Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Incidentes Críticos

I

Histórias vividas com impacto no percurso profissional em termos positivos ou negativos


Arquivos\1º Ciclo\Carla

Voltando ao primeiro ano, acho que esta é interessante. Os meninos diziam: "A nossa professora não bate!". Eu dizia: "Ai bate, bate! Só ainda não bati porque não foi preciso!". Quando saímos do Magistério já era essa lei, entre aspas, lei para não bater. Depois disso, eu ainda dei algumas palmadas, porque há situações em que não há outra maneira de resolver. Na altura não foi preciso, mas eu achei giro os miúdos dizerem aquilo. Há situações que só se resolvem mesmo com uma palmada, pondo a coisa em ordem. Há pessoas que não concordam. Há pessoas que concordam. Isso é como em todos os assuntos, as situações não são todas iguais, não se pode meter tudo no mesmo saco. Neste momento, se algum miúdo me batesse eu não ficava quieta. Era o que me faltava. Não tem sido necessário, graças a Deus, não tem sido necessário, mas se algum miúdo me batesse eu não ficava quieta. Se ele pode eu também posso. Tenho o direito de me defender.


Arquivos\1º Ciclo\Celeste

Depois, foi o ter passado por diferentes experiências, quer na Educação Especial, na altura ainda se falava da integração escolar, que era apoiar crianças que estavam a ser integradas, mas com necessidades educativas especiais, como se diz agora. E foi também ter passado pela educação de adultos, o chamado ensino recorrente e depois, mais tarde, a formação de professores na ESE de Setúbal. Penso que esses fatores me ajudaram a ver de outros pontos de vista, outros aspectos e enriqueceu-me profissionalmente.


Arquivos\1º Ciclo\Ilda

Entrevistadora: Muito interessante… eu espero não estar a ser muito ousada, mas se calhar, se não tivesse conhecido, ou contactado, o Movimento da Escola Moderna, se não tivesse assistido àquelas aulas daquela professora, que teve oportunidade de assistir, se calhar... será que se tinha mantido na profissão na mesma, ou depois não?

Ilda: Não, eu não aguento… Sabe o que é aquela ideia da Escola como uma instituição morta, cheira a bafio… Eu não queria aquela Escola, de todo. E portanto, eu não aguentava a Escola assim. E é assim uma coisa quase visceral. Tenho a certeza que não aguentaria.


Arquivos\1º Ciclo\Irene

Foi uma grande alegria em 1991, quando saiu a primeira legislação que regulamentou a integração dos meninos com deficiência nas escolas. E foi uma alegria imensa, porque até aí os professores de Educação Especial não tinham legislação em que se apoiar e quase pedíamos por favor para os meninos serem integrados. Esse momento foi de facto um momento muito feliz, foi quase como a Bíblia para os católicos. Sei lá, foi uma coisa que nos satisfez muito.


Arquivos\1º Ciclo\Lisboa

Eu trabalhei 36 anos - se bem que não precisaria dos 36 para me reformar. Só que tínhamos de ter. Na altura em que me reformei, há nove anos, tínhamos de ter 34 de serviço e 57 de idade. Só que a idade não coincidia com o tempo de serviço. Portanto, eu, aos 34 de serviço, eu tinha 55 de idade, daí eu ter de trabalhar mais dois anos. Mas olhe, só um pormenor, tive sorte, muita sorte, posso considerar-me uma sortuda a esse nível porque sabe que, quando eu me reformei (eu faço anos em dezembro) estive à espera dos 57 anos mais dois anos para me reformar… E, em janeiro, essa lei desaparece. Olhe a minha sorte! Se eu fizesse anos em janeiro, estaria agora a reformar-me. Ia reformar-me este ano. Foi mesmo sorte!


Arquivos\1º Ciclo\Mara

Mas consegui entrar nessa altura, porque quem não conseguiu acho que não foi tão fácil, depois, nos anos a seguir. Eu entrei logo nesse ano, no limite, mesmo. Tinha de ter, no mínimo, quatro anos de serviço. Eu lembro-me que era precisamente o que eu tinha, na altura. E depois começou a situação das avaliações com formação, porque até aí eu fazia a formação, mas fazia porque queria fazer, porque queria aprender mais e estava motivada para isso. E, a partir daí, já era obrigatória determinada formação, a entrega dos relatórios de quatro em quatro anos, e tínhamos já esse modelo de trabalho para seguir a nível pessoal, independentemente da formação que fizéssemos. Mas já havia uma obrigatoriedade, coisa que antes não me recordo de haver. Pelo menos, até aos meus primeiros quatro anos, eu nunca entreguei relatórios de final de ano nem fiz formações com aquele intuito de ter uma nota no final da formação, não me recordo disso.


