que eles no mês de Outubro cantavam em sala de aula "Oh Benfica se eu fosse como tu, bebia coca cola e arrotava pelo cu". Mas não era um a cantar, não era um, é lógico que não eram todos, era aquela meia dúzia de palhaços e depois os outros palhaços a rir. Não era na minha aula! Na minha aula, até saíam pelas janelas se preciso fosse, era na aula de Matemática. E eu, enquanto fui directora de turma, sempre achei que, de alguma maneira, como eu era rija e rude, sempre achei que aqueles colegas que não têm a mesma estrutura, que eu podia ajudar. Portanto, com estes colegas que ainda estavam em formação, e enfim em que havia estas palhaçadas em sala de aula, eu dizia "isso vem diretamente para mim, qualquer informação tu informas-me e eu actuo!". Sempre na intenção de que os alunos e os colegas em causa percebessem que era só uma ajuda, porque não queria que os alunos pensassem que estavam dependentes de mim para não respeitarem aquela professora, de modo nenhum. Portanto, de vez em quando ia lá picar para os alunos perceberem. Quando eu soube disto, a minha colega D. disse-me "Oh Aldina, eles cantam isto na sala de aula" e eu até fiquei azul. "Em outubro? Mas se eles fazem isto em outubro, chegam a Maio e põem-te fora da sala de aula e dão eles a aula e fazem o que quiserem". Uma turma deste calibre, não é? Então eu já estava a pôr as grelhas e, então, inventei uma coisa que é os M&Ms, são os Miúdos Mudos. M&Ms que é o nome do chocolate. E eu disse "olha, nesta turma eu diretora de turma, vou dizer quem são os meninos M&Ms". Miúdos Mudos, são miúdos que não podem falar, só podem falar no final da aula, nos últimos cinco minutos. Podem falar, pôr dúvidas, dar respostas, podem falar, mas durante a aula inteira não podem falar. Bem, como imagina, isto fazia na sala de aula uma reação muito grande mas foi só na primeira aula. Porque depois eu ouvia-os não é? Porque isto foram duas coisas ao mesmo tempo. Eu continuava com as grelhas do comportamento para a professora de Matemática e na minha aula tinha esta questão M&Ms para meia dúzia de alunos. Nos últimos dez anos, a ansiedade aumentou, o dizer que 'não' em muitas casas tem diminuído. Portanto, os meninos dizem tudo quando e como querem. Eu ouvia-os no final da aula e "então dúvidas tens? O que queres dizer?". E aquilo custou na primeira ou na segunda aula, mas depois entrou na linha e depois, no final do mês, eu até dava um pacote de M&Ms aos meninos, dava-lhes um pacote grande. Aos outros todos, para não ficarem a olhar, eu dava-lhes um pacote dos pequenos. E isto funcionava. Eis senão quando, em janeiro, nessa turma do "oh benfica se eu fosse como tu", ainda por cima a turma estava completamente dominada, eu e os meus colegas, eu tinha um colega de História que era gordo, gordo, gordo e eles chamavam-lhe o Big Mac em sala de aula. A mesma turma. Isso para mim é inadmissível. Portanto, em janeiro, eu tenho um pai que é um homem que está na faixa etária dos 40 - que é uma geração de pais nesta altura que está cheia de si própria - é uma geração que não passou grandes dificuldades, foi muito ajudada pelos pais, muito ajudada pela vida, na década de 1980 e de 1990 em que o país teria mais dinheiro. Portanto são pessoas que têm, não todos, de maneira nenhuma, mas há uns tantos que são complicados. Então aparece um pai que manda emails a dizer que eu não sei o que estou a fazer, a dizer que eu não respeito, enfim, muita parvoíce. Mas isso aí tudo bem, eu não lhe respondia, mas ele estava com vontade de sangue e vai falar com o diretor e pede uma reunião ao diretor comigo, com o diretor e com eles. Então o diretor faz a parvoíce de dizer que sim. E aqui está a dificuldade que as direções têm hoje em dia, porque as direcções ou o director já não é como era o Conselho Executivo, que era um conselho. O diretor é um diretor, pode pedir conselhos ou não. Então o diretor aceita uma reunião com esse pai e comigo. Ele ainda me pergunta "oh Aldina, o que é que ele quer?", e eu "Olha, ele quer pôr em causa o meu trabalho", depois não lhe contei os pormenores porque não valia a pena e pronto. E então este encarregado de educação leva mais dois, pareciam os irmãos metralha! E então, estávamos cinco: o diretor, eu e eles, e um diz "A professora faz grelhas para ver os comportamentos, a professora não deixa os miúdos falar, ainda me há-de explicar o que são os M&Ms". É lógico que eu não expliquei nada porque não era o sítio. Eu também não expliquei porque o diretor não me pediu que explicasse, senão eu teria explicado. Eu na altura fiquei muito, fiquei com vontade de vir embora daquele agrupamento, o que aconteceu passados quatro anos, porque não consegui vir mais cedo. Mas quer dizer... ah! e o diretor disse "grelhas oh Aldina?", o diretor disse isto em frente aqueles três pais. "Nós já tínhamos visto aqui que no agrupamento [antes de eu lá estar, portanto, eu não sabia de nada] já tínhamos visto aqui no agrupamento que as grelhas não são bem vindas". Eu olhei e disse "Oh A. se tu dizes assim eu já não ponho mais grelhas". Continuei a pôr! Mas não as publicava. Ou seja, de uma maneira mais discreta. Não era escondida, era mesmo mais discreta. Pronto. Ou seja, eu ainda disse naquela reunião "esta turma em outubro cantava em sala de aula, na aula de uma professora que eu não digo quem é, cantava oh Benfica se eu fosse como tu, bebia coca cola e arrotava pelo cu. Se isto, se hoje que estamos em janeiro, não se vê a evolução desta turma e me chamam aqui para me dizer que eu faço isto e isto mal, então têm que me dizer 30 coisas que eu faço bem". Pronto, para ficarmos nivelados, mas pronto, se isto incomoda os pais.... depois larguei o assunto. Portanto, foi a única vez que eu fiquei muito dorida mesmo. Mas não pelos encarregados de educação, mas sim pela direção que assume esta atitude com uma professora velha. E eu depois fui falar com o meu diretor. Passados dois dias, fui falar com ele. Fui dizer "A. eu gosto de ti" - eu só estava há dois meses naquela escola, que a minha mãe tinha morrido há um mês, mas enfim, eram as minhas circunstâncias - e eu disse "A., eu fiquei tão triste. Como é que tu pões em causa o trabalho de uma profissional?", que não é nada de especial. Eu não sou nada de especial, mas a verdade é que aquela turma deixou de cantar parvoíces! Portanto, "se tu pões em causa o meu trabalho, que farás aos colegas novos? Que vêm de longe, vêm de perto, são viúvas, são cancerosas? Quer dizer, o que é que tu fazes? O agrupamento responde assim a uma mulher velha que não tem medo de que lhe risquem a pintura. O que fará ao resto, não é A.?". O A. pediu-me desculpa, mas continuou. Mas pronto, aquilo era estrutural dele, ele não era capaz de dizer que não aos encarregados de educação. Mas pronto, andando. Mas foi a única vez. Eu acho que isto tem graça e eu contei porque isto mostra qualquer coisa.

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No entanto, trouxe muitas alterações. Dou-lhe um exemplo, na altura havia exames - como é que se chama aquele ministro que pôs os exames no 2º ciclo? o Crato - o Crato trouxe exames, com os quais eu concordo, mas depois saiu logo, houve exames três anos, acho eu. Pronto, nessa altura nós tínhamos um padrão que era, por exemplo, os meninos têm que escrever 15 linhas, - escrever, estou a falar de uma competência que nós temos que desenvolver em Português que é a escrita - então, escrever 15 linhas, este é o padrão. E eu tinha um aluno meu, da Amadora, completamente abandonado, pronto, de uma turma de currículos alternativos, portanto, que não tinham exame. Atenção, não tinham exame, mas eu punha para eles os objetivos, não de um exame nacional, mas sempre os níveis puxados para cima. Nós não estávamos a brincar em sala de aula. Estávamos a escrever, ler, contar histórias. Portanto, com o programa na mesma, pronto, para desenvolver competências, para os ajudar a ser cidadãos que sabiam ler, escrever, etc. Então há um aluno que me diz assim, eu naquele dia disse "vocês têm que escrever uma história com 15 linhas. Com princípio, meio e fim". E o A. que rejeitava tudo aquilo que eu mandava, disse-me "Eu não lhe faço uma história com 15 linhas. Eu faço-lhe três histórias com cinco linhas cada uma". E se eu não estivesse estado durante sete ou oito anos no MEM eu ter-lhe-ia dito "Oh A. é para fazer o que eu estou a dizer, porque isto é o programa, porque tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá, tá". Mas eu olho pra ele e digo assim "Combinado!". Eu ainda pensei duas vezes, mas foi um segundo. "Oh A. olha, ok, faz três histórias com cinco linhas cada uma, hoje na aula, entregas hoje", "professora. 'tá feito", entregou. Ou seja, esta liberdade, uma liberdade muito grande mas muito cimentada em cima de uma estrutura que eu penso que alguns colegas do MEM, alguns aprendizes do MEM [não dão] - eu recebo alunos no quinto ano que vêm de escolas onde são onde se pratica o MEM e depende dos profissionais. Há alguns que aquilo é um completo pulverizar e os miúdos não trazem estrutura. Eu peço desculpa, mas eu acho que tem que haver estrutura. E há outros que trazem estrutura. Portanto, depende dos professores do MEM. No entanto, os oito anos ou sete a oito anos que eu lá estive, eu estive com profissionais de excelência, de excelência! Que diziam o que é que erravam e em que é que erravam, se eles erravam. Mas eles diziam "Olha, eu fiz isto assim, fiz este aperfeiçoamento para isto. Mas não pode ser. Isto não está bem ainda" e explicavam-nos tudo! Ou seja, é só quando eu entro no MEM que há uma abertura total de aprendizagem. Eu tinha feito já formações - a L. sabe certamente que outros professores também devem ter dito - nós nestes 40 anos tivemos formações completamente de cuspir! De cuspir! É feio dizer isto mas é verdade. Nós dizíamos entre nós "não vamos, estamos lá a fazer o quê?". É só para ter os créditos, em todas as áreas! Oiça, foi um dinheiro gasto. Dinheiro e ausência de formação, sem uma finalidade, sem uma direção, quer dizer, com várias direções, é para onde for. Mas é no MEM que eu sinto que a formação é toda ela super aproveitada e tem sempre sumo, sempre, sempre, sempre. Eu é que não sou capaz de adaptar. Mas hoje percebo - já não estou no MEM há mais de dez anos - mas hoje ainda dou comigo a fazer e a inovar coisas que eu na altura não percebia. Não percebia o alcance, ou não percebia como é que fazia. E hoje faço. Mas é o aprender a ser professor de Português, de Português. Eu sei que havia outras disciplinas e que também era muito fértil, mas em Português os meus colegas de português ensinaram muito a importância da escrita, como a escrita é uma coisa tão gostosa. Eu deixei de pensar que os alunos não gostam de ler, não gostam de escrever. Gostam, gostam. Nós somos a porta! Eles gostam e depois gostam do que leem, do que escrevem. E eu aprendi isso no MEM. Portanto, quando eu chego aqui à E.T. e os colegas de terceiro ciclo dizem "Que chatice, eles não gostam de escrever. Ai que chatice, eles não gostam de ler, Ai que chatice!", eu levo uma cabeça de MEM que diz "então, mas a profissional sou eu! Eu estou cá para eles gostarem, para eles saberem que é bom". É bom escrever, é bom ler as parvoíces que eles escrevem, que tem graça, o não assinalar os erros. Eu assinalo os erros. Porquê? Porque é preciso melhorar, não é? Mas o não contar com eles. Eu assinalo os erros, corrijo os erros, fazemos aperfeiçoamentos, mas eu não conto. Não acontece, mas eu posso dar a todos 'Bom' numa escrita, se eu entender que é altura deles terem todos 'bom' eu dou-lhes. E porquê? Porque está bom. Ou seja, tem erros? Claro que tem. Mas tem organização, tem estrutura, tem imaginação, tem sempre qualquer coisa para ter bom. E no MEM também me ajudou a ver que a avaliação é caca. O importante não é a avaliação, o importante é o trabalho, o treino, a nossa presença. Como é que nós somos, se vemos que eles estão a comentar os nossos sapatos "ok, então vamos lá comentar os sapatos da professora", por exemplo, não é? Portanto, vamos escrever sobre isso. Eu acho que já tenho isto de mim. De alguma maneira, eu tenho alguma coisa disto, de acreditar que eles são todos bons. Os meninos das barracas ensinam muito e eu acho que eu trago isto de alguma maneira. Mas em termos profissionais o MEM abriu-me completamente, de dar muito ar à profissão! No fundo também ajudou muito a encontrar-me e a perceber que eu, em sala de aula ,eu posso ser determinante. Eu sou determinante em sala de aula! Eles não têm que gostar, eu não tenho que gostar, mas ser boa profissional é ter muita atenção a quem está à nossa frente. Portanto, isto o MEM completou e abriu-me este horizonte de liberdade competente. Portanto, depois do MEM eu li várias coisas de outros fóruns de profissionais e, por isso, é que eu agora levo os alunos a brincar uma vez por mês. Se eu vejo que das duas uma ou conversamos, ou cantamos ou dançamos a meio da aula, três ou quatro minutos. Às vezes eles dizem "professora não está na hora da conversa?". Em aulas de 90 minutos, interrompemos e eles conversam, levantam-se e conversam. Às vezes vejo alguns parados e digo "não é para estar a trabalhar", e "ah professora não acabei isto", "não é para acabar, agora levantas-te e conversas". Depois voltamos ao trabalho! Isto faz parte do trabalho E se houver algum pai que me venha perguntar numa atitude mais arrogante eu sou capaz - e é isto que eu tenho que combater - mas tenho a arrogância para responder na mesma moeda. Ainda tenho que aprender a reter, mas posso explicar porquê. Está estudado, está estudado que eles precisam de conversar, que precisam de brincar, que precisam de cantar e depois a seguir o trabalho sai muito mais, sai mais trabalho. E não faz mal, faz é bem.


Arquivos\2º Ciclo\Carmo - § 10 referências codificadas [9,88% Cobertura]

Referência 1 - 1,86% Cobertura

Depois, volto à escola em 1992-93. Estou aqui a olhar o papel e está errado. Estive cinco anos na escola de Montelavar, na escola S. H., que foi das escolas onde eu mais adorei ensinar. Foi onde eu comecei, de uma forma mais sistemática, a desenvolver trabalhos no âmbito da Educação Ambiental e adorei. Eu, na altura, comecei a falar com uma colega que estava a fazer uma feira por causa da defesa do consumidor com plasticina. Eu não conhecia, estive lá e é uma coisa tão gira. Ficámos amigas, construímos um projeto de Educação Ambiental, que se chamava ‘Miramar’. Era um projeto em que, através das atividades físicas, explorámos os diferentes litorais no país. Nós levávamos os miúdos para ir para Vila Nova de Gaia, para o Parque Biológico de Gaia, para a Ria Formosa. Andávamos com miúdos a acampar, a fazer atividades físicas ajustadas ao tipo de litoral. Eram horas e horas [de trabalho]. Era eu, ela e outra colega.

Referência 2 - 2,07% Cobertura

Nós fazíamos jornais de parede incríveis, fazíamos… recebíamos os novos alunos do clube a acampar na escola, com pais, com a associação de pais, a construir caixotes de madeira. Esse meu amigo, chefe de gabinete de Mariano Gago, especialista na observação de astros, ajudou os miúdos a observarem aves, construir papagaios. Era mesmo assim, uma coisa maravilhosa. Andávamos de transportes públicos. Não tínhamos dinheiro, por isso, concorríamos ao Instituto Inovação Educacional - e ganhávamos. [Andávamos] de um lado para o outro, com 30 putos, de autocarro, de comboio, sem telemóveis. Foi, realmente, um tempo maravilhoso, parece que era tudo possível. Tudo era possível. Depois eu estava com outra colega - também era fixe - mas ela era mais parada. Mas era [sobretudo] eu e a minha colega P. - uma professora de alta qualidade. Infelizmente, já não estamos na mesma escola, ela é mais nova do que eu. Era tudo possível. Parecia que tu podias fazer tudo e a escola apoiava-te. Foi uma das alturas mais maravilhosas na minha vida.

Referência 3 - 0,50% Cobertura

Fui coordenadora de grupo, fui delegada e fui coordenadora do ‘Eco-Escolas’ durante três anos. Consegui ter uma equipa, imagina, de sete colegas a trabalhar para o ‘Eco-Escolas’, na altura em que o ‘Eco-Escolas’ era uma coisa minimamente credível.

Referência 4 - 0,19% Cobertura

Depois, arranquei com um projeto de obesidade muito incrível, logo no início em 2001 ou 2002.

Referência 5 - 0,78% Cobertura

por exemplo, só para veres como é que eu arranjei as bicicletas. Nessa altura, eu escrevo um artigo para a Horizonte [Revista de Educação Física e Desporto] e faço uma comunicação no Congresso, publicado em 2002. Pensei: "Vou continuar com esta minha luta!". Os meus colegas na Amadora, acho que percebiam, mas ninguém estava para perder tempo a ajudar a ensinar putos a andar de bicicleta.

Referência 6 - 0,97% Cobertura

A primeira reunião do departamento foi tirar fotografias aos colegas. O que eu consegui com eles, que até foi giro, foi nós escolhermos um tema unificador por ano. Depois, houve um ano em que escolhi bicicletas. Aquilo foi uma coisa incrível. Desde pais a construírem bicicletas para a escola, trazer especialistas sobre as baterias, filmes construídos, painéis gigantes, os muros pintados com bicicletas, os surdos a aprender bicicletas. Aquilo criou uma dinâmica, uma coisa fabulosa.

Referência 7 - 0,01% Cobertura

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Referência 8 - 0,73% Cobertura

depois tenho um projeto que se-chama 'De Volta à Terra', que tem a ver com a educação ambiental e com a ocupação de um espaço com hortas biológicas e plantações de carvalhos e vegetaistenho um projeto que se-chama 'De Volta à Terra', que tem a ver com a Educação Ambiental e com a ocupação de um espaço com hortas biológicas e plantações de carvalhos e vegetais.

Referência 9 - 2,15% Cobertura

Eu passei por fases muito complicadas. Ainda tenho uma história que eu vou contar porque foi muito importante para mim, já vais ver qual. Quando eu estava na E., eu dava aulas em salas de laboratório, naquela altura eram todos miseráveis. Eu tinha que dar aulas em apneia, com minha cabeça fora da janela para respirar um pouco. Eram cheiros nauseabundos, mesmo naquela altura. Depois, passo para uma escola sem instalações cobertas. Na altura, mandávamos, diariamente para o ministro fotografias das condições que existiam, dos seus [dos alunos] joelhos cheios de sangue. Também fizemos postais ilustrados, com ajuda do meu irmão [interrupção longa por chamada telefónica]. Depois, por último, fizemos uma manifestação em bicicleta com a escola toda com cartazes a dizer: "Queremos um ginásio, não queremos um aquário!" Chamei a TVI, a SIC. Está filmado, porque apresentei num cogresso. No ano em que eu saio [dessa escola], começam a construção do pavilhão. Por isso, eu penso que tudo o que nós fizemos teve o seu efeito e eles têm, entretanto, condições mais dignas.

Referência 10 - 0,62% Cobertura

Agora, outra coisa que eu também descobri: todas as posições que tu tens que ir tomando ao longo da vida no que diz respeito à carga horária e às ameaças de redução de carga horária - que ainda agora também escrevi para a 'Horizonte', marcando a minha posição e a do meu grupo sobre a redução da carga horaria.


Arquivos\2º Ciclo\Cecília - § 3 referências codificadas [1,47% Cobertura]

Referência 1 - 0,71% Cobertura

Sim. Uma das fotografias que, entretanto, vou enviar… na altura, havia a disciplina de Área de Projeto. Nós trabalhávamos, fazíamos lá coisas muito interessantes. Na altura, a Área de Projeto tinha como tema a terra e mar. Eu fiz, com uma das turmas – articulamos com os pescadores, levamos para lá uma traineira… fizemos coisas muito interessantes. A Z. era, também, uma presidente muito dinâmica. Foi uma escola que me deixou muitas saudades, também.

Referência 2 - 0,28% Cobertura

o 25 de Abril é sempre celebrado na escola, e muito celebrado, é uma data muito celebrada. Eu, normalmente, e como sou de História, o grupo de História celebra muito o 25 de Abril,

Referência 3 - 0,48% Cobertura

Por exemplo, eu coordeno também o gabinete dos psicólogos, e nós temos uma série de atividades, também, e, nomeadamente, temos um gabinete de apoio a pais, o GAPE. Esse gabinete é quase um gabinete, também, de reeducação, porque nós temos dificuldades em implementar, também, novas práticas, junto aos pais.


Arquivos\2º Ciclo\Constança - § 1 referência codificada [0,64% Cobertura]

Referência 1 - 0,64% Cobertura

Porque eu acreditava, e acredito piamente, que a escola tem que dar respostas aos alunos, tem que os acompanhar, tem que os ajudar, porque nem todas as famílias são iluminadas para chegar a casa e explicar a matéria aos miúdos e, portanto, que estes espaços são importantes e que há técnicas que têm que ser ensinadas que ninguém nasce ensinado e pronto. E fiz a ficha de materiais quer para a escola, quer para outras de tal maneira que foram reconhecidos pela Direção-Geral e nós tivemos que andar a difundir os materiais por escolas do país.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda - § 7 referências codificadas [3,98% Cobertura]

Referência 1 - 0,60% Cobertura

Portanto, foi uma festa, quando ela caiu na minha escola já existia um clube de teatro que eu fundei, já tem 25 anos de existência, chama-se a Casa do Teatro, porque há muitos anos atrás eu resolvi com uma colega de terceiro ciclo fazer um dia na idade média naquela escola, em 1997. Tivemos a visita do rei D. Dinis á Porcalhota, porque a Amadora chama-se Porcalhota, e eu consegui colocar crianças e professores, 150, vestidos à época, com uma feira onde não havia dinheiro, com a moeda do tempo do rei D. Dinis, foi uma trabalheira. Eu tinha quantos anos? Então o meu filho tinha… Só com 38 anos, é que a gente tem ainda genica para isto. Um ano inteiro de trabalho,

Referência 2 - 0,97% Cobertura

Tive realmente colaboração, porque havia lá um professor de Português que era um doido por estas coisas, e era ele que sabia fazer lutas justas e torneios, umas a pé, outras a cavalo, vestiam-se à época, usavam espadas à séria, até se magoaram nesse dia, um deles teve que ir para o hospital. Mas foi uma atividade muito engraçada, que agregou toda a escola, veio a comunidade fazer as compras, havia as bancas da botica, havia gado, havia espinhos. Eu fiquei com barros para vender, havia um senhor a fazer barro, houve casamento, houve funeral, houve tudo o que havia numa amostra da Idade Média, numa altura em que a Idade Média e estas feiras medievais ainda não eram tão vulgares. Tivemos ajuda do Grupo de Trabalho Para Os Descobrimentos, com algumas peças de roupa, Teatro da Mala Posta, e o resto foi feito, e foi feito com o dinheiro e o esforço da casa, portanto, compra dos tecidos, as funcionárias que costuraram, foi um trabalho coletivo muito bonito, do qual resultou, e eu pensei assim, temos material, vamos fazer um clube de teatro, e a partir daí ficou o clube a existir.

Referência 3 - 0,77% Cobertura

Depois passámos a participar na mostra de teatro das escolas, e quando a F. veio, ela diz assim, olha, vamos fazer peças, e o clube acabou por ter esta dinâmica trabalhávamos, preparávamos, recebíamos as crianças, as candidaturas, nessa altura eram menos, agora temos mais de 60 e temos que fazer uma audição, toda a gente quer ser artista. E depois preparávamos as crianças para um pequeno evento de pequenas peças no Natal, e depois apresentávamos no final do ano. Depois começou a haver a Mostra de Teatro do Conselho da Amadora, e nós passámos a participar nessa mostra, digo, porque dava e dá muito trabalho, e agora ainda dá mais porque eles lembraram-se de apresentar a peça, começou a haver muita adesão, duas vezes, ou seja, a peça que nós propomos vai em abril, é filmada, depois do filme é pré-selecionada ou não, e depois se for selecionada vai outra vez

Referência 4 - 0,36% Cobertura

sou coordenadora de departamento já há muitos anos, e uma altura em que acumulei imensos cargos e disse-lhe “Eu não aguento, eu não aguento”, diz a minha diretora, “ser diretora de turma, coordenadora de departamento, ter o clube de teatro, ser docente, daqui a pouco dá-me um piripaque não?”. Pois, claro. E depois disse-me “Então pronto, deixas de ser diretora”. Gostei de ser diretora de turma.

