Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Sobre o Sistema Educativo, Correções

I

Visões sobre a organização e a qualidade do sistema educativo expressas ao longo da entrevista


Arquivos\1º Ciclo\Abel

Quando eu fui entrar ao serviço, a minha mulher já tinha lá estado dois anos antes. Ela ainda lá estava, mas já tinha ido antes - estava lá há dois anos. Eu disse: "Hoje venho aqui entregar o meu alvará". Era um papelinho que nós entregávamos para dizer que tínhamos sido colocados lá. "Mas olhe, eu não venho para aqui trabalhar. Eu estou a trabalhar na Educação de Adultos". O senhor diz: "Mas na Educação de Adultos também se trabalha?". Porque a Educação de Adultos tinha essa imagem. Tinha a imagem de que eram pessoas que iam para lá para fazer carreirismo político, para não trabalharem, para não darem aulas, para venderem seguros, etc.


Arquivos\1º Ciclo\Anita

Anita: Foi muito complicado, porque nos juntaram com outra escola onde os livros eram diferentes, onde as normas eram diferentes, as nossas reuniões eram horríveis, não nos entendíamos, mas pronto, mas foi... foi difícil, também, juntarmos as várias escolas num agrupamento só. Passei também por isso... durante uns anos, foi complicado acertarmos. Mas praticamente não estive no ensino – acho que se chamava agrupamento vertical. Depois passou para os agrupamentos… como é que se diz? A minha escola é do agrupamento J. Q., que é uma grande escola. Mas as reuniões eram muito difíceis... os livros não batiam certo, uns tinham uns livros, outros tinham outros… eram sempre muito complicadas as reuniões. Mas, como eu disse, eu tenho passado pelas mudanças todas e cá vamos andando, cá vamos conseguindo superar estas coisas, com muita união entre nós, que é o que me vale na minha escola, é o espírito de entreajuda.


Arquivos\1º Ciclo\Bruna

já tínhamos sido todas as colegas no terreno. Nós as três também nunca nos esquecemos do que era estar no terreno. Hoje em dia, os agrupamentos verticais o que é que têm? Têm como diretores professores do secundário, que não têm ideia nenhuma do que é a relação dos meninos do 1.º ciclo [do ensino básico]. Só para lhe dar um exemplo, nós já desde de outubro que não temos papel para fazer fotocópias, somos nós que compramos.


Arquivos\1º Ciclo\Carmina

Mas eu confesso que, para as pessoas que estão agora a iniciar ou mesmo a meio de carreira, as coisas não estão nada fáceis, progressões de carreira... Há muito trabalho burocráticos nas escolas que nos ocupam muito tempo - aquele tempo que é precioso para nós prepararmos as aulas.


Arquivos\1º Ciclo\Filipa

A professora do apoio não tem tanto trabalho burocrático nem tem tanta responsabilidade em relação aos alunos: digo isto no que respeita à planificação para a turma, à adaptação da planificação às dificuldades da turma, à avaliação dos alunos…essas responsabilidades já estão um pouco diluídas, quando nós somos professores do apoio.


Arquivos\1º Ciclo\Gaspar

Convém cada ministro fazer alterações, mas já estamos aqui meio perdidos.


Arquivos\1º Ciclo\Gisela

Eu acho que agora, embora a gente fique ligada aos miúdos e conhecemos os pais, contatamos os pais, mas é totalmente diferente. Eu acho que nestes, sei lá, dez, 15 anos foi uma mudança total no ensino. Poderá ter coisas boas, não é? Mas eu acho que na questão de convivermos com eles, de nos aproximarmos mais deles, de conhecermos a vida deles... era antigamente, isso era nos tempos em que começamos a trabalhar.


Arquivos\1º Ciclo\Ilda

E eu comecei a perceber que ”mas isto não é nada do que a gente… quer dizer, não é nada do que está idealizado, isto é a subversão do projeto”. E portanto, eu tomei a decisão, logo em dezembro, que não ia continuar. "Isto assim não quero". E lembro-me que, na altura, a chefe de gabinete do Ministro Marçal Grilo era a M.J.R. A M.J.R, sócia fundadora do Movimento, e do G.N.Q. E ela nem sabia que eu estava ali naquele projeto, nós funcionávamos no oitavo andar da 5 de outubro, e dependíamos do gabinete do Ministro, porque ainda não havia uma estrutura e eu quis falar com ela para lhe explicar porque é que me ia embora, porque não queria continuar, porque não sei quê. E é muito interessante perceber que os Ministros, os chefes de gabinete não têm autonomia! Ali quem, de facto, sustenta aquela máquina, são os quadros intermédios, e aquelas secretárias eram uma barreira de ferro. Não me deixaram falar com ela, pura e simplesmente.


Arquivos\1º Ciclo\Inês

O que notei foi muita burocracia, muito papel, muito escrever, muito passar para o papel e, muitas vezes, as coisas, na prática, acabavam por não resultar, e as pessoas aborreciam-se, às vezes, de tanta coisa… antes era tudo mais fácil. Tínhamos mais liberdade para fazer as nossas coisas sem nos estarem impondo. O projeto curricular de turma, o projeto curricular de escola, o projeto curricular de não sei quê… acabávamos por fazer isso em conjunto, em grupo, por necessidade nossa, porque achávamos que era importante trabalhar em grupo, [mais] do que depois quando nos impunham as coisas. Eu preferia antes.


Arquivos\1º Ciclo\Irene

A carga burocrática aumenta de ano para ano. As pessoas continuam a dizer que a carga burocrática é muito grande. Há reuniões, reuniões consecutivas todos os dias. Há uma avalanche de projetos que chegam, de propostas de atividades que chegam aos agrupamentos, às escolas, umas vindas do ministério, outras vindas das câmaras, outras vindas de empresas, de vários sítios que chegam às escolas como propostas para as pessoas fazerem, não é? E muitas vezes as direções dos agrupamentos são recetivas a essas coisas, o que enche muito de trabalho dos professores. E desviam-nos também um pouco das discussões mais do foro pedagógico, que são tão necessárias.


Arquivos\1º Ciclo\Isadora

Gosto menos agora, sinceramente. Eram outros tempos. Era um tempo mais calmo em que tínhamos tempo para ouvir os meninos e para os deixarmos fazer as coisas, os trabalhos com mais calma, ao ritmo deles. Não era "Despacha-te! Anda lá.". Os programas eram mais curtos. Portanto, havia tempo. O que me falta agora é o tempo, realmente. Mesmo para os colegas, mesmo para estarmos uns com os outros. Andamos todos sempre muito agitados, muito apressados. Temos sempre muitas coisas para fazer. Falta-nos esse tempo.