Arquivos\1º Ciclo\Marlene

O melhor são as relações humanas. A pessoa entra na sala, esquece a sua vida particular, os seus problemas de saúde. O pior é que acabamos por ser números. Eu posso ser um dia a chefe da escola e ninguém reconhece. Não estou a falar do meu caso específico, mas depois no outro dia tiveram o azar da pessoa por qualquer motivo, atrasar-se e chegar às nove horas e vinte minutos e teve uma falta. Portanto, falta um bocadinho de dar e receber.


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Deve ter sido no verão de 78. Aconteceu em Portugal uma reunião internacional dos movimentos Freinet, foi na Faculdade de Motricidade Humana, cá em Lisboa. E aquela faculdade que é um edifício em termos arquitetónicos, do tipo da era industrial, com corredores grandes, cinzentos, largos. Naqueles dias ficou completamente transformada. Porque estavam as paredes daqueles corredores forradas com pinturas coletivas, com tapeçarias, com cartazes de projetos e aquilo eu quero ser professora assim. Por que é que não nos falam na Escola do Magistério? Porque as pessoas não conheciam, não havia formação em pedagogia, nem em sociologia, nem sequer em psicologia. Tinha começado há pouco tempo, antes do 25 de Abril em Portugal, portanto, as pessoas não falavam disso. Estavam também a começar a aprender. Então foi assim, um movimento muito interessante. E isso marcou-me absolutamente.


Arquivos\1º Ciclo\Nélia

Eu nunca saí do Algarve. Eu, a única escola unitária onde trabalhei, infelizmente, foi esta que lhe disse e depois estive também a trabalhar na Telescola em Paderne, a lecionar a parte de Letras. Nós podíamos lecionar até o sexto ano. Também estive uns meses a substituir uma colega em Paderne e mais tarde comecei a vir para aqui para a zona do Sotavento, de Faro, [depois] para cá e acabei por me manter sempre por aqui. Nunca estive a mais de 60 quilómetros de casa. O mais longe que tive foi mesmo em Albufeira e em Paderne. Depois aproximei-me de casa e andei sempre assim à volta. Entretanto, quando os filhos nasceram, houve a oportunidade de ir para a Educação Especial. Uma amiga que trabalhava em educação especial acabou por me convidar. De facto, fui por conveniência. Por conveniência pessoal, pelo facto de ter a certeza que ficava aqui perto de casa e estive a trabalhar dez anos em educação especial.


Arquivos\2º Ciclo\Adelina

Eu fui de Mindelo para Santo Tirso. [Lá] também passei por uma escola secundária, mas nada de muito relevante a não ser os transportes e o quanto era complicado porque havia um dia ou outro em que eu tinha aulas de manhã, à tarde e à noite. Isso parece que não era possível, mas era daquelas coisas que não era legal, vamos dizer, mas acontecia. Para completar o horário do professor e não sei quê, ou aceitávamos ou não aceitávamos. Se aceitássemos teria que haver algum sacrifício da nossa parte. Então, eu tinha aulas de manhã, à tarde e à noite, o que era muito complicado. Nessa altura, era muito complicado! Depois, a história dos transportes, sempre a história dos transportes complicados. Nessa altura, eu já tinha carro e fazia o percurso à noite. Nos outros dias não, que era para o meu marido ir buscar os pequenitos. Eu lá levava carro. Na altura ainda não havia autoestrada, não havia nada e, portanto, eu tinha que fazer a Serra da Agrela - durante a noite aquilo não era muito fácil de fazer. Isso era outra questão um bocadinho complicada. Ao nível do trabalho, não tenho assim grande memória. Mas sim, as coisas ainda estavam mais ou menos pacíficas nessa altura.


Arquivos\2º Ciclo\Aldina

Depois quando eu saio dali ao final do 11 anos na Amadora, a escola ficou diferente, porque o bairro entretanto mudou, começaram a construir-se boas casas, boas construções, boas urbanizações, bons acabamentos e [a] chamar gente com mais dinheiro. E eu sei que hoje a escola já não é como era, mas esta fase que falei foi a que eu apanhei. Eu depois quis sair dali e, no fundo, quis experimentar outra realidade. Se calhar estava cansada de meninos pobres, porque o trabalho em sala de aula é curto, estas turmas limitam muito o trabalho. Porque não são meninos que nós possamos fazer grandes propostas. E eu penso que eu não estava cansada, mas o meu sonho era experimentar outra realidade. Pronto, falemos assim. Acho que se calhar é mais justo, mas não interessa.


