Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Métodos de Ensino

I

Descrição: Ex.: método das 28 palavras, MEM, etc...


Arquivos\1º Ciclo\Carmina

Gosto mais de ensinar a ler pelo método natural, global, acho que é mais interessante! Mas uma criança, que não tenha problemas, aprende de qualquer maneira, desde que seja motivada para isso. Aprende com o método A, B e C. Já com crianças com algumas dificuldades, aí já é diferente e temos que analisar.


Arquivos\1º Ciclo\Clara

Sim, isto foi a defesa de um método. Eu achava que sendo a nossa língua semi-fonética (depois veio muito a mania dos métodos globais. Nós copiamos muito dos outros…) Eu achava que a nossa língua tinha de ser ensinada, tinha de ser aprendida (a leitura e a escrita) através dos métodos mistos. Portanto, nem só global, nem só fonético, nem só analítico, nem só sintético, pronto, para chamarmos as coisas pelos nomes. E, de facto, esse livro está estruturado nesse sentido de as crianças começarem a aprender a ler. E depois, na escrita, também defendo que há professores que ensinam logo a escrever em minúsculas e maiúsculas, tudo ao mesmo tempo e eu não defendo isso. Eu defendo que primeiro se ensinam as minúsculas (impressas e manuscritas, obviamente), e que depois virão as maiúsculas… a seu tempo. Para nós é muito fácil. Tudo para nós é muito fácil porque nós já temos montes de anos de intelectualização. Para a criança não. E eu vi isso, por exemplo, na aprendizagem da leitura e da escrita com a minha neta que tem agora 11 anos e eu vi isso, a dificuldade que foi de estar a aprender a manuscrita. Estão a aprender a de imprensa da minúscula e da maiúscula. São quatro aprendizagens que exigem certa sistematização e, portanto, se às vezes nós formos um bocadinho mais devagar conseguimos obter melhores êxitos, mais êxitos no final.


Arquivos\1º Ciclo\Clotilde

Eu não conhecia o Movimento, eu não conhecia o MEM. Mas claro que quando a gente defende um determinado estar, somos reconhecidos pelos nossos pares. Percebe-se logo o que é que se é. E foi assim. Os inícios das carreiras são sempre [...] eu acho que são muito complicados. E eu tive muita sorte por ter conhecido logo o Movimento. E é claro que depois, indo aos sábados pedagógicos, começo a ver as pessoas que estão e eu acho que foi fundamental para ditar o meu caminho na educação.


Arquivos\1º Ciclo\Gabriela

Um de cada! Este também fazíamos e era muito engraçado: "quem é quem?" Era a turma A e B, ano letivo 2013-2014. Então, o que é que fazíamos? Nós imaginávamos, "bem, hoje vamos descrever um menino aqui da nossa sala, as suas características". Então eu começava "é alegre e brincalhão". Depois eles diziam "também é trapalhão" e eu escrevia no quadro. Depois tentávamos fazer rimas, mas quando não rimava era uma quadra, pronto. Mas com as características deles que era para depois, depois de estar a turma toda caracterizada, líamos a ver se eles ainda descobriam quem era aquele menino. E então depois, no fim do ano, levavam para os pais, para verem. Olhe "este menino bonito, sempre com boa disposição, aprende muito, porque está com atenção". E eles descobriam "ai é aquele porque aquele está sempre com atenção!", fazíamos estes livrinhos assim.


Arquivos\1º Ciclo\Gaspar

Vamos ver logo a primeira turma que tive. Aquilo não era fácil. Tinha que pôr a maior parte dos alunos a trabalhar de forma individual para eu dar aulas direitas aos outros. Não havia planificação que resistisse. (risos) Muitas vezes eu tinha que arranjar alunos-mestres, eram os meus tutores para ensinar as letras aos [alunos] do primeiro ano. E era possível. Quando alguém fazia isso, até inchava (risos). Tinha que socorrer-me dos próprios alunos. Não havia tudo tão regrado como agora.