Arquivos\1º Ciclo\João

E, sem dúvida nenhuma, se calhar mais eficiente. Isto dos agrupamentos. Temos que perceber que, do ponto de vista da gestão dos recursos, sem dúvida nenhuma que se gere melhor os recursos. Agora tem que ir para aquela turma porque o colega faltou, por estarmos à espera de uma colocação. Isto não há dúvida nenhuma que a este nível as coisas são muito mais funcionais. E ainda deviam ser mais. Ainda havia a possibilidade de os meninos não terem que ficar à espera. Ou seja, a coisa não está a funcionar bem, claramente, eu sei. E quando lá estava também não funcionava bem. Para os meninos que necessitam de apoio, deveriam ter esses apoios garantidos. Quem tem mais dificuldades são os próprios miúdos da turma. Portanto, aqui devia haver uma maior celeridade. Não sei muito bem como é que era, mas devia haver uma bolsa mais credível em que se pudesse vir buscar o professor. Penso que é possível. Mas do ponto de vista dos agrupamentos, tem esta grande valência. Gerirem melhor os recursos quando o cobertor é curto. Vamos vendo as coisas de várias maneiras, porque o prisma tem várias faces e as coisas têm que ser vistas de várias maneiras. E com várias lentes também.


Arquivos\1º Ciclo\Mara

Tenho, porque se tiver mais dez anos, eu entrei agora no 9º escalão, portanto, são mais 4 anos para entrar no 10º. Apesar de saber que já não vai valer muito, porque para uma aposentação, como a gente sabe, a carreira contributiva vai toda ser contabilizada. Quantos mais anos tiver nos escalões de topo, melhor será o vencimento de uma aposentação. Eu só entrei agora no 9º - e, penso eu, das pessoas que eu conheço, que sou das pessoas que entrou mais cedo, da minha geração, no 9º escalão, porque, de resto, está tudo abaixo. O que é muito complicado, porque se daqui a quatro anos entrar no 10º escalão terei 61. Para efeito de descontos, neste escalão, cinco anos…ou seja, a carreira contributiva que vai pesar mais vai ser aquela até ao 7º escalão.


Arquivos\1º Ciclo\Marlene

Não tem comparação. Por exemplo, uma pessoa que esteja em monodocência - mas já há poucas turmas em monodocência - consegue levar o assunto de português para a matemática, da matemática para o estudo do meio. É uma interdisciplinaridade obrigatória ou forçada. As coisas saem normalmente. Agora não. Tu dás inglês, tu dás a tua matemática, tu dás o teu português.


Arquivos\1º Ciclo\Mónica

Porque, por exemplo, eu tenho cinco horas de dispensa da componente letiva e as escolas esqueceram-se que não é só dar aulas. A escola não é só dar aulas. E o que cada vez mais nós vemos é escolas para dar aulas, cadeirinhas umas atrás das outras, porque até se puseres em grupo, ou em U, que era pôr uma turma em U, no início da minha carreira, era a coisa mais corriqueira que havia. Hoje em dia é uma revolução que tu não imaginas, que anda tudo nabos e nabiças outra vez, uns atrás dos outros, nabos e nabiças. Estamos a voltar atrás, acho eu.


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Não é o Crato em si. Hoje sei o que o Crato representa. Representa uma maneira de olhar para a educação. E esta é uma deriva neoliberal muito centrada nos rankings, isto influencia aquilo que se passa nas escolas, esta questão do controlo. Todas as tecnologias tanto podem ser usadas para colaborar e para produzir coisas interessantes ou podem ser utilizadas para controlar. E existe muito esta ideia de que tem que se controlar tudo. Eu própria colaborei nisso e me culpei quando estive no Ministério da Educação. Não é que as pessoas têm que mostrar evidências de tudo o que fazem, dá-se recursos às escolas então vamos lá mostrar como é que esses recursos são usados. E estas coisas não são lineares, não se pode estar sempre a pedir às pessoas para mostrar como é que usam os recursos. Leva tempo, não é? Tem que se ter paciência, tem que se trabalhar com as pessoas.


Arquivos\1º Ciclo\Nélia

Se não se sabe sentar ainda, a culpa é da educação pré-escolar; se vem mal comportado da educação pré-escolar também é de casa, porque em casa, não sei quantos. E, depois no segundo ciclo foi porque no primeiro ciclo não fizeram bem. E então, nessa altura, havia de facto algumas lacunas, porque cada ciclo acaba sempre por ser uma quebra, por todos os motivos e mais alguns. Primeiro, pelo nível de vocabulário que é exponencial em termos, mesmo em termos de matérias, em termos da maneira, eu penso que dado da maior parte, pelo menos dentro daquilo que conheço e das colegas com quem partilhamos conversas e informações. E nós, a nível de primeiro ciclo, temos sempre o cuidado de sistematizar mais, de levar as coisas mais devagar, tendo em atenção o tamanho das crianças, a sua maturidade, enquanto que depois nos outros ciclos, já nem tanto agora. Mas aqui há uns anos a esta parte, o que se pretendia era que eles não fossem, não se comportassem como crianças, se comportassem como adultos em miniaturas em que entravam na sala caladinhos, tinham que ouvir e convinha que nem sequer se virassem para atrás, porque já era uma forma de perturbar. Isto há uns anos, não é? Já não é tão recente assim, e, agora, desde a entrada deste decreto do 54 e do 55, que tem a ver com a educação inclusiva. Nesse aspeto as coisas têm melhorado um bocadinho, apesar de eu notar que também nos tem trazido muito mais documentação. Muito mais documentação porque tem que ficar tudo registado porque é assim, de alguma forma, também estamos sempre preocupados. Porque há uns anos a esta parte os alunos podiam ficar retidos, agora continuam a poder ficar retidos, mas são as exceções, etc. e nós, como professores, tentamos tudo e mais alguma coisa, de maneira que a criança não fique retida. Mas o que é que acontece? A primeira coisa que fazemos é tratar dos papéis. Os papéis também são necessários, mas é preciso investir na criança. Vamos primeiro ao papel e depois logo se vê criança. A criança está lá!


Arquivos\1º Ciclo\Olívia

Nós, lá na escola, somos um corpo que já lá está há alguns anos e já trabalhámos em conjunto há alguns anos. Mas, mesmo assim, é verdade que eu também sinto que não há tanta partilha como havia antigamente. Na minha opinião, acho que se perdeu muito com o alargamento, com os mega agrupamentos, como nós funcionamos agora.


