Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Sobre os Contextos, Correções

I

Visões sobre os contextos em que trabalhou ou conhecidos do âmbito profissional expressas ao longo da entrevista


Arquivos\1º Ciclo\Abel

É uma escola que se chama B., que fica localizada entre Cinfães e Arouca, completamente deserta. Para fazer o trajeto até à escola... eu fazia 01h30, 01h45 a pé, onde não chegavam carros... passavam carros de bois e para descer... eu descia em 25 minutos a pé - só para ver o declive. A diferença de uns tempos em relação.... uma escola a quem no ano anterior tinham permitido que no rés do chão fosse um curral de cabras e na parte de cima a escola. Foi a minha primeira luta na escola. Foi chegar lá e acabar com aquilo. Eu tinha 12 alunos dos quatro anos de escolaridade. Não tinha cadeiras suficientes para os sentar. Tinha um quadro, um quadro preto e quatro paus de giz. Um mapa já muito velho. Foi assim que eu comecei.


Arquivos\1º Ciclo\Anita

Anita: Sim, menos tempo na escola, sim, menos horas. Eles agora entram, têm um intervalo, voltam a entrar, têm depois um intervalo grande, voltam a sair… é muita agitação e é muito cansaço durante o dia todo. Com a pandemia, os horários desencontrados das entradas e das saídas pioraram as coisas. Do género... está agora na sua aula, com os seus alunos, e está uma turma a ir agora para o recreio, quando essa turma volta, você ainda está na sala, está a ouvir o barulho dos meninos a sair, a entrar, depois vai a sua turma. Isto com a pandemia, os horários desencontrados, prejudicou também bastante o ambiente na escola... é um ambiente muito mais agitado, uma escola muito mais barulhenta, uns professores que não se encontram e não conseguem estar tanto tempo… eu penso que isso tudo tem sido um bocadinho mau.


Arquivos\1º Ciclo\Carmina

Agora abusa-se das reuniões e as pessoas, às vezes, já estão fartas das reuniões. Têm não sei quantas reuniões por semana. Eu, às vezes, digo: "Quando começámos, nós fazíamos as coisas por nossa iniciativa e as coisas rolavam tão bem. Quando as coisas são impostas, porque tem que ser... Há motivo para reunião? Muito bem, fazemos. Não há motivo para a reunião? Não fazemos". Está a ver?


Arquivos\1º Ciclo\Graziela

O pior da profissão é nós, numa escola do 1º Ciclo, não termos segurança.


Arquivos\1º Ciclo\Ilda

Havia uma escola nova, que não estava a ser ocupada porque a diretora não estava disposta a sair do seu comodismo, portanto, que era aquela escolinha com a casa da diretora, portanto, ela só tinha que atravessar o patamar para ir para a escola, e nós, as outras pessoas, davam aulas, eu, por exemplo, dava aulas a 28 meninos, num primeiro andar de uma casa de habitação… Pronto, os meninos a andar faziam tremer o candeeiro da senhora do rés-de-chão, que se estava sempre a queixar.


Arquivos\1º Ciclo\Inês

Fiquei colocada no concelho de Odemira, numa escola isolada, no meio do campo. Só a escola. Não estava habituada a este aglomerado. Aqui, no Alentejo, são pequenos lugares, a escola está inserida no aglomerado populacional – lá, estava no meio dos sobreiros. Lembro-me que o meu pai me foi levar e chegou lá e disse: “Não, tu aqui não ficas. Não ficas aqui.” Não havia telefone, nada. E, numa casinha próxima, perguntámos onde é que os professores ficavam e a senhora disse: “Os professores dormem na escola” – “Na escola!?” – “Sim, sim. Dormem ali na sala de entrada, pronto, os professores têm estado aí, têm dormido na escola”.


Arquivos\1º Ciclo\Irene

Portanto, eu fui para essa escola que estava inacabada. A escola não estava pronta, não tinha pátio, não estava ainda rebocada da parte de fora. Tinha ainda algumas paredes em tijolo, não tinha mobília nenhuma, não tinha nada. E eu quando cheguei para ver a escola, tive uma recepção de aldeia muito boa. Contactaram-me, pediram por tudo que eu aceitasse o lugar, porque eles comprometiam-se de facto a terminar a escola e a trazer as mobílias mínimas.


Arquivos\1º Ciclo\Isadora

A escola era uma casa antiga, de pedra, tipo a casa tradicional das Beiras, com aquela escadaria por fora. Essa escola não tinha luz, as condições não eram muito boas. De aquecimento, tinha apenas um fogão daqueles antigos, de uma salamandra. Tinha vidros partidos, tinha muito poucas condições, mesmo. Nessa [escola] havia quatro professores... espetaculares!


Arquivos\1º Ciclo\João

As condições de trabalho? Eu lembro-me que ali em Vendas de Azeitão, as escolas estavam muito bem apetrechadas de materiais didáticos, muito bem apetrechadas, e ainda estavam novos.