Referência 5 - 0,58% Cobertura

Os miúdos vão apresentar poemas, porque a poesia faz parte do programa, e eu própria depois decoro um poema para dizer que não há idade, porque nós sabemos poemas mesmo longos, quando nós queremos conseguimos, e depois às vezes faço, já fiz várias vezes, dá uma trabalheira, faço uma quadra para cada um conhecendo as características deles em que eles se riem, eles riem-se muito porque depois eu apanho as características de cada um e faço umas rimas. Dá algum trabalho. Passo as quadras e depois ofereço-lhes uma espécie de marcador, que é o marcador dos livros que eles estão a ler. Pronto, é uma festinha, eu trabalho também com a biblioteca.

Referência 6 - 0,46% Cobertura

Outra atividade é o livro, é apresentar um livro na biblioteca, eles fazem um na aula e depois podemos fazer isso em conjunto na biblioteca. O livro que eu ando a ler, partilhá-lo, saber contá-lo, é uma forma de estimular as crianças para a leitura porque eu tenho sempre aqueles que não gostam...marotos, não gostam de ler. Depois recolho livros em segunda mão, tenho sempre pessoas que me dão para dar, “Ai não tens livro, mas a professora tem, agora tens é que o ler”. E se não mo trouxeres lido aí já há um problema.

Referência 7 - 0,24% Cobertura

Eu criei uma liga, eu meto-me sempre em sarilhos, que era: vamos conhecer um monumento, um espaço museológico e depois vamos confraternizar e depois vinham sempre os antigos, os que já tinham saído da escola, os que lá estavam e eu organizava aquela trapalhada toda.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima - § 5 referências codificadas [9,68% Cobertura]

Referência 1 - 3,19% Cobertura

Claro que, muitas vezes…eu lembro-me que tive uma turma muito difícil - que eu acho que era uma turma do oitavo ano – que eu consegui dar-lhes a volta, porque em 1995 celebramos os 500 anos da morte do rei D. João II. E eu era delegada de História. E então, com as minhas maluqueiras, resolvi propôr ao grupo fazermos uma semana de atividades nesse âmbito, da comemoração dos 500 anos dos Descobrimentos. E consegui – conseguimos – mobilizar a escola toda! Fizemos uma semana de atividades desde um desfile na cidade com nobres, povo, clero, 300 figurantes; fizemos um jogo de xadrez ao vivo com os alunos, em que uns eram torres, outros eram cavalos – tinham uma coisa na cabeça – andei de noite, com duas colegas, a pintar o jogo de xadrez no chão, fora de horas; fizemos conferências, fizemos teatro e dança medieval. Os meus filhos no final da semana disseram assim: “Mãe, sabes quantas vezes dançámos esta semana? 23” - porque, como éramos uma escola que não tinha um espaço de espetáculo grande, era o hall e era o espaço do refeitório que era transformado em palco. Para não haver grandes aglomerados fazíamos todos os dias um espetáculo para x turmas. Fizemos um banquete no Castelo de Leiria em que os alunos que foram participar como grupo de dança com músicos profissionais de música medieval – lembro-me que foi patrocinado esse espetáculo pelo governo civil. Os alunos ensaiaram com música gravada, com uma colega de Educação Física, e depois só no dia é que ensaiaram com os músicos. E então nós fomos todos vestidos de nobres para o Castelo e convidámos o Bispo, o Pároco da Sé, o Presidente da Câmara, foi o Vereador da Cultura – estava o Bispo a sério ao lado do Bispo a fingir. E foi uma experiência muito, muito interessante. Fizemos fatos para nós todas a partir de…sei lá, de tecidos de cortinados e de não sei quê…foi um ano de trabalho louco, mas foi uma experiência incrível. Ah, isto a propósito da tal turma! Essa turma eu consegui dar-lhes a volta porque fizemos o mercado medieval. Uns tinham a Botica – e então eles fizeram com a professora de Ciências e tal. Outros fizeram moedas – cunhámos moedas, de barro, fizemos o molde, com os colegas de trabalhos manuais, claro. Fizeram o molde em gesso e depois com barro fizemos moedas, pintámo-las; era a moeda de ouro do tempo de D. Manuel. E outros, os mais rebeldes, eram talhantes. Então houve um talho que nos emprestou presuntos, carne que não se estragava, portanto, enchidos e etecetera, e eles, no mercado, venderam a carne. Bem, o entusiasmo dos miúdos foi uma coisa incrível. Deu-se-lhes a volta porque se envolveram em projetos diferentes.

Referência 2 - 1,21% Cobertura

Tive. Fui delegada de Português na escola dos N. e, aí, coordenei um projeto, que depois, a nível regional, falhou, mas que me parecia interessantíssimo, que era: “Todos somos professores de Português”. E, inclusivamente, fiz uma recolha de textos, na altura, que podiam ser explorados na aula de Português, mas que podiam ser também acompanhados pelos professores de outras disciplinas, nas Ciências, na Música, etecetera, na escola dos N. Depois fiz parte do Conselho Diretivo, também na escola dos N.. Também foi uma experiência interessante, era eu e mais dois colegas. Depois também estive no Conselho Diretivo na escola E., fui delegada de História – foi quando era delegada de História que fizemos esse projeto dos 500 anos dos Descobrimentos. E foram experiências interessantes, com alguns amargos de boca, mas também com boas recordações. Nunca fui Presidente de Conselho Diretivo, mas fiz parte de Conselhos Diretivos e como delegada, delegada de História fui várias vezes, também.

Referência 3 - 1,57% Cobertura

O trabalho em equipa para mim foi sempre importante, e hoje acho que as pessoas têm pouco tempo para trabalhar em equipa, porque têm tantas coisas, tantos compromissos, tantas reuniões, tantas coisas…que depois se perde o tempo para, de uma forma livre e espontânea, planear coisas, projetos, coisas novas, coisas diferentes…que foi uma coisa que eu consegui fazer enquanto delegada de História. Por exemplo, consegui motivar os colegas do meu grupo e dos outros grupos todos, os alunos…e foi uma experiência incrível, a G ainda fala nisso, de vez em quando, ela era Presidente do Conselho Diretivo. Eu acho que esse tipo de projetos, que saem fora da caixa, digamos assim, fora dos currículos, são motivadores. Dão trabalho, mas são motivadores para os alunos e para os professores também. E eu acho que hoje não há tempo para isso, penso eu, pelo menos pelo que eu ouço pelos colegas. Mas sim, esses projetos extracurriculares, o Teatro, por exemplo, que nós fazíamos, participávamos no Festival de Teatro Juvenil…foi incrível. E dava-nos imenso trabalho, mas foi muito interessante; os intercâmbios do programa Comenius, as viagens com os alunos, mesmo cá, fiz muitas…esse tipo de coisas, em que levamos a escola à rua, foi uma das coisas que mais me motivou e que eu mais gostei de fazer.

Referência 4 - 2,31% Cobertura

Era assim: eu tinha um dia em que não tinha aulas e tinha outro dia em que tinha só duas aulas, ou coisa assim. Eu já estava no topo da carreira, portanto já tinha redução da componente letiva. E era uma área que me atraía muito, a museologia. Foi uma pós-graduação de dois anos: um dos anos eu ia um dia para Lisboa, ia às aulas e depois vinha tarde, no expresso da meia-noite, para aí, mas houve um dos anos em que era dois dias seguidos, e então uma das colegas da minha turma trocou uma aula comigo, fizemos ali um arranjo nos nossos horários. Um dia eu saia da escola de manhã – tinha uma aula de manhã – depois ia para Lisboa, de expresso, depois ficava lá em casa de uns amigos para o dia seguinte. No dia seguinte, durante o dia, trabalhava, ia às bibliotecas, estudava e depois vinha à noite e, no outro dia, logo de manhã, ia dar aulas. Eu ainda estava a dar aulas e os meus filhos estavam na faculdade. Às vezes encontrava-me lá com eles, à noite, para jantar. Mas foi um curso que me deu imenso gozo fazer – que nunca pus em prática diretamente, se bem que os conhecimentos de museologia me dão alguma capacidade de fazer coisas, organizar exposições, etecetera. Mas deu-me imenso gozo fazer e, curiosamente, consegui a melhor nota do curso, de todos os meus colegas – alguns também eram trabalhadores, mas havia outros que não faziam mais nada senão aquilo, e eu consegui ter a melhor nota do curso, 18, salvo erro. E lembro-me que a diretora do curso me disse: “Vê-se que gostou muito de fazer este trabalho.” O trabalho final era um projeto de um museu, que eu fiz com a ajuda de um amigo arquiteto. De um museu aqui no Juncal, precisamente no espaço da Real Fábrica do Juncal. E deu-me imenso gozo fazer aquele curso, foi uma experiência interessantíssima. Mas muito trabalhosa porque eu, depois, tinha de trabalhar ao fim-de-semana, à noite, de madrugada, porque dava aulas, ainda.

Referência 5 - 1,40% Cobertura

Sei lá…eu tive muitos momentos bons e lembro-me que sobretudo ali em 1995-1996 trazer a escola para a rua…lembro-me, por exemplo, que participámos, uma vez, com o Clube Europeu e com os Escoteiros da Região de Leiria, no projeto “Todos diferentes, todos iguais”. Foi um projeto que me marcou imenso, porque nós tínhamos, na altura, na escola, um professor, que já faleceu, que era padre, professor de Moral, que era assim daquelas pessoas que toda a gente adorava: os crentes, os não-crentes, praticantes, não-praticantes…toda a gente adorava aquele senhor. E ele era assistente na cadeia, na Prisão-Escola, em Leiria, também. E então, no âmbito desse projeto, lembrámo-nos de lhe pedir que trouxesse presos – ele tinha presos ciganos que cantavam muito bem música cigana. E eu lembro-me de lhe termos falado nisso e ele disse: “Eu vou trazer dois rapazes que venham cantar no âmbito desse projeto.” “Eles não vão fugir.”, dizia ele. Eles vieram, eles cantaram, nós demos-lhes comida, jantar…e foi o padre Albino que os trouxe. E depois foi pô-los à Prisão-Escola. E foi uma experiência que me marcou, porque nós acreditámos, e foi possível e fizemos.


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda - § 6 referências codificadas [3,38% Cobertura]

Referência 1 - 0,60% Cobertura

Com erros, com algumas dificuldades, mas há uma relação que eu estabeleço com os alunos, uma relação de partilha de poder, digamos assim. Um poder que, ao mesmo tempo, eu pretendo sempre que os alunos me vejam como uma referência, mas uma referência não sob o ponto de vista hierárquico, digamos assim, mas como aquele que é facilitador, mediador da aprendizagem, mas qualificado, naturalmente.

Referência 2 - 0,51% Cobertura

eu também sou coautora de manuais, mas também sou professora que manda rasgar páginas de manuais que não interessam ou que são menos bem conseguidas. Faço-os questionar: “Oh professora vamos rasgar uma página do manual?" "Vamos sim" "E porque é que vamos rasgar, vamos questionar…” E é o questionamento constante, o posicionamento crítico…

Referência 3 - 0,79% Cobertura

É aquilo que eu falava há um bocado, a questão do individualismo. É muito complicado… Nós temos de combater isto diariamente porque cada vez mais os meninos… Eu este ano, por exemplo (desculpe estar a interromper) eu este ano ofereci a uma das minhas direções de turma mais difíceis, três bolas de futebol para eles irem jogar à bola porque a ação diária dos nossos alunos é com o telemóvel. A brincar, jogar nos jogos é terrível. Portanto, mesmo os professores de educação física, é uma das situações que mais referênciam.

Referência 4 - 0,80% Cobertura

Eles não sabem. Ficam cansados. Não têm destreza, não têm motricidade. A motricidade fina está assustadoramente comprometida. É porque a imobilização é assustadora. Mesmo em termos de competência escrita, os alunos estão muito resistentes a escrever, a manuscrever! “Professora, posso fazer em computador?” É logo a primeira pergunta. “Podes, mas faz um rascunho. Faz um rascunho”. Gosto muito dos rascunhos (risos). É, eu sou muito adepta dos rascunhos e todos os anos eu ofereço uma sebentinha de rascunhos para os meus meninos

Referência 5 - 0,48% Cobertura

Eu conheço primeiros os alunos, vejo quais são as suas expectativas, os seus entusiasmos, aquilo que eles mais gostam, o que é que pode ser desafiador e, em função desse contexto vou criando com eles, vou os inquietando, vou mexendo com eles, vou questionando, vou os cutucando como as aves cutucam os passarinhos.

Referência 6 - 0,19% Cobertura

Com outras áreas, sim. Eu trabalho muito com Educação Artística. Com Educação Visual, com os colegas das Artes. Sim, sim, sim.


Arquivos\2º Ciclo\Glória - § 1 referência codificada [1,46% Cobertura]

Referência 1 - 1,46% Cobertura

Ele veio com um horário todo de História, horário completo de história. E eu disse “pois, mas eu não sou do 1º grupo, eu não sou professora de História. Eu sou professora de Inglês e de Português, portanto, não posso dar história”. “Mas então não quer este horário?”, “Não!”. Foi lá dentro outra vez, mas entretanto os dois colegas lá no fundo da secretaria, ainda estou a vê-los, a olharem e a ouvirem. E eu muito pispineta, muito pispineta não, que eu não era, mas pronto. Veio com outro horário e então esse horário tinha, eram muitas turmas, tinha… não me lembro, mas também não interessa, umas quatro ou cinco turmas de Português – okay, pode ser – e três turmas de História. E eu disse “Pois, está bem, eu o Português não me importo de dar, mas eu não sei dar história, eu não fui habilitada para dar História”. E o senhor chefe da secretaria que já estava a perder a paciência comigo [risos] coitado! [risos] estava mesmo a perder a paciência e disse “Mas a senhora não fez a quarta classe?”, “Fiz, claro!”, “Então pode dar História”. E eu disse assim “Então dê cá o horário, se eu com a quarta classe posso dar História eu vou dar História!”. E dei História.


Arquivos\2º Ciclo\Iva - § 8 referências codificadas [5,69% Cobertura]

Referência 1 - 0,35% Cobertura

Fiz de tudo no ensino. Geri escola, sei lá, projetos diversos. Nos últimos anos, implementei as bibliotecas escolares todas do agrupamento, que são cinco bibliotecas escolares.

Referência 2 - 0,32% Cobertura

Eu quando montei as bibliotecas, entrava às oito - foi sempre o meu horário às 8h30 - e chegava a sair da escola às seis, sete horas da noite. Agora não há disso

Referência 3 - 0,53% Cobertura

As minhas leituras sempre se relacionaram com educação, sempre. As minhas leituras de férias eram livros sobre educação. É um interesse pessoal. Eu ainda hoje, aposentada, não me desinteresso completamente pelo que se passa a nível da educação, também gosto de saber.

Referência 4 - 0,69% Cobertura

Vou acompanhando, de alguma forma. Ainda não fiz nada disso, mas não significa que não faça, qualquer dia, uma sessão de leitura, de escrita ou qualquer brincadeira assim com os miúdos dela. Assim perfeitamente aberta. Não para me ligar ao ensino outra vez, mas para, pontualmente, fazer uma coisa que se relacione com o ensino. Então porque não!?

Referência 5 - 1,04% Cobertura

Eu penso que a pessoa, desde que apresente uma coisa fundamentada, escrita, etc. Eu, por exemplo, quando fui convidada para as bibliotecas, eu disse ao colega: "Eu aceito, mas eu vou-lhe pôr uma série de condições por escrito. Se o colega as aceitar, eu aceito. Se não as aceitar, eu não quero.". Assim foi. Eu penso que ninguém pode ir só por palavras. Eu vejo as muitas vezes "Ah, eu gostava de um clube, vou fazer um clube.". E eles dizem "Então apresenta.". Tem que ser assim, mesmo. As coisas têm que ser fundamentadas.

Referência 6 - 1,40% Cobertura

Uma vez, em [conselho] pedagógico, também entrámos em conflito das duas, de um clube de inglês sem ter sido aprovado em [conselho] pedagógico. "Então mas este clube existe? Não foi aprovado aqui.". E ela: "Não foi aprovado porque prefiro que ela esteja entretida no clube, do que dê aulas, não sabe dar aulas.". [Eu retorqui] "Então isso vai ficar em ata. O que está a acabar de dizer tem que ficar em ata porque hoje está a dizer dessa colega, amanhã diz de mim, ou diz do outro ou diz daquele e, portanto, isso tem que ficar em ata. As pessoas têm que assumir o que dizem.". Eu, na verdade, tenho muito de bom, mas tenho muito de mau. Para mim é tudo preto no branco. Era este conflito que nós tínhamos

Referência 7 - 0,58% Cobertura

Eu, ao longo do tempo, tive sempre projetos até fora da escola. Tive aqui com a Academia Militar, com a Marinha, e portanto, os miúdos, muitas vezes, iam connosco para esses lugares ver fragatas, etc. e os pais adoravam. Às vezes, até os pais podiam ir connosco. Correu tudo sempre muito bem

Referência 8 - 0,78% Cobertura

Eu trabalhava com as colegas da secundária, também tinha lá uma assim tão maluca como eu, que também se juntou a mim e lá íamos todos pro Exército. Adorei esse projeto, os miúdos adoraram. Eles fizeram história ao vivo, simularam andar dentro duma nau, a disparar canhões, simulações, claro. Visitámos uma fragata, fizeram história ao vivo dentro da fragata. Eu sei lá. Isto tudo é aprendizagem.


Arquivos\2º Ciclo\Joca - § 2 referências codificadas [1,80% Cobertura]

Referência 1 - 0,63% Cobertura

As coisas correram de facto muito bem, porque fui muito ajudado, o ambiente melhorou claramente, era aquilo que se pretendia e eu fui muito ajudado por quem sabia, não é? Eu sabia lá fazer horários e constituir turmas, mas apliquei-me e as coisas correram bem, e só saí dois anos depois porque não havia um mandato. Portanto, eu fui eleito duas vezes. No final daquele ano, candidaturas zero outra vez e outra vez a mesma história. Eu fui reeleito.

Referência 2 - 1,17% Cobertura

Eu passei a ser um gestor, como diziam os meus colegas, "tu tens que ser", até porque em 2007 acabaram os conselhos executivos e passou a haver um diretor, a figura do diretor. Mais uma vez, eu fui eleito em 2007, e depois no ano a seguir fui eleito como diretor. Mas, curiosamente, as críticas que os meus colegas mais próximos, que faziam à equipa, comigo, as críticas que me faziam é assim "tu procuras estar bem com toda a gente, e queres que isto funcione tudo como se fosse, e pá, e não é, de vez em quando tens que dar murros na mesa, de vez em quando tens que ser mais duro". E com essa experiência, eu aprendi. Eu não quero dizer que tivesse alterado profundamente a minha maneira de estar como gestor, mas digamos que passei a ser um bocadinho mais diretivo. Sim, até porque ali também já estava completamente à vontade.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís - § 2 referências codificadas [2,58% Cobertura]

Referência 1 - 1,67% Cobertura

imagine que eu ia trabalhar aos sábados, se tivesse quem ficasse com os miúdos, eu ia trabalhar; Era carnaval, era preciso participar no cortejo, nós tínhamos um horário, davam-nos sempre um dia livre por semana, portanto, juntávamos tudo em quatro dias. Eu no dia livre tinha clubes, entretanto, fiz um curso de cerâmica e eu dava aulas de cerâmica no dia livre. E eu adoro jardinar e lá tinha um espaço de jardinagem e eu fazia o clube do espaço verde. Ia fazer esses clubes no meu dia livre, que não era obrigada a ir à escola e aos sábados, se fosse preciso ir trabalhar para o cortejo, para uma festa da escola.

Referência 2 - 0,91% Cobertura

eu sempre pertenci nessa escola a tudo quanto era órgãos de gestão. Só não pertenci precisamente a comissão executiva ou à comissão diretiva, mas fazia parte do conselho pedagógico, de conselho geral da escola ou era diretora de turma. Eu tive os cargos todos que uma pessoa pode ter nessa escola, mas nunca estive no conselho diretivo.


Arquivos\2º Ciclo\Orlanda - § 3 referências codificadas [3,79% Cobertura]

Referência 1 - 1,29% Cobertura

Estive muito envolvida – mesmo na N.M., onde estive quatro anos, também foi muito importante, foi na altura em que se estava a discutir a Lei de Bases do Sistema Educativo, que foi aprovada em 1986. E, nessa altura, eu estive muito envolvida na discussão dos documentos, tive o privilégio de encontrar uma ex-professora, que era do meu grupo disciplinar, a Dra. I.C., foi minha professora no liceu, encontrei-a lá – ela já estava quase no fim da carreira, mas também estava muito envolvida lá na discussão dos documentos. Foi muito importante, porque, para mim, foi uma formação, mesmo, a discussão daqueles documentos. E a participação, que todos nós participámos ativamente na Lei de Bases do Sistema Educativo. Isso foi muito importante.

Referência 2 - 1,65% Cobertura

Fizemos um protocolo com a Câmara, a Câmara deu-nos as bicicletas… tive sempre um grande envolvimento com o município. Fui muito acusada de ter envolvimento – logo no início, quando fui Presidente do Conselho Diretivo – “incrível” porque eu era uma gaja de esquerda e tinha contactos com um gajo – que era o Presidente – que era do CDS e não sei quê. E eu disse: Ele até pode ser do sei lá o quê, desde que colabore com a escola… e a escola estava de costas viradas, mesmo, para a autarquia. Mesmo, mesmo. Foram para tribunal e tudo, por causa da localização desta escola. E eu consegui que o Presidente da Câmara fosse - ao fim do primeiro ano em que eu estive lá - visitar a escola e convidá-lo para ir lá a iniciativas que a escola fazia. Tive sempre muito envolvimento com a autarquia. Mas a autarquia, a partir de determinada altura, também envolvia muitas escolas do concelho - e continua a envolver, também, que acho que é muito importante.

Referência 3 - 0,84% Cobertura

eu sempre estimulei os colegas, e houve uma coisa que eu sempre fiz: dei sempre grandes margens de autonomia aos colegas. Eu estimulava sempre muito: olha, há este projeto para desenvolver, há este e não sei quê, quem é que quer pegar? E os professores mais, olhe, como a professora L., que era uma pessoa, também, muito de projetos, agarravam os projetos e levavam-nos para a frente. E aquilo tinha sempre efeitos sobre os alunos, isso é que é importante. Envolvia muito os alunos.


Arquivos\2º Ciclo\Quitéria - § 4 referências codificadas [4,95% Cobertura]

Referência 1 - 0,83% Cobertura

. E depois trabalhei um projeto educativo e fiz formação e fiz parte da equipa do Projeto Educativo vários anos e fiz parte da equipa de avaliação interna ainda antes de haver a avaliação interna; nós fizemos uma equipa de avaliação interna também por causa de sermos TEIP e termos essa necessidade mais cedo em relação às outras escolas. E então também fiz parte da equipa de avaliação interna, estive na equipa do P.A. durante sete anos, e acho que, para além das formações que tive que fazer, foi bastante importante

Referência 2 - 0,27% Cobertura

Fui sempre diretora de turma ao longo destes anos todos, mas só houve um ano que não fui directora de turma. Por isso, ao longo destes 30 anos fui sempre diretora de turma

Referência 3 - 1,21% Cobertura

Sempre me habituei e quando queria usar materiais que não existiam na escola, eu tinha um gravador, andava a carregar com o gravador. Quando foi a altura dos computadores portáteis eu andava a carregar o computador portátil para quando era necessário. Por isso, quando eu queria, achava que era importante para os meus alunos usar certas e determinadas coisas e eu andava carregada com os materiais e sabemos que de 50 em 50 minutos estamos a mudar de sala e temos um novo conjunto de alunos. Se não havia na escola, tentava comprar e ter para poder fazer as coisas como achava que era melhor e pronto. Podiam não ser as melhores, mas para mim era o que eu achava que era melhor, depois agora ultimamente recorria muito ao YouTube e procurava bastantes coisas.

Referência 4 - 2,64% Cobertura

A colega que me ficou substituir como coordenadora dos diretores de turma, telefonou-me a dizer que queria tomar um café comigo; antes de me substituir ela disse, "eu vou usar todos os materiais, tu autorizas-me? Eu não vou alterar nada porque as coisas que tu tinhas feito estão bem. Só vou alterar aquelas coisitas pontuais que muitas vezes é necessário ajustar, que vou usar tudo isso que lá ficou"... eu recordo com algum orgulho, que a pessoa que me está a substituir está a usar os materiais que eu criei, eu sempre criei materiais que ajudassem o diretor de turma, o conselho de turma a cumprir com a legislação, mas de uma forma exequível, porque o que a legislação nos exige não é exequível. Eu não posso estar no conselho de turma, que tem duas horas e meia, a fazer relatórios intermináveis e escrever relatórios sobre a evolução ou não evolução do aluno, sobre a problemática de um aluno que o artigo 54 nos obriga a fazer. E então, o que eu tinha feito e o que eu sempre tentei preparar foram grelhas para facilitar, que respondessem àquilo que era exigido na legislação, que identificassem os problemas e que permitissem as estratégias de remediação desses problemas e que avaliassem se as estratégias implementadas estavam a resultar ou não, fosse a mesma folha a ser usada nos três períodos. E eu sempre tentei fazer isso, facilitar a vida das pessoas de uma maneira que a legislação fosse cumprida. Mas, sendo exequível realizar o trabalho ao longo do conselho de turma. Pronto, foi sempre isso que eu tentei fazer, e isso dava muito trabalho e levava muitas horas. E sei que há colegas que ainda continuam a usar os materiais que eu criei.