Arquivos\1º Ciclo\Graziela

Eu no 1º ano trabalhei com o método Jean Qui Rit, não sei se já ouviu falar?


Arquivos\1º Ciclo\Ilda

É espantoso… com este grupo, então, é uma coisa muito simples, porque para outros grupos as coisas foram-se complexificando. No fundo é o retrato do trabalho de um aluno, ao longo da semana. Sendo que este conjunto de atividades que foi planeada com eles, e que já foi sendo acrescentada à medida da avaliação que foi sendo feita são atividades cumpridas durante uma hora por dia, aproximadamente. Aliás, eu tenho aqui um desta semana que ainda está em execução, eles planeiam um conjunto de atividades, e eu registo também, no meu registo coletivo, vão pintando à medida que vão fazendo, e amanhã vão contabilizar quantas coisas fizeram, que podem ser feitas em casa, ou no tempo de estudo autónomo. O chamado tempo de estudo autónomo. Registam uma tarefa, que têm na sala, que é da sua responsabilidade, mas é fundamentalmente um tempo que eu preciso para trabalhar com as crianças que precisam mais de mim. O trabalho com a professora é aqui um aspeto fundamental, portanto, é combinado, também, com eles. E depois é assim muito simples, a avaliação, se "trabalhei bem ou pouco", também com base num conjunto de critérios, que foram sendo construídos, e que estão aqui, para eles não se esquecerem, quais são os critérios a cumprir, "fazer pelo menos uma coisa por dia". Fazer coisas diferentes, porque, inicialmente, começaram só a fazer desenhos, leituras, etc…, “trabalhei em silêncio ou falei baixinho”, “fiz muitas coisas que precisava!”, isto é fundamental, não é? Aquele equilíbrio entre o princípio do prazer e o princípio da realidade. “Cumpri o que marquei no PIT”, esta questão de cumprir é muito importante...


Arquivos\1º Ciclo\Irene

Também começou, como membro do Movimento da Escola Moderna desde sempre, desde que saíra do Magistério, conheci ainda o MEM no Magistério Primário. Também estava, de alguma forma, mais desperta para estas questões da aprendizagem, da inclusão, da igualdade de oportunidades, dos direitos das crianças.


Arquivos\1º Ciclo\João

Naquela altura já não havia ninguém a fazer isso. Quando muito, havia o método analítico-sintético que partia da palavra e depois a palavra era composta de sílabas e da sílaba…. Mas nós apanhámos gente do Movimento já com abordagens àquilo que na altura se chamava pedagogia de Freinet e método natural.
Dissemos que é o processo, o processo interativo de aprendizagem da escrita.
Parte dos textos das crianças, daquilo que elas dizem. Andamos sempre à procura das coisas que fazem sentido no campo de trabalho. Quando vim para Setúbal, fui trabalhar para as Vendas de Azeitão, estive lá dois anos e comecei a trabalhar assim, ainda com medo de ir para as análises. E foi um fascínio. Nem os professores nem as famílias percebem como é que as crianças [começam] a ler e vão de vela enfunada por aí fora.


Arquivos\1º Ciclo\Marlene

Nós, em termos de didática, se calhar aprendemos muito pouco. Eu já conheci não sei quantos programas, o programa Laranja, programa Verde. Quer dizer, houve muitas reformas sem haver uma avaliação dos programas. As pessoas chegavam à escola, entregavam o programa e cada um tentava fazer o melhor que sabia como podia. Se calhar, à imagem de quando nós éramos alunos, como aprendíamos. Por exemplo, não é uma vergonha dizer que eu percebi a tabuada quando tive que ensinar a composição, porque nós cantávamos a tabuada. Se calhar não sabíamos que nove vezes nove eram nove grupos, cada grupo tinha nove membros.