Arquivos\1º Ciclo\Mara

Das escolas todas onde estive, eu não tenho más experiências - se calhar, tenho muita sorte, mas nunca tive más experiências. Quando estive, por exemplo, alojada em Guimarães, tinha de lá ficar e foi uma colega da escola que me arranjou onde ficar, fui ficar na casa da mãe dela. Ela era casada, por isso levou-me a casa dos pais dela e eu fiquei alojada na casa dos pais dela. Sempre. Muito bom acolhimento. Mesmo das pessoas das freguesias onde estive…a oferecerem coisas da terra, produtos da terra…faziam uma ligação à escola – e até acho que até um respeito que, ao longo do tempo, se perdeu um bocadinho, mas é fruto, se calhar, da evolução dos tempos.


Arquivos\1º Ciclo\Mónica

Havia respeito, e as pessoas, se [explicássemos] o que é que estávamos a tentar fazer com os miúdos até aceitavam. Porque eu explicava aos pais o quê que ia fazer… até, por exemplo… ensiná-los a ler.


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Naquela altura funcionávamos sem paredes. Era horrível. Era um cansaço, porque, quer dizer, havia sempre barulhos que nós ouvíamos de umas salas para as outras. Portanto, aquilo eram os núcleos de três. Havia espaço em que eram só duas salas com área comum. E nós trabalhávamos em núcleos com três salas. Nós tentávamos pôr os armários para fazer uma certa divisão e para o barulho não passar tanto. Mesmo que as turmas não fossem barulhentas, havia sempre barulho que passava. Era muito cansativo, era ruído de fundo. Porque uma coisa é o barulho normal de uma sala de aula a funcionar, que há sempre ruído e há sempre um burburinho. Quer dizer, isso é impossível de se impedir numa sala de aula, sobretudo com crianças desta faixa etária. E isso passava de umas salas para as outras. Portanto, era muito e muito difícil.


Arquivos\1º Ciclo\Nélia

Começa alguma continuidade. Porque é assim, e eu penso que que a L também sabe, que normalmente nestas coisas destas hierarquias - não é bem hierarquias, porque estamos todos no mesmo patamar - mas o que vem à frente normalmente, tem sempre tendência para culpar o outro que vem atrás.


Arquivos\1º Ciclo\Olívia

Eu não tenho razão de queixa. Nós, lá na escola, somos um corpo que já lá está há alguns anos e já trabalhámos em conjunto há alguns anos. Mas, mesmo assim, é verdade é que eu também sinto que não há tanta partilha como havia antigamente. Na minha opinião, acho que se perdeu muito com o alargamento, com os mega agrupamentos, como nós funcionamos agora. Apesar de se fazerem as reuniões, não há aquela partilha que havia quando o grupo era mais pequeno, em conselho de docentes ou até mesmo nos agrupamentos mais pequenos. Eu agora, cada vez que eu tenho uma reunião, não conheço muitas das colegas. Não as conheço, não falamos umas com as outras. É muito impessoal. Fazemos aquele grupinho da escola, sim, colaboramos e ajudamos e apoiamos e se alguém precisa de ajuda, mesmo em termos da partilha dos materiais, tudo o que seja fora da escola, não há partilha. Sinto que é mais impessoal. Na escola, continuamos as partilhas uns com os outros, mesmo em termos de opinião.


Arquivos\1º Ciclo\Zacarias

Encontrávamos de tudo. Normalmente íamos para escolas de professor único, sabe? Mas havia escolas de tudo, escolas muito boas, muito bem equipadas e escolas que nem no terceiro mundo! Buracos no chão, sei lá, falta de água e tudo. Mas também tinha escolas no concelho muito boas, bem equipadas, com algumas condições.


Arquivos\2º Ciclo\Adelina

Sim, eu quando cheguei à escola aqui em Rio Tinto, portanto, a escola era uma casa. Era uma casa, provavelmente, senhorial, penso eu. Na altura seria uma casa assim, uma casa grande em que nós nos dividíamos nos diferentes andares da casa. Pronto, aquilo era engraçado porque parecia mais a nossa casa do que propriamente uma escola. E, realmente, havia uma ligação muito forte entre nós, até, se calhar pela própria dinâmica da escola, do espaço. Foi uma escola interessante nesse sentido, porque havia uma proximidade muito grande entre nós. Realmente o espaço físico também ajudou um bocadinho a isso, mas logo nesse ano, nesse primeiro ano, já havia a construção de uma escola e fez-se a mudança nessa altura, sim, fez-se a mudança para outra escola e eu ainda fiz a mudança. Mas esse ano, pronto, eu só lá estive um ano e portanto, não deu para, depois, saborear um bocadinho a escola nova.