Arquivos\2º Ciclo\Rosário - § 2 referências codificadas [2,02% Cobertura]

Referência 1 - 0,45% Cobertura

Vim para aqui, novamente. Estive no Conselho Diretivo uns anos, vários anos. Sim. Como presidente só estive dois anos, mas fiz parte do Conselho Diretivo e… ah, e entretanto também fui outra coisa, já nem me lembrava disso, foi tanta coisa… fui coordenadora da Acção Social Escolar.

Referência 2 - 1,57% Cobertura

Sinto, sinto porque, lá está, os filhos, a mãe, os filhos, o pai. Não sei, infelizmente ainda estão convencidos que as mulheres têm mais… como é que eu hei-de dizer? Os homens são mais desculpados se estiverem fora de casa ou se tiverem outra coisa qualquer. Não, as mulheres têm mais obrigações. Nesse aspeto, o meu marido disse: "vai, se te sentes bem, vai". Mas soube da minha filha, foi agora há dias, há pouco tempo, que me disse isso: "ai, eu fiquei sozinha…", ficou com o irmão e com o pai, não é? Mas pronto, não é a mesma coisa. O colinho da mãe. Mas eu não estou arrependida. Não, porque me abriu horizontes, abriu-me horizontes, fez com que eu fizesse formação, que ao fazer formação uma pessoa também tem que pensar mais sobre as coisas, tem que se preparar muito mais, porque com salas de 20 e tal pessoas - e eu fiz várias, fiz várias formações - uma pessoa não pode chegar lá - colegas nossos - não pode chegar lá... tem que ir bem documentada e acho que sim, que fiz bem.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia - § 3 referências codificadas [4,77% Cobertura]

Referência 1 - 0,66% Cobertura

Em Matosinhos nunca havia vagas. Depois, um dia apercebi-me, não sei como, li num jornal primeiro, que estavam a construir a escola de M. do C. - eu ainda concorri mas não entrei - e dois anos depois construíram a de Q. Eu concorri e fiquei. Fui das primeiras a entrar em Q.. Fundei a escola

Referência 2 - 0,76% Cobertura

Estive em acompanhamento de estudo, área de projeto. Fui das primeiras, por exemplo, a ter aulas com dois alunos de língua não materna. Uma era uma miúda russa e um miúdo ucraniano. Isto foi logo a seguir ao início da escola, no ano seguinte. Complicadíssimo porque eles não falavam outra língua. Depois, as grandes mudanças de programa

Referência 3 - 3,34% Cobertura

Em relação ao que eu fui fazendo, fui diretora de turma - cargo que não exerci nos últimos 15 anos. Fui coordenadora de departamento de Ciências Sociais e Humanas. Em Vila do Conde, trabalhei muito na biblioteca. Fui membro do conselho pedagógico, tanto em Vila do Conde, como depois em Q. - fui sempre até me reformar. Pertenci sempre, desde que começou o sistema de avaliação de professores, à secção de avaliação. Fui a representante da Escola do Agrupamento, na secção de Formação e Monitorização do Centro de Formação de Professores em Matosinhos. Não desgostei. A avaliação de professores foi sempre complicado, mas o cargo que mais me custou a exercer foi quando estive na equipa de autoavaliação. Felizmente, dei tanto cabo da cabeça à diretora que ela tirou-me. Não gostei, não gostava do trabalho e não achava piada nenhuma. Era uma escola TEIP. Inclusive, tivemos sempre o acompanhamento da vossa faculdade, com a Doutora P. Depois, foi com a Doutora A.C., também fizemos uma série de formações. O que fui mais? Pertencia ao Grupo de Produção Teatral, porque a escola tem um clube de teatro e eu e outra colega muitas vezes ajudámos a produzir os textos. Organizei montes de visitas de estudo, quando havia hipótese disso. Depois era tanta confusão, tanto trabalho que nós tínhamos à volta. A última visita que eu fiz foi uma ida a Serralves, ver a pintura de Paula Rego. Fazíamos imensa coisa, que depois se foi perdendo. Fomos imensas vezes ao teatro com eles


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina - § 1 referência codificada [1,17% Cobertura]

Referência 1 - 1,17% Cobertura

Eu ffui provedora do aluno, foi a primeira experiência que se fez. E depois até fui apresentar na câmara, sobre as boas práticas e tal… o presidente – o diretor pediu-me para ir falar sobre essa experiência da provedoria do aluno, desde as matrículas à qualidade das refeições, como há na universidade, o que há na universidade. Não é típico numa escola secundária. E depois eu resolvi fazer pontes, quer para o conservatório de música, [onde] não havia… não havia essa ponte estabelecida – e há o Conservatório de Q., que é muito bom – [quer] para a escola de dança de Q., – que é muito qualificada, tem ligações a Inglaterra, a Londres, e tal – [onde] também não havia [pontes]. E eu achei – cá estão as artes – que a leitura… um voluntariado, seria um voluntariado ligado à leitura. E foi. Uma colega minha das artes tinha ficado em T.D.C. e eu imaginei logo um projeto de leitura para três anos, porque se não fosse para três anos, não podia… era deitar para trás das costas. E apresentei à direção e eles [ficaram] logo de portas abertas. Foi uma experiência muito importante.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu - § 1 referência codificada [0,64% Cobertura]

Referência 1 - 0,64% Cobertura

Eu fiz de tudo um pouco. Fui diretor de instalações, fui coordenador, até agora bem recentemente, sou diretor de turma e fui diretor de turma.... só não fui para a direção porque é coisa que nem vejo, nem quero, nem aspiro, redondamente não quero.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália - § 2 referências codificadas [4,83% Cobertura]

Referência 1 - 2,67% Cobertura

Tivemos uma fase em que tínhamos aquilo a que nós chamávamos o jornal de parede, que fazíamos de 15 em 15 dias... e o jornal de parede era feito com alguns textos que nós recolhíamos, até notícias interessantes de jornais e textos dos alunos. Portanto, nós tentávamos que eles fizessem, que produzissem coisas, às vezes, até a propósito das aulas. Outras vezes não, eram eles que queriam publicar esses textos. Prtanto, de 15 em 15 dias, nós tínhamos lá o “moscardo”, que era assim que se chamava o jornal, fazendo lembrar o Moscardo de que falava Sócrates. “Eu quero ser uma espécie de moscardo que azucrina a paciência”. Portanto, foi uma experiência muito interessante, que durou cerca de três anos. Depois, como todas as coisas, tem um fim. Mas, durante, mais ou menos, três anos, aguentámos o Moscardo, e foi uma experiência muito interessante com os miúdos. Depois, as outras coisas, as comemorações disto, daquilo, muita coisa em que nós sempre nos envolvemos com poesias, com músicas, sei lá, com convidados que chamávamos para discutir temáticas… depois também tive muita ligação à biblioteca escolar. Também gostei muito desse trabalho, em que ajudávamos alunos que iam para a biblioteca. Também procurávamos dinamizar a biblioteca com sessões de poesia, eu também participei sempre nessas coisas…foi uma experiência gira, também. Portanto, projetos com os alunos sempre me agradaram muito... mais do que outra coisa qualquer, mais do que aquelas tarefas mais burocráticas.

Referência 2 - 2,15% Cobertura

A parte dos professores era se quisessem participar. Quem organizou teve a ideia, era mais vocacionado para os alunos… e os professores se quisessem. Eu também quis participar. Mas foi mesmo muito giro, porque todos nós ficámos a conhecer aspetos da vida dos outros que não conhecíamos. Mas uma coisa engraçada que eu fiz uma vez, também... o último tema da disciplina de Filosofia era o sentido da existência. Então, eu pedi-lhes que arranjassem uma imagem que se identificasse com eles, aquilo que, de alguma forma, expressasse uma faceta da sua personalidade, da sua vida… e surgiram coisas lindíssimas, também. Depois, eles tinham de dizer porquê. Foi mais do que uma aula, porque uma aula não chegava. Surgiram coisas tão bonitas, tão bonitas, tão bonitas, desde um que dizia que uma coisa muito significativa para ele era passear com a avó, outro, também, que fazia voluntariado... o voluntariado é muito importante para mim… desde vários momentos da família, aspetos ligados com desporto, que muitos deles praticam desporto, portanto, aquilo, naquele momento, era muito importante para a existência deles…foram coisas muito bonitas, que surgiram nesse contexto. São as memórias que ficam.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora - § 2 referências codificadas [6,42% Cobertura]

Referência 1 - 1,34% Cobertura

eles sabiam que eu entrava em tudo o que era da escola. Na escola, houve um curso que era o décimo segundo ano e um ano de engenharia, na área das engenharias - construção civil. O coordenador desse curso, que candidatou-se, no corredor passou por mim e disse: “Tu também vais, vais para o curso que eu vou criar”. “Tu és maluco, eu não percebo nada de engenharias”. Aquilo tinha uma disciplina que até fui eu que fiz os conteúdos, que era de sociedade, economia e direito, era só uma vez por semana, duas horas. Eu tentei fazer aquilo. Os alunos até me chamavam engenheira, gostei muito daquele curso, os alunos ali estavam à vontade porque discutia-se muitas coisas. Eles eram trabalhadores e punham problemas muito concretos - nós tentávamos resolvê-los. Foi mais uma experiência gira. Foram três ou quatro anos que tivemos aquele curso. Isto para lhe dizer que eu meti-me em tudo aquilo em que as colegas novas se metiam, nos SEFs, naqueles cursos todos, eu entrei nisso tudo, fiz isso tudo.

Referência 2 - 5,08% Cobertura

Eu era diretora de turma e havia uma aluna, que até ficava sempre nas primeiras filas, aluna boa, de 14 e 15, uma aluna razoável. A determinada altura, começou a baixar as notas, nas aulas estava absorta. Eu sentia que ela não estava lá, no final da aula chamei-a e falei com ela. Disse-lhe que se quisesse falar, eu estava disponívela - ela não quis. Passado uns dias - não sei quantos - veio ter comigo e disse: “A professora tem razão. Eu não ando bem”. Ela já andava no décimo primeiro ano, na altura. Ela disse: “Eu fico a fazer o jantar, depois vou para a minha cama e o meu pai vem para a minha cama e põe-me as mãos nas maminhas.”. “Como é que pode ser? Disseste à tua mãe?”. Ela respondeu-me: “Eu disse, mas ela não acredita, diz que eu quero separá-los”. Eu, logo no princípio do ano, vi que na ficha dela o encarregado de educação era a avó. Eu perguntei-lhe se ela vivia com a avó e ela disse que não. Chamei a avó, que era a encarregada de educação, e disse: “Olhe, a senhora sabe que se passa isto assim e assim”. “Sei minha senhora, ele é meu filho! Eu sei”. “Então porque é que a senhora não a tira de casa dele, assim de mansinho e vem para sua casa, a senhora controla melhor”. “Oh minha senhora!” – ela assim muito parolita – “Oh minha senhora, tenho um genro lá em casa que ainda é pior!”. Ai no que eu estou metida! Passei três noites a chorar, mas acredite que eu era assim: “Se o meu marido fizesse isso a um filho meu acho que o matava”. Eu não sou nada violenta, mas acho que fazia isso, são coisas que eu não admito. Eu ia para a cama e pensava: “Como é que eu hei-de fazer? Eu tenho que tirar aquela miúda de casa. Vou lá e tiro, mas não pode ser, não pode ser.” Falei com a professora de religião e moral, que ela tinha religião e moral, pedi para ela falar com ela. Depois, a colega veio ter comigo e disse: “Aurora, é verdade!” (suspira fundo), portanto, depois chamei a avó e disse: “Pois, minha senhora, mas a senhora tem que tomar uma decisão, senão eu chamo a polícia”. Disse mesmo: “Eu chamo a polícia”. Naquela altura, ainda não havia nada destas coisas da CPCJ, não havia nada disso. Entretanto, acho que a coisa amainou. Fomos para as reuniões de final de ano e o professor de Matemática disse que ia chumbar essa aluna. Eu disse: “Oh A. não faças isso”. Ele insistiu. Eu, cá para mim, “pronto, vai ser uma votação”. Fui para a reunião e o professor de matemática “9” e ela com 9 reprovava. Eu deixei, acabou de ditar as notas, eu estive a analisar os casos e fomos para o caso dela. Eu disse: “Ora bem, temos aqui o caso da X que não faz o curso por causa da disciplina de Matemática”. Diz assim uma colega: “Votamos”. Estivemos uma hora a discutir o assunto, e o da Matemática não cedeu. Eu disse: “Bem, eu queria evitar dizer isto mas com esta menina passa-se isto assim, assim, assim e ela tem que ir trabalhar para sair de casa”. Eu vi lágrimas nos olhos dos homens. Mas vi mesmo! Pronto, aí toda a gente… fizemos tudo para construir o texto. Estivemos ali um tempinho e ficou o texto. Nesse dia, era a sardinhada lá na escola de final de ano - eu fui ao presidente do conselho diretivo - e disse-lhe: “M. anda cá, olha na turma tal vais lá encontrar uma votação de nota, ai de ti se mandas a ata para trás” (risos) “que aquilo foi super pensado, bem fundamentado, por isso não ouses…” - nunca tive problema nenhum. Foi outra coisa muito marcante que eu tive. Porque estas coisas a gente vê no cinema, vê nos jornais, vê na televisão, mas à nossa frente... e a gente estar praticamente de mãos atadas! É horrível, horrível, horrível! Foi muito chato, foi muito chato. Mas pronto, depois nunca soube mais nada dela, nunca mais, espero que seja feliz, mas nunca mais soube nada. Foi outro aspeto marcante do meu percurso e sobre família-escola.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana> - § 10 referências codificadas [11,58% Cobertura]

Referência 1 - 0,62% Cobertura

Na volta eu explicava e fazia mais do que os professores da altura, porque tinha uma relação pedagógica completamente diferente. Organizei visitas de estudo a castelos e, enfim... aos sábados dava andebol, porque eu era jogadora de andebol, e dava inglês. E, pronto, foi uma situação completamente distinta e o colégio encheu, encheu com toda essa loucura que eu transportava e, pronto, foi muito interessante. Ffiquei aí durante uns anos

Referência 2 - 1,20% Cobertura

Não. Curiosamente, nessa altura, com o 25 de Abril entraram umas disciplinas novas que eram as Ciências Sociais, as Ciências do Ambiente. Sobretudo para Ciências do Ambiente, eu trabalhei bastante nos programas para incluir esses temas no ensino público obrigatório, nesses programas e, portanto, para mim foi fascinante, porque, por um lado, tinha participado enquanto estava na faculdade, na elaboração desses programas; por outro, [estava] a aplicá-los junto dos miúdos. Mas apanhei, por um lado, os novos programas. Esses onde também tinha participado e apanhei os programas antigos do quarto ano do liceu, aqueles alunos que eram realmente...que corresponde ao oitavo, mas que já eram muito grandes para o ano em que estavam e, portanto, só asneiras. Mas a minha idade e a minha paciência permitiam-me gerir aquilo de uma maneira...na boa, na boa.

Referência 3 - 0,52% Cobertura

Depois os alunos começaram a ir e, pronto, realmente comecei a fazer umas experiências educativas na área da Antropologia. Por exemplo, consegui levar os alunos a um congresso que houve em Sintra para apresentarem trabalhos dos projetos de grupo que eles estavam a investigar. Sempre gostei muito de trabalhar em projetos, então a Antropologia permitiu-me fazer isso.

Referência 4 - 0,93% Cobertura

E discussões com inspetores tive bastantes porque eles achavam que... eu tinha os núcleos de atividades de complemento curricular, depois o do clube europeu, o Clube do Ambiente, Clube disto, o clube daquilo...e eles achavam que eles tinham de ter presenças e assinar papéis. E eu disse "essa porcaria não faço, porque acho que aquilo que eles têm feito é suficiente, é muito positivo. Estamos aqui a gastar papel para nada". Fizemos imensos concursos, ganhámos muito dinheiro, fizemos muitos projetos na altura do IPAMB. Fomos selecionados para ir ao Luxemburgo, aqui, ali e acolá. E acho que foi bem mais positivo do que ter aquelas aulas convencionais.

Referência 5 - 0,81% Cobertura

Depois voltei à minha escola, a GE, onde eu já tinha feito algumas coisas interessantes, nomeadamente uma feira das escolas com o professor de Educação Física que estava lá, mais velho que eu, mas com quem eu me entendia muito bem a trabalhar e tínhamos feito umas coisas muito interessantes. E entretanto, nessa altura, ainda em NN, comecei a entrar nos computadores da Universidade Nova foram eles que levaram os computadores para as escolas. E depois quando cheguei à GE levei os computadores e mantive-me nas reuniões na faculdade e levei os computadores para as escolas.

Referência 6 - 1,35% Cobertura

Pronto, posso-lhe dizer que a GE chegou a receber observadores da OCDE. Quando foi uma escola que tinha grupo de Teatro de alunos, tinha um grupo de Ambiente, tinha o Clube Europeu e fazíamos o Coastwatch, fazíamos uma feira de Ambiente no Natal, participamos na Feira das Escolas... Tínhamos pinturas murais, tínhamos uma tuna, fazíamos reciclagem, concursos da Câmara em que os alunos iam recolher às papelarias, às sapatarias e depois ganhavam mesas de matraquilhos e ténis de mesa e não sei o quê.... E, portanto, tínhamos tudo. Era uma escola que tinha praticamente tudo. Tínhamos toda a escola pintada com murais muito giros, muito interessantes. Tínhamos alunos de Artes. Os de Educação Física era Vólei, estavam nos campeonatos nacionais... Portanto tinha a tuna, tinha um teatro muito bom e, depois, aos poucos...ah, e tinha tinham Rádio também, tinham jornal, tinha um jornal feito fora, em offset, mas quase profissional. Bom, a gente tinha tudo.

Referência 7 - 1,49% Cobertura

Por exemplo, esse primeiro intercâmbio que eu fiz com França, andei à procura...foi através da Associação de Amizade Portugal/França que arranjei um parceiro em Nantes e foi com esse parceiro que fizemos o primeiro intercâmbio do concelho de Sintra. Bom, aquilo foi uma coisa! Os pais envolveram-se, e ainda hoje alguns pais se visitam. A organização foi apoiada pela Câmara, receção na Câmara e em Nantes a mesma coisa. A Câmara pagou bastante, ajudou imenso. Os alunos em casa de alunos, professores em casa de professores. E foi com esse professor que eu fiz o primeiro livro, porque depois ele manteve [ligação]. Ele depois disse-me "olha, porque é que tu não concorres ao Parlamento Europeu dos jovens?". E cá, nós, nas nossas escolas públicas, essa informação não chegava e continua a não chegar. É só para os privados, para o Colégio Alemão, para o Colégio Britânico, enfim, para os colégios privados da alta. E foi ele que me deu os contactos da secção do Ministério da Educação, onde eu podia falar com o senhor e apresentar a minha candidatura.

Referência 8 - 1,69% Cobertura

O meu colega disse "Eh pá, mete-te nisso com os alunos." E assim foi. Fiz reunião, seleccionei 100 alunos, fizemos entrevistas em francês e em inglês. Um tinha que saber de Música, outro tinha que saber de Jornalismo. Dos 100, ficou um grupo de 20. Reunimos os pais, os pais arranjaram as roupas, os franceses explicaram como é que a gente tinha que fazer, penteados, vestidos de igual...a gente fez de tudo. Quando chegamos à seleção, ao Porto, aquilo foi um balde de água fria. Toda a gente levou do ministério, porque eles nunca pensaram que os meninos do subúrbio da GE tivessem bom nível, porque tínhamos filhos de imigrantes franceses. Tínhamos alunos tão bons, tão bons, que sabiam a tabela periódica de cor. Fomos à energia nuclear saber sobre aquilo que eles pediam, não sei o quê. Bom, pintámos a manta. Tínhamos alunos extraordinários que dominavam o francês e o inglês, a mutação genética, tudo! Na altura, os nucleares... E aquilo chegámos e ganhámos. Ficou tudo... Acho que foi a primeira vez que eu vesti saias na minha vida, mas toda a gente teve que cumprir as normas. Estava decidido que era assim. Os pais decidiram que era assim. E foi assim, pronto. E ganhámos a seleção nacional.

Referência 9 - 1,36% Cobertura

Pronto. E consegui provar ao Conselho e à escola que os alunos do subúrbio... Mas trabalhávamos todos os sábados, todos os sábados, todos os sábados, mas com trabalho consegue-se. Conseguimos tanto como os meninos do Colégio Moderno e de outras áreas especiais. Eu sempre achei que depois de França, que era o exemplo, era o primeiro país com quem nós tínhamos mais relações e, portanto, havia mais afinidade. E seria bom começar por aí. Mas depois eu pensei "não, eles têm direito a conhecer o que há de melhor". Então comecei à procura dos projetos que eu tinha, dos Ecoescolas, dos Jovens Repórteres,e por aí fora, porque, ao fim e ao cabo, acabei por trazer esses projetos para Portugal. Escolas, por exemplo, na Dinamarca, que quisessem fazer intercâmbios. Eles, quando foram para casa de alunos que viviam em comunidades e saíram do Cacém e aterraram na Dinamarca. Eles disseram "bem, mas há outras maneiras de viver. Há outras cidades. Há outro modo de vida"

Referência 10 - 1,62% Cobertura

Professora: Pois eu pelo negativo nunca valorizei muito e nem nunca tive grandes chatices com alunos. Nenhuns. Mesmo no estrangeiro nunca tive problema nenhum. E, portanto, nunca valorizei nem nunca retive aspetos negativos de trabalho com os alunos. Portanto, se me perguntar o que é que houve de negativo com os alunos, olhe, eu acho que eu todos os anos achava que aqueles alunos eram os melhores [impercetível] vamos fazer isto e aquilo e aquilo, e, depois, claro, aquilo ia desmotivando e ia desmoralizando ao longo do tempo. Mas havia sempre alguns que se agarravam à ideia de que eram os melhores e que íamos fazer qualquer coisa de diferente. Assim, por exemplo, quando o Ministério da Educação lançou a área de Projeto e Cidadania, essas áreas nós... Eu propus à escola que fizéssemos um grupo de trabalho para criar um grupo coeso de professores que partilhassem as matérias entre si e que dessem uma outra visão. Começássemos por uma grande visita de estudo, como fazem os dinamarqueses, os holandeses, etc. Começassem com um outro enquadramento educativo. Então fizemos. Andámos o ano inteiro a reunir e a fazer o programa em conjunto.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila> - § 3 referências codificadas [5,84% Cobertura]

Referência 1 - 2,05% Cobertura

E houve outros alunos que realmente me deram uma satisfação pelo que evoluíram. E eu conto sempre um caso, que os meus colegas sabiam que era uma turma especial, houve um ano em que eu estava no Conselho Diretivo do H. e pedimos licença... Tínhamos alunos que eram tri-repetentes de sétimo ano de escolaridade e nós pedimos à direção regional para criarmos uma turma com esses alunos para não os misturar com alunos que estavam dentro da idade normal e para podermos trabalhar com eles de maneira diferente e pronto. E depois, enfim, eu lá consegui movimentar um bocado o corpo docente. Houve professores que se ofereceram como voluntários, eu própria dava Português na turma. E fizemos com eles um trabalho espetacular e depois seguimos até ao fim do nono ano, mais nenhum reprovou ano nenhum e nunca mais nos esquecemos de um miúdo, coitadinho, que tinha algumas limitações e começou por ter, sei lá, 8% no primeiro teste de Português e que chegou ao fim do ano e teve uns 70% no último teste. Na última aula quando fizeram a avaliação ele levanta-se a chorar e diz " Oh professora, posso-lhe dar um abraço?" - "Podes" e fiquei espantada e ele disse "Oh professora é que eu julgava que era burro e afinal não sou".

Referência 2 - 1,19% Cobertura

E portanto eu mantive uma turma do secundário que já trazia na altura do décimo ano e continuei no 11.º e ofereci-me como voluntária, até porque queria outros professores que tivessem mérito para lecionar nessa turma, na experiência... Mas foi um problema conseguir a licença para criar -" ah isso é antipedagógico, criar uma turma só de repetentes...ficam isolados" Eu disse ao diretor na altura "o que é mais antipedagógico, criar uma turma em que se trabalha com eles e eles avançam, aprendem e endireitam um bocado a vida escolar ou misturá-los com outros alunos que são obrigados a andar um passo de caracol, ou então nem uns nem outros aproveitam porque as necessidades são completamente diferentes?"