Arquivos\1º Ciclo\Mónica

Nos primeiros anos eu não ensinava pelo analítico-sintético, nunca; era pelo método das vinte e oito palavras, que era com o que tinha mais [à] vontade, mais segurança. E também apliquei o “Jean Qui Rit”, e os pais entendiam que podia ser assim, e gostei.


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Não se fala muito e agora estava-me a lembrar porque eu própria não falo muito sobre isto, mas as experiências mais interessantes no primeiro ciclo, mesmo no projeto Minerva, eu falei que eram professores que já tinham maneiras diferentes de trabalhar, que integraram mais facilmente o computador, eram também pessoas ligadas ao movimento da escola moderna. Acho que esta é uma coisa que tem que ser reconhecida, porque como não há escolas do Movimento da Escola Moderna, ou seja, são as pessoas individualmente que adotam, às vezes [há] coisas que ficam um pouco esquecidas. Mas de facto, parece que o MEM tem sido como um fermento até nos momentos em que se introduzem novos instrumentos, como foi o caso aqui dos computadores e alguma coisa da tecnologia para ter uma utilização interessante.


Arquivos\1º Ciclo\Roberta

Então eu adoro cantar. Por isso, uma das coisas que eu faço é cantar quase todos os dias, qualquer coisa. E nem que seja a propósito de se dizer qualquer coisa, eu sei sempre uma letra de uma música e canto qualquer coisa. E eles estão habituados a isso. E eu gosto de ensinar canções e gosto de organizar espetáculos, mas só na parte das canções. Não tenho jeito nenhum para teatro nem nada. Mas gosto imenso de cantar, embora não tenha aprendido música, mas cantei num coro de música popular portuguesa. Tirei um curso de animação musical enquanto estava a tirar o curso de professora.


Arquivos\1º Ciclo\Zacarias

Sempre que podia saía da sala de aula. Nós fomos formados com essa visão do mundo. Quando estávamos nos magistérios, nós íamos fazer estágio às escolas do concelho. Íamos lá passar o dia com a colega que estava lá, para ajudá-la. Acho que boa parte dos professores formados nessa geração têm uma visão diferente. Só quando não se podia de todo, quando havia algum assunto para ser consolidado, tínhamos ali as coisinhas à mão e a gente seguia. Ir às fábricas, ao parque, ver um moinho, ir ao forno. Íamos sempre. Coisa que, agora, com os agrupamentos é mais complicado. Quer dizer, não quer dizer que não saísse, mas era assim... Durante o primeiro ciclo, há alturas que a gente tem que sair, tem que fazer, não está [ali] compartimentado, não está aquilo planeado. E quando o professor do segundo ciclo planeia aquilo e leva aquilo até ao fim da aula, às vezes no meio tem que interromper e temos que meter novos dados. E no sistema de agrupamentos, isso não dá para funcionar. É muito complicado, muito complicado.