Arquivos\2º Ciclo\Aldina

Era uma escola velhíssima! Ainda hoje é. É a escola P.V., na Ajuda, em Lisboa, e era velhíssima. Era de pedra e cal, mas foi construída no antigo Estado Novo, portanto era modelo antigo. Não chovia nem nada, essas coisas eu nunca tive. Tínhamos o essencial, mas um edifício antigo. Mas é muito especial porque foi a única que eu tive nessas circunstâncias, com essas características. Depois disso, eu passo para escolas todas elas - estamos a falar do Montijo e do Cacém - escolas que já eram blocos, que os colegas diziam "Isto é o modelo escandinavo". São vários blocos, com passagens entre si, internas, e envidraçadas, portanto um modelo diferente. Já não era um monobloco, como a Escola da Ajuda, que ainda lá está. Portanto, as condições, o que eu sentia é que nós tínhamos tudo o que precisávamos, ou seja, em termos materiais tínhamos tudo o que precisávamos. No fundo é um pouco a imagem do que é hoje. Eram consideradas escolas frias, os meninos tinham frio. Às vezes tinham que estar a trabalhar de casaco. E as funcionárias, algumas vezes eu lembro-me, secavam-lhes a roupa, mas pronto, nesta faixa etária os miúdos andam à chuva quando lhes apetece e pronto. Mas não sei a que é que quer que me refira, as condições eram estas, uma sala de professores acolhedora, com um bar, com funcionários a servir o bar ou não, e nós íamos ao bar e depois vínhamos para a sala de professores conversar.


Arquivos\2º Ciclo\Cecília

Isto… eu fui mãe em 1995 – 1993. Depois, foi muito interessante, porque eu entrei com oito horas na escola. No ano seguinte, fiquei novamente na escola de N. Tive, assim, a experiência mais fantástica – das mais fantásticas – da minha carreira, porque abracei também um projeto. Na altura, a presidente do conselho executivo era a Z., e propôs-me trabalhar no estabelecimento prisional de Custóias. Eu, na altura, tinha muito poucas expectativas, porque ouvia as colegas dizer: "Ah, porque o trabalho que se faz com os reclusos é assim um trabalho pouco aliciante, os reclusos vão à escola porque não querem estar muito tempo nas celas, não é assim um trabalho, pronto, muito interessante…" - foi exatamente o contrário. Eu estive lá dois anos e adorei, adorei o projeto. Os reclusos iam à escola e tinham envolvimento com os professores, com a sala de aula… foi fantástico, foi das experiências mais fantásticas que eu, ao longo destes 30 e tal anos de carreira, tive.


Arquivos\2º Ciclo\Constança

Mas tive histórias muito complicadas. Meninos com desequilíbrios emocionais gravíssimos, aspergers não medicados, não controlados, porque hoje aparecem nas escolas mas já estão minimamente controlados. Crianças que quando se irritam - porque não são percebidas pelos outros e têm o seu direito -, que são inteligentíssimas, mas que rapidamente passam do estado de amorfismo para uma bravura, que levam tudo à frente, que uma vez apanhámos um saltar o gradeamento, só tive tempo de o pendurar pelas calças. Pronto, coisas assim muito, muito, muito duras, em que me obrigam a perceber - obrigaram-me a mim e obrigam aos professores que estão no terreno - que nós precisamos de grandes apoios nas escolas que ainda não temos. Isso é que me abanou! Ajudou-me a compreender melhor as situações, porque isto são sempre aprendizagens, eu acho que vou aprendendo imenso ao longo da minha vida como professora . Eu ensinei muita coisa, mas também aprendi imenso. Conheci realidades muito boas, coisas muito bonitas, alunos brilhantes, alunos muito enriquecedores em termos pessoais e cognitivamente. Mas reconheci e conheci situações dramáticas que de alguma maneira eu tentei apaziguar e ajudar naquilo que pude, mas de uma maneira muito precária, porque o professor neste momento é psicólogo, é sociólogo e é tudo.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda

Tendo dado aulas em Alcains, a maior parte das crianças que iam para o seminário eram crianças provenientes do meio rural, os pais escolhiam o seminário não porque aquelas crianças tivessem propensão para um dia virem a ser sacerdotes, não é? Mas porque elas precisavam de escolarização e não havia, num meio pequeno rural onde viviam, uma escola por perto. Essas crianças tinham lacunas ao nível dos estímulos, da aprendizagem, portanto da abordagem dos livros e do vocabulário... E até das expectativas. O que é que eu vou ser quando for grande? Se calhar vou ser, como o meu pai, agricultor, criar gado, tratar da floresta, porque era o meio de onde eles vinham. Depois, num meio como Alcains, que era uma pequena vila, as crianças eram cordatas, as expectativas também não eram as melhores, mas eu também andei em Alcains, e eu tenho aqui o meu registo biográfico para não falar, em 83 e 84. Eles queriam, a maior parte deles não pensava em seguir para a faculdade, queriam ter um nono ano. Às vezes até queriam fazer só o primeiro e o segundo ano, na altura chamava-se primeiro ano do preparatório. E depois, se fosse necessário, iam para Castelo Branco continuar.