Arquivos\2º Ciclo\Constança

Houve um episódio que me marcou, que me fez descer mais ao nível deles ainda, e tentar perceber o porquê. Havia lá uma aluna que, quando eu estava na direção, uma dessas meninas que era de cor, era muito agressiva. Ela por bem era um doce, mas quando ela estava virada do avesso era um furacão autêntico e ela espancou uma colega minha, professora de história, no pátio. E eu, com um colega que estava comigo na direção, fomos a correr e tentar separar. Apanhámos também. Ela quando agredia - já tinha agredido colegas - ela arrancava punhados de cabelo das colegas, era uma coisa... Ela tinha uma força anormal, portanto parecia que estava completamente possuída, eu nunca tinha visto uma coisa daquelas. Parecia um filme de terror. E essa colega ficou com problemas, não continuou a dar aulas e isso marcou-me. Marcou porque fiquei perante uma situação de fragilidade de um docente que estava a dar o seu melhor, mas que não conseguiu chegar àquela miúda porque ela era de facto muito difícil.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima

E, entretanto, quando foi o final do estágio, lembro-me que houve um dia que eu chorei a tarde toda, porque a minha orientadora de História da escola tinha medo da [supervisora] de Coimbra que se fartava, portanto, se a de Coimbra dizia, ela não entrava em minha defesa. No Português, não. Curiosamente, eu era de História, mas no Português tive melhor nota do que na de História. Mas foram tempos um bocadinho complicados, [em] 1980-1982. Eu lembro-me que no ano seguinte a ter nascido o meu filho mais velho, nasceu uma filha à minha orientadora da escola. E ela em Coimbra ouviu esta conversa: “Eu acho que devia ser proibido engravidar-se durante o tempo de estágio!” Ela era a orientadora, não era a estagiária, mas como ela em maio teve de entrar de licença, portanto, teve de nos fazer a avaliação mais cedo…coisas incríveis. Mas eu no Português nunca tive problemas. Na História, eu acho que era um bocado a obsessão que nós pudéssemos concorrer com os colegas que já eram mais velhos e que estavam colocados nas escolas ou queriam ser colocados nas escolas mais centrais.


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Mas sim. Há dois momentos muito importantes, como um golpe de face para me tornar, penso eu, uma melhor professora. A primeira foi a maternidade. Quando se é mãe tudo muda. E começamos a ver que as dificuldades que os nossos filhos têm (que nós achamos que são os maiorais, que têm aquele apoio constante, aquela retaguarda), afinal eles também têm dificuldades e nós começamos a descer muito mais àquilo que são as pequenas situações que causam algum constrangimento E que nós pensávamos que nós… Mas isso só a experiência e a maternidade é que nos ensinam. Portanto, esse foi um dos momentos que me tornou melhor professora. Ou, pelo menos, uma professora mais consciente. Entretanto a minha experiência em 2009, quando integrei a equipa de implementação do Português com o professor João Costa que eu admiro imenso, que para mim é uma pessoa extraordinária. Temos a sorte de agora o termos como ministro e ansiamos muito que ele materialize, consiga materializar aquilo que sempre Know-How. E essa experiência em 2009 também foi uma experiência muito segura. Muitíssimo! E foi nessa altura, já agora, que eu desenvolvi um projeto que ainda hoje acontece na escola que é a publicação de histórias que são originais realizadas por todos os alunos do agrupamento. Começou com o “Conto para ti”. Este foi o primeiro, em 2009. Depois, passámos às “Histórias da nossa família”. E depois por aí fora. Todos os anos, todos os alunos do agrupamento, sob a batuta de um tema geral comum que é escolhido pelos alunos em assembleia de alunos (é um dos organismos que a nossa escola promove em que eles debatem os seus problemas, fazem as suas propostas, apresentam as suas sugestões de melhoria). E é nessa assembleia de alunos que eles selecionam o tema geral que, depois, adotado por todas as turmas do pré-escolar ao décimo primeiro ano porque nós temos ensino profissional e secundário. E todas as pessoas, todos os alunos fazem uma história em comum, coletiva, com um processo de escrita e reescrita muito interessante que já vai no seu, salvo erro, décimo terceiro ano de publicação.