Arquivos\2º Ciclo\Aldina

Entretanto, se quiser ouvir, eu tive um ano muito complicado em Carnaxide, e estamos a falar de uma altura em que eu já tinha 58 anos, já era uma mulher madura. E então eu chego a Carnaxide e eu tinha feito formação durante uns sete ou oito anos no movimento da escola moderna, que me abriu portas e janelas. Quer dizer, abriu-me a cabeça. E eu levava mais algumas técnicas, uma técnica simplicíssima de registar quem é que, nas aulas, não cumpre duas regras - estamos a falar em termos de comportamento - eu só tenho duas regras em sala de aula, não preciso [de] mais. São só duas, é para cumprir. Quem não cumpre - eu aprendi isto há 22 anos - eu não mando calar ninguém, mas quando eles estão sem cumprir as regras, não estão a trabalhar, estão a falar e a mandar bitaites eu escrevo os nomes de quem está a falar numa pontinha do quadro, e isso já está combinado, está estabelecido, isto é logo combinado no início do ano: quem não cumpre essas duas regras fica com o nome no quadro. E depois há um menino que tem a tarefa de pôr bolinhas encarnadas e verdes. Portanto, isto é básico, estúpido, primário. Não é mais do que isto, mas funciona. Portanto, quem tem essa tarefa, no final da aula, põe bola encarnada aos meninos. Mas há aqui duas variantes que eu acho que são fundamentais, que eu aprendi com a vida, que é, por exemplo, a L. está a falar, está a trabalhar e a conversar, mas não pode. Portanto, eu ponho o seu nome no quadro e a L. vê. E a L. sabe, porque foi combinado, sabe que se até ao final da aula cumprir e trabalhar e deixar de conversar, eu apago o seu nome. No final da aula eu apago o seu nome e a L. tem bola verde. Se durante a aula a L., que já viu o seu nome no quadro, no decorrer do seu trabalho, a L. continuar a conversar, eu escrevo 'mais um' e a partir do 'mais um' tem bola vermelha. Para que é que interessam as bolas vermelhas? Para nada (risos). Eu posso ir ajustando a ação, claro. Primeiro porque fica claro, portanto eu posso informar o seu encarregado de educação, o diretor de turma - neste caso, porque eu não sou a diretora de turma - e o que acontece é outra coisa que é, nós vamos enchendo uma garrafa com botões sempre que não há nomes no quadro, vamos enchendo uma garrafa com 25 botões por dia e no final do mês vamos brincar, um tempo no final do mês. Se a garrafa está cheia de botões, vamos brincar.


Arquivos\2º Ciclo\Carmo

Um que é treinador de patinagem, um que é treinador do Benfica de vólei que vem dar aulas, um que fala sobre paineis solares... tento sempre trazer os pais à escola.


Arquivos\2º Ciclo\Cecília

É, levam sempre o seu tempo. Olhamos para uma sala de aula e pretendemos implementar grupos interativos, pretendemos implementar muitas outras coisas, mas… é tudo difíci. Não é no tempo que queremos, no tempo que desejamos.


Arquivos\2º Ciclo\Constança

Quer dizer, parece que é uma coisa difícil, não! A matemática está presente na vida. Quando eu converto em cêntimos - às vezes o numeral decimal que eles não conseguem perceber - eles veem que é a mesma coisa. Nós temos que ir chamando para a realidade. E veja, os programas também não dão muita margem para fazermos tarefas que se aproximem do real, para que eles possam compreender. Eu sempre que posso, vou fazendo isso. Mas é uma ginástica muito grande, porque é o timing de cumprir o programa e o timing das crianças todas irem tentando acompanhar.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda

Eu uso o método das cópias, à antiga, sou super conservadora nesse aspecto.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima

Eu penso que era a aula, propriamente dita, sobretudo tentar incentivar os alunos a que eles fizessem perguntas, se entusiasmassem. Eu sempre contei muito as histórias da História…sempre gostei muito de dar a História através de histórias, e incentivava-os muito, por exemplo, a ler a coleção das Viagens no Tempo…e era uma coisa que me dava gozo – inclusivamente, aceitei sempre, de bom grado, ser professora da mesma turma das duas coisas – de Português e História – porque eu conseguia ler histórias, ler textos, na aula de Português, em que, depois, pegava na História. Claro que numa turma de miúdos interessados a coisa era muito melhor...


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Eu trabalho muito por tarefas.


Arquivos\2º Ciclo\Rosário

Uma pessoa, no início, se calhar não olha para determinado tipo de aspetos dos alunos que depois, mais tarde, reconhece e consegue ver e consegue ajudar, se possível, etc. Mas comecei bem. E acho que não comecei muito mal, porque eles ainda vêm ter comigo agora, já homens velhos e tudo, e vêm ter comigo, portanto, é sinal de que ainda me reconhecem.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Nós tínhamos sempre que dar a volta, como [por exemplo] as aulas online que foram uma coisa nova. Ainda antes de falar das outras funções que tive, eu lembro-me de trocar muitos emails com os alunos [durante as aulas em ensino remoto]. Depois apercebi-me que aquilo que eu tinha feito era um exagero, pois eles tinham pouco apoio, mesmo comigo dizendo tudo e mandando-lhes coisas da escola virtual. Foi uma aprendizagem. Eu acabei por ter muita sorte porque a colega com quem eu estava - ela do quinto e eu do sexto - meteu baixa porque ficou doente e veio uma miudinha substituí-la. Conheci-a numa quarta-feira, mas não pude reunir com ela porque estava em outras reuniões, e na sexta-feira acabamos por conversar. Ela ajudou-me imenso. Ela tinha competências a nível informático que eu não tinha. Ajudou-me imenso.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