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Foi uma experiência difícil. Foi uma experiência difícil porque logo a seguir também tive outra experiência mais ou menos na mesma área, na escola R. E estas escolas são escolas que tem uma população de risco, alguns alunos de risco e foi difícil para quem começa.


Arquivos\2º Ciclo\Glória

Quando cá cheguei, não obstante de no liceu e na escola comercial já terem deposto os reitores, de os terem saneado, na escola preparatória E.E. não houve saneamentos, felizmente! Eu acho, felizmente! Os saneamentos foram uma coisa dolorosa! Pronto, a gente sabe que os reitores eram, às vezes, pessoas execráveis, execráveis. E autocratas e mandões, aliás eram postos nas escolas, não se diz postos diz-se colocados, eram colocados nas escolas e nos liceus e assim pelo ministério, portanto eles tinham uma função a desempenhar, e era uma função de educar para o sistema. E faziam! E alguns faziam da forma mais difícil, pronto eram aqueles tempos. Na escola para onde eu vim não houve saneamentos, o diretor era uma pessoa muito consensual, era um senhor, continuou connosco até se reformar nos anos 1980, era o doutor S., era uma pessoa muito consensual, as professoras e os professores gostavam muito dele, e, portanto, ele manteve-se na figura de, não se chamava diretor, não sei…


Arquivos\2º Ciclo\Iva

Era uma escola em que os professores ainda bebiam aguardente no bar da escola, de manhã, para aquecerem - a escola desconfortável ao máximo - porque hoje é uma escola nova, mas, na altura, era em madeira.


Arquivos\2º Ciclo\Joca

Isto para lhe dizer que a escola sempre foi, sempre teve uma tendência forte para entrar em projetos inovadores.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís

Vim depois trabalhar onde estou para esta escola. Nessa altura eu dizia, eu vim calhar no céu, isto é o céu, era uma escolinha, ainda não havia agrupamentos, cada escola era uma escola, uma com uma comissão executiva. Eu tive a sorte da comissão executiva eram como familiares meus, eram uma coisa... imagine que eu ia trabalhar aos sábados, se tivesse quem ficasse com os miúdos, eu ia trabalhar;


Arquivos\2º Ciclo\Orlanda

Estive em Valpaços que era uma escola – também foi no início da minha carreira – era uma escola muito longe, muito longe, professores que estavam lá de paraquedas todos os anos e no ano seguinte saíam, portanto, não havia continuidade nem nada, aquilo era ter uma escola aberta… na N.M., já estive quatro anos lá e estive dois anos no Conselho Diretivo, também. Já foi um bocadinho diferente, apesar do público que vinha para a N.M. ser muito dividido. Eram alunos que vinham dos bairros ali de Ramalde, e tal, mas, por outro lado, vinham alunos, também, da zona da Boavista e da Foz, portanto, ali havia públicos diferentes. Quando vim para Paredes, na altura, havia muito abandono escolar, muito, muito abandono escolar. Aliás, nós fazíamos turmas com 36, 37 alunos, porque sabíamos que muitos deles já não iam aparecer. Mas era assim a filosofia na altura. Mesmo aqui no Porto, na N.M., quando discutíamos a elaboração das turmas, púnhamos sempre muitos mais alunos porque sabíamos que eles não apareciam. E ninguém os ia buscar. Era natural.


Arquivos\2º Ciclo\Quitéria

A escola de N. sempre foi uma escola mal conceituada, porque foi construída ao pé do bairro T.D., que era um bairro onde ficaram os retornados. Foi construído para os retornados de Angola. Toda gente dizia, "coitada está na escola dos N., na escola dos pretos, como é que tu aguentas?". E realmente foi a minha escola, primeiro por que lá calhei e depois por opção, porque quis, porque realmente temos bons e maus alunos em todos os níveis de escolaridade, em todas as escolas e há bons e maus professores em todos os lados.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Depois tive experiências muito engraçadas. Aquela escola já tinha salas de disciplinas e tinha uma sala de História - que eu nunca tinha visto. Era uma sala muito bem equipada e muito bem decorada pelos professores que tinham estado lá antes - já era o quarto ano. [Na sala,] ao longo das paredes, havia [desenhos da] hominização. Na altura, houve problemas com o padre - já tinha havido nos anos anteriores. Não queriam que os professores de História falassem sobre o desenvolvimento do Homem na aula. Foi um bocado complicado. As coisas, depois, foram evoluindo. Nunca mais tive esses problemas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