Arquivos\1º Ciclo\Roberta

E o que eu acho é que em relação a isso, nós nessa altura que eu estava a dizer, que foi em 1994, nós tínhamos uma relação muito próxima dos pais e tínhamos os pais na escola e tínhamos os pais connosco. E de repente, quando entrámos em agrupamento, quando uns anos mais tarde entrámos para o agrupamento, a primeira coisa que a direcção fez foi expulsar os pais, não permitir que os pais entrassem na escola. Eles iam buscar os alunos à sala, isto era vulgaríssimo, durante anos isto aconteceu, e a primeira coisa foi proibir os pais de entrarem na escola, portanto, só entravam se fosse haver uma reunião com professores. Em relação à associação de pais, também foi uma entrada muito abrupta, porque eles tinham um espaço dentro da escola. Pronto, era tudo de boca, mas tinham um espaço que nós lhes dávamos, que nós cedíamos para eles desenvolverem atividades e tiraram-lhes esse espaço, enfim, foi assim afastarmo-nos dos pais! É sermos forçadas a afastarmo-nos dos pais. E depois, claro que houve a revanche, os pais ficaram descontentes. Foi um bocadinho afugentar os pais. Neste momento, até há bem pouco tempo, a relação com os pais era conflituosa na minha escola, uma coisa que nunca foi. E neste momento, estamos outra vez, felizmente, a recuperar os pais e a ter uma ligação mais chegada e mais ativa com os pais, o que me agrada muito, porque é assim que eu vejo a escola.


Arquivos\1º Ciclo\Zacarias

Depois a escola a tempo inteiro também acho que veio causar muito transtorno. Principalmente aos miúdos. Olhe que ainda não estávamos em agrupamento - estou agora a recordar-me - e tive uma miúda no quarto ano que me disse que estava a ficar farta, e eu "então farta porquê?", "porque já não tenho tempo, venho da escola" - e naquela altura tínhamos a escola normal - " tenho os escuteiros, tenho mais não sei o quê", portanto, já andava cansada. E eram coisas facultativas, não é? Imagine agora que há miúdos que entram na escola às 07h30 e saem de lá às 19h, no mesmo espaço. Muitas vezes no mesmo espaço! É uma violência tremenda. No princípio do ano, quando as mães me perguntavam "Professor então até que hora é que quer que ele fique?", eu "olhe a senhora já reparou que o seu filho tem um horário na escola superior ao seu no trabalho?". As escolas estão a virar um bocado armazéns, para mim. Quando passou para agrupamento, quando passou para agrupamento!


Arquivos\2º Ciclo\Alda

Foi acontecendo gradualmente, lentamente. Nós começamos a ter essa sensação quando nos começaram a meter muita burocracia - eu agora não sei situar os anos. Quando começámos a passar quase mais tempo a fazer os PIT e essas coisas assim, depois a fazer por objetivos e depois por competências - ou ao contrário já nem sei. Trocavam-nos as voltas e começámos, portanto, naturalmente, a descurar o outro aspecto. Foi uma pena.


Arquivos\2º Ciclo\Carmo

É tu veres isto tudo um bocado a descambar. O modelo de avaliação é para esquecer. Eu vejo situações de elevada injustiça, de pessoas excelentes que estão a ser penalizadas na avaliação, porque há avaliadores que dizem que não estão para se chatear e dão 10 a tudo. [Dizem:] "Quero lá saber disto, dos critérios, não me pagam para isto". Ponto final. Imagina, pessoas que até têm 9,2 e que são excelentes, mas depois não conseguem ter quotas. Não vai haver professores - na minha escola não há professores de História! Isto é ver a escola a morrer, um bocado também como o sistema de saúde, apesar de ele ser um dos melhores do mundo. Tu estás a ver o que é que está a acontecer.


Arquivos\2º Ciclo\Cecília

Se olharmos para uma escola, tudo funciona, em termos disciplinares, em termos de departamento - começa tudo aí - em gavetinhas. Não pode ser assim, as coisas têm que sair das gavetas e têm que tomar outra forma, porque ao estarem balcanizadas em gavetas acabam, obrigatoriamente, por estar fechadas. Portanto, por essa articulação não conseguir ser na sua plenitude... o departamento de Português acaba por se fechar nele mesmo, o departamento de Ciências Sociais e Humanas acaba por se fechar também…


Arquivos\2º Ciclo\Constança

O desgaste que nós tivemos com o abraçar de todas aquelas escolas... como hoje, com os megas agrupamentos, é outro drama.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda

A escola tem que acolher esta gente, como agora tem que acolher todas as crianças de educação inclusiva, mas esses não são o problema, são mais os problemas dos meios sociais mais debilitados, todos ralham e ninguém tem razão, é mesmo isso.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima

Nós não levamos nada quando formos daqui”. E hoje posso gozar os meus netos, os meus filhos…e voltei. Vivi em Leiria enquanto trabalhei, depois de casar, e, entretanto, herdei a casa dos meus pais, que é em uma vila, mais ambiente de campo, tem um jardim, um quintal, e vêm os netos e é uma festa e não estou arrependida. Mas, na altura, senti-me injustiçada porque trabalhei, deu-me imenso gozo, mas trabalhei em muitos projetos, trabalhei muitas horas, muitos fins-de-semana, muitas noites e penso que a função pública tem isso, ou seja, é tudo medido pela mesma medida. E às vezes é um bocadinho duro.


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Eu penso que agora esta janela da articulação, da flexibilidade e da autonomia dói… Dói muito porque é fazermos nós, é gerirmos nós o currículo, é gerirmos nós as possibilidades e, na maioria das escolas não pegam, queima… (Risos). Por que queima? Porque não é prescritiva, porque temos de ser nós a criar e as escolas fogem muito dessa flexibilidade embora, na minha escola, tem alguns pergaminhos nessa matéria, mas não é fácil. Tem sido um caminho muito difícil… O caminho da articulação e da flexibilização e do trabalho colaborativo, partilhar a sala de aula, as portas abertas.


Arquivos\2º Ciclo\Glória

Eu tive sorte – eu tive muita sorte, sempre! – naquele tempo, portanto 88, eu entrei em 88, estava no ministério o extraordinário, o imenso Roberto Carneiro! O melhor ministro que nós tivemos desde o Veiga Simão! Uma coisa! Um senhor! Um senhor sabedor, não era só um senhor, sabia daquilo e tinha um jeito para falar, era realmente um encanto e sabia imenso. E fez aquelas coisas maravilhosas, foi com ele que começou as Ciências da Educação em Portugal, pronto com aquele grupo dos documentos preparatórios que foi do melhor que se fez em Portugal. Daí para cá tem sido sempre a descer [risos] desculpe, isto são juízos de valor que eu não devia fazer mas é aquilo que eu sinto.