Todo o trabalho que eu fiz, devo-o à didática francesa. E o francês tem este lado de língua viva, ativa. Eu mesmo quando fui professora de Latim tentei aplicar uma – eu sou um bocadinho construtivista – tentei aplicar esta metodologia ativa. Mas o que eu ia dizer [era]: eu trouxe para a língua materna toda esta dinâmica, mas… o Português, na altura, estava muito vergado à tradição, portanto não conseguia respirar. Não. Este lado comunicacional [de] que se falava, ou intercomunicacional, quer dizer… havia… a cultura portuguesa era muito pesada, nomeadamente a do primeiro ciclo, com toda a tradição do primeiro ciclo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália

Ainda hoje me lembro de algumas histórias... eles estavam - com a professora que tinha iniciado com eles – habituados a fazer as assembleias. Aquilo era um projeto do Movimento Freinet, e era instituído pelas técnicas Freinet para fazer as assembleias de turma. Portanto, eu discutia com eles - discuti algumas vezes, porque depois enchi-me daquilo - o que é que tinham feito, o que é que estava bem, o que é que precisávamos de fazer e o que é que precisávamos de alterar e não sei quê... geralmente – provavelmente o defeito era meu, não apliquei como devia, não sei – eles queixavam-se do que se passava no recreio... “O fulano bateu-me”... "Então, o que é que vamos fazer a isto?". “Dou-lhe dois pontapés e duas bofetadas e fica pronto”. Claro que depois não ia ser assim, não ia ser concretizado, mas essa prática, depois, tive de acabar com ela, porque repetia-se sempre o mesmo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana

Com uma visão, porque eu já com os meus pais comecei a viajar muito. Primeiro por Portugal, depois por Espanha, depois por França e, enfim, fui tendo este conhecimento de outras terras e de outros países e de outras cidades e de outros modos de vida que eu achava que era importante os alunos conhecerem e investigarem, saberem, aprenderem, saberem pelo menos que existiam. E, por isso, às vezes, as minhas atividades e as minhas experiências educativas não eram muito bem vistas porque saíam fora da caixa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Hélder

A última grande experiência que eu tive para ver a motivação dos alunos foi há uns três anos na Escola C.C.B. em que uma professora de 12.º ano adoeceu, outra teve um problema com os alunos, abandonou. E ficaram quatro turmas do 12.º ano sem professor durante um mês, depois veio outro professor que também não veio e mais um mês e a direção pediu-me para dar apoio àquela gente. Juntei quatro turmas, 120 alunos no auditório. Para tratar Fernando Pessoa e os heterónimos, propus-me em oito aulas abordar Fernando Pessoa, os heterónimos, aquela gente toda. Imagine o que é um auditório com turmas diferentes e eu ali, sozinho. Começou a lição com uma barulheirazinha, a primeira coisa que eu faço é calar-me. Depois eles começam a abrandar e eu falo baixinho, depois ia falar cada vez mais alto e falar cada vez mais alto. Consegui dar as lições todas com os alunos presos do princípio ao fim. Do princípio ao fim! Eu também dizia assim - essa é a poesia de Fernando Pessoa, eu tenho tudo na cabeça. Eu não preciso do livro, os poemas de Fernando Pessoa ou do Alberto Caeiro, ou do Álvaro de Campos, ou do Ricardo Reis, ou textos de Bernardo Soares, não preciso - então dizia-lhes "no vosso livro, na página tal e tal têm isto". Eu não tinha o livro à frente, mas já tinha a lição preparada. E eles "mas como é que é possível?". É possível desde que a gente goste. Se vocês aprenderem a gostar. E então depois vinham os poemas ditos com a musicalidade que eles precisam e os esclarecimentos às dúvidas dos alunos, que aí é que está o importante. Depois de ler um poema: "agora venham as perguntas". E vinham as perguntas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana

Perceber que eles são bem diferentes uns dos outros. E é mais no sentido de maior tolerância com os miúdos. E em relação às asneiras também. Acho que ficou um bocadinho mais atenuado com o facto de ter sido mãe. Não tenho factos para dizer, mas acho que sim. Ou pelo menos a idade fez com que eu fosse mais tolerante e mais habilidosa, também, com algumas estratégias e com alguma capacidade de encaixe de algumas coisas. A partir do momento em que nós dominamos mais o contexto educativo e temos mais estratégias e mais ferramentas e mais instrumentos, vamos sendo um bocadinho mais habilidosos em lidar com as coisas. E acho que é isso que também me aconteceu a mim, como deve acontecer aos outros. Acho que cresci, mas acho que sim, acho que sou dedicada aos meus alunos.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria

Há uma grande diferença que eu lhe vou dizer que achei e que é a pouca qualidade na área da educação física dos professores. Tinha a ver, aquilo que eu falei e que me marcou, com a diretividade e não diretividade. Nós, no início da minha carreira, fomos educados para dirigir a aula. Onde a professora era o motor daquela aula, dirigia aquela aula do princípio ao fim, toda bem formatada… depois, com a não diretividade, era muito fácil para o professor que também nada sabia, deixar andar. E isso da não diretividade é muito mais complicado de gerir porque a gente tem de ir buscar os alunos pelas competências. É uma não diretividade que tem de ter alguma orientação. Isso foi levado para: olha, pega numa bola e joga. Isso não é nada!


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde

Significa estar com os alunos, falar de uma maneira, fazer gestos, por exemplo, quando estou a ler, encarnar a personagem. É importante a comunicação para colocar a voz. Mas isso qualquer professor tem obrigação de saber, colocar a voz, é evidente. Aliás, tenho consciência que, por exemplo, ao ler, lia muito bem. Não sei se é vaidade. Aliás, eu durante dez anos fui locutora na biblioteca. É verdade!


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia

É muito importante. No início, no sétimo ano [de escolaridade], lê-se um poema e eles não sentem nada, parecem pedras. Eu fazia muitas aulas a partir de livros que eu lia, seguindo a metodologia que eu achava adequada. Eu dava muitas aulas em que punha os alunos a sentir o ritmo, a movimentarem-se, traduzir o ritmo do poema. Isso é muito interessante. Havia muita dramaturgia. Viver através do corpo. Portanto, isso fez com que eles deixassem de ser pedras. Começaram a sentir a poesia. Num texto de Literatura é importante que eles aprendam a ler nas entrelinhas. Nem tudo está lá escrito. No ensino secundário é mais interessante. É muito mais rico. Eles já têm essas competências, já mobilizam conhecimentos e aprofundam. Com os mais novos é diferente. Eu posso perguntar qual é a cor das vogais e eles respondem: "O 'a' é verde. O 'u' pode ser um animal!". Não faço isto com os mais velhos que eles iam dizer "Esta está maluca!". (risos). A arte associada à técnica, é muito importante no ensino. No [ensino] básico nós estamos presas às normas, é mais normativo. Eu posso abrir mundos, mas dentro de certos limites. Essa é a diferença. No [ensino] secundário, eu começo a mostrar-lhe frases com erros e mostrar que afinal não são erros, são maneiras diferentes de dizer e escrever, uma maneira artística de conseguir dizer o indizível.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo

A verdadeira experiência que eu tenho como professor primário é um ano no D.H., onde tinha uma turma enorme de 32 [alunos], experimentei o método fonomímico.