Estive em duas escolas secundárias muito licealizada – quer em Paredes, quer a de Penafiel estava ligada ao Alexandre Herculano antigamente, ao liceu, e a de Paredes ao Garcia de Orta. E neste momento a mais licealizada é a de Paredes. É… eu diria que é a escola mais licealizada no sentido de… é uma escola que, que é de boas… que é gerida com critério, com sentido de humanismo, com um grande sentido de humanismo, com uma grande inteligência, e tentando retirar do… criando uma espécie de cibernética de tal ordem que retire tudo o que é burocrático da vida do professor. É muito difícil entrar em Paredes porque há pessoas de lá que não, nem para o Porto querem vir, porque é uma escola onde tudo está concentrado, muito, na sala de aula.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália

A Régua, por exemplo, para mim, foi uma agradável surpresa, porque sendo uma escola mais do interior, havia muito bom ambiente, colegas muito empenhados, alunos também muito empenhados, apesar de ter uma coisa engraçada... no início de cada ano letivo, já era sabido... na Régua, há muitas faltas, porque muitos meninos estão a trabalhar nas vinhas, na colheita de vinho do Porto e a fazer outros trabalhos, já era sabido. Foi uma agradável surpresa, porque fui encontrar esses meninos, mas também outros meninos... esses, também, empenhados, mas muito empenhados. Não sei… se calhar, também, porque não tinham muitas solicitações... na Régua não havia nada, tanto quanto me lembro, não havia um cinema… agora, também, continua a não haver, mas, pelo menos... já há para lá outras coisas, outras solicitações, outras formas de ocupar o tempo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amélio

É difícil de entrar no meio, mas quando se entra, pega-se. Aquilo cola-se. Portanto, os amigos são verdadeiros. Ainda hoje são meus amigos. Mas nunca mais lá voltei. Portanto, então, em vez dos dois ou três anos, prolonguei, por gostar de Bragança, por me ir habituando ao meio. A entrada em Bragança é difícil. No interior é muito diferente, uma cidade do interior de uma cidade do litoral a que eu estava habituado; é outro mundo, é outro Portugal. E é uma experiência que também nos faz bem. Conhecer o interior, a realidade, a realidade do interior.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora

Acho que o Ministério da Educação gastou muito dinheiro sem ser preciso! Havia necessidade de alguma intervenção mas não àquele nível. Segundo ouvi dizer aqui na escola E. N., até quadros de pintores compraram candeeiros de lustre, isso é um disparate! Isso é um disparate! Mas pronto, nisso nós já não temos intervenção, a esse nível. Não concordo com muita coisa que se fez. Intervenção para persianas, para portas, janelas, tudo bem, agora fez-se muita coisa que não era necessária.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana

No Liceu de Queluz fui muito bem recebida, até porque tive uma professora minha. Eles trataram-me cinco estrelas. Eu era a primeira a escolher o horário. Eles pediam-me ajuda para tudo, para fazer visitas de estudo para aquilo que eu sabia...mas também ajudaram-me muito na escolha do horário e facilitaram-me muito a vida. E não, não, não tive qualquer...porque estava sempre "em casa" com os alunos, estava nas aulas...estava sempre na boa. Nunca tive problemas e tive à noite também. Mas passou sempre tudo de uma forma pacífica, apesar de toda aquela turbulência eu tinha capacidade de gerir toda essa turbulência e de alinhar com eles, muitas vezes, a fazer asneiras.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila

Mas sim, normalmente tinha um nível socioeconómico relativamente alto, mas também havia gente, alunos de bairros camarários, e portanto havia uma certa mistura, embora predominassem realmente uma categoria de alunos que pertencia à classe média alta, classe média - eram profissionais liberais, engenheiros, médicos, etc.. E muitas vezes os grandes problemas do H. eram os pais, não eram os alunos


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia

Deixe-me dizer-lhe uma coisa para ligar à parte experimental. Eu gosto de fazer experiências, gosto muito de fazer coisas, gosto que se façam projetos. Eu voltei para a escola, para a Escola Q.B.X. A Escola da D.V., onde eu era efectiva, fechou. Fechou no ano em que eu voltei para a escola e todos os professores foram distribuídos. Quase todos os professores foram para a escola Q.B.X. Isso foi uma alteração. Eu não estava habituada a uma escola que tivesse desde o 7.º ano de escolaridade. Temos que ver que, também, isto não era mau, era uma questão de hábito. Ter de lidar com meninos mais pequeninos, eu, se calhar, não sei bem.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César

As pessoas do continente [que estavam] lá, eram professores que tinham habilitação. A maior parte dos [professores] de lá teria o 11.º ano. Portanto, digamos assim, os quadros superiores da ilha da Madeira eram os professores do continente, era o pessoal médico e o pessoal de finanças. Eu lembro que em Santana, eu falava muito com o meu vizinho, que era o chefe de finanças, que era do continente, e aquilo era um bocadinho visto, assim, à parte. Quer dizer, eram pessoas que iam tirar o lugar a outros de lá, porque lá não havia Universidade, na altura. Eu estive lá três anos, portanto, isto em 1986-89. Só depois é que havia no Funchal uma Escola Superior de Educação, que era uma dependência, penso eu, não sei se era de Lisboa. Ainda não havia a Universidade da Madeira.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico

Pois depois dessa, para onde é que eu fui? Depois dessa, fui para a margem sul. Uma escola (para ver como as coisas da educação física são frágeis) que não tinha instalações cobertas, mas todas as salas de aulas tinham uma bancada para pôr os xxx. Imagine. O que tinha acontecido? O ministério arranjou um modelo de escola sueco e copiou integralmente. Portanto, havia uma bancada em cimento. Não havia dinheiro para fazer as instalações de educação física, mas houve dinheiro para meter uma bancada em cimento para os xxx. No Feijó. E pronto. Quer dizer, depois, nesse mesmo ano, fui para outra escola.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda

Eu andei por sete escolas, mas fazendo esse preâmbulo. Eu vou para fora de Lisboa, por falta de condução na escola. Vou para a Sobreda da Caparica com todos os encargo, a logística - que não havia. Havia um autocarro de manhã que passava cá em cima na subida. Era uma escola em pavilhões, cedida por uma empresa que tinha algumas construções à volta, de moradias. A Sobreda não era nada, era campo aberto. Tinha sido uma contrapartida de criar ali uma escola e nós funcionávamos - como não havia transportes - em regime de boleias a partir da Praça de Espanha, cinco elementos e cada semana levava um o carro. Isso obrigava-nos a entrar no primeiro tempo da manhã e sair ao último tempo


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana

Depois, fui para a escola secundária, fomos inaugurar a escola secundária - ali 'chovia se Deus a dá'. Tínhamos que atravessar um lamaçal, era mesmo lama.

Entrevistadora: Onde era essa escola?

Joana: Em Vila Pouca. Os carros não iam, porque ficavam atascados. De modo que nós levávamos umas botas para sair do carro e chegar à escola. Depois, mudávamos de calçado. A escola ainda não tinha nada, não tinha bufete, não tinha café, nada. Nós levávamos de casa. Eu lembro-me que levei nesse ano seis chávenas de café e pires, aquelas que íamos comprar de pirex, [de cores] castanhas, uma coisa que se usava na altura. Outros levaram um prato, os outros levaram uma cafeteira para comermos alguma coisa a meio da manhã, para nos aquecermos.

Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara

É assim, a minha escola é uma escola pequena. Nós somos muito democráticos, na minha escola. Somos um grupo pequeno, somos quatro. E a verdade é que cada um tem um perfil específico. Isso também ajuda. Há quem goste de terceiro ciclo. Há quem goste, por exemplo, de estar na escola EB em vez de estar na escola secundária. E isso tem ajudado. Agora, é assim, eu sou a mais velha do grupo, mas há práticas na minha escola que o mais velho escolhe aquilo que quer. No meu grupo, não é assim. No meu grupo é assim: se eu puder continuar com o secundário, eu digo sempre aos meus colegas, ‘Vocês, se vocês efetivamente ficarem com outros níveis, eu gosto de ficar com o secundário e gostaria de continuar’. E então, o ponto de partida é sempre esse, sendo que pegamos no décimo e levamos até ao 12.º, sempre.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana

Também acho que [no colégio] ninguém se importava muito com isso, desde que os miúdos estivessem no horário e estivessem ocupados a fazer qualquer coisa dita de Educação Física. Pronto, eu sabia que tinha que fazer ginástica e jogos educativos. Até aí eu sabia. E agora? Qual era o objetivo? Como é que se faziam progressões pedagógicas? E andava com as fichas atrás de mim para ver os exercícios que podia ou não fazer.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia

A nossa escola tinha muito bom nome em termos de Ensino Secundário, era muito forte na Economia, há já vários…o M. foi nosso aluno… vários, que são assim, hoje, alguns craques por aí, ou dizem que são, não tenho a certeza absoluta, mas foram, pelo menos ganharam…


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria

Agora, eu acho que o que se acrescenta valor na escola é os orientadores que, de facto, têm de ter peso no seu grupo porque têm de trabalhar com o seu grupo dentro da escola e com a escola porque todas essas valências estão ali no âmbito da escola...


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde

Sim, só estive 3 anos fora. Ora bem, a nossa escola era uma escola situada numa zona bipolarizada, se quiser, uma zona com filhos de doutores, da Foz, de Nevogilde e outros meninos dos bairros camarários, está a perceber? Portanto, dentro da aula eu nunca senti essa divisão, nunca senti. Mas fora da aula, por exemplo, nos recreios, os meninos da Foz iam para a escadaria, os meninos dos bairros iam para outro lado, está a perceber? Portanto, não sei, era uma coisa que era assim. Eu pelo menos, a gente fazia o possível mas não se podia ir lá meter "oh meninos".