Arquivos\2º Ciclo\Glória - § 3 referências codificadas [1,45% Cobertura]

Referência 1 - 0,50% Cobertura

Mas antes disso, aquela senhora que me deu os 15 dias para eu estar em casa com a bebé - a M. que era um encanto de uma senhora – disse-me “Olhe, a professora de Português da experiência concorreu para O. e portanto a Glória vai substituí-la”. “Está bem!”. De maneira que, onde aprendi também “montes” sobre a forma de dar aulas, [quando] fui professora da experiência Veiga Simão do 5º ano experimental. Três turmas maravilhosas porque na experiência os [melhores] alunos eram escolhidos, de maneira que eu tive – como gosto de dizer – tive a fina flor da cidade de Leiria como alunos. A fina flor! Têm agora 59/60 anos, alguns são meus amigos no Facebook e não só.


Arquivos\2º Ciclo\Iva

Tive um [momento] que me afetou bastante a carreira docente. Os serviços administrativos de uma das escolas da Amadora, contabilizaram mal o meu tempo de serviço, o que me veio a prejudicar porque depois houve congelamentos e tal. Estive dez anos num escalão abaixo do que deveria estar. Os serviços administrativos nas escolas funcionam mal. Hoje em dia os diretores dizem que nós somos os responsáveis por verificar o nosso processo, porque há imensos casos destes. Quando concorri para outra escola, vi que estava abaixo de colegas que estavam abaixo de mim. Fui junto da diretora, na altura, e disse: "Eu quero saber o que é que se está a passar, porque eu no concurso fiquei abaixo de pessoas que sempre estiveram abaixo de mim. Alguma coisa está mal feita.". Era a contabilização do tempo de serviço e isso prejudicou-me muito, monetariamente, claro. Depois, acabei por chegar ao topo da carreira, portanto, estando no ano do ensino chegava lá, mas de qualquer maneira foi mau.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís

Eu nunca fui de marcar uma falta disciplinar, mas ser insultada não era hábito, eu tinha que marcar e até para fazer ver aos outros alunos. Era um bico de obra. Eu tinha que justificar com relatórios atrás de relatórios, e aquilo era uma coisa horrorosa. Olha, aí comecei a faltar. Porque já estava a ficar cansada.


Arquivos\2º Ciclo\Quitéria

Eu reformei-me em 2020. Passei por uma situação particular complicada e depois ainda tentei continuar a dar aulas, mas depois meteu-se o COVID. Aliás, a minha situação começou precisamente com a COVID, porque o meu marido faleceu, e eu também estive internada, fomos dos primeiros casos. E depois eu tentei sempre continuar a trabalhar mesmo por zoom... e continuei como coordenadora, diretora de turma e tudo isso, tendo alguma continuidade na minha vida, para não haver uma quebra e alguma rotina para as coisas irem para a frente. Mas, depois começam os casos de COVID a aumentar novamente. Os meus filhos tinham acabado de perder o pai, começam a dizer: "ah mãe já escapaste uma vez, se calhar não vais escapar da segunda". Então eu decidi que estava na altura de parar porque se calhar não estava em condições para dar aos alunos aquilo que eles precisavam em termos psicológicos.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Mas olhe que houve coisas muito complicadas. Já estou a falar demais. Quando saiu a lei da avaliação de professores, o diretor de escola disse que eu ia ter de ler e explicar aos outros - eu e outro professor. Foi uma altura muito complicada. Não sei se, na altura, prejudicamos professores na avaliação. Nós também não sabíamos. Criámos os objetivos, os instrumentos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

Quando comecei a dar aulas, houve uma coisa que mudou a minha vida como professora. Como eu queria seguir as aulas de Direito, pedi para dar aulas à noite na escola secundária de Q., na minha terra. E eu, quando entrei, dava aulas a freiras, professoras primárias e GNRs.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu

Depois, eu penso que a grande modificação, até relativamente à minha própria forma de estar profissional, aconteceu com as opções de desporto. Eu desde logo me vi confrontado com a opção de desporto. Depois desse primeiro ano, no B. H., no ano seguinte, eu fui para a [escola] S. T. J. Aí, pela primeira vez, tive uma opção de desporto e isso implicou, a todos os níveis, a necessidade de aprofundar conteúdos, no sentido de os transformar para ensinar, um maior desenvolvimento nesses mesmos conteúdos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália

Digamos que o que me motivou bastante, na altura, a procurar o ensino superior e a fazer um curso e, portanto, procurar outro nível de ensino para poder, depois, ensinar, foi porque comecei a ficar muito desencantada com o que se vivia na escola. Comecei a achar que, se continuasse no ensino primário, em termos intelectuais, era pouco estimulante. O ambiente da escola não era muito estimulante e, por isso, eu quis continuar a estudar, para depois poder lecionar num nível superior, nível etário superior.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora

Mas curiosamente uma coisa que marcou [foram] as obras na escola. Eu perdi a minha escola. Eu ia com esse amigo engenheiro que fez o tal curso e era assim: “O que é isto aqui? Isto aqui eram as oficinas, ai que horror está tudo tão diferente”. A gente andava ali às voltas e já nem reconhecia a escola. Era daquelas típicas do Estado Novo, uma entrada. Isso acho que também me fez, mesmo que inconscientemente... lançou-me para a reforma, naquela altura. Para além do braço, foi isso que me lançou.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila

É muito desgastante, uma pessoa que queira ter um conselho diretivo que funcione, praticamente é estar de manhã à tarde, ao fim da tarde na escola. É como estão agora os professores. Eu quando vim embora, havia dias que entrava às oito e um quarto da manhã e saía às 18h30 e só dava duas aulas. Uma das coisas que me fez reformar mais cedo foi isso.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Catarina

Ultimamente, já acho que é assim. Já havia professores que pediam mesmo para ser avaliados dentro da sala de aula, que é onde o processo, a comunhão, digamos assim, a relação entre nós e a turma se estabelece e se estabelece bem, eles lucram. Se se estabelecer mal, ninguém lucra. Os alunos não lucram de certeza. Porque saem dali pior do que entraram. Eles têm que sair dali com saberes, com formas novas, por exemplo, eu lembro-me de quando comecei, eu usei um programa que era o moodle - sabe, outra coisa que eu acho que os professores às vezes são muito reacionários, no sentido de são nada adeptos de inovações. Tudo o que é inovação é uma coisa que fica logo todos "O quê?" - e eles compraram lá para a escola o moodle, que era um programa em que nós podíamos… aquilo dava muito trabalho, dava mais trabalho ainda do que o que nós tínhamos antes. Eu lembro-me de às vezes ficar até à 1h00 no computador porque, não só a gente encontrava ali material para lhes pôr no moodle, para eles poderem ler, estudar, interagir com o material que a gente encontrava na internet; como podíamos… inclusive eu fazia isso com eles, na véspera dos testes, marcava uma reunião como a nossa aqui - não era bem assim, porque não havia imagem, mas havia som e eu obrigava-os a escrever - em que eles me punham as dúvidas sobre o que tinham estudado para o teste do dia seguinte e eles punham as dúvidas por escrito para os obrigar a escrever. E eu também respondia por escrito. E eu lembro-me de, às vezes, estarmos até quase à 1h00 da manhã e o meu filho a dizer, na altura: "Tu não jantas?". Isso porque mais um que queria pôr dúvidas, mais outro queria perguntar, e a gente ia ficando até não sei quê. Mas não imagina, lá na escola deviam ser 200 ou 300 professores, eu acho que só 10 ou 20 é que aderiram ao moodle. E não foi por medo de trabalho, foi porque houve sempre em nós uma rejeição às tecnologias no ensino. Uma vez, também, vi uma colega minha numa reunião de direção de turma a sair aos gritos, a dizer: "Eu não sou obrigada a ter computador, não sou obrigada a ter. Não sou obrigada!". E eu disse-lhe: "Mas és, por acaso, porque tu és obrigada a atualizares-te. E isso que eles estão a propor para as turmas - eu também era diretora de turma - é para nos facilitar o trabalho, quer dizer, em vez de estares a tirar as faltas à mão…”, como nós fazíamos dantes nas turmas - eu fui muitas vezes diretora de turma - a gente até se enganava nos dias porque os quadradinhos eram muito pequeninos". Nós púnhamos as notas logo ali na internet e depois as reuniões de conselho eram mais até para discutir o aluno do que propriamente ver se ele tinha 12 ou 13 ou 14. E ela: "Não, não sou obrigada". Mas somos! Eu acho que somos mesmo, porque o professor tem que se atualizar, seja qual for a área! Podem dizer: "Ah, a Filosofia já foi". Não foi! A interpretação de Platão hoje não é a interpretação do Platão no século XII, está a perceber? Para saber aquilo que eu vejo nele, aquilo que eu leio nele, aquilo que nós lemos hoje naquele autor que viveu há 3000 anos quase, não é exatamente o que lia o Santo Agostinho, por exemplo, que olhava para o Platão a tentar defender as ideias que ele próprio tinha. Então, a gente tem que estar atualizado, a gente tem que ler, a gente tem que aderir a estas novas tecnologias que, na maior parte dos casos, vêm favorecer, não vêm prejudicar. Agora eu não posso avaliar um professor porque é daqueles que usa muito as tecnologias, eu só posso avaliar um professor realmente na sala de aula. Vendo o que ele faz, como é que ele interage com os alunos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia

O interessante dele é que é manual escolar. Depois houve outros com a mesma filosofia. Este foi o primeiro. Por isso eu acho que, para mim, é um objeto importante, porque eu sei que fez uma ruptura, tal como as provas de exame foram uma ruptura. Eu faço rupturas. (risos) Faço rupturas, pensando que é para melhor. Entretanto, eu e a minha colega...eu continuei sempre a dar aulas. Eu falei com a minha família, com meu marido da altura, falei com a minha irmã e com o meu cunhado que, enfim, tem algumas possibilidades económicas. Tivemos algumas reuniões, eu e a J. apresentamos e fizemos um plano. A verdade é que criamos a Raiz Editora. Passei a dar aulas à noite, porque trabalhava todo o dia na Raiz. Fizemos livros lindíssimos, tudo disruptivo, ou seja, nada igual àquilo que havia.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César

Eu assumi as funções de vice-presidente [aos 24 anos]. O meu colega que já estava há um ano inteiro [na direção], tinha 26 anos e a minha colega tinha 23. Era uma equipa… No terceiro e quarto ano daquele mandato eu já me sentia à vontade. Embora, em algumas coisas, custava um bocadinho. Eu, com aquela idade, a ter que lidar com colegas muito mais velhos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda

Foi bem diferente. Olhe, agora estou-me a confrontar com isso quase pela primeira vez. Eu fui para escolas onde o corpo docente era muito idoso. Eram pessoas instaladas na carreira há muitos anos. O ambiente que eu fui viver foi muito formal, desde as relações - amistoso com algumas pessoas, outras indiferente. Aliás, tive experiências nos chamados liceus de elite de Lisboa de que eu não gostei nada. Os colegas - e nós já éramos de carreira - tratavam a longevidade como um estatuto e a juventude era tratada com indiferença. Eu tive experiência disso. Não era alargada, mas era quase generalizada, porque há sempre pessoas que também já lá estavam e que tentavam aliviar o ambiente, mas foi esse quadro que eu vim a encontrar. Não foi um quadro muito leve.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana

Tivemos lutas muito grandes, discussões muito grandes. Tínhamos que, por um lado, compreender as angústias dos nossos colegas e as nossas próprias e, por outro, tentar desdramatizá-las para manter as coisas a funcionar. Lembro-me de ter tido reuniões de departamento em que estive com eles e com a legislação a descodificar aquilo tudo, a desmembrar e a tentar encontrar o melhor caminho, o menos penoso para que nos entendêssemos. Estava à vista e isso aconteceu, a relação entre os professores levou um corte, um revés muito grande, muito grande. Foi muito difícil continuar.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara

Eu digo, já disse isto várias vezes, e já disse à minha diretora, porque há três anos ela tirou-me uma direção de turma por uma questão de horário, porque sobravam duas horas de História da Cultura e das Artes de uma turma profissional. E ela andou até ao dia de eu me apresentar para me dizer isso. Quando ela me disse, há três anos, que me tinha tirado a direção da turma porque eu tinha que ficar com aquela turma, eu disse-lhe claramente, disse: “Olha, tu estás a fazer com que eu me vá embora da escola mais depressa. Tu estás-me a tirar aquilo que eu mais gosto de fazer na escola, que é ser diretora de turma’. E ela sabe.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita

Tinha lá um outro professor que dava aulas ao segundo e terceiro ano, que era um bocado como eu, que tinha andado comigo, também na escola. Olhe, nem lhe digo, nem lhe falo... ele, a primeira coisa que fez, revoltado como nós estávamos, com o antigo regime e [com] a ligação à Igreja… Eu sou cristã, atenção, mas meter a ceifa em seara alheia, que é mesmo assim... A primeira coisa que fizemos foi tirar a fotografia do Sr. A. T. e o crucifixo das salas. Outra coisa, recreios – meninos e meninas nunca juntos. Os meninos de lá de cima, as meninas de lá de baixo. Eu, muito cumpridora dos horários, dos programas, tinha que dar Educação Física. Então, punha-os a jogar todos juntos, ao futebol, aquilo era um escândalo, para ali, não queira saber, era um escândalo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta

Fiquei em Braga. O meu filho – aquilo é extremamente quente, portanto, o meu filho acabou por nascer prematuro em agosto: eu não queria faltar, o meu marido dizia: “Tu fica em casa, mete um atestado” – “Mas em setembro é que eu não quero ir para lá! Mas depois assim: um dos dias cheguei à casa tardíssimo, porque o laboratório de Química era – não devem conhecer o Liceu SM, em Braga, mas é um edifício ainda antigo e os laboratórios eram em casotas, como nós tínhamos no Liceu de G., no meio do recreio. Havia um recreio enorme e os laboratórios eram nas casotas. Claro que eu fiquei Presidente do Júri de Exames. E o Júri de Exames funcionava nas ditas casotas, mas eu estava sempre a tratar de assuntos na secretaria, que era no edifício, portanto, eu tinha de andar sempre para cima e para baixo. E eu lembro-me perfeitamente de subir um degrau e o coração saltava-me pela boca, eu tinha de ficar a descansar e tal…depois de um desses dias, cheguei a casa, não conseguia mexer-me e o bebé nasceu no dia seguinte com 7 meses e uma semana, e, felizmente - apesar de não haver a tecnologia que há hoje – ele sobreviveu e hoje tem quase 46 anos. De modo que eu disse: "não, eu para Braga não volto outra vez. Para Braga não volto, portanto, vou concorrer outra vez."


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio

O estágio para mim foi a abertura de muitas portas. Foi fantástico. Tive também o privilégio de trabalhar com duas colegas, que estavam a fazer estágio comigo, e formamos uma equipa de trabalho excelente. E a partir daí a docência tornou-se algo para mim quase como respirar.


Arquivos\Pré_Escolar\Adelaide

Em todo esse processo houve alguns problemas a nível de saúde. Eu fui operada a um aneurisma cerebral e, a partir daí, acho que as coisas não me ajudavam tanto. Todos os dias tenho que tomar uma medicação para estar calma, para o sangue também ficar mais fluído. A energia já não é tanta, a idade já não é a mesma. Esqueço-me muito das coisas, depois acabo por me lembrar outra vez, mas, tive o processo da minha mãe que foi muito doloroso - esteve com Alzheimer. Também tivemos nós, os filhos, resolver tudo isto e dar-lhe o apoio necessário, que, entretanto agora já faleceu... mas.... há momentos em que uma pessoa não está tão eufórica e que nos leva um bocadinho mais a ver que a vida também tem as suas dificuldades, mas vamos sempre para a frente.


Arquivos\Pré_Escolar\Alexandra

O que me cansa e entristece é o facto de ser avaliadora interna... o facto de ter quotas que paralisam as minhas colegas no tempo, critérios que não são devidamente apurados porque nós não pensamos todos da mesma forma... pois há colegas que podem dar um dez de olhos fechados, porque não estão para se chatear, e outras que, talvez por um bocadinho mais de consciência profissional, têm de distribuir as pessoas no seu devido lugar. Graças a isso eu tomo um comprimido todos os dias, porque fiquei muito deprimida nessa altura... como eu estive na direção há muitos anos, conheci muitas colegas de outros grupos… Um dia, numa reunião de SADD, onde eu levava as minhas avaliações das minhas colegas - com toda a coerência - e quando cheguei vi colegas que passaram por mim... que eu conhecia o trabalho e que estavam prontas para serem as excelentes do agrupamento. Andei um fim de semana que quase o ar não me entrava nos pulmões, chorei baba e ranho, conversei com a minha gente, até que, na segunda-feira seguinte, quando cheguei, disse: "Meninas, nós temos de conversar, isto não pode ser, isto não pode continuar assim. Eu tenho boas profissionais e eu não posso preterir das minhas quotas, nem que seja de um muito bom para pessoas que eu conheço e que não valem. Não valem”. Então, aí a equipa também caiu um bocado em si e revimos tudo e conseguimos minorar as coisas.