Arquivos\Pré_Escolar\Alexandra

Umas ações de formação que se iam fazendo, porque a pedagogia de projeto começava a despontar. Começava a testar e a procurar outras estratégias, outras formas de diálogos com as crianças, eu gostava daquilo. Comecei pela pedagogia da situação. Também era a pedagogia da criança borboleta, aquela criança que anda, pousa de lugar em lugar, e não se foca em lado nenhum. Há três tipos de pedagogia. A pedagogia directiva, a pedagogia da criança borboleta e a pedagogia de projeto, de conquista, de procura, de descoberta. Foi aqui que eu me posicionei e sempre fui procurando trabalhar nesse sentido.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa

Eu nunca dei a cartilha. Porque lá as crianças eram divididas. Havia uma educadora - eu tinha uma autorização especial do Ministério da Educação para dar aula até ao primeiro ano. Havia uma colega que dava a parte da cartilha maternal e eu dava a disciplina de Matemática e Expressões, digamos assim. Portanto, eu nunca dei a cartilha maternal. Eu gostava mais da parte da Matemática, em que eu trabalhava muito à base de materiais, Cuisenaire, Froebel… o calculador multibásico. Eu só tinha essa parte de Matemática e depois, digamos, mais da Expressão Plástica.


Arquivos\Pré_Escolar\Arminda

Eu envolvia um bocado daquilo que eu tinha aprendido... e da minha forma de ser, envolvia um bocado numa dinâmica diferente de escola. Não, eu não considero que apesar de haver um limite de crianças por sala - desde que seja um estabelecimento de ensino tem que haver uma articulação. Eu já pensava assim, comecei a criar os projetos curriculares do grupo. Embora salas diferenciadas, trabalhávamos em conjunto... ela não fazia as coisas isoladas e eu não fazia as minhas.


Arquivos\Pré_Escolar\Gina

Abriu o jardim de infância em baixo e a escola era em cima, e ele andava no primeiro ciclo, e já gostava muito de futebol. Lembro-me perfeitamente que ele via os meninos a brincar e ia para o pé deles com os seus sapatinhos já muito rotinhos, com uns ténis muito velhinhos. E ele ia porque adorava. E eu mandava-o embora: "Tens que ir porque o professor já tocou e já tens que ir." Mas ele não queria, queria ficar ali com os meninos pequeninos. E foi uma experiência muito rica para mim, muito rica porque era um contexto completamente diferente, aprendi imensas coisas, recordo-me imenso do que aqueles meninos me ensinaram sobre o campo. O que é que a terra nos dava - este grupo que tenho aqui, que lhe mostrei - o que é que a terra nos dava. E íamos para o monte. Eu sou muito de exterior, de sair, de não estar dentro da sala, ainda hoje. Se calhar foram eles que me incutiram este gosto, não sei. E então íamos à descoberta de cogumelos. Eles é que me ensinaram a procurar cogumelos e eu dizia "eu não encontro nenhum cogumelo". E eles diziam-me assim "não faz mal, os cogumelos só aparecem aos malucos" e eu dizia "Pronto, já estou descansada, não sou maluca" (risos). É das expressões que me ficaram, muito engraçadas! Essas pequenas coisas. Depois tive aí um ano e depois tive de concorrer. Portanto, foi um ano que não foi bem um ano, foi a montagem do jardim.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar

E depois, no final do período, quando pedia algum relatório de como ocorreu, ficavam todas... E eu tive que ir devagarinho... ensinando e ensinando, fazendo, porque acima de tudo a Paula Frassinetti obrigavam-nos a fazer planificação, eu fazia planificações atrás de planificações, porque eles diziam assim na altura, e eu ainda me lembro, era assim, eram os centros de interesse, na altura a pedagogia era por centros de interesse, e depois diziam que tínhamos que ouvir as crianças, os interesses das crianças, isso sempre houve, ir [ao] encontro dos interesses das crianças [...]