Referência 3 - 2,60% Cobertura

É, claro que às vezes, por exemplo, havia casos de turmas em que havia um professor ou outro mais complicado, que às vezes criava uma certa tensão, mas de uma maneira geral conseguia controlar, quanto mais não fosse fazendo acordos com os alunos. Houve uma época em que eu tinha duas turmas de Português de 12º ano. Uma era muito boa, era melhor que a outra, bastante melhor que a outra. E nesse ano eu só poderia ficar com uma das turmas e as turmas tinham a mesma professora de História, que era uma senhora muito exigente e com o feitio um bocado difícil e ninguém queria aquela professora de História. De maneira que eu entrei em acordo com a gestão da turma e com a própria professora de História, com quem me dava bem e disse "olha, vamos fazer assim, tu escolhes a turma com que queres ficar e trata-los bem. E eu fico com a turma com que tu não queiras ficar." E foi assim, foi assim, que eu me lembro. Foi o único caso em que tive que fazer negociações com uma colega. Eu pessoalmente até me dava bem com ela e às vezes dizia-lhe -"Tu és um bocado chata", e ela -"eu não sou nada, eles não estudam nada". Então eu chamava-lhes à atenção e eles "a professora marca-nos testes sem avisar". E eu dizia -"Vocês nem parecem inteligentes. Já se deram ao trabalho de ler os sumários? Na aula a seguir a terem acabado uma unidade didática a professora de História dá-vos sempre teste, é só estar com atenção às coisas". Depois já não era novidade. Às vezes diziam "hoje temos teste de História, acabamos uma unidade na aula anterior" e lá tinham.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Catarina - § 1 referência codificada [3,48% Cobertura]

Referência 1 - 3,48% Cobertura

"O professor é porreiro, mas não estamos a aprender nada” e eles sentem que não estão a tirar rendimento nenhum daquilo. Eu cheguei a entrar em salas de aula, para ir ter com colegas para dizer qualquer coisa, e uma das vezes eu já nem sabia onde é que estava a professora, não sabia onde estava a professora! Aquilo era tudo em burburinho sem sentido, podiam estar a trabalhar em grupo - e eu também fiz trabalho de grupo - mas eles têm que trabalhar em grupo, com normas. Aquilo é ambiente de aula? Há dias em que podemos até dizer: "Meninos, hoje nem vamos ter aula, vamos falar sobre qualquer coisa". Mesmo isso tem que ter regras, não pode ser tudo a falar. E eu fazia debates, por exemplo, exatamente para exercitar o sentido crítico no 10º ano [de escolaridade], sobre temas que lhes propunha. E era, por exemplo, lembro--me de um que era em relação à despenalização do aborto ou à penalização do aborto. E independentemente do que eles acreditassem, eles tinham que procurar argumentos - eu é que os punha nos grupos - argumentos para defender uma tese ou outra tese, depois o debate era na aula e a presidente da mesa é que dava a palavra a uns, e a palavra a outros. Isso era muito interessante, porque eles fazem de facto pesquisa e eles vieram com argumentos, mesmo não acreditando. É muito interessante, porque eles assim vêem que há sempre argumentos, toda a tese tem argumentos, toda. Eu posso encontrar argumentos para tudo. Aliás, usávamos os sofistas gregos, que eram precisamente o exemplo disso, [de] como era possível argumentar tudo! Tudo, absolutamente tudo e argumentar com lógica, argumentar com uma certa lógica racional. Claro que depois se pode desmontar os argumentos, mas o argumento vinha, eles encontravam-no e era muito giro. Depois, a presidente fazia o resumo final da sessão. Mas o que é certo é que eles iam procurar nos jornais ou na internet, fosse lá onde fosse, argumentos para defender as teses que eu mandava que eles defendessem e depois achavam que tinha sido muito útil, muito útil! Porque mesmo os que eram contra a descriminalização do aborto, por exemplo, os outros também encontraram fatores que eles não tinham pensado e não sei o quê. E acho que, por acaso, essas aulas eram muito produtivas. Eles debatiam, mas debatiam com conteúdos. Muitas vezes, quando a gente pergunta: "Ah, mas porque é que pensas isso?", "Porque sim", "Ora, porque sim não é razão, porque sim não é motivo. Vai encontrar um argumento qualquer para defender essa tese". E eles lá iam. Mas acho que, só para responder ao que me tinha dito, há uma evolução. De facto, as pessoas hoje lidam muito bem, os meus netos, com as tecnologias, com tudo isso. Mas eu continuo a pensar que nós estamos aqui para ser felizes. Não é para ganhar muito dinheiro, se possível pois com certeza que ganhamos muito dinheiro, mas é para ser felizes, para fazermos o que gostamos e dentro do que gostamos, para nos promovermos e sabermos cada vez mais e mais


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia - § 3 referências codificadas [4,60% Cobertura]

Referência 1 - 1,58% Cobertura

Vou-lhe contar uma história aqui, agora estou-me a lembrar. Não era isto que eu lhe ia contar, mas agora estou-me a lembrar. Eu dei umas aulas no Liceu D., dava aulas à tarde e à noite. Tinha alunos à noite, portanto, adultos. Eu gostei desse relacionamento com essas pessoas. Tive um aluno cego que vendia cautelas à porta do N. estava ali, à noite. Eu dava óptica nessa altura, portanto, fazia parte do programa. Dar aulas de ótica a um cego é uma coisa complicada. Eu fiz com ele coisas engraçadas, [desde] explicar-lhe o que é o côncavo e o convexo a partir do tacto, entre outras coisas. Eu sou muito experimentalista e é isso que também lhe queria dizer.

Referência 2 - 0,96% Cobertura

Disse aos meus alunos que me ia embora e este meu aluno fez uma petição para eu ficar. Eu pedi-lhe: "Por amor de Deus, não. Eu quero-me ir embora." (risos). Nunca me esqueci disto. Não me esqueci porque ele tinha gostado da maneira como eu tinha contactado com ele e achou que fazer uma petição com os outros alunos, com os outros colegas, para eu não sair... Mas eu pedi "por amor de Deus"! (risos)

Referência 3 - 2,07% Cobertura

Foi aí que conheci a C.. O trabalho que eu fazia era o seguinte. Pensava nas equipas de autores e fazia-lhes o convite. Pensava na equipa de consultores e pensava na equipa de auditores. Reunia com todos eles e, no início, fiz uma transformação, ou melhor propus uma transformação nas provas de exame. Eu penso que ainda hoje elas têm o mesmo formato, digamos assim. Mas não estou certa, portanto, não posso garantir isso. O que é que acontece a partir dessa altura? As provas de exame passaram a ter uma parte de avaliação experimental. Não podia ser experimental, de fazer experiências, mas os programas passaram a ter uma grande carga experimental, nessa altura - estou a falar de Física e de Química. As provas tinham uma parte que estava ligada mais à teoria. Depois, um grupo que avaliava as experiências propostas no programa... Eu não sei qual é a sua área.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César - § 1 referência codificada [10,02% Cobertura]

Referência 1 - 10,02% Cobertura

Eu acho que há um discurso e uma prática que, muitas vezes, não coincidem. Sempre se ouviu um discurso de autonomia, de descentralização, de dar mais espaços de liberdade às escolas para poderem decidir em muitas áreas. Isso nunca aconteceu na prática. Eu também acho que a culpa não é só da tutela. A tutela tinha um discurso e na prática não o fazia, mas também quem estava nos órgãos gestão não queria essa autonomia, essa liberdade. Acabava por não querer, na prática. Quando, efetivamente, se tinha algum espaço de liberdade, a primeira coisa que eu ouvia de muitos colegas era: "E agora, como é? Vamos pedir instruções à tutela!. Não há uma circular informativa. Como é que nós fazemos?". Quer dizer, em vez de liberdade, eles queriam uniformizar as coisas. Quando se dava um espaço de liberdade, para que cada escola pudesse ser diferente, adequado, as pessoas não gostavam. Eu saí sempre um bocadinho desiludido e voltava sempre na esperança. Quando voltei, agora em 2008, foi a última vez. Agora eu digo mesmo que não. Foi quando apareceu um novo modelo de gestão, com o órgão unipessoal que é o diretor. A [minha] escola foi um bocado afetada pelo órgão de gestão que estava anteriormente. Era uma pessoa que, digamos assim, é um bocado totalitária e criou um péssimo ambiente na escola e que se transmitiu à volta, ninguém queria concorrer para lá. Quando apareceu este este novo modelo, houve eleições para o Conselho Geral e, de facto, a lista da oposição na qual eu me incluía, ganhou. Entre a tomada de posse do Conselho Geral, o anterior presidente do Conselho Executivo a ter de sair, iria decorrer um ano. Com ajuda da inspeção, a presidente assembleia de escola conseguiu formular um documento em que fundamentou um pedido para a exoneração dele. Isto aconteceu. Acho que são muito poucos os casos no país em que o presidente do Conselho Executivo foi demitido pela assembleia de escola. Depois teria que haver uma comissão administrativa provisória e indicaram-se três nomes. Eu indiquei um. Fomos a Coimbra. Nós pertencíamos à Direcção Regional de Educação do Centro. A directora regional, na altura, era uma pessoa que eu já conhecia por uma formação, uma pós graduação que eu fiz em Viseu. Ela era formadora lá e [disse:] "Você é o ideal para ficar lá.". E eu fiquei. Depois houve eleições para diretor. Eleições não, houve concurso. Eu concorri. Apresentei o meu projeto de diretor. Eu concordei com esse modelo porque me deram possibilidade de escolher a minha equipa. Eu sei que isto é perigoso porque, nalguns casos, digamos, constitui-se uma equipa de amigos e não uma equipa de pessoas competentes para exercer determinados cargos. Eu acho que escolhi, além de amigos, escolhi pessoas competentes e, portanto, nunca fui questionado por isso. De 2008 a 2010 eu exerci funções de diretor. Em 2010 dá-se a junção das escolas de Vila Nova, que eram só duas. Eu já concordava com a junção. A escola básica não concordava. Quer dizer, o interior está a perder população discente. Havia uma luta entre as duas escolas por causa do 3.º ciclo [do ensino básico], que era comum às duas. A escola secundária apanhava sempre os piores alunos, porque eles tinham os do 5.º e 6.º ano [de escolaridade]. Claro que ficavam com os melhores e mandavam-nos sempre os alunos... Já havia uma guerra há anos. Acho que foi a melhor coisa. Eu passei um ano, novamente, em comissão administrativa. Eu não quis. A direção regional entendia que os dois diretores deveriam fazer parte dessa comissão administrativa. Eu achava que não. Quer dizer, porque, potencialmente, no final desse ano eles podiam ser concorrentes e adversários. Isso deu-se mal nalguns conselhos. Houve três escolas em que juntaram os três diretores e isto correu muito mal. Eu aceitei na condição de eu escolher a minha colega da escola básica, mas depois o resto da equipa escolhe quem quiser. Assim foi. Depois, no ano seguinte, ela não quis concorrer. Eu concorri, portanto, para continuar. Fiz sete anos ou oito anos. Saí em 2015. Nós entramos com algumas ideias, quer no campo pedagógico, quer no campo da gestão de pessoal, de gestão de recursos humanos, quer na parte administrativa e depois, no fim de implementarmos as nossas ideias, acho que nos esgotamos um pouco. Das duas uma, temos um conjunto de novas ideias ou então há um novo facto que vai justificar a nossa continuidade, ou então acho que devemos dar o lugar a outras pessoas com novas ideias. Eu sempre fiz isso. Portanto, desta vez os mandatos eram de quatro anos. Eu estive o correspondente a oito [anos]. Estes oito anos custaram-me um bocado porque não tive alunos, digamos, na mesma sala que eu. Quando os tinha, na mesma sala, era mau sinal [risos). Quando eu ia para a escola básica, que era ao lado - só tinha uma estrada a separar - os alunos olhavam e diziam: "Lá vai o diretor". Olhavam de lado. Não era aquele calor a que eu estava habituado: "Olá professor! Está bom!?". Ali não. Até os colegas, quando me viam ficavam... Em 2015, com os meus colegas de grupo, eu disse: "Escolham o que quiserem, porque eu não conheço os alunos. Eu fico com o que sobrar.". Eu pensei: "Vou ficar com os piores.". Felizmente, fiquei com uma turma do 7.º ano [de escolaridade]. Acho que, juntamente com a primeira turma que eu tive do 12.º ano [de escolaridade, referida no início da conversa], foi das melhores coisas que me aconteceu. Eu pude acompanha-los desde o 7.º ao 12.º [ano de escolaridade]. Conseguimos construir uma amizade. Ainda hoje falamos. Há um conjunto de alunos que moram aqui perto de mim. "Olhe, veja se passa pela minha casa, porque eu preciso falar consigo sobre isto, sobre aquilo. Já há muito tempo que não falamos sobre livros.". Tinha alunos que gostavam de falar sobre as novidades literárias, etc. Quando faço anos, mandam-me sempre um livro. Eu também, pelo Natal. Digo-lhe uma coisa, eu acho que nunca me tinha acontecido: na última aula, a gente tem que preparar umas palavrinhas. Eu para dizer meia dúzia de coisas demorei imenso tempo porque as lágrimas caíam-me e eu não conseguia falar. E eles também começaram os a chorar. Foi a primeira vez que eu consegui uma turma durante seis anos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico - § 4 referências codificadas [11,86% Cobertura]

Referência 1 - 2,76% Cobertura

A primeira escola foi… É uma escola muito engraçada. Foi a escola que se chamava Escola Preparatória QX. Quando eu cheguei à escola… É muito engraçado… eu não sei se quer que eu conte coisas curiosas…

00:10:17
Entrevistadora: Sim, sim, sim, isso mesmo.

00:10:19
Professor: Eu quando apareci na escola, portanto, eu fiz o terceiro ano. Tinha bacharelato e entrei para o quarto ano do curso e tinha concorrido e, portanto, fui colocado nessa escola.
É uma escola ali no Restelo, uma escola com uma população mista, é uma escola, uma escola muito engraçada. Quando eu cheguei à escola, a escola tinha dois pavilhões prefabricados incendiados. Tinham sido uns miúdos, um grupo de miúdos que incendiou. É engraçado, porquê? Porque nessa altura, na escola houve um grupo de professores… Porque a escola queria expulsar os miúdos. Houve um grupo de professores que se constituiu como um conselho de turma e decidiu oferecer-se para juntar estes miúdos todos e fazer uma turma e trabalhar com eles. É engraçado porque um desses professores era o Domingos Fernandes, era professor de matemática. Sabe quem era o Domingos Fernandes com certeza… É uma pessoa muito conhecida, em avaliação…do Instituto de Educação de Lisboa. Já foi secretário de Estado. É engraçado, por causa disso, que essa foi uma escola assim meia, com estas, esses opostos, não é? Com gente que quer expulsar, expulsar miúdos, e com gente que diz “não não, esses miúdos são connosco”…é uma coisa engraçada. As pessoas andavam de bata por causa do giz.

Referência 2 - 5,85% Cobertura

Por causa de meia dúzia de obras, não poder haver o currículo dos miúdos, estarem a ficar amputados, de não poder praticar atividade física. E quando sugeri, sugeri que a gente tentasse convencer a escola e fazer greve. Durante o dia fazer um conjunto de iniciativas. E isso no meu grupo de professores de Educação Física. E foi recusado, não foi apoiado, só que…E deixe-me lembrar de uma coisa - nessa altura a escola estava cheia, as escolas estavam cheias de gente nova, cheia de professores novos, das várias disciplinas, todos os anos, estágios. E os estágios mobilizavam muitas pessoas. E, estava eu a contar, passadas duas semanas, numa reunião geral de professores, eu fiz a mesma sugestão e, estranho, foi aprovada. Portanto, o que é que aconteceu? Eu tenho documentos disso, jornais e coisas dessas que revolucionaram a escola. Fez-se um dia de greve, [a escola] parou. Nós agarrámos nos materiais de educação que estavam lá guardados e fomos para lá fazer ginástica. E eu estava a estudar no último ano do meu curso e, então, todos os meus colegas do curso que são para aí una 80 ou 70 foram ajudar-me. Foi muito, muito, muito engraçado. E, portanto, um dia, logo o efeito daquilo; ao fim de um mês as obras estavam prontas. Aquilo estava tudo arranjado. E o refeitório também. E teve ali episódios muito engraçados. A escola ficava ao lado do Conselho de Ministros. Houve uns miúdos que entraram por dentro do Conselho ministro a distribuir comunicados. Um episódio muito, muito, muito, muito engraçado. Quer dizer, nós pedimos para fazer uma manifestação à polícia e a polícia não deixou porque aquilo era perto dos exames. E então pedimos para fazer uma marcha atlética. E transformamos a marcha atlética numa manifestação, sempre com a polícia à frente, com motas com tudo. Cheio de cartazes. “Queremos o ginásio, queremos o refeitório”. Então foi assim: essa segunda escola foi uma escola muito, muito engraçada. Muito engraçada por causa disso.
A terceira escola foi em Sintra, num espaço lindíssimo, porque era uma dependência da Escola Secundária de Sintra, na Portela, e era num palácio, um palácio antigo e agora é de pensões. Agora é da Segurança Social.
O espaço interior onde eu fazia educação física era um salão imenso com uma lareira, uma lareira enorme. Era lindíssimo aquele espaço branco. E também foi uma experiência muito agradável. Foi porque era uma dependência e tinha cerca de 500 alunos, 400, muito pequena, muito pequena. E, portanto, havia muita ligação aos miúdos. E uma das coisas que naquele … eu liguei muito aos miúdos. Fizemos coisas giras e fizemos coisas muito engraçadas. Uma delas foi construirmos uma sala de convívio numa cave com aquelas caves do palácio, com luzes estranhas todas psicadélicas. Foi muito, muito engraçado. Foi principalmente aquilo que me lembra. Foi principalmente pela ligação que eu com os miúdos e os miúdos comigo. Essa construção. Mas construímos isto e aproveitamos o espaço e melhoramos o espaço. Durante umas férias inteiras andamos para lá com os miúdos a fazer coisas. Era engraçado. Pusemos cartolinas pretas nas janelas para ficar mais escuro e assim mais uma coisa, mas uma coisa muito importante, penso que foi bom. Foi bom.

Referência 3 - 1,92% Cobertura

É uma escola secundária, muito difícil. Agora não é, mas altura…era muito difícil. Depois integrei o Conselho Diretivo dessa escola…a seguir fui convidado para um projeto nos Açores. Estive quatro anos nos Açores. Três anos. Como diretor de Serviços de Educação Física e Desporto Escolar na Região Autónoma dos Açores. E um ano que fiquei numa escola nos Açores.
Foi muito, muito, muito engraçado como experiência, porque quando fui.
convidado por um colega que era o colega João Jacinto, que era um colega extraordinário, diretor regional. E fizemos muito, trabalhámos muito, muito, muito, muito e também muito com os professores. Uma visão colaborativa muito interessante e muitos episódios que devem merecer ser contados, devem ser exemplo de intervenção na Administração educativa. Não é uma direção. Ele tinha um projeto de intervenção, não é? Não é um projeto de funcionamento é um projeto de desenvolvimento. E, é claro, tenho sempre ali objetivos e ideias para a frente. Foi uma coisa engraçada. Depois voltei para Lisboa ao fim de quatro anos.

Referência 4 - 1,32% Cobertura

Quem me conhece. Eu fui professor numa época em que as orientações curriculares…não havia absolutamente nada. Isso tornou a coisa muito diferente, muito diferente.
Aquilo que as pessoas faziam junto dos miúdos eram jogos e ginástica e uma coisa desse género. Talvez atletismo, mas era sem nenhuma orientação e de acordo com as condições da escola. A escola faz o que quiser fazer. Eu lembro-me de fazer o currículo da minha escola. Com a existência do currículo nacional, a coisa melhorou imenso. Porque foram introduzidas mudanças. Hoje em dia dança é corriqueira na escola. Aquilo é uma beleza. E eu lembro-me de ser quase insultado quando sugeri a dança. Dança, patinagem, escalada. Fomos quase insultados naquela altura.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda - § 2 referências codificadas [9,96% Cobertura]

Referência 1 - 2,58% Cobertura

Na [escola] G., encontrei um corpo docente trintão, quarentão, na minha faixa etária - a maior parte. Era uma escola muito aguerrida. Eu considerei a escola muito boa. Fazia-se o apelo 'tudo pelos alunos!'. Era virar as tripas para proteger, para fazer dos alunos alguém mais, mais, mais. Muita gente solidária nesse projeto, muita gente. Tenho muitos bons contactos ainda dessa altura. Turmas maravilhosas, [com alunos que agora ] estão aí no mercado, na medicina e na gestão e não sei quê. Peripécias muito engraçadas. Muito trabalho, muito trabalho. Os alunos chamavam-me o patins em linha (risos) Tínhamos uma relação muito, muito amistosa. Sabe que os programas dos últimos anos, a pessoa não pode sossegar. Já em 2000 apareceu esse costume, também na periferia, de explicações. Havia esse mercado de explicações. Também é bom falar nisso. Eu não tenho nada contra as explicações. Também dei algumas vezes, porque me pediram e eu acabei por aproveitar, mas foi uma coisa muito pontual. Não tenho nada contra. O que eu tenho contra é que os professores não ensinem porque os alunos têm explicações. O que nós defendíamos, a maior parte, é que os alunos têm que ser servidos, entre aspas, de uma maneira que colmata todas as falhas. Havia ali uma grande motivação na [escola] G. à volta desse tema. Foi muito engraçado.

Referência 2 - 7,39% Cobertura

E então, no último ano, eu disse: "Se é assim então eu vou começar tudo do princípio, vou começar a lecionar desde o sétimo ao 1décimo segundo [ano de escolaridade". Era para variar, literalmente. Estava com quatro turmas de sétimo [ano de escolaridade], e numa delas tinha dois alunos muito problemáticos. Acontece que... Isto fez-me pensar, criou-me... Deu-me que pensar e nunca mais me esqueci. Eu era diretora de turma dessa dos dois alunos problemáticos - um era hiperativo, completamente desestabilizador em todos os níveis, em todas as aulas. Os pais chegaram à escola, abordaram-me numa reunião marcada de atendimento - diretor de turma com encarregados de educação - e pediram-me para que a escola fizesse alguma coisa pelo filho. O filho tinha 12 anos, na altura. Eles não conseguiam fazer nada dele. Foi assim, tal e qual estou a dizer. Os pais nem tinham expressão definida, estavam a fazer um pedido, estavam numa exaustão. Eu acho que tinha uma filha bebé. Então, estavam a delegar à escola a entrega do filho. Isto foi um choque. Lembro-me de outros alunos. Tinha um no décimo segundo ano que estava sempre atrasado, sempre atrasado. Até, por acaso, era filho de uma colega minha da escola. Os rapazes e elas também, do décimo segundo ano [de escolaridade] eram exageradamente altos. Esse rapaz entrava, abria a porta, e punha só a cabeça por dentro. Não dizia nada, só fazia o gesto. Parecia até a pantera cor de rosa! (risos) Depois eu dizia: "Lá vem o Pantera!" Claro que os colegas olhavam, riam. Ele era adepto do respeito, todos eram. Lembro-me do caráter interessado dos alunos, isso eu notava. Eu também tinha que ter algum reforço. A pessoa também gosta de sentir reforço, não estar ali a falar para ninguém. O que me lembro e o que me ficou foi isso. Alunos muito interessados, a ficarem depois do fim das aulas a conversarem sobre um tema qualquer, entusiastas! Convívios que tivemos fora [da escola], também muito interessantes e que nos ligaram. Deixe-me contar uma coisa que eu acho que é linda - eu por acaso tenho isso no Facebook que está fechado mas como envolvia tanta gente acabei por abrir. Eu fui diretora de turma de um décimo segundo [ano de escolaridade], nos últimos anos, há uns anos bastante atrás. Sempre era costume na escola, cada grupo de professores fazer um jantarinho com os alunos, num sítio fora ou em casa de alguém e nós tínhamos combinado ir jantar todos fora. Fomos. Eu gostei tanto daquela turma e eu acho que eles gostaram tanto daquela Química e eu dei-lhes tanto trabalho, aquilo foi tão horrível que eu pensei: "Eu tenho que fazer qualquer coisa, tenho que fazer qualquer coisa diferente para levar para o jantar!". Então tinha uns amigos que trabalhavam muito bem materiais e fui-lhes pedir ideias. E eles disseram: "Mas o que é que tu estás a pensar?" Eu disse que gostava era de levar um bolo fingido. Então eles prepararam um bolo em madeira maciça. Cortaram 25 fatias, que era o número de alunos - mas isto é para chegar aos alunos, para ver como a escola deixa marcas. Jantámos todos muito bem, não sei quê. Eu disse: "Vou agora ali buscar o bolo!". Fui buscar o bolo, cobri aquilo com uma toalha - o meu amigo fez um papiro com 25 focos. Iam as fatias todas unidas e tal. .Pousei o bolo e eles começaram a tirar as fatias e quando deram por isso foi uma coisa magestosa, magistral. Depois, assinaram os papiros. Passados todos estes anos todos, aqui há ano meio, eu nem tenho andado muito pelo facebook, mas aproximei-me mais porque gosto de fazer fotografia e comecei lá a publicar. Mas, entretanto, publiquei uma fotografia que era um abstrato e fiz uma introdução para esses alunos, porque ainda há lá alguns, lembrando isso. Então e não é que começam a chover fotografias das respetivas fatias! Luciana, passaram 25 anos!