Arquivos\Pré_Escolar\Arminda

Chumbaram logo a ideia da minha proposta, das turmas heterogêneas, eu aprendi a perceber o contexto do heterogêneo. Hoje, realmente, eu defendo-as também, porque os mais novos são tutores, mentores… O que quiser chamar. Está intrínseco essas mentorias, porque há sempre pequenitos mais novos que têm o seu ídolo... A criança de 5 anos, aproxima-se mais dele, quer brincar com ele... Na sala de aula mesmo, o próprio discurso, mais ou menos, adaptado... esse movimento vem por acréscimo, em grupos heterogêneos. Essa para mim foi a grande alteração na minha forma de estar em sala de aula, no meu trabalho, foi essa.


Arquivos\Pré_Escolar\Maria Tiago

Eu não sou assim muito das redes sociais, embora reconheça que a gente escreve e tem acesso à informação. Isso tem vantagens, isso é bom. Não podemos dizer que isso não é. E é muito engraçado. Dos cinco e dos quatro [anos], tenho 19. No outro dia diziam-me: "Mas que engraçado, eles vão tanto para a biblioteca.". Quer dizer, eu faço de facto uma força muito grande para introduzir [isto] de gostar de ir. Eu acredito mesmo nisso. Obviamente não posso recusar. No outro dia era tanto que disse: "Ok, vamos então, vamos ver aqui.". Vamos lá ver. Depois fiz o meu trabalho de sair. Esta figura aqui no telemóvel não tem muita graça. Faço assim um trabalho, mas não posso negar. Mas eu tento sempre. Eles já sabem, já aprenderam. Eu digo: "Foi esta educadora que vos saiu, é assim.". Mas, de facto, o que nós vemos são as crianças que crescem em contextos influenciadas e aprendem com o que veem. Não há outra forma. "Ai as crianças estão... Olha, nós estamos todos.".


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana

Depois recebi a etnia cigana, já ao fim de trinta e três anos de trabalho, recebi a etnia cigana. Foi uma aprendizagem... E eu recebi a etnia cigana assim: "professora, eu já incendiei o carro da professora lá de cima. Se você se mete comigo ou com o meu filho eu incendeio o seu". Assim, um cartão de visita espetacular. A criança não andava, não falava, era o meu I. e a prima, mas a prima andava e falava normalmente, ele não. E eu fiz aquilo... Qual foi o problema, não foi a ação pedagógica, que no início do ano o diretor levou lá uma cadeira de rodas para a criança andar, e eu disse: então se eu quero que ela ande para que é que quero a cadeira de rodas?. Ele ao fim de um ano estava a falar, pouco, mas a falar alguma coisa e estava a andar, a correr. Nós fizemos este trabalho: eu segurava-o e a assistente operacional com as pernas movimentava-lhe as pernas e depois púnhamos ao contrário, segurava ela e eu movimentava as pernas. Depois, por fim, até já algumas crianças mais velhas faziam isso, seguravam e faziam esse trabalho com ele.


Arquivos\Pré_Escolar\Olga

Depois passei pela cidade, passei por outros concelhos do distrito. E depois estive na CERCI durante três anos também. E foi uma experiência muito intensa.

Entrevistadora: Acredito.

Olga: Foi o contacto com a deficiência. Na altura sabíamos pouco, tínhamos que ler muita coisa, tínhamos que procurar para sabermos o que eram as questões das crianças. Foi muito importante o contacto com os pais, o suporte afetivo, psicológico, o acompanhamento aos pais. Acompanhar as crianças a consultas a Coimbra, sair daqui às 05h00 da manhã com pais, ir à consulta. O sofrimento dos pais, as perguntas que nós também não tínhamos resposta, mas estávamos ao lado deles. Portanto, foi uma experiência muito interessante com colegas do primeiro ciclo.


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

Na altura, o meu agrupamento precisava de uma pessoa nesse lugar, tinha muitas, é o agrupamento de H. que tem mais bibliotecas ao nível do primeiro ciclo, por isso, precisava de uma pessoa com alguma experiência ao nível da animação. Neste tempo que estive no CNASTI, nesta organização não governamental, eu tinha que ter uma parte de animação mesmo, considerada atividade pedagógica não letiva. Eu fazia também muitas animações, ou animações em escolas, dinamizava workshops para as crianças e jovens entenderem o que é trabalho infantil, o que pertence à esfera do trabalho infantil condenável por lei, digamos assim, o que é o trabalho saudável, salutar, o que é aquilo que eles podem colaborar e que os faz desenvolver competências, que não é considerado trabalho infantil.

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