Arquivos\Pré_Escolar\Helia

Olhe, eu acho que ao longo do percurso me sirvo do conhecimento que fui adquirindo, mas nunca excluí aquela primeira impressão que eu tive e depois também foi ótimo eu ter diversificado os sítios, nem que fosse na disposição da sala, porque eu num lado fiz assim, no outro lado, fiz assado. Uma vez achei giro que eu tive uma mãe que era psicóloga clínica e quando entrou no jardim passado uns tempos diz-me assim "sabe porque é que eu optei pelo seu jardim? Porque é o único que quando se entra, é uma área aberta e se vêem as quatro áreas de desenvolvimento".


Arquivos\Pré_Escolar\Luísa

Comecei o meu trabalho mais sério, em termos de uma formação em serviço, que foi o trabalho que eu tive com o Movimento da Escola Moderna. Portanto, eu começo com o núcleo do trabalho com o Movimento da Escola Moderna, que foi para mim simbólico em termos de tomada de consciência, portanto, e de uma maior concetualização de muitas das coisas que eu até vinha, muitas vezes, a defender e a fazer.


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana

Em termos pedagógicos houve uma evolução muito grande. Era a pedagogia por objetivos, depois veio a pedagogia por situação até que depois veio a pedagogia projeto. Foi evoluindo à medida que os estudos, também muito impulsionado pelas ciências da educação, pela evolução da pedagogia e da psicologia. O trabalho projeto para mim é a forma de trabalhar mais abrangente e mais interessante.


Arquivos\Pré_Escolar\Nena

Antigamente funcionava de uma forma completamente diferente. Não tínhamos que fazer este tipo de avaliação que se faz agora. Era um bocadinho mais uma avaliação mais autónoma, segundo o que nós fomos aprendendo na formação, e depois adaptei tudo


Arquivos\Pré_Escolar\Rita

E portanto, sempre gostei muito de brincar com estas coisas. Momentos mágicos. E alguém lhe chamava - eu não sei se foi a Luísa Ducla Soares, se foi outra - a pedagogia do encantamento e eu estou na linha dela. E eu gosto da pedagogia do encantamento. Gosto de os encantar para depois fazer algo mais a partir daí.


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

Havia uma franja da população que precisava, entendíamos nós, e entenderam os professores que aderiram ao projeto, que precisavam de uma mudança a nível de metodologias para ver se os cativavam, se os motivavam mais para a parte académica, portanto nós criamos esse centro de recursos.


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia

O que é que, no fundo, isto veio dizer? Primeiro, a lei quadro da educação pré-escolar aponta muito que é importante que as famílias participem ativamente. A lei Quadro diz isso. A Lei de Bases diz isso. A interpretação que as escolas fazem... as escolas são feitas por pessoas. Eu tenho tido um percurso sempre com famílias participativas e ativas na construção do currículo e na co-construção, no enriquecimento do currículo. Isso está legislado. O problema é que as pessoas não querem, não deixam que isso aconteça. A forma de participação é exatamente igual àquela que eu realizei há 40 anos atrás na BQJB. Exatamente igual. Se no próximo ano não me autorizarem a continuar na ESE de Setúbal, eu vou [para a escola] continuar a fazer exatamente igual. Só há uma diferença, as tecnologias e a comunicação digital. Eu agora até posso estar - como estive em 2021 - na sala com os meus meninos e um pai estar dentro de um jacto particular e, por exemplo, mostrar um jacto particular por dentro, a casa de banho, o cockpit, tudo isso. É a diferença. Os pais, quando queriam ir mostrar alguma coisa, levavam slides, fotografias e falávamos sobre isso. Mas a participação, na sua essência, é igual àquilo que os profissionais defendem. Percebe o que eu quero dizer?

| B6.3 |