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva - § 4 referências codificadas [3,74% Cobertura]

Referência 1 - 1,87% Cobertura

Pronto, lembrei-me agora, de repente, durante ali uns anos, 96, 97 por ali, até há seis anos, a questão do teatro. Levar os alunos ao teatro foi uma coisa que começou com outra colega que tinha o mesmo ano que eu e "Vamos levá-los e tal". E eu assim "Vamos levar alunos ao teatro?". Isto foi em 96! E ela também tinha não sei se era o décimo primiero ou décimo segundo e disse "Vamos lá ao teatro, que é uma peça que vem ao São João do Shakespeare tal e tal". Está a ver? Foi assim há quase 30 anos e eu achava aquilo assim um bocadinho complicado. Quer dizer, já levar os alunos fora, eu levava, mas ali tudo muito controlado. Agora vamos ao teatro. "E se eles se portam mal?", e se, e se , e se, bem vamos experimentar. Pronto. E a coisa correu bem. E depois entretanto, o São João entrou em obras e a partir de uma determinada altura, tudo o que fosse visível pelos alunos, às vezes já coisas assim pesadas, e inclusive cheguei a levar ao São João alunos do oitavo ano e do nono, e que se viravam para mim "Oh professor aqueles meninos estão-se a portar mal", e eu olhava para eles e "Estão a ver?", porque essa turma concretamente era uma turma complicada, muito complicada

Referência 2 - 0,82% Cobertura

E eu acho que uma das actividades que me deu prazer fazer com os alunos, ainda que desse uma trabalheira do tamanho, foi ir buscar os bilhetes, contar bilhetes, levar bilhetes, depois "Oh professora, afinal não posso ir", depois ver ali as carências económicas, jogar com o teatro, convites que me davam para depois fazer diluir aquilo, não criar suscetibilidades. Mas correu sempre muito bem. E depois levava professores, claro, colegas e eu acho que foi uma das atividades que me deu prazer fazer com os miúdos.

Referência 3 - 0,25% Cobertura

E isso dava-me às vezes para para fugir do programa e mostrar-lhes que eles tinham que ir além de. Era um bocadinho nesse sentido porque eram outros autores.

Referência 4 - 0,80% Cobertura

A partir de determinada altura, tem sido sucessivamente mais difícil fazer essas ligações e o teatro ajudava a isso. As visitas de estudo, por exemplo, eu tentava ir buscar outras coisas, sei lá, o percurso dos Maias em Lisboa, Mafra para o Memorial do Convento, sei lá. Tentar que eles vissem os sítios. Nós éramos assim lá na escola "Somos suficientemente loucos para levar três dias os alunos a Lisboa, Santarém, Sintra? E metemos as obras todas ao barulho e andamos três dias com alunos em Lisboa?".


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Hélder - § 1 referência codificada [0,80% Cobertura]

Referência 1 - 0,80% Cobertura

Entretanto, na minha escola também estive na origem de um projecto do qual estive à frente durante 30 anos. Foi um boletim cultural. Publicámos uma série, quando eu saí publicou-se o número 29, mas já eram 31 porque houve um número zero e houve um número especial de estudantes. É uma uma revista interessante. Por exemplo, o Dr. A.A. veio cá uma altura fazer a apresentação de um desses boletins. Ele equiparou à revista Brotéria, da universidade de Coimbra. É uma abertura interessantíssima que a revista tem e a capa é feita sempre nova. A partir dos 18 anos do boletim, até aos 18 anos ele não tinha maioridade e tinha sempre a mesma capa, a partir dos 18 anos atingiu a maioridade. Eu posso-lhe mostrar.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana - § 7 referências codificadas [6,79% Cobertura]

Referência 1 - 0,42% Cobertura

Lembro-me de ter tido reuniões de departamento em que estive com eles e com a legislação a descodificar aquilo tudo, a desmembrar e a tentar encontrar o melhor caminho, o caminho menos penoso para que nos entendêssemos.

Referência 2 - 0,78% Cobertura

uma coisa, porque era coordenadora do departamento e porque era obrigada a conhecer outro tipo de conhecimentos paralelos, que poderiam ajudar os colegas. Aliás, também já tinha feito parte do Conselho Diretivo, durante vários anos. Isso deu-nos uma capacidade de visão mais abrangente das coisas e que, de certo modo, nos ajudou a manter o relacionamento dos colegas cordial. Foi muito difícil, foi muito difícil.

Referência 3 - 1,79% Cobertura

Os últimos oito anos da minha carreira estive no Conselho Geral. Também me deu uma outra visão diferente das coisas. As coisas vão continuando como se lá estivéssemos. "E fulano? Como é que se resolve este problema? E aquele?". Sempre que a escola faz qualquer coisa convida-nos e eu tenho ido sempre, também não quero perder. A minha escola faz muitas atividades para a comunidade. No ano passado, houve com expositores fantásticos, uma exposição de trabalhos lá feitos na escola, também no domínio das tecnologias, no domínio da Física, no domínio da Química, no domínio das Línguas e da Filosofia e também do Teatro. Então, eu vou lá. Os colegas dizem e os alunos também dizem. "Está bom, eu vou lá!". Eu vou. Eu prometi aos miúdos que ia. Eles vêm cá, vêm ter comigo e a gente conversa. Ainda há dois dias, eu recebi de um deles um poema, "Professora, veja lá se o poema está bem.". Uma relação que eu acho que é muito saudável, que se mantém.

Referência 4 - 0,49% Cobertura

No final de 2010, em 2011, eu pedi na escola o sétimo ano de escolaridade, porque queria implementar o programa. Uma vez que eu tinha acabado de fazer formação, fazia todo o sentido. Ao mesmo tempo fiz a formação de colegas também nesse domínio, na escola.

Referência 5 - 0,94% Cobertura

Eu adorei ser diretora de turma.Tudo aquilo que está por trás das carinhas que nós temos na sala de aula, é importante e determina essas carinhas e aquilo que eles fazem. É bom conhecer apenas aquilo que vai facilitar e desenvolver os alunos para o melhor que eles puderem dar. O contacto com os pais ou com instituições, onde eles estivessem, era fundamental e ajudava-me muito a orientar ou reorientar as estratégias para otimizar e maximizar as potencialidades dos meninos. Era acima de tudo isso

Referência 6 - 0,96% Cobertura

Quando concorri ao Conselho Geral, estive muito na dúvida, precisamente porque achava isto muito mau, em instâncias de colegas e tal, conseguimos um grupo coeso e tal e ainda bem, porque no primeiro Conselho Geral tivemos que deitar muita água na fervura, senão... ou melhor, não. No primeiro, assisti a muita coisa que era impossível de se mexer, impossível. Havia ali uma espécie de politburo impenetrável. No segundo, tivemos que fazer um esforço diplomático muito grande para que as coisas fossem andando.

Referência 7 - 1,40% Cobertura

Antes, quando nós não éramos obrigados a tanta burocracia, tínhamos um bocadinho para nós e acima de tudo, um bocadinho para a cultura. É cultura extra aulas, aquilo que nos enche, que nos preenche e que nos completa. Já fiz parte de um grupo de trabalho no âmbito do Centro Cultural Regional de Vila Real, era formado por três professoras, com o saudoso A.. Desenvolvemos um projeto de incentivo ao livro e à leitura. Foi um trabalho fabuloso. Ainda gastámos bastante tempo, essencialmente aos fins de semana, muitas vezes à noite. Organizámos encontros de autores transmontanos, organizámos tertúlias, inclusivamente tivemos um programa na rádio, na rádio local. Aquele programa era uma maravilha. Todas as semanas eu ouvia o programa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara - § 7 referências codificadas [5,34% Cobertura]

Referência 1 - 0,16% Cobertura

das coisas que eu mais gosto de fazer na escola é ser diretora de turma. Tenho muita experiência de diretora de turma e de coordenadora. É das coisas que eu gosto de fazer,

Referência 2 - 0,44% Cobertura

Eu tinha lá um miúdo que era muito bom aluno, mas muito bom aluno, e o pai começou a ter uma intervenção assim um bocado estranha. O miúdo começou a chorar por ficar incomodado e envergonhado por causa do pai estar a falar daquela forma. E eu, perante aquilo, repare, novata... ‘Como é que vou resolver isto?’ E então foi a primeira vez. Mas eu acho que, a partir daí, nunca mais deixei de ser diretora de turma. Eu cheguei a ter duas direções de turma, ao mesmo tempo

Referência 3 - 2,55% Cobertura

Tive uma situação que aconteceu há pouco tempo, que, para mim, eu digo, isto é o melhor que eu tenho na minha profissão, numa turma do ensino profissional, turma que eu tenho este ano; o menino que integra a turma desde o início e que veio de Angola, que é angolano e que veio há poucos meses, está ali há um tempo, sei lá... um mês talvez na escola, e depois é transferido para Viseu, para outro curso e para outra escola, por questões familiares. Ele esteve ali enquanto esteve com a irmã, veio a mãe, a mãe foi viver para Viseu e o miúdo foi transferido. E, então, ele não tinha livro, eu emprestei-lhe o meu livro. Então, no dia, na véspera do dia em que foi embora, ele disse-me ‘Professora, hoje é minha última aula, eu vou-me embora’. E eu disse ‘Ah, que pena, vais embora’, e ele explicou-me. Eu disse-lhe ‘Olha, tens o meu contacto, se precisares de alguma coisa, portanto, estou disponível’. E o menino foi à vida. Logo no segundo dia, na outra escola, a meio da manhã, eu recebo uma mensagem a perguntar como é que eu estou, se está tudo bem comigo e que aquela escola é muito diferente. E eu comecei a pensar, assim, esta mensagem não é inocente. Repare, a meio da manhã, qual é o jovem que vai pensar numa professora? E aquilo começou [incompreensível] ‘eu não lhe vou responder já, mas eu acho que há aqui um desconforto’, pensei eu. Nessa mesma semana, eu tive conselho de turma, dessa turma. E então, o que é que eu fiquei a saber no conselho – e foi online o conselho. O menino tinha pedido novamente para regressar a Nelas. Tinha pedido a quem? À diretora de curso, ‘Ah, mas não há vaga e não sei quantos e trancos e barrancos’. E acabou, ‘Não, não há vaga. Aquilo bateu-me e eu, olhe eu estava na reunião online e resolvi ‘vou responder ao menino’. Como estás e como não estás, e mais isto e mais aquilo. Devolve-me a mensagem imediatamente a dizer que estava muito triste, que tinha pedido para regressar a Nelas, que disseram que não havia vaga, mesmo, que ele estava muito triste, porque a escola de O era muito melhor. E eu disse ‘olha, tem calma, isto e aquilo’. O que é que eu fiz? Passado umas horas, liguei à minha diretora, expliquei-lhe e disse ‘Olha, eu não quero ultrapassar ninguém, mas é assim, é uma mensagem de um aluno’, independentemente de ele ser só meu aluno e eu não ter nada a ver com ele a nível, portanto, sei lá, de cargo, não é? Eu pus-lhe a situação e ela nem sabia e ela só me disse assim ‘Ah, mas disseram que não havia vaga’. Eu questionei e disse ‘Se vier um aluno para essa turma agora, tu dás-lhe ou não dás entrada na turma? Há ou não há lugar?’ E ela disse ‘Há’. ‘Então, se há lugar, há lugar para ele’. E eu disse ‘Olha, eu peço que tu vejas’. Resultado: o menino já regressou.

Referência 4 - 0,40% Cobertura

E, então, passei a usar imagens de motivação. Isto só para dizer que a minha primeira imagem de motivação, este ano, para aqueles meninos que me aparecem à frente e que eu não conhecia de lado nenhum, foi aquela jovem iraniana que morreu por não ter usado um hijab. E esse foi o meu ponto de partida, foi a minha primeira aula, foi essa. Ora, se eu fosse cumprir o programa de História, a minha aula não era essa, está a ver?

Referência 5 - 0,81% Cobertura

O ano passado, eles chegaram, os meus alunos ao 12.º, o ano passado, chegaram, eles eram meus alunos de História e Ciência Política. Eu tinha dez horas de aulas por semana com eles. Dez. Então eles chegaram-me a falar, andavam doidos com uma série na Netflix, o Squid Game. E eu disse ‘M., o que é aquilo?’, ela ‘Tu não vais gostar’, ‘Ah, mas eu tenho que ver’. Eu fui ver o Squid Game por causa deles. Mas também tem que ser, estás a ver? Se eu me agarrasse aos meus livrozinhos de História, às teorias, meu Deus do céu! Porque depois eu começava a picar, eu dizia ‘Olha, eu, já vou naquele capítulo e não sei quantos’. E isto, depois, está a ver? Cria-nos, entre mim e os meus alunos, que eu falo dos meus alunos, assim, uma certa empatia grande, uma certa cumplicidade, que eu depois aproveito, porque depois a nível dos trabalhos, eles sabem, ela é a mesma, está a ver?

Referência 6 - 0,38% Cobertura

nunca fui da direção, e nunca fui do conselho de escola e o resto, eu fui tudo. Professora, coordenadora, delegada do grupo, coordenadora de departamento, diretora e coordenadora de turma. Portanto, eu fiz isso tudo. Estive em imensos projetos onde estou também. E eu nunca estive e é verdade, eu, se calhar, eu acho que eu tinha perfil e tive sempre perfil, mas eu nunca me ofereci e fui sempre escolhida.

Referência 7 - 0,60% Cobertura

Agora, por exemplo, uma coisa que as escolas passaram a ter, muitos, muitos projetos. É preciso ver se esses muitos projetos não acabam por fazer perder o foco. Porque há projetos interessantíssimos. Eu estou envolvida no Parlamento dos Jovens, no Euroscola, e adoro isso. E os miúdos gostam. No ano passado, fomos para Lisboa representar o distrito no Euroscola, no Parlamento Jovem. Eu acho que são experiências maravilhosas. Agora estou num outro projeto Ubunto, e também gosto. E eu acho que há outros projetos que eu acho que são interessantíssimos e bons e ricos, e que devem ser abraçados e que, portanto, nós devemos estar abertos a isso.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana - § 1 referência codificada [1,11% Cobertura]

Referência 1 - 1,11% Cobertura

Percorremos o país todo, a explicar os programas, os currículos, a ideia de Educação Física e isso também me deu alguma bagagem e capacidade reflexiva de pensar sobre as coisas. Coisa que se não estivesse nestas situações nunca iria fazer ou iria fazer doutra forma, noutra dimensão. Por isso é que eu digo que o meu desenvolvimento profissional foi muito feito à custa daqueles com que trabalhei, dos outros, do coletivo. Ainda hoje acredito muito e acho que é uma das coisas que está a acontecer, que a escola está muito individualista, e cada um por si. Eu não tenho essa experiência. Era tudo muito mais coletivo. Mais feito em equipa, tudo muito mais assumido. Éramos muito mais protagonistas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia - § 8 referências codificadas [14,79% Cobertura]

Referência 1 - 1,57% Cobertura

E eu…mas eu, nestes Pedagógicos, nestes últimos 8 anos, em que eu era Presidente do Conselho Pedagógico, e…e em princípio perguntava o que queria, quer dizer, dava o que queria, quer dizer, a Lei prevê alguns pareceres, mas são pareceres, não é?, e eu levava tudo a Pedagógico. E explicava às pessoas: “Meus senhores, é assim, vamos votar…e ganha a maioria. E se for contra mim, é contra mim”. E quantas vezes, infelizmente, por exemplo essa história de ir às aulas um do outro, não consegui dar a volta aos Departamentos, que nunca consegui…se eu não fosse, assim, um bocadinho democrática demais, as coisas se calhar tinham funcionado melhor para o Ensino, para a escola. Mas…mas as pessoas sabiam que podiam confiar em mim, pronto, sabiam que…tive que chamar à atenção muitos professores, como deve imaginar, mas sempre em privado, nem os meus outros elementos da Direção sabiam. Quando as coisas eram sérias, não sabiam mesmo, e as pessoas, por isso, tinham confiança em mim, e sabiam que eu estava de bem, não é?, e sabiam que eu tinha uma gestão democrática, também sabiam, não é? Se uma pessoa me dizia “Eu não consigo ser Diretora de Turma”, eu disse: “Oh pá, eu preciso de ti, explica lá porque é que não consegues, se me conseguires convencer…”, é o que eu digo aos meus alunos, era o que eu dizia aos meus alunos: “Eu mereço um 3, professora”, “OK, convence-me, pá, se me convenceres, mereces”. Pronto, e…e era assim, também, que eu funcionava com os professores, e foi bom, porque os professores…confiavam em mim

Referência 2 - 0,37% Cobertura

Pronto, isto para dizer que estive sempre muito dentro das coisas, não é? Mesmo agora com o João Costa, também estou um bocado desiludida, é um facto… Escrevi, isso pode dizer, as cartas abertas escrevi à Lurdes Rodrigues uma big de uma carta aberta…e escrevi ao Nuno Crato… Uma carta aberta que saiu no [jornal] Público. Assinada, Maia, Diretora, tatatatata…

Referência 3 - 1,91% Cobertura

Eu criei uma disciplina. Houve uma altura em que nós podíamos…já nem sei em que ano foi isso, também, para aí nos anos 90, em que nós podíamos, no 11º e 12º, oferecer uma disciplina de opção Eles queriam todos a mesma coisa, era as informáticas, e eu resolvi criar uma disciplina, que teve de ser aprovada pelo Departamento do Ensino Secundário que se chamava Oficina dos Discursos Marginais e Normativos. Dávamos tudo, o discurso amoroso, o discurso astrológico, o discurso policial, o discurso não sei quantos. Eu gostava mais de dar os marginais, normativos [risos] e dava a cada aluno a carta astral. E de…como é que se diz?, a Astrologia ocidental…da chinesa, da persa, da…aí, aquela que é muito…da árabe, que é horrível, são armas… De uma que já não me lembro o que é que são elementos, água, chuva…aquilo era bonito. Pronto, e fazia para cada um, era assim um dossiê para cada um. Passava horas a trabalhar aquilo, que eles adoravam aquilo, não é? Mas era uma aula de oficina. Era uma aula de oficina, quer dizer, nós estávamos…eu não estava a debitar coisa nenhuma, introduzia o tema, e depois “Meus amores”, liamos 2 ou 3 exemplos e agora é expandir, é escrever, está sempre bem. Eles já sabiam como era. Davam-me, eu anotava aquilo que achava que podia ser melhor, voltava para lá, e só estava perfeito, só ia para o Portefólio, como eu digo, quando estivesse perfeito. E eles gostavam muito. Não eram de turmas de Letras, não eram. E fizemos coisas fantásticas, mas isto para dizer o quê? Ao fim do segundo ano a trabalhar desta forma, o meu papel era de moderadora, de dinamizadora, andava por entre eles, não é? Eles naturalmente começaram a tratar-me por tu. E esses meus alunos, que agora jantam comigo, que me convidam, tratam-me por Maia, pelo nome. Mesmo quando eram meus alunos, também tratavam, muitos deles. Os mais queques chamavam-me tia

Referência 4 - 1,08% Cobertura

E sempre defendi que a relação com os pais é muito importante. Eu fazia uma coisa, assim, já mudando um bocado de assunto... A minha relação, enquanto Diretora, em termos pedagógicos, eu costumo dizer que não fiz o essencial, que não fiz o que devia ter feito, que aquela escola podia ter mudado mais, tinha condições para isso, e não mudou. Mas houve alguma coisas que eu introduzi e que acho que introduzi bem. Uma delas foi aquilo a que nós lá na gíria chamamos "o confessionário". O que é o confessionário? Parava as aulas durante dois dias…sem pedir licença a ninguém, porque é proibido, só se pode parar um [risos] E o que é que fazia? Não havia aulas e cada pai podia falar com todos os professores do filho. Por exemplo, o 12º B, sabia que tinha em três salas seguidas todos os professores do seu filho. E, portanto, podia ir lá e falar com todos os professores. Eu acho que isso é fundamental. Primeiro saberem quem está, sobretudo nos mais pequeninos. Eu como mãe queria saber quem são as pessoas que passam tantas horas com o meu filho?

Referência 5 - 1,77% Cobertura

No 1º período éramos muito mais nós que ouvíamos. Éramos muito mais nós que ouvíamos a maneira de ser dos miúdos, como é que eles funcionavam, pronto. No segundo já éramos nós que estabelecíamos…aliás, eu não tenho dúvidas que os bons resultados da escola, que sempre tinha, de facto a D. já esteve à frente nos rankings, em 1º lugar e eu na capa do Expresso: “A Diretora do D. é contra os rankings”. E sou. Mas pronto, lá ficava contente. Ia às turmas agradecer aos miúdos… Agradecer não, dar os parabéns aos miúdos. Mas nesse segundo período, quando os professores faziam aquilo que eu queria que eles fizessem - definir com os miúdos e com os pais as estratégias para conseguirem superar o ano ou a disciplina. Ou seja, um miúdo que estava em risco de chumbar, por exemplo. Se não houvesse isto, muitas vezes chumbava. Havendo isto, o que é que acontecia? “Ok, vamos combinar aqui um plano de estudos, vais esquecer a Matemática, não vais conseguir, está fora de questão. Portanto, vais-te agarrar a coisas que, realisticamente, consigas fazer. Com esforço, mas vais conseguir fazer”. E fazia e passava. Isto, parecendo que não, é importante. Como o contrário: "Em Matemática, parece que não vais conseguir fazer nada. Ah isso é que vais. Agora vamos ver é como é que tu vais conseguir fazer isso. Vamos estabelecer metas semanais. Tu esta semana tens que aprender isto, na próxima tens que aprender aquilo...". Isto tudo é fundamental. Junto com os pais, sobretudo os mais pequenos. E depois fazia sempre a avaliação daquilo e era 90 e muitos porcento… Queriam aquilo, achavam que era de importância elevadíssima. O Ministério acabou com isto…o Governo PS, ainda por cima, em quem eu tinha votado, porque…descobriu

Referência 6 - 1,18% Cobertura

Outra coisa que eu fiz completamente fora…fora…sem nenhuma autorização, foi o Fórum Qualidade e Ensino, que foi uma coisa fantástica. Na Cupertino de Miranda. Diziam que o Ensino Superior não tinham visto nada daquilo. Os palestrantes não tinham visto nada daquilo. O que é que eu fiz? Foi: durante a manhã eram sessões plenárias sobre grandes temas com uma mesa, moderada, com temas… E depois, durante a tarde, eram sessões de trabalho em salas. Quem é que lá estava a ajudar? Como eu tinha o curso de Animação Social, o curso tecnológico de Animação Social, e os miúdos eram os que davam as pastas, os que levavam o café, não sei quantos, aquilo correu impecavelmente bem. Eu não pedi [autorização]… Quer dizer, eu pedi autorização, mas ninguém me respondeu… Porque eu parei as aulas três dias, caramba [risos] Eu pedi autorização, ninguém ma deu! Mas eu convidei o Ministro, o Secretário de Estado e o Diretor Regional, estavam lá todos. Eu, aliás, comecei o meu discurso a dizer: “Eu pedi autorização para fazer isto, não me deram, mas estão aqui, portanto eu parto do pressuposto…" [risos] Também foram 3 dias cheios, mas muito interessantes.