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo

E era muito engraçado porque, por exemplo, as funcionárias da escola tratavam-nos como se nós fôssemos miúdos pequenos, a querer mandar em nós. Aquilo foi um choque muito grande ao princípio, para todos nós. Porquê? Porque as funcionárias estavam habituadas a ter jovens pessoas que vinham dar aulas com oito disciplinas, vinham de Lisboa, vinham das faculdades e iam ali ganhar um dinheirito e pronto. E portanto, aí a experiência também é no trabalho com colegas... eram dez pessoas que estavam deslocadas de casa e que se juntavam à noite, nomeadamente para trabalhar, fazer os trabalhos, produzir material, fazer trabalho interdisciplinar. Na Praia do Ribatejo havia tempo, as pessoas não tinham as famílias, não tinham nada


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Teresa

O ambiente na escola, professores, eu acho que era muito melhor do que agora.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita

As carteiras todas encostadas, eles só podiam passar para as carteiras por um lado… isto é para ver as condições em que nós trabalhámos, a três km de Braga! Eles para irem ao quadro, muitas vezes, furavam por baixo da… para não passarem, por baixo das mesas, olhe, foi assim uma coisa para… Depois, primeiro ano, eu comecei a bater, coisa que eu até tenho vergonha de dizer isto, mas eu não consegui metê-los em ordem. Depois, acontecia-me… acontecia-me outra coisa, é que como aquilo era tudo desgovernado, havia alunos do segundo ano que gostavam menos da diretora de escola, e como as duas tínhamos segundo ano, apareciam-me também na minha sala. Quer dizer… aquilo era… olhe, depois, tínhamos aqueles livros todos de registo, de caixa escolar. Eu não conseguia pôr nada… olhe, era tudo… foram dois meses que se eu pudesse apagar da minha… mas, os miúdos até gostavam de mim, que vinham para a minha sala, não iam para a outra…


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta

A população, lá no Liceu, na Escola AG, é uma população…pronto, não é demasiado problemática - agora não sei, mas naquela altura não era muito problemática: havia problemas, como sempre, mas não era demasiado problemática. Eu, como Delegada, também fazia parte do Conselho Pedagógico, não é? Também tinha de ir às reuniões do Conselho Pedagógico. E não me recordo de haver assim uma quantidade imensa de problemas graves. Havia, mas pronto.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio

É de facto uma escola muito acolhedora. O diretor, na altura, na altura presidente, era muito dinâmico. Apoiava tudo o que era projeto. Ele apoiava e isso também ajudava muito. Isso ajudou imenso e o grupo também era bom.


Arquivos\Pré_Escolar\Adelaide

Continuo a dizer que o jardim de infância de Entre Cancelas é o melhor do mundo.... (risos) é um jardim bom... e eu estou bem. Os meninos que lá estão, estão bem, as famílias estão bem... ainda agora na reunião de final de ano foi muito gratificante... tudo aquilo que foi dito acerca do jardim.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa

Mas chegando cá fora, perante uma nova realidade, era uma realidade completamente diferente. Falta de materiais, escolas muito pobres, muito pouco equipadas. Eu tinha que levar o material que eu tinha na altura. Comprei, adquiri sobretudo a nível da disciplina de Matemática, Cuisenaire, aqueles materiais todos com que trabalhávamos, adquiríamos e levava. Como eram grupos pequenos, eu acabava por me remediar razoavelmente com os meus materiais. Mas eram escolas muito pobres, sem auxiliar. Lembro-me na Ponte do Abade, também era um grupo muito reduzido, não tinha auxiliar. Tinha uma senhora que apenas ia lá no fim do dia limpar a sala. Aquilo era uma estrada com muito movimento. Eu tinha pavor de chegar um minuto atrasada com receio que alguma criança fosse apanhada na estrada dentro da minha componente letiva. Portanto, deparei-me com uma diferença muito grande, lá comecei a adaptar-me bem, pronto e lá arranjava umas prateleiras, livros dos meus filhos, mas no início não era fácil.


Arquivos\Pré_Escolar\Arminda

No ano seguinte, no ano passado, porque já houve 27 meninos, já foi desdobrada a turma, já tive uma colega na outra sala, eu sentia-me perdida porque faltava-me aquele alvoroço que uns puxam os outros, tinha 13 crianças, parecia que não tinha nenhuma lá dentro, foi engraçado, foi engraçado.


Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda

Acho que a escola tinha muito boas condições. Era um edifício da escola do primeiro ciclo e, já nessa altura, a tendência era para diminuir o número de alunos, com duas salas. Uma sala foi convertida em sala de jardim de infância. As primeiras salas em que eu trabalhei eram todas assim - eram todas salas adaptadas de salas de primeiro ciclo da construção do tempo dos centenários. Ali tinha uma particularidade que era um espaço exterior muito agradável. Tinha um espaço exterior muito grande, maior do que a maioria das escolas. Só tínhamos uma turma também de primeiro ciclo. A colega que lá estava, já lá estava há muitos anos, era muito acolhedora. Muitas das coisas que eu às vezes precisava, e que não tinha - a colega que lá tinha estado, tinha estado pouco tempo ou as verbas nunca chegavam e tínhamos que ir à juntas de Freguesia - a colega também disponibiliza todo o material que era preciso. Acabava por ter muito boas condições. Mas tinha aquilo que todos os jardins de infância tiveram durante muitos anos, que era a criatividade dos educadores. Criatividade para começar a fazer as áreas - os chamados cantinhos das salas. A maior parte deles [dos educadores] não tinham mobiliário. Agora a gente olha para os catálogos e mobiliza o jardim de infância com tudo e mais alguma coisa.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar

Se eu me reformasse aos 58 anos meu plano era fazer o doutoramento, nem que fosse só para satisfação. Para ficar a saber mais um bocadinho e mais um bocadinho, nem que seja para depois informar aquelas que querem acreditar naquilo que eu digo, há pessoas que a gente fala e não acreditam... " Ah isto... têm a mania que são doutoras" isso fazem-me a mim... Ainda se acredita muito pouco nos conhecimentos dos mestrados e doutoramentos porque "a gente tem sempre a mania que é"... eu nunca puxei das divisas, não é, eu nunca disse tinha mestrado, nem nunca nada, porque senão era comida viva, só mostrava o meu conhecimento nas reuniões, na forma como falava, na forma como escrevia.


Arquivos\Pré_Escolar\Noel

Portanto isto em 85/86. Bom, ir para o Alentejo para cuidar de crianças pequenas, eu sabia que isso era uma violência cultural muito grande, no Alentejo então isso é coisa que cabe às mulheres e não aos homens. E, portanto, eles diziam que o professor é maluco ou invertido [risos].


Arquivos\Pré_Escolar\Olga

E era um jardim infantil unitário. Funcionava numa dependência da Junta de Freguesia. Nem sequer era um espaço próprio para jardim de infância. E eu cheguei ao jardim de infância, lá perguntei onde é que era, fui à Junta de Freguesia, portanto era 30 de Setembro. E aquilo ficava numa zona, num bairro ali daquela vila, daquela aldeia, aquilo nem sequer era vila. E eu lá estive dentro a ver os papéis que a minha colega tinha antes, o que é que tinha que fazer. Verifiquei tudo o que havia de material, e o que é que não havia. E depois fui-me embora para o carro e vim-me embora.


Arquivos\Pré_Escolar\Rita

Era tudo muito pobre. Os jardins de infância também estavam agora a começar a surgir. Não havia quase nenhum. A rede oficial era diminuta. Não havia nada, a meu ver. As únicas saídas eram privadas ou eram IPSS. Aquilo era tudo muito pobre, era tudo para crianças pobres, não era com fins lucrativos e, portanto, havia muito pouco dinheiro para apetrechar salas. E o que é que era? Olha a casinha das bonecas, etc., foi toda feita por um cunhado meu - já foi feita para o meu estágio - e levei-a para lá, pois quando lá cheguei a sala não tinha. Era tudo feito por nós, estantes. Havia poucos livros. Nós tínhamos que construir até alguns ficheiros de imagens, com muitas imagens de revistas.


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

Aliás, a sala era o hall de entrada do primeiro ciclo, fizeram ali uma parede, dividiram o hall e eu ficava ali num cantinho. Muito frio, porque aquela divisão nem sequer ia até o teto, era meia parede só para fazer a divisão mesmo, e foram condições... foi um desencanto, isso foi. Fiquei até doente, porque me sentia isolada, muito desmotivada.


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia

A escola para onde eu fui era ótima. Tinha quatro anos, com 11 turmas de primeiro ciclo, com três [turmas] do pré-escolar. Parecia um colégio! Com ginásio, com biblioteca. Parecia e parece, ainda hoje é assim. Com imenso material, com uma sala com computador, com datashow. Eu estava onde queria (risos). Estava com um grupo de pais muito semelhantes ao do Colégio do X. São pais, empresários, na sua maioria, que moram ali nos arredores. É a Charneca da Caparica, Quinta de S.T. Durante muitos anos, a escola ficou conhecida como Escola de E.T. Só depois é que passou a ser escola Q.N.F., dentro do agrupamento de escolas E.T. Portanto, parecia que tinha só mudado de instalações. Em termos de trabalho de equipa, completamente diferente. Eu senti que não falava a mesma linguagem. E logo, no ano seguinte, a coordenadora de departamento demite-se [do cargo] de coordenadora. A mãe dela estava a passar um mau bocado. É a minha colega M.M. Ela também é uma pessoa giríssima

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