Referência 7 - 2,73% Cobertura

Eu fazia questão, eu não conheço mais nenhum Diretor que seja o Diretor a fazer horários. Era eu que os fazia. Eu não tinha férias, eu reformei-me com 200 e tal dias de férias por gozar que ninguém me pagou. Mas não interessa, fazia os horários. Porquê? Os professores, por exemplo, um professor da minha idade, no fim de carreira, com mais de 60 anos, tinha 14 horas letivas e 11 lá na escola. 11 horas são muitas horas! As outras escolas, muitas escolas pediam substituições de aulas, eu, mais uma vez desobedeci. Quero lá saber das substituições de aulas, se houver um professor disponível vai, se não houver não vai, mas é a última coisa que eu vou distribuir é a substituição de aulas. Portanto, o que é que eu fiz? Equipas pedagógicas. Isto já há muitos anos. Eu era Vice-Diretora nessa altura. Portanto há, sei lá, para aí há 15, há mais de 15 anos. Portanto, todos os professores de 7º ano fazia assim: o professor de Inglês do sétimo A era o mesmo do sétimo B e C, por exemplo. Depois, no D, E, F era outro. Depois esses professores reuniam todas as semanas, mas estava marcado no horário. Estava marcada no horário essa hora e numa semana falavam sobre as turmas, sobre não sei quantos, noutra semana fazia-se a articulação… Reuniam-se os professores de Francês do 7º, os professores de Inglês do 7º, os professores de Matemática do 7º... Isso com todos os anos, do 5º ao 9º. Era uma confusão, era difícil elaborar horários assim, porque tinha que ter 30 professores que tinham que ter ao mesmo tempo tempo livre para poderem estar nessas reuniões. Depois também fazia a articulação vertical, ou seja, do 1º Ciclo para o 2º, em Português e Matemática. Depois do 2º para o 3º em Português, Matemática e Inglês. E depois, do 3º para o Secundário já era muito difícil, fazia em Português só. Depois fazia era horizontal…nas Químicas, nas Matemáticas, não sei quantos, mas isso estava tudo no horário. Tudo estava no horário! Os outros Diretores diziam que eu era chalada. Eu tinha que fazer as reuniões e não tinha espaço. A minha escola estava sobrelotada. As reuniões de Departamento, de Direções de Turma, tinham que ser pós trabalho, às 18h30. Houve aí uma série de cenas, com os sindicatos, por causa do trabalho…que devia ser trabalho extraordinário, lá na minha escola foi pacífico. Porque eu já tinha dado a todos os professores 2 horas no horário, todas as semanas, em que não precisavam de ir à escola, portanto, tinha aquilo em pontas, não é? Podiam ficar em casa, para depois poderem ir às reuniões sem ser serviço extraordinário. Não é? Ali não houve… Ou seja, tentei rentabilizar o tempo de escola por forma a não ser um tempo estúpido…

Referência 8 - 4,18% Cobertura

As inspeções adoravam a nossa escola. Tive várias inspeções. Então decidiram, essa foi uma discussão muito interessante, que eu depois passei o meu texto para todas as escolas, e passou a ser assim. Era assim: eles iam lá ver, no início do ano, o lançamento do ano letivo, e uma das coisas que eles viam era os créditos, não sei se já ouviu falar dos créditos… Já alguém lhe falou dos créditos?

E1: Não, não, não.

14_3ºSec_Maia: Não? Mas isso é importantíssimo, porque a escola não vive sem créditos. O Ministério acha que isso é a grande coisa que eles dão, e dão, e é importante. O que é que eles fazem? Imagine que uma escola tem direito - tem a ver com o número de alunos, com a idade dos professores. Uma escola que tenha professores muito antigos, eles têm tempo não letivo mais do que outra que tenha professores muito novos para dar apoios, para as tutorias, para não sei quantos, pronto. E isso dá x créditos. Eu gasto-os até ao último, não sobra nenhum. Já não sei quanto é que isto dá. Ah, e depois a isto ainda se tira…roubam-nos, porque eles dão por um lado, tiram por outro! Porque depois dizem que nós temos não sei quantas horas de Direção de Turma, mas não temos, porque são do crédito, quer dizer, metade é do crédito. Não interessa, no fim, imaginemos que sobravam para aí 100 créditos, ou 80 créditos (que não era nada para a minha escola, para uma escola da dimensão da minha). E eu, no Ensino Especial, na altura, (agora mudou, não é?), mas na altura nos miúdos com currículo específico e individual, os chamados CEIs, eu não punha isso nos créditos, nem me passava pela cabeça. Eles tinham que ter outras disciplinas, que eram dadas pelos professores ditos normais, ou seja, que não eram…

E1: Da Educação Especial…

14_3ºSec_Maia: …não eram do grupo. Há as manualidades, nós tínhamos jardinagem, tínhamos várias coisas que eram dadas por professores da casa que não eram desse grupo. Isso eram muitas horas porque eu tinha muitos miúdos, mas muitos mesmo. Eu tinha para aí 15 miúdos, o que é imenso, com variadíssimas…pronto, não interessa. Eram muitos. E são miúdos que depois têm que ter coadjuvâncias, porque nós sempre, isso a nossa escola sempre achou que eles deviam ir a algumas aulas, por causa da questão do social, da socialização, não é mais nada, não é? Educação Física, por exemplo, Educação Visual, pronto, depois via-se, em relação a cada menino, o que é que era mais eficaz eles fazerem. Isso são muitas horas, nos horários dos professores, certo? E eu nunca tirei isso dos créditos. A inspeção já estava farta daquilo. “Oh Maia...”. Eles põem-se lá na sala e depois chamam-me. “Oh Sra. Dra., estou aqui a ver...” E depois até dizem isso com um ar muito satisfeito, “Eu estou aqui a ver que excedeu os créditos assim…em muito”. “Hmmm, faça bem as contas, olhe que eu acho que não”. “Ai, pode ter a certeza, então sente-se aqui ao meu lado”. Eles mandavam-me sentar e contavam-me o Ensino Especial. Eu dizia-lhes: “Peço desculpa, não faz sentido nenhum. Isso é um currículo. Desde quando é que as aulas curriculares não fazem parte do horário de um professor? O próprio nome, ora ouçam bem: currículo específico individual, desde quando é que não faz parte?”. Ficavam à rasca, ligavam para a Inspeção. E a Inspeção respondia que estava nas perguntas frequentes que não era possível. E eu respondo: “Desculpe, eu não vou às perguntas frequentes, mau era, como professora de Português, não sabia ler um Decreto-Lei ou uma Lei. Eu não vou às perguntas frequentes. Eu não tenho que saber o que está nas perguntas frequentes. Os senhores têm é que legislar”. Acaba a inspeção tenho um relatório a mandar-me transformar aquilo tudo em créditos. Ou seja, deixava de haver. A escola ficava virada ao contrário porque eu tinha que começar por esses miúdos e depois não havia mais nada, e nem para esses miúdos chegava. Eu escrevi um relatório de três páginas que depois dei aos outros Diretores. E, a partir daí, obviamente que faz parte do currículo, e que portanto, não é crédito. Mas é preciso, é mesmo preciso desobedecer,


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia - § 6 referências codificadas [5,66% Cobertura]

Referência 1 - 1,87% Cobertura

Portanto, foi a partir de Freinet e do jornal escolar de Freinet que foi toda a minha influência. Eu passei a usar também as técnicas que ele aconselhava, passou a ser a minha Bíblia. Era muito importante. Eu conquistava os alunos com isso. Eu sentia que me aproximava deles. A alma deles estava ali, ansiosa. Eles estavam ansiosos por conhecer e por se revelarem e eu aceitava, essa verdade deles. Eles vinham carentes de saber e eles davam tudo. Então, quando cheguei aqui, a Paredes, depois de estágio e de duas escolas, eu senti que estava na terra que eu escolhi. "Com eles quero aprender tudo o que há de melhor sobre esta terra". Eles colaboraram. Fazíamos reuniões, fazíamos encontros até fora, fazíamos projetos, construíamos projetos.

Referência 2 - 0,04% Cobertura

Com os alunos!

Referência 3 - 1,68% Cobertura

Isso já em 1980, no ano letivo de 1980-81. Nós construímos projetos. Era importante que tudo o que era construído e em que eles participavam fosse um projeto de consensos. Era sempre um projeto de consensos, de negociação, sempre a recolher as opiniões dos alunos. Eles sentiam-se tão acarinhados que se empenhavam a sério naquilo que iam fazer. Eles empenhavam-se ao ponto de nas férias de Natal, de Carnaval, irem para a escola. Empenhavam-se nas atividades com amor, que eram sempre negociadas. Pesquisar sobre poetas... Entrevistar e procurar informações, nos locais próximos. Responsabilizar os alunos de quem entrevistava quem. Definiamos objetivos, tudo juntos.

Referência 4 - 0,44% Cobertura

Começou com alunos do ensino básico. Antes do estágio eu fazia o jornal escolar. Depois do estágio, já com uma visão mais ampla era com alunos do terceiro ciclo e secundário.

Referência 5 - 1,29% Cobertura

No [ensino] básico é uma tentação, mas é mais cansativo. Por outro lado, compensa a abertura de horizontes, àqueles alunos tão pequeninos. Eu costumava dizer "vocês parecem pedras, mas não sois pedras. Eu vou ensinar-vos". Eles, que no início, reagiam muito mal a um poema... Eu lia muitos livros, eu fartei-me de estudar, de ter a minha formação paralela. Eles foram abrindo esses caminhos e eu, perante as dificuldades que eles experimentavam, fui pesquisando cada vez mais e fui ensinando os alunos a sentir.

Referência 6 - 0,33% Cobertura

Eu conseguia resolver esses problemas da diversidade de classes sociais com atividades que proporcionassem aos alunos a igualdade.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo - § 12 referências codificadas [8,90% Cobertura]

Referência 1 - 1,15% Cobertura

Na B.T. a experiência é com gente muito antiga, mas que eu era bastante conhecido aqui na escola. As pessoas conheciam-me até pelo trabalho sindical. Eu tinha aqui muitos amigos no B.T. O trabalho foi muito interessante, até com outra delegada sindical, e fizemos aqui um trabalho muito interessante, até de limpeza da escola, garantir a democracia na escola.

00:20:17
Entrevistadora: Limpeza em que sentido?

00:20:21
Rómulo: Princípios democráticos, limpámos o conselho diretivo da escola, quer dizer, tirámos o conselho de escola. E também a experiência com alunos. Lá está, eu tinha turmas, eu tinha muitas turmas, porque nesse tempo tinha-se muitas turmas, e tinha cinco turmas. As turmas eram de 30 e tal [alunos].

Referência 2 - 0,90% Cobertura

trabalhei com miúdos estrangeiros e com pais também. É uma experiência muito interessante na minha vida... Foi uma ideia que me veio à cabeça... propus ao diretor que os pais também viessem às aulas para esses miúdos estrangeiros. Uma era minha aluna do nono ano, depois era uma do segundo ano e tinha uma da primária, três meninas e eu propus que os pais viessem. Os pais vieram também. E aquilo foi muito bom, lá em casa, ao jantar, era tudo a aprender Português. Notava-se que havia ali um treino muito grande, depois o pai dava erros, depois riam-se todos muito.

Referência 3 - 0,23% Cobertura

No segundo ano fui logo eleito delegado do grupo. No terceiro e no quarto fui membro do Conselho Diretivo e Vice-Presidente do Conselho Diretivo.

Referência 4 - 1,63% Cobertura

Nós resolvemos fazer uma semana cultural, era a moda das semanas culturais. Resolvemos fazer uma semana cultural que, fui eu que lhe dei o título, "Onde se fala e pensa Português", era fazer um estudo sobre as regiões do mundo onde se falava Português e onde se pensava, que tinha influência dos portugueses. Isto foi muito engraçado, porque tomou umas dimensões... primeiro tínhamos uma comissão de trabalho, era eu, a C.G., C.F.,aquilo tomou uma dimensão de mexer mesmo com as aulas e de fazer as abordagens nas aulas, indo de encontro a isso, isto é, quando chegássemos a Junho já havia um trabalho feito realmente nas aulas, em todas as disciplinas. Todas as disciplinas tinham projetos e adaptação de currículos em função daquilo que nós queríamos apresentar. Portanto, eu lembro-me, por exemplo, que tinha que dar o conto, não dei nada do que estava nos manuais, dei o conto do Germano Almeida, que era um escritor cabo verdiano, por exemplo, aos sétimos anos. E os meus colegas faziam o mesmo em relação à Geografia...

Referência 5 - 0,56% Cobertura

fomos para o Centro de Formação de Professores, devia ser o segundo ano do Centro, devia ter começado em 1992. Portanto, nós começámos a fazer formação sobre a escola, sem saber teoria nenhuma, sem saber nada. Portanto, fizemos a investigação, lemos os livros, procurámos e depois tínhamos a nossa experiência de 20 anos que era muito enriquecedora.

Referência 6 - 0,50% Cobertura

Mais uma vez o meu diretor põe-me a coordenar um projeto que requer as competências essenciais. O que é que era essencial, o que não era? São essas grandes discussões. Eu coordenava aquilo e já nem podia ouvir as minhas colegas a protestar, a protestar, a protestar que não podia ser, não podia ser, não podia ser.

Referência 7 - 0,35% Cobertura

Em P.E. um grupo mais ou menos de 20 professores prontos para a guerra, que é, como eu costumo dizer, prontos para fazer o que for preciso. É assim que se monta a biblioteca escolar, é assim que se tem grupo de Teatro.

Referência 8 - 0,38% Cobertura

Eu fui muitos anos delegado de grupo e depois fui coordenador de departamento na escola, não é? Eu agora sou, já há muitos anos, coordenador cepartamento do agrupamento de escolas. São à volta de 50 professores para gerir, de línguas.

Referência 9 - 0,80% Cobertura

Eu funciono bem como bom professor. Andava a fazer grupo, a fazer os debates, porque também os programas, antes do Crato, os programas mandavam fazer isto: debates, assembleias, discussões. Então eu comecei a fazer isso. Ia para fora fazer descrições de paisagens no jardim, essas coisas todas, viagens de estudo. Comecei a organizar viagens de estudo, eu acho sempre que elas são enriquecedoras para um aluno. O aluno vai ver o Palácio Nacional de Sintra nunca mais se esquece do que é o Romantismo.

Referência 10 - 0,77% Cobertura

Portanto, eu próprio vou mudando as minhas estratégias ou arriscando estratégias novas. Quando comecei a fazer powerpoints animados, eles gostam, são grandes, mas gostam dos bonecos e dos que saltam. Depois também começo a ficar mais velho, eu hoje se um aluno meu tiver 18 comigo e for a exame e tiver só 12, isso para mim... eu tenho segurança suficiente, há 15 ou 20 anos não. Naquele tempo toda gente andava a ver e a comparar as notas, hoje também já ninguém liga nenhuma a isso.

Referência 11 - 1,51% Cobertura

Eu tenho 14 horas de aulas, já tem mais aulas, uma pessoa com a minha idade já tem mais aulas do que o meu colega que trabalhava comigo há oito, dez anos. E depois tenho que estar na escola as outras 11 horas para fazer outras coisas, o que é que acontece? Um professor como eu, que sempre teve projetos na escola, ou que sempre coordenou projetos tem esse tempo automaticamente preenchido. Eu tenho seis horas para ser coordenador do departamento, são muitos professores. São horas livres, minhas, livres. Quer dizer, o meu diretor nem me obriga a estar essas horas na escola, porque ele sabe que eu muitas vezes é em casa que atendo outro professor quando telefono. Trabalho de coordenador, preparar as reuniões, ser membro do Conselho Pedagógico, sou membro do Conselho Pedagógico, que, no mínimo, reúne uma vez por mês, no mínimo. Então essas são seis horas, depois tenho duas horas na biblioteca que sempre tive, sempre fiz parte do projeto.

Referência 12 - 0,13% Cobertura

Eu, por exemplo, sou um professor muito habituado a estar na escola muitas horas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita - § 1 referência codificada [0,54% Cobertura]

Referência 1 - 0,54% Cobertura

E, por isso, eu quando vim para o liceu, como estava envolvida nessas investigações, peguei nas técnicas laboratoriais, que no entender dos meus colegas, eu estava a ser desperdiçada, porque devia dar disciplinas teóricas, isto também é outra mudança que eu fiz lá na escola... para perceber que eles pensam muito melhor vendo e fazendo o hand-on approach que já estava em moda (risos), noutro tempo, continua atual, a gente fazendo, pondo as mãos na massa, é como aprende melhor. O


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta - § 5 referências codificadas [6,18% Cobertura]

Referência 1 - 0,80% Cobertura

eu já tinha experiência de fazer horários no Liceu de G. e, portanto, cheguei lá e eu disse: “Olhem, se me derem licença…” – ai, porque isto foi feito no computador e tal – “…pois, mas nós fazíamos à mão, e mesmo depois de se fazer no computador nós ainda íamos lá dar um jeito, quando já se fazia no computador. Portanto, se me permitirem, eu pego nesses papéis e vamos tentar libertar o Sábado.” Para nós, pelo menos, libertar o Sábado, porque temos ao menos um dia para descansarmos um bocado, estarmos em casa. E conseguimos. Conseguimos melhorar não só os nossos horários como os outros horários que foram publicados.

Referência 2 - 0,57% Cobertura

porque eu fui sempre, como digo, Diretora de Turma, Diretora de Instalações, Delegada de Grupo, Presidente da Assembleia de Escola, fiz parte do grupo que elaborou o 1º Regulamento Interno da escola, que elaborou o 1º Projeto Educativo – claro, com formações prévias para fazer isso. E ainda ontem estive a reler as avaliações, porque essas ações de formação também davam créditos. Porque, realmente, eu sempre me empenhei muito nesses trabalhos

Referência 3 - 2,15% Cobertura

eu podia ter escolhido o 7º A, que, pelos vistos, era uma turma que era um doce, mas eu optei – eu era a primeira a escolher, mas resolvi escolher o 7ºC. Pronto, foi o 7º C. Era uma turma dificílima, tinha alunos de todos os tipos: tinha muito bons alunos, tinha alunos muito fracos e tinha alunos que, nitidamente, não…por mais voltas que se desse, aquilo não entrava lá nada. Mas aí é que eu dizia: durante 3 anos, porque eu tive 7º, 8º e 9º, podia ter mudado. Eu, no 8º, depois, podia ter deixado aquele 8º e ter pegado noutro. Mas não, isto agora vai até ao fim: já comecei, agora vai até ao fim. E esses aí era o que eu dizia: notei uma diferença muito grande, porque eles não se sentavam: começavam por não se sentar, depois, quando estavam sentados, não se calavam; depois, passávamos meia aula, eu passava meia aula – porque a minha técnica era: eu calava-me à espera que eles se calassem…se eu fizesse isso sempre, não dava aula nenhuma, porque eles nunca se calavam, portanto, foi muito difícil, nesse aspeto: esta luta de querer, realmente, que eles aprendessem alguma coisa e o comportamento ser, assim, muito efervescente. Mas mesmo assim, esse aluno, que era muito, muito fraco, com um esforço enorme eu ainda consegui que ele andasse ali pelos 40 e tal por cento e no fim do ano dei-lhe um 3, para ele passar, porque também não adiantava nada ele ficar ali mais tempo. Pensei comigo: ah, porque os professores são uns passa turmas: não vale a pena, não vale a pena! Esta criança nunca vai aprender muita coisa, portanto, vamos fazer o seguinte: os que podem, os que são capazes, exigimos deles e vão. Este eu só quero um pé para lhe dar um 3 para ele poder avançar

Referência 4 - 1,64% Cobertura

Eu fiquei afónica – tive outra turma de 12º ano – fiquei afónica, completamente afónica, não se ouvia uma única palavra: eu nunca faltei. Era o 12º ano, não queria faltar, de maneira que eu escrevi no quadro o que queria e depois um deles falava, fazia o que eu tinha levado, eu tinha levado a aula preparada, e ele fazia aquilo tudo direitinho. Ainda hoje eu o encontro – conheço-o – e ele diz-me: “Nunca nos portámos tão bem como naquelas aulas”. Nunca nos portámos tão bem – eu não podia falar…depois fui operada à cervical, também tinha 12º ano, não queria faltar, de maneira que o médico, ao fim de 15 dias, eu queria ir dar aulas e ele disse: “Quer dizer, vêm aqui pessoas que me pedem para eu prolongar a baixa 6 meses, e a senhora, ao fim de 15 dias, quer ir trabalhar!” Pronto, o certo é que eu não podia escrever mais do que isto, mais do que esta altura, se fizesse isto, já não podia. Mas eu não sabia, portanto, comecei a ficar com dores. E então pronto, lá está, eu levava o que queria escrever, pedia a um aluno e ele ia, escrevia no quadro e eu explicava, porque falar podia, não podia era escrever…pronto, eu explicava o que tinha de explicar, ele escrevia o que eu precisava e pronto. Portanto, era muito uma relação de afabilidade com eles, sempre, sempre.

Referência 5 - 1,02% Cobertura

Ora, eu fui…Presidente do Conselho Diretivo, 1979/1980…depois fui Diretora de Turma em 1973/1974…aqui era…foi naquele tempo, ainda foi antes do 25 de Abril, esta…depois…está a ver? Projeto Minerva, Subdelegada de Grupo, Diretora de Instalações, Delegada de Grupo, tal tal…mas depois Diretora de Turma fui, outra vez, em 2004/2005, já lá no Liceu. Portanto, está a ver, Diretora de Turma até fui duas vezes, pelos vistos…portanto, tenho muitas outras coisas: Presidente de Assembleia de Escola, que aqui sim, aqui na Assembleia de Escola tínhamos, tínhamos muito contacto com os encarregados de educação, mas era de uma outra perspetiva, era de uma perspetiva mais organizativa…também tivemos muito apoio – ah, tenho aqui outra vez outra Direção de Turma…foi três vezes, aqui, aqui e este, 2004/2005,


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio - § 4 referências codificadas [4,09% Cobertura]

Referência 1 - 0,53% Cobertura

algumas áreas onde eu estive envolvido para além das aulas. Eu era representante de disciplina Português, fui presidente da assembleia de escola, fui diretor de turma… como quase toda a gente, tinha a meu cargo, juntamente com outras colegas… o clube de teatro da escola, que é uma area que eu gostava muito… era classificador de exames, trabalhava no secretariado de exames.

Referência 2 - 0,87% Cobertura

Era uma espécie de prova de aptidão. Depois de terem feito uma licenciatura, depois de terem feito o seu estágio, estavam [os professores] condicionados a uma prova, o que era um disparate. E eu nem percebo. Aliás, eu digo-lhe, como eu era classificador dos exames, fui convidado também para classificar [os exames de aptidão]. Havia uma parte, que era um texto que os professores tinham que escrever. E eu fui, eu e muitos outros, convidado para fazer isso, para poder classificar. Eu declinei. Declinei, porque acho que eu era classificador de alunos, não de colegas . E achava que era uma humilhação mesmo, essa prova.

Referência 3 - 1,11% Cobertura

E os miúdos até achavam graça, porque tudo o que eles diziam, eu pegava no que eles diziam e era apreendido ali, nós começamos a refletir sobre a gramática e a gramática aplicada ao texto, nunca a gramática descontextualizada, a gramática aplicada ao texto. O que é isto, o que era aquilo, o que deveria ser, o que não poderia ser... Sem se aperceber, estávamos a trabalhar a gramática. A gramática, a literatura... e, depois, os miúdos apresentavam um trabalho - eles gostavam imenso disso - e apresentavam trabalhos. Gostavam imenso. Mas nós tínhamos uma componente que era a apresentação oral. Eles... de facto, nós valorizávamos e eles empenhavam-se. Mas eu fazia isso antes de ser obrigatório. Eu já fazia isso em Vila do Conde, mas acho que intuitivamente, lá está, com as viagens...

Referência 4 - 1,58% Cobertura

. Por iisso, e como representante, consegui que todos os colegas deixassem as classificações, mostrassem os critérios de classificação para que os pais estivessem ali à vontade, para verem que não há nada, eu acho que isso é uma questão de transparência. E eu, a princípio, não fazia isso, mas depois achei que era quase obrigatório. Chegar lá e meter bom, ou suficiente, isso não diz nada. Enquanto se tiver cotação e a cotação constar nos exames - que eu acho que o IAVE tem vindo a melhorar muito, muito, muito, muito. Ele discrimina as cotações todas. O aluno sabe perfeitamente no que falhou, se foi no conteúdo, se foi na correção linguística, está ali tudo. Eu acho que se isso acontece no exame, deve acontecer no teste ou num trabalho qualquer, porque isso é formativo, não é? Está a usar uma forma formativa, num teste que é sumativo. E por isso eu fiz questão e tive alguma... não foi pacífico, não foi pacífico, mas consegui e consegui que as pessoas fizessem os critérios de classificação. Por isso, critério de classificação para o aluno saber o que é que se espera dele. Isso é prática atualíssima na escola.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa - § 4 referências codificadas [5,94% Cobertura]

Referência 1 - 1,51% Cobertura

Comprei, adquiri sobretudo a nível da disciplina de Matemática, Cuisenaire, aqueles materiais todos com que trabalhávamos, adquiri e levava. Como eram grupos pequenos, eu acabava por me remediar razoavelmente com os meus materiais. Mas eram escolas muito pobres, sem auxiliar. Lembro-me na Ponte do Abade, também era um grupo muito reduzido, não tinha auxiliar. Tinha uma senhora que apenas ia lá no fim do dia limpar a sala. Aquilo era uma estrada com muito movimento. Eu tinha pavor de chegar um minuto atrasada com receio que alguma criança fosse apanhada na estrada dentro da minha componente letiva. Portanto, deparei-me com uma diferença muito grande, lá comecei a adaptar-me bem, pronto e lá arranjava umas prateleiras, livros dos meus filhos, mas no início não era fácil.

Referência 2 - 1,44% Cobertura

É uma história menos interessante… também foi uma vez e agora estou-me a recordar, há quatro anos, quando as Câmaras Municipais ainda não mandavam na escola, em que o presidente da Câmara também quis imiscuir-se na escola e decidir o tipo de festa que nós íamos fazer nessa altura. Foi uma experiência muito positiva e eu insurgi-me um bocadinho contra isso. Hoje, se calhar, as Câmaras Municipais quase que entram por ali dentro, pelas escolas e, às vezes, também até um bocadinho demais, digamos assim. Mas, naquela altura, fez-se uma experiência... parece que o senhor presidente da Câmara nem era, aliás, nem era o presidente, mas, pronto, para o efeito... quase que queria ali imiscuir-se na escola e decidir o que é que nós íamos fazer.

Referência 3 - 1,84% Cobertura

Essa foi, assim, uma experiência um pouco menos... mas tive momentos muito agradáveis, dias, muitos, mundiais da criança, desfiles de carnaval espetaculares que nós fazíamos, na altura... éramos novas, agora estamos todas muito velhotas e menos disponíveis para essas coisas. Fizemos o desfile da Expo 98, que aquilo, na altura, foi um sucesso. O conselho depois nessa altura… o conselho é pequeno, mas concentramos todas essas grandes atividades ao longo do ano, todas na sede do conselho, para todas as crianças e jovens, tínhamos a colaboração da Câmara Municipal e freguesias do concelho inteiro. Praticamente, as ruas estavam cheias, portanto, eram momentos muito interessantes porque víamos que as pessoas valorizavam o nosso trabalho. Estava vivo. Tivemos momentos desses desfiles histórico-etnográficos que fizemos também aqui do meio. Tivemos momentos muito interessantes. Hoje, eu entendo diferente a escola, pois a escola era bem diferente.

Referência 4 - 1,15% Cobertura

ssa tal aluna minha, era uma criança muito inteligente. O problema dela era a audição. O que é que ela propôs? Não era fácil também deixar a auxiliar meia hora com as crianças. Eu ia para uma sala com um grupo reduzido, com a educadora, com a professora de educação especial e tentávamos ali, através da linguagem gestual, trabalharmos um bocadinho em conjunto com aquele grupo. Era o grupo que, no fundo, com que a A. [aluna] mais se identificava. Através da linguagem gestual, ela conseguir comunicar melhor com este grupo e eu também ter algumas noções de linguagem gestual, porque não tinha.


Arquivos\Pré_Escolar\Gina - § 5 referências codificadas [7,76% Cobertura]

Referência 1 - 3,49% Cobertura

Sabe que eu ali naquela escola - aquela escola é relativamente nova, deve ter para aí 17 anos, talvez, é uma escola nova - mas com um projecto, em termos de edifício, muito mau. E nós tínhamos um espaço de recreio péssimo. E quando eu fui para lá, portanto, isto há 12 anos e vi aquele recreio e fiquei "é impensável este recreio. Isto é uma coisa horrível!". E comecei com elas a falar nessas questões, e a querermos modificar e construir lá coisas. E escrevi para a Câmara. Toda a gente me diz "tu conseguiste! Foram 12 anos, mas conseguiste um projecto para o recreio". Foi agora concluído. Ainda não está concluído, mas já está quase. 12 anos com muita intervenção dos pais. Os pais precisavam de perceber e eu tinha reuniões com eles. E depois também me meti num projecto outgoing, que era um projecto sobre recreios que também arranjei. Tivemos alguns materiais, em vez de dinheiro, materiais para melhorar, mas eram mais bolas e arcos e coisas assim, material de exteriores. Mas então como tínhamos um piso tão mau, não tínhamos sombras, era horrível! E foi muito interessante este processo todo de um projecto, com pais, com toda a comunidade educativa para se conseguir e a Câmara, o ano passado, avançou com o projeto e eu também tive alguma, porque a arquiteta paisagista que que a Câmara contratou é minha amiga, e então eu pude dizer "faz isto, faz isto". Pudemos fazer assim uma coisinha. Então estamos de parabéns, todas, porque conseguimos um espaço digno para os meninos. Eu às vezes digo "sou muito chato, mas não é para mim. Isto não é para a minha casa. Isto não é o jardim da minha casa, é para os meninos". É para as pessoas perceberem que isto não é nada para mim, é para os meninos. O que estou a fazer, não é para mim, é para eles. Eu bato a porta e vou embora, e aquilo é uma coisa que fica, não é? Mas conseguimos. Falta o equipamento grande que ainda não chegou, por falta de verba ainda ainda não chegou, mas está quase a chegar e eles dizem que está quase a chegar. Ontem estivemos a plantar maracujás para fazermos uma pérgula grande de sombra e aquela flor é muito bonita. Também para os inspirar para desenharem.

Referência 2 - 1,00% Cobertura

Volto a falar, também, novamente na A que muitas vezes me proporciona projetos para eu entrar, incríveis, de colaboração com o Brasil, por exemplo, fizemos um projeto incrível sobre a criança e a cidade. Muito engraçado, muito giro e que nos envolveu a todos. Eles vieram cá, os brasileiros. Foi um projecto muito interessante. Portanto, tudo isto é importante também para que não me falte esta energia.Portanto, isto são tudo, como é que se diz? Adubos, adubos que nos vão colocando, que nos desperta e que nos faz saltar. E isto tem a ver com quem contactamos e eu contacto com muita gente, sobretudo ali na escola,

Referência 3 - 1,09% Cobertura

os docentes de qualquer grau de ensino. Portanto, há uma contaminação. Estou-me a lembrar na altura que nós voltámos à escola depois do COVID. Eu lembrei-me que era interessante, os miúdos falarem sobre como é que era lá em casa, como é que foi voltar à escola e fizemos uma exposição incrível. Eu fiz a proposta. Depois fomos acrescentando mais coisas com o grupo que temos ali. Fizemos uma exposição nas grades da escola. Portanto, eu tenho um gradeamento enorme na escola, que é a escola toda. E então os miúdos desenharam. Até fui eu que fui ao AKI e ia comprar madeira, mas a madeira era cara e por sorte a minha, eles tinham carrinhos cheios de madeira de cortes.

Referência 4 - 1,34% Cobertura

Claro!! Não podia ser plástico (risos). E então eles pintaram, eles escreveram, nós traduzimos, mas a escrita era toda deles, toda, ou toda deles. E nós depois traduzimos embaixo. Fizemos uma exposição tão grande que foi a televisão lá ver, passou alguém da televisão e disse "Isso realmente é incrível". Mas o que foi importante nisso é que outros professores da escola seguiram a fazer outras exposições no gradeamento da Escola. "Olha que bom! Que bom", portanto, às vezes, é o fazer. Fazemos e vê-se "Olha que interessante, Isto é interessante. Vamos fazer". Portanto, a contaminação, muitas vezes, não vem por decreto. Aliás, às vezes as coisas que vêm por decreto são logo rejeitadas. "Olhe, temos que fazer isto. Oh, não faço". E é um bocadinho assim. Olhe, agora coisas boas. Pronto, só falo de coisas boas (risos)

Referência 5 - 0,83% Cobertura

Nós temos esse caso aqui no nosso agrupamento, temos um jardim de infância que está com muito poucas crianças, porque é numa aldeia e tem vindo a diminuir. Porque não fazer itinerância? Porque ainda por cima o espaço já há. E vai-se perder porque de certeza que para o ano não abre esse jardim de infância, porque tem tão poucas crianças. Este ano tem quatro. Portanto, podia-se ir buscar o que se fez há uns anos atrás, no início da educação pré-escolar pública e adaptar-se. Eu acho que se poderia fazer isso.


Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda - § 2 referências codificadas [0,83% Cobertura]

Referência 1 - 0,37% Cobertura

Eu tinha um grupo de 25 crianças, todas com cinco anos. Era um jardim de infância com três lugares. Eu tinha de fazer a gestão do jardim de infância e tudo isso. Depois, com esta minha mania de fazer coisas com as famílias... Ainda ia trabalhar, às vezes, aos sábados e o meu marido a reboque lá ia comigo.

Referência 2 - 0,46% Cobertura

Então, o meu filho tinha três anos e eu estava numa reunião do sindicato em Évora... Durante muito tempo eu tive essa vertente. Fui delegada sindical. Eu era de causas, achava que a educação precisava, achava eu que os sindicatos podiam fazer a diferença (risos]. Continuo a ser sindicalizada, mas percebi que, muitas vezes, os interesses são outros e afastei-me dessas dessas lides.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar - § 6 referências codificadas [1,73% Cobertura]

Referência 1 - 0,37% Cobertura

Eu disse a ela, "não te preocupes que eu estou aqui, vou ficar sempre ao serviço, mesmo que venha a reforma eu estou sempre cá com vocês." Comprometi-me a ficar lá. Apesar da reforma ao lado da coordenadora no desenvolvimento de alguns projetos, embora que na retaguarda porque eu não podia assinar nada. Mas ficava a desenvolver e outra qualquer assinava. Era assim o acordo que a gente tinha

Referência 2 - 0,29% Cobertura

até gostei imenso do trabalho que foi feito. Não foi um ano em vão, ao menos a escola ganhou uma biblioteca por ter alguém disponível, com tempo para pensar as coisas e para fazer as coisas e dinamizar a biblioteca. Eu tinha biblioteca sempre aberta. Foi um ano de muito trabalho que valeu muito a pena.

Referência 3 - 0,08% Cobertura

E eu não me importava de ficar das 18 horas em diante, de ficar eu na exposição..

Referência 4 - 0,19% Cobertura

E eu dizia: "olha, não faz mal, eu faço sozinha, eu não preciso de vocês porque eu vou fazer isto... Esta ideia eu vou levá-la para frente e eu faço sozinha". E fazia, as educadoras estavam comigo...

Referência 5 - 0,27% Cobertura

Eu, na altura, quando faço um projeto não estou a pensar se alguém vai pagar mais ou menos. Não estou a pensar se aquilo vai ter que ocupar até a meia noite, nem nada. Até porque depois os projetos no seu desenvolvimento é que nos mostram... eles são acrescentados por outras dinâmicas.

Referência 6 - 0,52% Cobertura

Regras são para cumprir, chegar a tempo, não faltar ajudar, estar disponível para reuniões, agora, regrinhas assim "Olha não pode sair da escola"... já podia, já foi ontem, já fui ver os gatos à casa de não sei quem... não disse nada a ninguém. Fui ver os cães que nasceram na casa do outro, fui ver a porquinha do outro. E eu olha.... pedi aos pais, dizia aos pais que ia sair, levavam o papelinho que iam sair, para avisar, se alguma mãe ou pai quisesse vir comigo. Havia sempre quem viesse comigo. Eu nunca tive medo de levar pais comigo aqui e ali...


Arquivos\Pré_Escolar\Helia - § 6 referências codificadas [4,88% Cobertura]

Referência 1 - 0,60% Cobertura

Ela estava um bocado e como eu estava disponível, "ah e tal, tu podias ir e mais não sei quantos" e pronto lá lhes fiz um projeto. "Então vá, digam lá. Olha, eu normalmente trabalho as três áreas: o ar, a água, luz e o som, são os sons, os sons da natureza". E elas "então ficas só com água", e eu andei um ano inteiro. Eu às vezes digo "realmente eu até tenho uma criatividade fantástica". Eu andei o ano inteiro todas as semanas a ir aos jardins, à volta da água, com coisas da água. Eu consegui meter o resto todo juntamente com água e fiquei assim um ano nas ciências.

Referência 2 - 0,76% Cobertura

E, portanto, eu naquela altura prometi a mim mesmo que todas as crianças - eu nunca procurei a educação especial, eu nunca quis seguir - quando ela começou tentaram convencer-me que eu tinha jeito. Não há cá jeitos. Eu não entendo isso assim. Hoje vejo o 54 - que toda a gente fala nele, toda a gente quer - eu sempre o pratiquei. Criança minha nunca saiu da minha sala, nem do meu grupo. Tudo o que me passou pelas mãos eu fiz o possível e o impossível por eles. E posso dizer que tive alguns casos de muito sucesso. E nunca os deixei sair, eles vão para o primeiro ciclo, façam o que quiserem. Não é bem assim, porque às vezes eu ainda metia a colherada, mas, é assim, é criança, é para estar integrada dentro do seu grupo,

Referência 3 - 1,37% Cobertura

E, portanto, as minhas crianças nunca saíram. Nunca me dei mal desenvolver. Uma vez, num pedopsiquiatra, um rapazinho que me foi ter às mãos em Setembro e eu fui com ele à consulta e ele não tinha ninguém, ainda não estava nada organizado na educação especial e fui eu que fui com ele. Queriam marcar e eu disse assim "não sôtor, vamos marcar a segunda consulta para as interrupções da Páscoa que é para eu poder vir, porque se vai marcar antes, vem cá outra pessoa e depois eu perco o fio à meada e eu não quero que ele saia". O senhor ficou assim a olhar para mim, meio esquisito. Quando eu lá voltei a segunda vez, o miúdo já sabia o nome da mãe, já falava, até já se portava mal. É normalíssimo a criança portar-se mal. Quando não se portam mal. E é preciso averiguar por que é que ela não se porta mal. E o médico às tantas vira-se para mim "minha senhora, como é que conseguiu isto?", "olhe senhor doutor, a gente conversa depois, se quiser eu venho cá. Olhe, a primeira coisa que vai fazer é abolir esses livros que têm essas imagens pequenitas que isso não é nada bom para as criança. Vá arranjar imagens reais, tire fotografias. O coelho, o cão. Imagens reais, porque isso que tem aí não é nada!". Portanto, esta ligação toda é que fez de mim quem sou. Sou um bocado diferente, sou. Sou um bocado diferente!

Referência 4 - 0,22% Cobertura

Desde trazer crianças para casa para as levar a consultas, um com uma perna toda queimada, portanto, filho de ninguém, que aquilo olhe acabou por passar e portanto, o pediatra das minhas filhas lá cuidou do miúdo

Referência 5 - 0,47% Cobertura

Tirei crianças de casa no tempo em que eram os coitadinhos, os doentinhos e não iam à escola, não é? Uma vez eu disse a uma mãe, "olhe, é assim, ela tem direito a andar na escola, porque há-de andar no jardim escola. Portanto, eu não estou a fazer favor nenhum. E a senhora tem direito de folgar as cinco horas que ela está na escola". Ela não disse mais nada. Depois achei giro que uma vez alguém disse assim "minha senhora, é uma obra de caridade

Referência 6 - 1,46% Cobertura

Eu tive uma criança e eu quando a vi na aldeia eu disse "Tu, cá para mim", aqueles olhos estagnados, uma coisa que parecia aquelas imagens das nossas senhoras muito bem feitas, muito bonitas, mas sem vida. Com gestos assim, um caminhar desarticulado, e então eu pedi à mãe para a ir levando ao jardim - vantagens de estar na aldeia - porque as crianças eram poucas, e então à hora do intervalo - que eu estava num jardim pequeno - e eu disse-lhe assim "olhe, quando for aí 11h30, venha até aqui com ela". Porque eu fazia o trabalho todo e depois trazia as crianças para a rua até as virem buscar. Estava ali meia hora normalmente, que eles brincavam, fazíamos brincadeiras de exterior e aquelas coisas. Era muito giro, porque depois os velhotes também iam para lá, não é? Uma vez era eu, era a cassete da menina da Ribeira do Sado a tocar, os velhos a cantar e a dançar e pronto aquilo era uma festa, coisas que a gente só faz em determinados ambientes. E então a miúda ia e depois acabou por ingressar. E eu sempre achei que ela tinha autismo. E graças ao que eu tinha passado com o outro miúdo, eu consegui, depois com uma terapeuta e tal, eu queria que ela fosse a Coimbra, a Viseu, diziam que não, mas eu nunca perdi a ideia. Depois foi a Coimbra, sim senhor, mas eu era o que toda a gente se admirava. E depois uma vez alguém disse me "então mas como é que se aprende? Como é que ensinas a falar


Arquivos\Pré_Escolar\Luísa - § 9 referências codificadas [3,21% Cobertura]

Referência 1 - 0,32% Cobertura

todo o meu trabalho foi sempre muito... teve também raiz nisso. Foi sempre um trabalho com uma grande ligação à família, à comunidade, no trabalho que eu desenvolvia, mas eu aí com uma total consciência. O meu elo de ligação do trabalho foi sempre, sempre esse - a comunidade e a família.

Referência 2 - 0,17% Cobertura

eu tinha uma ligação enorme à comunidade, portanto eu trabalhava muito, muito com a comunidade. Trabalhava com os pais, trabalhava com toda a comunidade

Referência 3 - 0,26% Cobertura

E eu trabalhava muito, muito com toda a comunidade, de manhã à noite, era um bocadinho como eu fazia, porque a minha casa era maior do que o Jardim de Infância, e eu acabava o Jardim de Infância e os miúdos iam todos lá para a minha casa…

Referência 4 - 0,28% Cobertura

era uma ligação muito, muito forte à comunidade. Eu fiz, na altura, projetos que tinham a ver, por exemplo, em termos as ruas floridas, e toda a gente fazia isso. Era uma coisa de valorização, também, do próprio Jardim de Infância em relação à comunidade,

Referência 5 - 0,11% Cobertura

continuo sempre com a valorização do trabalho com a comunidade, que eu trabalho muito com a comunidade

Referência 6 - 0,43% Cobertura

começo o meu trabalho mais sério, em termos de uma formação em serviço, que foi o trabalho que eu tive com o Movimento da Escola Moderna. Portanto, eu começo com o núcleo do trabalho com o Movimento da Escola Moderna, que foi para mim simbólico em termos de tomada de consciência, portanto, e de uma maior concetualização de muitas das coisas que eu até vinha, muitas vezes, a defender e a fazer.

Referência 7 - 0,56% Cobertura

Nós tínhamos um núcleo, que trabalhávamos - no fundo um trabalho cooperativo - com as colegas que estavam nas aldeias. Eu nunca estive aqui nas aldeias, mas havia um trabalho muito próximo, fazíamos assembleias descentralizadas, visitávamos as escolas umas das outras, levávamos para as nossa reuniões quer dúvidas, quer materiais, tudo o que pudéssemos partilhar. E esse foi, durante algum tempo, portanto, aquilo que eu sempre considerei como um dos pontos fortes no meu caminho. Portanto, foi esse trabalho.

Referência 8 - 0,91% Cobertura

Apresentamos um projeto, um bocadinho na lógica daquilo que eu fazia na Biblioteca Municipal, que eu já trabalhava com as escolas, e com esta articulação, que eu achei sempre que era muito importante, entre o Pré-Escolar e o Primeiro Ciclo. E então, o que é que eu faço? Faço um projeto com uma colega minha, apresento à DGE, portanto, à Direção-Geral de Educação do Alentejo, era um projeto que tinha como finalidade um Centro de Atividades Lúdicas. Nós pedimos autorização, nós tínhamos o espaço, que era o espaço que a tal Câmara nos tinha dado, que era um espaço construído dentro da escola, que era um espaço que nós podíamos usar, portanto, para este tipo de trabalho. Então o que é que nós precisávamos? Precisávamos de ter autorização para um destacamento de alguém que pudesse estar nesse Centro de Atividade Lúdicas.

Referência 9 - 0,17% Cobertura

quando saíram as orientações curriculares, portanto, estive sempre ligada, portanto, aos projetos pioneiros, e à formação pioneira que houve nesse sentido.


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana - § 2 referências codificadas [1,48% Cobertura]

Referência 1 - 0,37% Cobertura

Eu digo, nós trabalhamos sempre com a intencionalidade educativa, mas trabalhamos um pouco de acordo connosco, sozinhas, apesar de termos já reuniões de núcleo pedagógico, que nós reunimos uma tarde por mês, todas as educadoras daquela delegação escolar, trocavam-se ideias e debatia-se.

Referência 2 - 1,10% Cobertura

O grupo dos cinco anos, o grupo dos pais dos cinco anos mais as crianças, também tem que fazer alguma coisa. Então fazíamos assim, eu com as crianças, aquilo, os teatros, que fazíamos durante o ano, as coreografias de dança e as canções que fizemos durante o ano, nós chegávamos ao fim de maio e escolhíamos o que iríamos apresentar, mas já estava tudo feito. E depois com o grupo vinham pais e avós, eu fazia jogos tradicionais, envolvia os pais e os avós com os grupos de três e de quatro anos e o grupo de cinco então faziam eles. E nesse ano de etnia cigana eles dramatizaram uma história, de um gatinho que se perdeu, mas criado por eles e com e com os filhos deles, com os meninos de cinco anos, fantástica. Se chegasses lá e perguntasse quem é de etnia cigana, não sabias quem era. Mas tudo assim, não havia materiais pomposos.


Arquivos\Pré_Escolar\Nena - § 3 referências codificadas [2,03% Cobertura]

Referência 1 - 1,09% Cobertura

Nós tínhamos uma horta, eu já no ano não sei quantos já fazia compostagem. Ainda não se falava na compostagem e até uma colega que tirou o curso comigo e trabalhou perto de mim, quando da câmara foram lá falar da compostagem, e ela "vêm, cá estes cromos falar em compostagem e tu já faze isso há tanto tempo e nunca ninguém te deu valor". Portanto, eu nalgumas coisas que eram muito à frente. Aliás, não era à frente, sempre tive preocupação do não consumismo. Não consumir em excesso e de reutilizar, de reutilizar sempre as coisas.

Referência 2 - 0,77% Cobertura

No final do ano tinha sempre qualquer coisa para apresentar aos pais. Eles adoravam! Teatros, também fui sempre muito teatreira. Ainda agora aqui na biblioteca trabalho muito os teatros com os miúdos. Porque eu acho, assim, que o teatro é uma das coisas que dá muita competência aos miúdos. É a memória, é a leitura, é o falar em público, a expressão e o interiorizar o outro.

Referência 3 - 0,17% Cobertura

agora na prática, eu levo tudo na minha frente, desenrasco-me muito rapidamente.


Arquivos\Pré_Escolar\Noel - § 14 referências codificadas [13,52% Cobertura]

Referência 1 - 1,16% Cobertura

Na Associação de Proteção à Infância da Ajuda. É interessante por causa do seguinte, nós fizemos uma série de documentos, na altura, até por causa da questão da legalização das instalações e enviávamos aquilo para a Segurança Social. Qual é o nosso espanto que a Segurança Social depois nos responde a dizer que é um texto muito bem estruturado e que iria servir para a formação dos técnicos da Segurança Social [risos] Mas isto ao mesmo tempo revela como estas iniciativas, que são um bocado marginais, mas que ao mesmo tempo podem influenciar o centro. Estas coisas são muito importantes porque há que transgredir determinado tipo de coisa para as coisas evoluírem. Portanto, é evidente que isso tem custos muito elevados. Portanto, inclusivamente até na vida pessoal das pessoas, nós temos que nos afirmar. Mas é interessante verificar como é que uma coisa que vem de uma ocupação de umas instalações, que era uma transgressão e depois quer dizer, o que produzimos pode servir para a formação da segurança social.

Referência 2 - 0,43% Cobertura

E por acaso é interessante que eu tinha experiência de trabalho com crianças mais velhas, mas era mais em termos institucionais, porque era presidente da direção da APIA (Associação de Proteção à Infância da Ajuda), era do Conselho Pedagógico da APIA, havia lá jardim de infância e depois houve também ATL, aquela animação de tempos livres para os miúdos de escola primária.

Referência 3 - 0,84% Cobertura

Bom, eu tinha um inquérito com uma série de perguntas e tinha uma coisa que era um círculo dividido em 24 - que eram as 24 horas do dia - e ia registando como é que era a ocupação das crianças, para ver como é que eu integrava o trabalho da Casa da Criança na vida das crianças, em vez de ser ao contrário, que normalmente é o que acontece. As crianças têm que se adaptar à escola. Não é a escola a adaptar-se às crianças de uma determinada comunidade. Quer dizer, eu inverti, portanto, precisamente esse sentido. E correu muito bem! Quer dizer aquilo ao princípio estava um bocado às moscas, tinha para aí umas seis crianças e ao fim de um ano tinha 120 e tal, perto dos 130. É evidente que não estavam todos ao mesmo tempo, mas iam...

Referência 4 - 1,24% Cobertura

Então o que é que eu fiz? Em vez de começar com uma reunião de pais, porque aí era como nas igrejas, as pessoas, ouvem o professor a falar e não sei quê, tudo caladinho, saem e fazem a reunião cá fora [risos]. Então eu pensei "ah, não me apanham nessa!". Então o que é que fiz? Eu tinha lá as inscrições das crianças e fui ter uma conversa, uma entrevista informal, com cada um dos pais - eram 25, não, eram 24 porque havia dois irmãos - no terreno deles para eles poderem ter um ascendente sobre mim. Isso facilitava logo porque é importante a gente ter esta noção que é também uma relação de poder. Quer dizer, isso é muito importante e normalmente as pessoas têm pouca humildade para fazer esse tipo de coisa. Bom, então eu fui ao terreno deles falar com eles, portanto, uns mandavam-me logo entrar, outros era na soleira da porta. E eu não tinha nem papel nem nada. E foi muito interessante esse trabalho, porque por um lado foi o expor-me a eles "aqui estou eu! o que é que quereis dizer? Quais são as vossas expectativas?", que isso é importante. E foi um trabalho muito moroso.

Referência 5 - 0,59% Cobertura

Portanto, eu tinha que lá estar até àquela hora, portanto, a partir das 18h e tal da tarde, para entrevistar as pessoas e ter esse contacto com as pessoas, termos uma conversa. Havia situações "entre lá, tem que beber aqui não sei o quê" [risos], era o informal que é muito interessante. E só depois é que eu fiz então uma reunião de pais. Fiz uma reunião de pais e devolvi-lhes a informação que tinha recolhido e que pôs toda a gente a falar. Está a ver como é que a gente pode sempre estar a inverter essas situações?

Referência 6 - 0,74% Cobertura

E a partir daí as reuniões de pais nunca foram, desculpe o paralelismo, como a missa. Ouvem o prior e vão-se embora. Quer dizer, não, as pessoas começavam a participar porque aquilo lhes dizia alguma. Portanto, isto é muito importante. A questão de, muitas vezes, nós pensamos "ah, mas nós falamos sobre isso e não sei quê", "está bem, e depois, qual é o problema? Pode não ter havido comunicação". Porque se não tiver em conta o contexto da comunicação e só tiver em conta os interlocutores, não vai a lado nenhum. Nós temos de ter em conta o contexto da comunicação! Aquilo que tem significado para as pessoas. E é por aí que a gente tem que começar!

Referência 7 - 1,43% Cobertura

a partir daí, quer dizer, mesmo os projetos que eu desenvolvia com as crianças, eles tinham sempre, para ser sintético, eu tinha dois eixos nos meus projetos: um diacrónico, portanto, ao longo do tempo - o que é que íamos fazer - e outro sincrónico, o que se planeou com as crianças, o que se planeou com os pais, o que se planeou com outras instituições ou com outros moradores do bairro, da comunidade. Portanto, sempre estes dois eixos: sincrónico e diacrónico. E ter essa noção, porque a educação envolve todos. Aliás, foi logo a questão que eu pus na reunião de pais, "Olhe, nós somos todos educadores, vocês porque são pais e eu porque sou profissional, mas somos todos educadores e, portanto, a gente tem que trabalhar em conjunto". O dar também essa responsabilidade aos pais. E depois estar atento, de facto, a tudo, que eu sempre achei que é importante, as crianças quando vêm para o jardim de infância elas são portadoras de uma cultura, quer a gente goste quer não, quer seja aquela muito culta, muito bem formado, muito bem educado, quer seja aquela que normalmente é considerada como uma subcultura ou qualquer coisa. Não! Eles são portadores de uma cultura e é partir daí, com estas crianças, é a partir daí que nós temos que partir.

Referência 8 - 1,31% Cobertura

Mas, por exemplo, em relação a essa coisa da criação do borrego, ver como é que nós podemos operacionalizar as aprendizagens que estão no currículo. Eu penso que era no terceiro ano de escolaridade que eles usavam uma balança decimal. E então, o que é que fazia? Tínhamos um dia da semana estabelecido - não sei se era a quarta feira - em que vinham alunos do terceiro ano, dois ou três, que eram da escola primária. Portanto, isso era também uma aproximação com a escola, - porque quer eu quisesse quer não, funcionasse a escola primária como funcionasse, era para lá que eles iam -, portanto convinha haver alguma aproximação. Então procurávamos sempre fazer alguma coisa que nos aproximasse minimamente. Umas vezes era possível, outras vezes não. As professoras eram muito fechadas, mas aí, quer dizer, até conseguimos. Então, eles vinham ter ao jardim de infância e depois levávamos a borrega a um estabelecimento que havia ali relativamente perto, que vendia farinhas, rações numa balança decimal. E então nós pesávamos a borrega todas as semanas e fazíamos um gráfico sobre a evolução do peso, está a ver como é que a gente dá a matemática?

Referência 9 - 0,92% Cobertura

Mas já agora, outras coisas, olhe aqui está uma das coisas que me surgiu: a questão da leitura e das práticas de leitura na comunidade. Porque se as crianças vivem num contexto em que não há hábitos de leitura, como é que eles depois na escola vão ter? Não quer dizer que a escola não possa fazer nada. Pode fazer e muito. Mas quer dizer, temos que ver. E então eu utilizava todas as oportunidades para fazer livrinhos e coisinhas para os pais, para lerem em casa, o que deu uma trabalheira muito grande, porque muitas vezes a gente esquece que o texto tem uma materialidade. E em determinadas comunidades, com poucas práticas de leitura, poucos hábitos de leitura, isso é muito importante. A maneira como a folha é paginada, quer dizer, o texto é paginado na folha, que tipo de letra é que se utiliza.

Referência 10 - 1,55% Cobertura

Portanto, havia uma lenda e a partir dessa lenda deu este livrinho que era "Santo Amaro, uma história com história", uma história com H e uma história com E. Que é para distinguir as duas coisas, aquilo que era o verosímil e o inverosímil. Portanto, por exemplo, esta aqui tinha a ver com uma festa que havia em Maio, na aldeia, em que nós participávamos de várias maneiras, entre elas com edição de livros que era "histórias com animais dentro". E os miúdos também participavam. Uma outra coisa, este que é "observar os céus em Santo Amaro". Isto nasceu como? O ano letivo começa com o início do outono e então é sempre aquela narrativa: as folhas das árvores caem, as árvores ficam despidas e tal. Ora, aqui no Alentejo a maior parte das árvores é sobreiros, azinheiras, laranjeira, oliveiras é tudo de folha persistente.Portanto, é uma narrativa que não tem nada a ver! E era uma coisa que me fazia espécie, "porque é que a gente tem que andar assim de roda desta porcaria da natureza? Ainda por cima não condiz com a realidade do Alentejo". E quer dizer, foi até uma coisa casual porque tinha aberto próximo de Santa Marta, um observatório astronómico. "Eh pá, isto é que é, isto é que vai dar fruto", porque é a gente ver o equinócio de Outono. E então deu origem depois a fazer observações, inclusive na aldeia, mas partiu também de coisas muito simples.

Referência 11 - 1,06% Cobertura

apesar deste envolvimento com a comunidade e não sei quê, as crianças vão à escola - e aqui a escola engloba o jardim de infância - para aprender coisas. E, portanto, as minhas preocupações foi sempre com a leitura e com a escrita, com a matemática, agora o que era era funcionalizar isso, com atividades presentes das crianças, não é? A física, a química, por exemplo, nós chegámos a produzir vinho no jardim de infância, queijos frescos no jardim de infância e aproveitava tudo para fazer tocar aquilo que constitui o currículo. Desde a geografia, a história, tudo isso era muito importante. Eu estava sempre a ver "como é que eu vou dar?". Aliás, eu cheguei a ser acusado," ah ele não é educador, é animador cultural". Não! Podemos utilizar estratégias muito próximas, mas - como se costuma dizer nestas abordagens sistémicas - o input e o output são diferentes! O nosso é as crianças, o output é o desenvolvimento das crianças.

Referência 12 - 1,37% Cobertura

E aí sempre tive um esforço no sentido de, em relação às minhas colegas, criar instrumentos de reflexão sobre o trabalho. Inclusivamente quando houve aquele processo de avaliação da ministra Maria de Lurdes Rodrigues. No fim de contas, aquilo era - a meu ver, é a minha interpretação - era resolver um problema que tinha sido criado no tempo do Cavaco, do Governo do Cavaco Silva com o Estatuto da Carreira Docente do Pré-Escolar, Ensino Básico e Secundário. Porque, quer dizer, as pessoas iam passando, apresentavam os créditos de umas ações de formação que, às vezes, não tinham grande interesse, faziam um relatório - e que relatórios, eu tive numa comissão de avaliação e vi relatórios que era de fugir. Quando foi essa coisa da Maria de Lurdes Rodrigues, que a coisa apertou bastante mais, a questão da avaliação, eu tive um trabalho enorme - na altura já era professor titular, portanto já estava no topo da carreira - um trabalho enorme para transformar aquilo que era uma forma de penalizar os professores, a progressão na carreira, num instrumento de formação dos professores, dos próprios. Bom, isso é um trabalho enorme. Reverter aquela situação para não ser só aquele instrumento burocrático.

Referência 13 - 0,43% Cobertura

Por exemplo, agora em relação aos professores e aqueles normativos todos que saíram, eu se estivesse nessa situação, estava sempre a ver qual porta é que tinha, porque eu sei o que é que penso que deve ser a educação, promotora do desenvolvimento das crianças, da sua cultura. E nessa perspetiva, eu tenho que ver quais são as fugas que tenho nestes normativos todos que vão sair.

Referência 14 - 0,45% Cobertura

Porque o ser educador implica também fazer investigação e investigação a sério,das fontes primárias. Não é o que os outros já contaram e não sei quê. Isto depois quer dizer, as interrupções letivas da Páscoa e do Natal era para andar a esgravatar coisas, para saber, para poder depois trabalhar com a comunidade. Não eram férias, eu fazia as avaliações do período e depois ia à Biblioteca Nacional


Arquivos\Pré_Escolar\Olga - § 2 referências codificadas [4,29% Cobertura]

Referência 1 - 1,05% Cobertura

E depois achei que queria fazer outras coisas, estudar mais. Havia um curso que começou de Ciências de Educação em Lisboa, que era para pessoas que já estavam no sistema de ensino, era pós laboral, portanto fizemos a partir do currículo e ingressávamos algures no terceiro ano em Psicologia, portanto tínhamos equivalência a algumas cadeiras. E eu comecei, fiz ainda dois anos. Tive equivalência a várias, tinha algumas já do quarto ano. Só que foi completamente louco porque eu estava a morar em Portalegre, a trabalhar em Elvas e ao fim da tarde ia a Lisboa.

Referência 2 - 3,24% Cobertura

Nesse ano que estive no Algarve, fizemos um trabalho muito interessante entre os colegas. E eu estava num jardim de infância que tinha duas salas, numa freguesia grande que tinha quatro salas em duas localidades. E só três é que estavam com educadoras. Na altura até tinha um rapaz. E no resto da freguesia havia escolas de primeiro ciclo. A zona da Mexilhoeira Grande, que é uma freguesia das maiores do país, mas tem uma zona rural muito densa, e nessa altura - agora já não - mas nessa altura tinha três escolas primárias rurais e as crianças destas áreas não iam para o jardim de infância, porque ficava a uma distância e, portanto, a escola era ali perto. Ali perto não havia jardim de infância, o jardim de infância havia a cinco ou seis quilómetros, na sede de freguesia

00:36:41
Entrevistadora: Pois, e já não iam.

00:36:42
Olga: E eu e a minha colega pensámos "então,mas há ali uma sala que não está ocupada". Fomos à Junta de Freguesia explicar ao presidente da Junta. Depois o presidente da Junta disse: "se houver inscrições eu posso tentar arranjar transporte", que agora é uma coisa que é obrigatória, mas que na altura não havia transportes. Nós deslocarmo-nos no meu carro pela zona rural toda, pelas tascas, pelos cafés, as mercearias, deixámos os papéis para pré inscrição dos meninos. Para saber quantos meninos é que havia. Fomos às escolas de primeiro ciclo, falámos com as professoras, se têm irmãos mais pequeninos, deixámos os papéis nos cafés para que o presidente da Junta, se houvesse um número razoável, fizesse o transporte. Mas ele fazia o transporte, se depois a delegação escolar requisitasse mais educadores. E nós fizemos todo este processo e até agora funciona o transporte pelas zonas rurais.


Arquivos\Pré_Escolar\Rita - § 7 referências codificadas [9,24% Cobertura]

Referência 1 - 1,54% Cobertura

Isto é, eu nunca quis que as crianças dessem conta que estavam a trabalhar. Podiam estar a fazer a coisa mais séria, mas estavam sempre a brincar comigo e comigo era brincadeira pegada de manhã até à noite, mas não davam conta sequer. Não queria que dessem conta, não queria transformar "Ai, agora é a hora da Matemática". Se algum dia eu tive hora de Matemática, nunca tive hora de Matemática, nem cantinho de Matemática. A Matemática estava na sala toda, assim como a linguagem estava na sala toda, e etc e tal, portanto não havia trabalho. Lá não havia trabalho. O trabalho era escondido, era escondido através da magia, da brincadeira. E ao longo da minha carreira foi sempre mais ou menos assim. Sempre esses instrumentos. O tapete não existia, foi inventado. Mas quando eu percebo que aquilo valia a pena, que tinha muita, muita, muita utilidade, era, de facto muito positivo, eu não abandono. Quando as coisas aparecem, eu não as abandono.

Referência 2 - 0,56% Cobertura

Ninguém fazia nada e eu obriguei-as a fazer. Disse que todos os meses queria ver a planificação do trabalho que estavam a fazer. Elas viram-se à rasca. Tivemos que fazer reuniões, tive que mostrar as planificações que eu tinha minhas. Eu também tive o mesmo problema na escola e enquadrei muito bem com esta metodologia dos centros de interesse.

Referência 3 - 1,40% Cobertura

Estive como coordenadora no jardim [de Infância], a coordenar o trabalho e estava sempre em sala com elas, porque eu queria estar. Era eu que dava Educação Física aos grupos todos, porque ninguém queria dar Música, Movimento e Drama. Isso era comigo. Elas não sabiam. Contar histórias? Era eu. Fazer teatros? Era eu. Eu tinha que dinamizar aquilo. Porque não havia um teatro de sombras, não havia um teatro de fantoches, não havia nada, não havia nada. Aquilo era tudo muito árido, muito brinca na sala, brinca lá fora, brinca na sala, brinca lá fora. Dormiam também, de tarde. Aqueles meninos também iam para lá muito cedo. Depois eu acabei com o dormitório dos meninos dos cinco anos. Se sentirem que alguma criança está cansada... assim se não quisessem dormir, iam para outra sala e ficavam lá com a educadora. Escusavam de estar obrigados a estarem deitados.

Referência 4 - 0,53% Cobertura

Porque, entretanto, naqueles anos da N., eu fui conseguindo melhorar as condições. Eles ouviam-me e atendiam os meus pedidos. Aquilo melhorou bastante, porque de facto eu trabalhava para aquilo e eles percebiam que eu trabalhava e que gostava e iam atendendo a alguns pedidos meus - atendiam bastante e lavravam louvores em ata.

Referência 5 - 2,51% Cobertura

Eu estive num agrupamento horizontal em 1998-99. A nossa escola tinha 12 salas [do primeiro ciclo] e duas salas do jardim de infância e uma outra tinha nove salas de primeiro ciclo e tinha três salas do jardim de infância - um agrupamento horizontal, aquela coisa. Depois, vinha a diretora tentar, enfim, tirar recursos do jardim [de infância] para a escola [do primeiro ciclo]. Eu dizia: "Era o que mais faltava". Depois dizia: "Agora temos de fazer intervalo todas ao mesmo tempo. Porque as educadoras vão lá para fora com os meninos durante as aulas". Queria que depois nós fossemos vigiar as crianças [do primeiro ciclo]. Eu disse: "Porque que não vão elas lá também vigiar o recreio?". "Tem que ser as educadoras". "Olhe, mas não. Eu não sou obrigada a ter intervalo para recriar as minhas crianças, ela recreiam-se aqui dentro. Nós não precisamos de recreio. Nós vamos lá fora para explorar a natureza, andar de baloiço, se os houver, ou escavar aqui ou plantar ali, não vamos lá fora para recriar. O nosso trabalho intelectual não cansou ninguém. Eu vou lá fora quando as crianças precisarem de correr e saltar. Não conte comigo, nem com ninguém". Eu era a coordenadora do jardim [de infância]. "Se quer fazer omoletes, vá procurar ovos noutro lugar. Aqui não tem". Demo-nos francamente mal, nesse ano lá na escola, porque eu não deixava nada por dizer. Representava as educadoras no pedagógico e saltavam-me em cima a toda a hora. Era uma educadora e eram cinco ou seis professoras - com uma idade para ter juízo, elas não eram novas.

Referência 6 - 1,06% Cobertura

Uma vez [a presidente do pedagógico] pegou comigo por causa de dois patinhos que eu comprei para os meninos do jardim de infância. Ela disse-me que eu tinha que ter avisado o [conselho] pedagógico, para poder deliberar se podia comprar ou não. "Ora, vamos lá ver. O pedagógico reune uma vez por mês. As minhas crianças estavam ansiosas por ter patinhos. Eles iam esperar um mês para ter patinhos? Crianças de três anos! Vocês passam-se da cabeça! Eu não vou pedir autorização, até porque comprei com o meu dinheiro. Conversei com as crianças numa terça-feira e comprei na quarta-feira". Era o que mais faltava vir a [conselho] pedagógico, mas pronto.

Referência 7 - 1,63% Cobertura

Eu, a primeira avaliação de desempenho que fiz foi em 2009. Quem quisesse ter 'Excelente' tinha de ter aulas assistidas e organizar um portfólio com um conjunto de coisas, evidências, com os projetos e todas as atividades que a gente fizesse - o meu é gigante. Não concordei nada com aquilo do portfólio e pus em causa as visitas, não que me importasse. Eu não me importo nada que me vejam a trabalhar e que estejam comigo. Estou-me nas tintas. Podem ir lá todos ver-me, visitar-me. A minha sala está sempre aberta a todos. Eu só queria demonstrar da maneira como as coisas estavam feitas, ou que diziam que iam ser, que não havia hipótese nenhuma de uma educadora ou duas conseguirem ir assistir a aulas de outras. Eu perguntava: "O que é feito das crianças dessas educadoras?". Ou há uma bolsa de alguém que se dedica a avaliação ou então a educadora que está no terreno ir para a avaliação... O portfólio dava mesmo muito trabalho e fiz questão que fosse assim para eles verem o trabalho que dava.


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia - § 7 referências codificadas [10,99% Cobertura]

Referência 1 - 1,47% Cobertura

Exerci em Lisboa, na BQJB desde 1983 até 1992. Sou natural de Lisboa. Em 1992, tive o desafio de abrir o colégio do X., que é muito conhecido na margem sul. Era um colégio que era construído de raiz, com muito espaço exterior, etc. Foi um desafio de uma colega que estava no Ministério da Educação. Depois também deixo o contacto [dela], porque ela certamente gostará de participar [no projeto FYT-ID]. Ela está a trabalhar os seus últimos dias, mesmo à espera de poder entrar na reforma. Depois eu digo-lhe. Então, depois vim para o colégio do X., desde 1992 até 2017, onde trabalhei 25 anos e onde continuo a ir com muita frequência. E o colégio fica onde? Charneca da Caparica, Almada. Por causa do colégio, eu comprei um apartamento na margem sul, na Costa da Caparica. E, entretanto, já não saí da Costa da Caparica. Já fiz quatro mudanças. Agora estou aqui à beirinha da praia São João da Caparica, mesmo. Daqui eu ouço o mar e vou a pé à praia.

Referência 2 - 1,51% Cobertura

Eu tinha as Orientações Curriculares para a educação pré-escolar. Na altura, eu fiz uma coisa que eu achei que foi - agora que passou muito tempo e que eu penso - inovador! Eu fui criando as orientações para a educação pré-escolar dentro do colégio, mas já com imensos princípios. Hoje, eu penso assim: "Que engraçado, eu estava mesmo muito esperta para estas coisas!". Eu acho que já nem tenho esses documentos, mas eram documentos que às vezes me apetecia rever. Como eu mudei muitas vezes de casa, eu fui deixando coisas. Então, como é que eu ia conseguia passar à nova equipa de educadoras os princípios que eram importantes? Eu tinha de conciliar os princípios que eu achava que eram importantes na educação e, ao mesmo tempo, os princípios do Movimento da Escola Moderna. Criei um documento muito interessante. Alguns ainda estão no colégio. Eu pedi para serem lá guardados e ficaram lá arrumadinhos. Eu vou lá muitas vezes, agora para ver as estagiárias que estão lá (risos).

Referência 3 - 0,36% Cobertura

É um colégio de referência na margem sul. Foi-se pautando por práticas... Eu disse que só aceitava o desafio de ser coordenadora se eu pudesse implementar o modelo do MEM na educação de infância. Ainda hoje, ao fim de 30 anos, subsiste.

Referência 4 - 2,00% Cobertura

A direção aceitou a minha proposta de abrir a creche. Eu nunca tinha trabalhado em creche, portanto, está a ver? Eu tive que fazer uma aprendizagem enorme. Inscrevi-me em tudo e mais alguma coisa. Não havia o modelo do MEM em creche. Eu fiz os primeiros passos... Foi uma aprendizagem fantástica! Foi muito interessante porque foi também estabelecer protocolos com escolas de formação. Com a ESE de Setúbal - foi aí que eu cheguei à ESE de Setúbal. Com o Instituto Piaget de Almada, com os cursos profissionais das escolas secundárias, com tudo! Foi um desafio. Eu não conhecia nada da Margem Sul. Eu conhecia a praia da Costa da Caparica, mais nada (risos). Para mim foi uma descoberta. Com o motorista, tive que fazer muitas compras - ainda hoje é meu amigo, o L. O L.L. é que me foi ensinando imensas coisas. "Onde é isto?". [Ele respondia:] "Estamos a passar em Corroios, Charneca da Caparica...". Nós estávamos situados na Charneca da Caparica. Ele ia dizendo todos os sítios. "Aqui é um mercado, aqui é a Tremoceira - uma loja que já tem 40 anos e que vende muitos produtos para as hortas - aqui é não sei quê, tra la la la la". Foi espectacular. Nós quando vamos para um sítio temos que começar a criar raízes. Foi formar a equip, um trabalho de equipa que ainda hoje eu sei que se realiza.

Referência 5 - 1,43% Cobertura

Mas estas formações enriquecem-nos enquanto educadoras. Depois, quando passei a ser coordenadora, pensei noutra estratégia. Fiz um levantamento de formações que gostassem. Ações de curta duração, de uma a duas horas e que fossem nos nossos contextos onde eu faria convites às colegas. Fiz o levantamento e apresentei propostas. De dois em dois meses tínhamos uma pequenina formação. Isto porquê? Porque eu achava que nós tínhamos que estar mais juntas. Eu estava como coordenadora de departamento, estava a exercer na escola Q.N.F., mas as minhas outras colegas estavam no jardim de infância de N.D., à distância de sete quilómetros. O que significava? Eu não conhecia as colegas. Eu conhecia quando me encontrava com elas uma vez por mês. Era tudo um bocadinho difícil. Esta linguagem, de podermos fazer a nossa autoformação de uma forma que seja mais condicionada por aquilo que nós desejamos, do que pela mudança de escalão.

Referência 6 - 3,33% Cobertura

Nos anos anteriores, em termos da BQJB - considerada uma instituição modelo do MEM por todo o percurso e pelo envolvimento das famílias - as famílias iam, participavam e ensinavam a fazer receitas. O N. deixou-me um projeto para eu dar continuidade. Era ir conhecer as casas das pessoas, das famílias. Elas moravam em casas com uma nomenclatura especial e com uma organização especial, que eram os pátios, dentro dos pátios. Isso acontece muito na zona da Ajuda. Por exemplo, a voz do operário é dentro de um pátio. Eu tinha várias crianças a morar em pátios. Cada pátio pode ter dez casas, oito casas, nove, cinco casas, depende dos pátios. Os outros meninos não, esses moravam em prédios. E, portanto, fomos conhecendo. As famílias eram muito chamadas [à BQJB] e participavam, efetivamente, muito. Quando cheguei ao Colégio do X., por exemplo, eu percebi que as famílias, embora tivessem um estatuto diferente, estavam muito disponíveis. Eu tentei perceber como é que as famílias podiam participar. Podiam participar, de uma forma fantástica, ajudando outras crianças que precisassem, que não frequentavam o Colégio do X. Começámos a estabelecer parcerias com escolas da Trafaria, onde há muita necessidade, mas também a recolher alimentos para o Banco Alimentar, etc. Em termos de participação, as famílias também participavam indo às salas, falando sobre as suas profissões ou ensinando culinária. Nas salas onde tenho passado, acho que somos nós, educadores ou professores, que promovemos esta participação das famílias. Somos nós, não há dúvida nenhuma! Porque se as escolas não quiserem que as famílias entrem, as familias não entram. Portanto, está muito naquilo que nós acreditamos, nos nossos modelos, nos nossos fundamentos e princípios. Isso é claro. Em termos de legislação, tem havido um percurso de motivação [à participação] das famílias. Aliás, a última brochura que saiu em 2021, sobre a participação das famílias, aquela que é escrita pela Isaura Pedro. Sabe qual é a brochura? Eu mostro. [Pausa longa] As orientações curriculares saíram com esta capa. Depois, saíram estas duas que vêm fundamentar e aprofundar. O "Planear e avaliar" e esta

Referência 7 - 0,89% Cobertura

Eu vou-lhe mostrar! Eu estive no início desta revista, Cadernos de Educação de Infância. É espetacular. Este é "Infância da Europa". Tem vários artigos. Espetacular, muito bom. Por exemplo, este é sobre introdução ao género. Este próximo vai ser sobre a sustentabilidade e as alterações climáticas e como é que em termos de educação está a ser [trabalhado]. São muitas revistas. Este é o número 126. Eu fiz parte desta equipa durante muitos anos. Foi a primeira atividade voluntária na APEI. Portanto, eu fui sabendo, mais ou menos, como é que as coisas se estavam a desenrolar.

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