Arquivos\2º Ciclo\Iva

Sabe que há numerus clausus, portanto, para aceder a determinados... Digamos que as pessoas estão tão distantes, a maior parte, umas das outras como há 43 anos, quando eu iniciei, por outras razões. Consideravam-se mais velhos e, portanto, com outro estatuto. Hoje isso não existe. Mas, entre a média dos professores, que hoje é tudo de meia idade, não há professores muito jovens, vejo que há ali um certo desconforto entre eles. Isto é incrível.


Arquivos\2º Ciclo\Joca

Os agrupamentos foram um passo de gigante, quer na melhoria de imensas questões, quer do ponto de vista pedagógico, que não tenho dúvida nenhuma, quer no combate ao isolamento daquilo que eram pessoas que viviam isoladas, depois do primeiro ciclo e do jardim de infância, viviam completamente isolados, não tinham contactos, ou tinham poucos contactos, e não tinham ninguém que coordenasse a atividade deles. Houve aqui uma série de melhorias decorrentes da criação de agrupamentos, como esses que estou a mencionar e que trouxeram inclusivamente uma motivação extra para todos os docentes. Eu não tenho dúvidas nenhumas.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís

Nós, com as novas regras dos agrupamentos, começamos a deixar de ter autoridade nos alunos. Nós começamos a não ter o bom relacionamento com as famílias, a nível de colegas deixou de existir... porque o diretor, havia ali uma série de regras que criava maus ambientes na escola.


Arquivos\2º Ciclo\Orlanda

Início dos anos 80. Era natural, ninguém se preocupava: o aluno abandonava a escola, cumpriam-se as formalidades administrativas, mandar uma carta registada e tal – nem sei se, na altura, já existia a CPCJ. Se existisse, não havia envolvimento no abandono escolar. Agora, isso foi um salto, até porque, também, Portugal tinha metas a nível europeu e tinha de [incompreensível], digamos assim.


Arquivos\2º Ciclo\Quitéria

Passamos mais tempo em volta do papel do que das crianças. A escola neste momento, para mim, não responde. Não corresponde ao que deve ser uma escola, onde está um conjunto de professores, estão ali para ajudar um grupo de alunos.


Arquivos\2º Ciclo\Rosário

No início era uma família, agora é mais sei lá o quê. Não posso dizer que é uma família desavinda, mas… é cada um por si. Quer dizer, acho que não há nada assim que une. Até por esta coisa em que tínhamos jantares ou fazíamos lanches ou havia momentos em que estávamos em conjunto sem pensar nas aulas e sem pensar na profissão, momentos de descontração. Acho que era muito útil. Agora, à medida que fui estando no ensino, é cada vez pior. Portanto, acho que a tal família desapareceu por completo e, depois, claro que temos mais amizade por um do que pelo outro, mais simpatia por um do que pelo outro, mas a família desapareceu.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Entretanto, no ano seguinte, estive em Mesão Frio, em 1986-87, 1987-88. Na altura, o presidente do conselho directivo pediu uma autorização ao Ministério porque a escola não era uma escola normal. Tinha segundo ciclo, terceiro ciclo e tinha sexto ano, portanto, o atual 11.º. Havia muitos problemas de transporte para levar os miúdos do secundário para a Régua. Como eu só tinha duas turmas, [o presidente] pediu autorização ao Ministério para eu dar Filosofia e Introdução à Psicologia. Eu dava Filosofia no sétimo [ano de escolaridade]. Introdução à Psicologia no sexto [ano de escolaridade]. Depois, descia as escadas e ia dar Português de quinto ano [de escolaridade]. Aquilo fazia uma confusão, principalmente aos [alunos] mais velhinhos, riam-se imenso pois eu estava a tratá-los como se fossem as criancinhas. Também foi uma experiência interessante, porque eu tinha que me focar, primeiro descer à idade e depois voltar a chegar aos outros. Foi giro.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

Ainda há regras, em momentos do sistema educativo, que têm hiatos. Todos os hiatos no sistema educativo pagam-se caro. Implica sempre recuos. Por isso é que a coisa da educação é tão… tão importante e merecia ser tão cuidada: porque a progressão é feita de uma forma tão lenta e intergeracional, que não podemos ser uns meros prestadores de serviços, pressionados por rankings e famílias.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu>

Não consigo identificar, em termos de acção governativa, algum momento particular. Eu tenho uma ideia muito própria acerca do que é isto de trabalhar na educação, que só pode ser levado a bom termo com medidas de natureza a longo prazo, geracionais, que é para se ver o efeito de políticas. Ora, o que eu acho é que nunca houve uma política concreta, ou pelo menos que eu tenha sentido. Ou seja, sempre foi uma coisa muito medidista, mais medida para aqui e mais medida para acolá. Nunca houve algo estrutural, de fundo e de médio prazo para que se possa aferir.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália>

O currículo sendo mais exigente – por exemplo, vamos pensar em literatura... se calhar, isso interessa, mas não interessa assim tanto. Mas um currículo focado em escrever melhor e em expressarem-se corretamente traduz-se no empenho dos alunos. Ultimamente, comecei a achar que havia qualquer coisa de errado na formação, porque, principalmente ao nível do português, eles vinham um bocadinho, assim… muitos deles, é como continuo a dizer... há uma gama de topo e depois há aqueles que ficam ali no médio-baixo. Esses têm algumas dificuldades na expressão – eu achava que eles tinham alguma dificuldade na expressão e na interpretação do português, e isso é fundamental para as outras disciplinas. Agora, eu não sei dizer onde é que está o problema.

Entrevistadora: De onde é que vem, não é?

Amália: Se falarmos com professores de diferentes níveis, chuta-se sempre lá para trás. Para trás, para trás… os do secundário dizem que é o básico... os professores do básico dizem que é o primário… e isso também não leva a lado nenhum. Não leva a lado nenhum.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amélio

Contudo, esta interrupção permitiu-me tirar a conclusão de que o ensino nesse período de 14 anos tinha melhorado muito. A qualidade dos professores, tinha melhorado muito.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora

Porque os professores também estavam tão absorvidos por outras coisas que também não podiam estar… se reprovasse – isto até ao nono ano – o que eu sabia dos meus colegas é que se eles reprovassem um aluno a justificação tinha que ser de tal forma apurada e explicada que dava mais trabalho isso do que passar o aluno... então, passavam o aluno. Isso acho que foi negativo e acho que ainda não foi resolvido.

Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana

E as coisas acabam, morrem, porque, por exemplo, depois disso, no Parlamento Europeu, eles foram tão bons, tão bons, que os convidaram para a simulação das Nações Unidas. Quer em Dublin. E eu depois tive que passar isso para outros colegas de Inglês que eu já não estava, já não estava a não aguentar tanta... e era sempre na Páscoa. Portanto, ainda fui os primeiros anos, e levei-o para os colegas, passei esse projeto para outros colegas, porque era uma simulação das Nações Unidas e era preciso trabalhar muito. Era preciso fazer as moções, organizar aquilo, preparar os alunos na língua, no Inglês, no Francês, por aí fora e... Mas, por exemplo, depois, a nível da escola e a nível do Ministério, ninguém dava horas aos professores para fazerem isso. Enquanto nos privados eles tinham horas e tinham dinheiro para fazer praticamente tudo isso, [no público] era tudo às nossas custas. Saía tudo dos nossos bolsos. Eu depois vim a perceber que quando a Roménia e a Bulgária entraram para a União Europeia... Quer dizer, eu quando fiz isso do Parlamento Europeu, fiquei em casa de professores, fiquei numa casa de família e depois os professores reuniam-se todos. Para mim, foi tudo uma novidade. Para mim, foi a minha primeira experiência a esse nível. Eles tinham todos dinheiro para ir jantar fora e eu não tinha. Pois é, tinham todos dinheiro para beber uns copos e eu não tinha. Pronto, tentei fazer uma ginástica, mas depois isso foi-me acontecer a mim, com os húngaros, com os búlgaros e com os romenos. Eles também foram lançados naquilo quando entraram e depois...E foi a minha vez de os ajudar a eles a pagar umas bebidas e umas coisas, porque eles também foram com uma mão atrás e outra à frente lançados naquilo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila

Carga burocrática. Por exemplo, trabalho que, eu sabia, porque tinha amigos, em França, em Itália, era feito pelas secretarias e por pessoal administrativo, aqui caíam todos em cima dos professores.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Catarina

Estamos em 2022, mas vou sabendo de pessoas que ainda estão na escola onde eu estava e não sei quê. Mas eu penso que, apesar de tudo, as coisas estão a ficar melhores. Mas passou-se aí por um período, absolutamente, o período da Dona Maria de Lurdes [Rodrigues], nossa ministra, que tinha um parti pris qualquer contra nós, não sei o que é que ela tinha. Eu sempre achei que nós devíamos ser avaliados, mas é na sala de aula. Era na sala de aula, era com aulas assistidas, como quando nós fazíamos estágio, porque era uma forma de avaliação proativa, no sentido em que podiam dizer: "Olhe, não está a fazer bem isto, não está a fazer bem aquilo". E, não senhor, as avaliações quando eu saí - e foi uma das razões porque eu me reformei mais cedo, estava farta daquilo! - as avaliações era saber quantos mais papéis preenchemos, quanto mais show off dávamos na escola, no sentido de ir com os alunos aqui e ali. Eu também ia a exposições e fui. Muitas vezes levava-os a exposições, levava-os a visitas de estudo, mas, para mim, isso era secundário em relação ao essencial. O essencial é a sala de aula. É aí que tudo se dá e é aí que tudo se deve resolver. "Ah, porque isso era muito caro", chegaram-me a dizer uma vez um dos diretores, "Mas isso é muito caro!", e eu "É muito caro o quê? Assistirem a aulas, os professores fazerem um grupo aí em cada concelho e passarem por várias escolas e irem às mesmas disciplinas, professores da disciplina, ver como é que a disciplina está a ser mudada em várias escolas?". Isso não era tão caro assim, não era tão caro assim, mas é mais fácil fazer papéis em Lisboa e mandar preencher os papéis. É muito mais fácil e se calhar é mesmo muito mais barato. Mas isso não é avaliar os professores. Acho que aquela época foi uma época terrível e eu nunca vi uma manifestação como aquela de 2008. E as pessoas, não era com medo da avaliação - ao contrário do que ela dizia -, era exatamente acharem que aquilo não avaliava nada, avaliava professores que fizessem imenso show off. Pronto, é show off não é outra coisa. "Eu vou para aqui" e depois fazerem relatórios para o Conselho Diretivo. "Eu vou levá-los não sei onde" e "Vou fazer não sei o quê". E sabe Deus o que se passava na sala de aula. Era aí que devíamos ser avaliados e eles nunca entraram por esse caminho.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia

Deixe-me ver. [Pausa Longa] Acertou, 2008! Antes de 2008, eu reformei-me em 2008. Estive três anos na escola e disse vou-me embora! A escola era outra coisa, a todos os níveis. Isto custa-me porque eu não sei bem como é que eu posso explicar isto. O clima que se vivia nas escolas, não só nos professores, como nos alunos, não tinha nada a ver [com o clima de escola] 11 anos antes. Foi numa altura em que a [ministra] Maria de Lurdes [Rodrigues] criou uma coisa de 'professor titular'. Isto é uma divisão entre professores. Eu não concorri. Claro, eu tinha todas as condições para concorrer, como calcula. Eu sou professora, não sou professora titular, portanto, isto também faz parte da minha maneira de ser.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César

Depois, senti-me um bocadinho abandonado em relação à administração central. Hoje, se calhar, é mais fácil lidar com a administração, até intermédia ou central, porque temos e-mail, temos, portanto, a internet, podemos comunicar a qualquer hora. Eu lembro que, naquela altura, era o correio que chegava de manhã, os ofícios, o Diário da República, etc., era aí que recebíamos. Aqueles telefones pretos com o fio... Era difícil, extremamente difícil, conseguir ligar para Lisboa, portanto, andávamos, às vezes, quase um dia inteiro e não conseguíamos. A Lourinhã ficava, naquela altura, à 01h30 de distância de carro [de Lisboa]. Hoje é muito menos porque tem autoestrada. Nós marcávamos uma reunião, por carta, e íamos a Lisboa. Depois, apoio da tutela, directamente, nunca tivemos muito.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico

Agora escolas como a minha, eu sou muito velho já, não me reformei porque não quis. Os miúdos se entrarem na sala de professores assustam-se: são só velhos! E depois caras fechadas.Têm 14, 15 anos. Como é possível? Como é possível? Quer dizer, aquilo é. Não são joviais, não são capazes de mudar, de sorrir para os miúdos, a ideia de que não se pode mostrar os dentes nas primeiras aulas é a coisa mais cretina que existe, fetiches. E aquilo não é muito mau, porque os miúdos são muito bons. Porque senão aquilo era muito mau. O que significa que miúdos com muita dificuldade têm muito pouca ajuda. Então são aqueles que mais precisam.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva

E depois outra questão que acontece é que não se avalia nada do que se implementa. Ou diz-se que se avalia, mas nós raramente temos acesso - nós, quem está no terreno, nós os professores do básico do secundário - raramente temos acesso a esses relatórios. E depois é muito complicado porque as pessoas cansam-se, não é? Eu não estou a dizer que não tem que haver mudança, eu não estou a dizer que está tudo bem e que a determinada altura está tudo óptimo e não vamos mudar nada, não! Quando se muda, muda-se a 100% e não se aproveita o que funcionava, e altera-se aquilo que estava menos bem. É como a história agora dos manuais digitais. Isto quando mudar, vai mudar radicalmente para depois vir para trás. Nós já sabemos. Aliás, a Suécia já está a vir para trás, não é? Li esta semana.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Hélder

Continuava com as explicações e aconteceu um fenômeno interessante que acho que vai voltar a acontecer. Na minha perspetiva, vai voltar a acontecer, que foi a falta de professores. Isto no 1º ciclo, de 50 e 50 anos, na minha opinião isto repete-se, porque o nosso país, o nosso ministério e o nosso governo, seja quem for, deixam de investir e de valorizar os professores e chegam a um certo ponto e têm falta deles. Têm uma classe envelhecida como temos agora, muito poucos jovens entram nas escolas. Aliás, quando eu saí diziam que chegou um professor novo, eu ia ver e dizia "afinal não é um professor novo, é o novo professor", porque efetivamente já ia na casa dos 50, portanto não eram professores novos, eram novos professores que iam chegando.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Ivone

A minha filha, que trabalha no ensino básico e secundário, e que já leciona há 26 anos, e estes dias perguntei-lhe. Ela já deve ter percorrido, no mínimo, umas 15 escolas. Nos primeiros anos, era um ano uma escola. É péssimo para o professor, é péssimo para os alunos e é péssimo para a escola.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana

Eu diria que se gasta muito mais papel agora, o que é muito mau. Aliás, essa gestão deveria ser um bocadinho mais de base, porque há funções que os professores estão a desempenhar, que não têm a ver com o seu conteúdo funcional, de forma alguma.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara

E a questão da avaliação e das injustiças tem contribuído para que as pessoas, se calhar, não sejam tão solidárias, não trabalhem tanto em grupo, não se entendam tão bem. Eu acho que sim.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia

Eu passei-me e chateei-o lá, depois da reunião, depois do intervalo disse: “Não, desculpem lá, não pode ser, não tem sentido, não tem critério, não faz sentido”. E ele dizia, com razão, porque a nossa escola era do sétimo ao décimo segundo: “Faz falta aqui uma escola do 2º Ciclo”. E temos aí uma escola do 1º Ciclo despernada, que era a L., que era lá muito perto da escola. Eu pensei “Caramba!”, e disse-lhe: “Olhe, deixe-me ir para a DREN ajudar a fazer a Rede Escolar. Provavelmente nós conseguimos ficar com o Secundário, e eu teria todo o prazer de fazer uma escola primária, e só tenho pena de não conseguir fazer da Pré-primária, mas da Primária, dos 6 aos…”. Eu era contra os Agrupamentos. Tenho várias cartas abertas a Ministros, uma delas é ao Nuno Crato sobre os Agrupamentos, a dar-lhe para trás, mas este era um Agrupamento diferente, porquê? Porque só tinha uma escola do 1º Ciclo, e o 2º Ciclo ia funcionar na nossa escola. Portanto, no fundo era como eu estudei, era no mesmo edifício, por acaso aqui era um edifício ali pertinho, dos 6 aos 17 [anos de idade]. E acabava uma coisa que me irritava imenso nos Conselhos Pedagógicos que era quando eu tentava que as pessoas me justificassem os péssimos resultados de alguns anos, de virem sempre com a falta de bases. Eu disse: “Meus amores, acabou a falta de bases, porque se há falta de bases, a culpa é nossa. Se a culpa é nossa, vamos ver o que é que estamos a fazer mal. Não há outra hipótese”.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria

Agora também é muita bagunça (risos). É muita bagunça e não evoluímos o suficiente em termos de instalações porque educação física precisa de instalações.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde

Até muito tarde! Depois, a certa altura, passaram a ser 25 no máximo e até tive turmas com menos de 25 alunos, no secundário, mas eram exceções. E, portanto, antigamente não havia esse controlo ou essa exigência de serem no máximo 25 e, portanto, 30 alunos para ensinar uma língua que eles não gostavam.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo

E depois... em 1993 começa a área escola e o diretor da escola pede para eu ser coordenador. A escola foi funcionando, o problema da área escola era que muitas vezes as pessoas não faziam trabalho interdisciplinar, faziam colagens de coisas que não deveriam. As escolas também são sempre especialistas em dar a volta ao essencial e fazer as coisas... Também é preciso condições. Muitas vezes também são precisas horas para essas coisas e as pessoas não tinham ou não estavam habituadas. Nesse tempo, um professor do secundário trabalhava seis horas. Tinha seis horas mais quatro horas de direção de turma, duas mais duas, que contavam como tempos letivos, e, portanto, um professor dava seis horas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Teresa

O programa de Biologia é muito bonito. O programa de Biologia do 12º ano foi dos programas que eu achei mais bonitos porque é o mais moderno possível. Isso porque a Escola está sempre muitos passos atrás e a Escola nunca vai acompanhar, ou pelo menos nestes moldes, nunca conseguirá acompanhar a evolução da sociedade.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita

É assim, eu acho que os pais também têm alguma razão, e a sociedade em geral. Porque, como em toda a classe, há professores e professores. A revolta com que nós, às vezes, trabalhamos, o salário como é, andar com a casa às costas… sei lá, não termos, às vezes, dinheiros para fazer as mais pequenas coisas, ou para fazer… nós esbarramos, queremos fazer uma saída de campo, depois não há isto, não há aquilo, não há aqueloutro. Todas as condições que estão por trás, leva muito professor a estar revoltado… os concursos, tudo isso… eu, felizmente, sempre fiquei perto de onde quis, mas já viu, deixar filhos e marido, e ir para o Algarve, ou ir para Lisboa, onde se ganha menos do que o que se paga de renda... como é que um professor pode estar satisfeito? Ou, então, fazer 100 ou 200 km por dia. Quando estive a dar esse (incompreensível) - já foi há muito tempo - tinha professores a trabalhar em Espanha. Ganhavam mais, iam para Espanha - faziam 150 km por dia. Há culpa de parte a parte, porque se reparar, o primeiro a ser negligenciado foi o padre. Nós, se pensarmos, a Igreja está muito divorciada da realidade - a nível do Ensino também. Eu há bocado comecei um assunto e depois acabei por não dizer - as novas tecnologias, os telemóveis tirados aos alunos, ser proibido usar. Porque era assim, surgia uma dúvida qualquer: “Vá, procurem aí no Google”. Eles faziam isso, como eu os deixava… eu acho que nós, muitas vezes, o proibir, proibir, proibir não é a melhor solução. Devia era tentar tirar-se partido, porque há tanta coisa que nós temos, na internet, em aplicações. Eu também não critico os professores, porque, se nós formos ver, a formação também está muito longe da realidade. Houve uma altura em que apareciam os computadores, e os professores tinham medo de perder o ganha-pão. Porque depois nós éramos substituídos, pelo ensino individualizado, e a nível de computadores. Não aconteceu nada disso. Nós, em primeiro lugar, somos humanos. E, se calhar, os alunos, por estarem proibidos, nas aulas, de usar o telemóvel, eles depois chegam nos intervalos, olhe que até me dói a alma quando os vejo sentados num banco a mandar mensagens para o colega do lado.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta

Eu recordo-me que, a certa altura, eu era Presidente da Assembleia de Escola e fomos convocados para uma reunião na CM, porque iam criar um novo rumo para chegar ao Ensino Superior no 10º ano, iam criar uma maneira de os alunos do Ensino Tecnológico chegarem ao Ensino Superior. Eu até achava que aquilo estava muito bem elaborado e que aquilo até poderia dar frutos, estávamos todos empenhados, fomos a várias reuniões e tal…houve eleições, mudou o governo, pronto! Foi tudo para o lixo. Isso…isso, meu Deus. Aquilo parecia-me tão bem pensado, já estávamos tão preparados para implementar aquilo, pronto, vai tudo por água abaixo. Estas mudanças são uma coisa que mexe – pelo menos comigo, que não gostei. Mas pronto, mas temos de viver com isto.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio

Acho que ele [Roberto Carneiro] tinha uma visão, uma outra visão da educação, uma visão muito abrangente. Foi um bom ministro. Não quer dizer que não tenhamos tido... eu acho que esta pasta é muito difícil. É uma pasta muito difícil. Mas, por exemplo, neste momento, o João Costa - por quem eu tenho até consideração, porque leio muito, ele é da linguística e ele sabe muito. Mas de facto, do meu ponto de vista, está a ver muito mal a questão, a ver muito mal esta questão. O anterior ministro, Tiago Rodrigues, também não pareceu assim, mas era um ministro muito ausente. Esse ministro, nós praticamente nem precisávamos, nem precisávamos dele. O Nuno Crato, foi uma pena. Foi mesmo, eu digo, eu gostava imenso dele porque era um homem - era e é - muito inteligente, um professor e gostava muito dos debates. Plano inclinado, julgo eu, no plano inclinado. Ele de facto tinha boas ideias, mas depois julgo que ou não conseguiu ou não sei. Foi pena? Foi. Foi uma pena. Esperávamos todos muito do professor Nuno Crato. Mas não foi, digamos que não foi o pior ministro. Deus me livre. Agora tinha aquela obsessão dos exames e isso, nem era os exames aquilo que eu achei terrível foi aquele exame que os professores tinham de fazer, aquela prova que os professores deviam fazer. Eu achava aquilo humilhante.


Arquivos\Pré_Escolar\Adelaide

Não. Não tenho nada a ver com a avaliação. Espero que nunca tenha, porque acho que isso é a pior coisa que pode existir e que veio existir. Mas, é assim, como avaliada... eu tenho sido avaliada, praticamente sempre, com excelente ou muito bom...

Referência 2 - 3,59% Cobertura

Por causa das cotas, houve só uma situação em que recebi a classificação de 'muito bom' - que agora recuperei. Ainda este ano voltei a ser avaliada com excelente e, muito sinceramente, (risos) não é para nada, pronto, mas fica bem no currículo, ok, tudo bem, fico satisfeita porque não é só.... eu não fico satisfeita, eu fico triste, porque acho que o processo de avaliação é a coisa mais injusta que está a haver neste momento. Nem se avalia nada, porque não é o ir uma hora, duas vezes no ano, ver determinada pessoa que preparou aquilo para aquele momento, não é aí que se deve espelhar uma avaliação de um trabalho. Depois, tudo isto de... em uns agrupamentos quem leva as melhores notas é aquele que precisa de determinado escalão, noutros agrupamentos é os conhecimentos, olha, é uma chatice. Eu acho que isto realmente não devia ser nada assim. A avaliação não está nada bem. A avaliação faz muita divisão entre as pessoas e o ambiente fica mesmo muito prejudicado em relação a isso - além do estresse de quem é avaliador. Eu falei como avaliada, mas quem é avaliador também não está nada em bons lençóis. Porque, de uma forma ou de outra, tem que dar solução a uma coisa que também acha injusto e eu tenho falado com várias e nenhuma é a favor disto que está a acontecer. Mas, pronto, esperemos que tudo seja mais justo.


Arquivos\Pré_Escolar\Alexandra

Nós andamos sempre aqui ao sabor dos avanços e dos recuos das nossas políticas educativas... as nossas políticas educativas andam ao sabor das vontades políticas... qualquer coisa que esteja bem... há sempre alguém que vem e pensa que vai fazer melhor e nem sequer respeita aquilo que está feito. Porque, se nós acrescentarmos de certeza que será melhor, isso não foi acontecendo ao longo dos anos.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa

Há muita tendência de acharmos que as metas são para os cinco anos, são para serem atingidas no final da educação escolar... às vezes, a pretensão de subdividir ainda mais três anos tem que ser revista aos quatro anos. Tem que ser de quatro anos. Então está errado. Nós estamos em um tempo, por isso queremos e acho que se devia respeitar mais o indivíduo e a individualidade de cada criança, o seu percurso de desenvolvimento e não estarmos ali tão… mas, depois, os colegas têm receio que a colega do primeiro ciclo diga que aquele menino não vai bem preparado. Mas nós, quando mandamos dez ou 15 crianças para o primeiro ciclo, sabemos que não tem que ser nivelado... cada criança é uma criança. Noto um bocadinho isso... também me entristece, mas pode ser só a minha opinião…


Arquivos\Pré_Escolar\Gina

Momentos menos bons... não me vêm à memória nenhum momento menos bom. Ou sou eu que acho sempre um rumo. Sobre a nossa carreira, que é o momento menos bom, que nós com esta idade eu acredito que já seja difícil para todos, conseguirmos estar todo o tempo na escola. Eles agora, portanto, o momento menos bom é não olharem convenientemente para nós. Com a dignidade que nós temos. É que eles não olham para nós dessa maneira. Inclusive, eu fico muito revoltada quando percebo que os colegas novos não conseguem entrar na rede pública. Porque trabalham em creche e não contam o tempo de serviço em creche. É triste, a creche é tão importante. Aliás, os primeiros três anos são os anos mais importantes para o desenvolvimento de uma criança.


Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda

Eu estava a dizer que, lamentavelmente, ao fim destes anos todos, eu vejo isso agora nos colegas mais novos. Ainda existe essa instabilidade. Este ano temos 12 professores novos, e alguns vêm de muito longe. Alguns deles vêm muito longe e depois já são pessoas que têm a família constituída e fazem uma série de quilómetros para tentar estar junto da família. É lamentável que isso, ao fim de tantos anos, ainda se mantenha.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar

A entrada para os agrupamentos, desde que se começaram em 2004, acho que retirou [...] na minha opinião, isto é muito complexo... mas o que eu sinto é que o benefício pode ser para outros. A mim retirou-me a autonomia.


Arquivos\Pré_Escolar\Helia

Eu acho que a escola, hoje, cada vez veda mais. Está assim num funilzinho tão pequeno, é tudo dar notas, pronto não há autonomia, a criança não alcança por ela, alcança com apoios, alcança com tudo.


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana

Nós revoltámo-nos, éramos um grupo que na altura, agora somos o grupo mais envelhecido, mas na altura éramos o grupo mais jovem.. e nós, e aí apoiados pelos sindicatos, e aí temos que dizer que o sindicato tinha uma ação, teve uma ação muito preponderante. Conseguimos. Depois, no ano seguinte voltar ao calendário que tínhamos.


Arquivos\Pré_Escolar\Nena

Eu se fosse ministra era uma lei que eu acho que eu impunha, que é: quem tem filhos deve ficar perto de casa. Deve ficar perto de casa. Eu a partir dessa altura, porque enquanto eu não tive o meu filho eu andava bem.


Arquivos\Pré_Escolar\Noel

Porque eu via aqui em Estremoz - e de manhã dava aí umas voltas a andar - e, por exemplo, quando passava ali na escola secundária, aí por volta das 7h45 já estavam a descarregar crianças dos autocarros, crianças que vinham aqui para a escola. As aulas só começavam às 08h30, imagine o que é de Inverno, quer dizer, as crianças ficavam ali debaixo das coisas, a apanhar frio e não sei quê. É evidente que as crianças e sobretudo os jovens, a partir dos 14, 15 anos, uma das coisas que eles têm é de viver mais a noite. Portanto, não se deitam muito cedo. É evidente que é aí às 10h30, 11h00 tão cheias de sono dentro da sala de aula [risos]. E os professores depois admiram-se que os miúdos não estão com atenção, eu não me admiro! Têm que ter em conta, de facto, a vida das crianças, neste caso, os adolescentes. Portanto, não estou a defender "ah a escola deve ter umas camaratas para os miúdos dormirem umas sestas", não é isso, mas perceber porque é que estas coisas acontecem. E não é por serem maus alunos ou por estarem desinteressados, não! É porque fisicamente estão esgotados, é mais nesse sentido.


Arquivos\Pré_Escolar\Olga

E neste contexto, neste momento, nos agrupamentos, quer a identidade da educadora, quer a identidade de jardim de infância, quer o trabalho, a valorização do trabalho alterou-se tudo.


Arquivos\Pré_Escolar\Rita

Todas as sextas feiras que ia à escola, levava uma planificação diferente, de um centro de interesse diferente. "Porque é que chega a primavera e fala-se de abelhas? Os meus meninos não falam de abelhas, ninguém fala de abelhas". Se eu tenho que ir ao encontro dos interesses, das necessidades, eles não falam de abelhas, como é que eu lhes vou impingir as abelhas? Ainda há gente assim nos dias de hoje. "Inverno, neve, bonecos de neve". Onde é que está a neve nestas crianças? Eu passo-me. A minha colega do meu lado a trabalhar comigo há anos, agora chega-me com isso. Para o inverno usa esferovite, placards... Eu tenho que levar as crianças a ver a primavera, por exemplo. Impingir as flores? Elas estão entretidas com os charcos de lama, com o riacho, uma rã. O carnaval com os palhaços? Santa Maria! Pronto, ainda se continua a fazer um bocado isto, mas dá-se o nome de projeto. Mudaram-se alguns nomes, mas não se mudou muita coisa. Mas a verdade é que Paulo Freire também dizia que mudar a linguagem faz parte do processo de mudar o mundo. Vamos mudando a linguagem que é para ver se através da linguagem a mudança vai [acontecendo]. Mas, depois, a forma de o fazer é que continua muito vinculada ao passado. Eu, às vezes, ponho em dúvida como é que educadoras formadas mais recentemente que embarcam nisto, ou que já vêm embarcadas, ainda vêm [para a escola] mais na mesma, que não questionam


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

Era as delegações escolares e também a nível da DREN, da direção regional, havia pessoas que estavam com ensino pré-escolar e que nos facilitavam formação e que nos facilitavam reuniões, nós tínhamos um dia por mês, uma tarde por mês, e que depois passou até a ser um dia, para as colegas, as educadoras que estavam nas proximidades, nas quatro ou cinco freguesias vizinhas, para se reunirem, para planificarem ações conjuntas, para discutirem, para refletirem. E isto era uma mais valia e isto era apoiado pelas pessoas que estavam no setor de educação pré-escolar ao nível da direção regional. Na altura era a doutora A.G. e C.F., penso que era C., não me lembro muito bem, e essas pessoas reuniam connosco e davam-nos orientações e apoio, nessa altura também... Esse próprio organismo fornecia livros, livros que ainda hoje utilizo, que continuam a ser muito, muito atuais no conjunto dos livros de jardins de infância. Era tudo pensado com muita qualidade para que a educação pré-escolar se afirmasse com muita qualidade. E fizeram-se coisas muito, muito, muito interessantes, mesmo a nível do impacto que essas ações, que essas reuniões depois resultavam, nuns casos melhor noutros casos com menos visibilidade, mas permitiram fazer ações para a comunidade com muito impacto, que deram uma grande visibilidade ao trabalho que era feito e a importância do trabalho que era feito nos jardins de infância. Acho que para mim foram anos de ouro nessa altura


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia

Em 2021, foi quando tive o convite para trabalhar na ESE, como requisitada. Concorri. Fui aceite. E entro na ESE. Mas a aprendizagem na educação pré-escolar, na rede pública, foi uma nova aprendizagem muitíssimo interessante, embora eu já conhecesse muito por todo o meu percurso. Tenho muitas amigas, tenho os grupos cooperativos e as educadoras que estão nos grupos cooperativos das três tutelas. Portanto, da rede pública, da rede privada e da rede IPSS. Portanto, eu conheço estas três tutelas. Acho que todas elas têm imenso potencial. Acho que devem continuar a viver sem estar de costas voltadas. Respondem a um tipo de necessidades, outros a outras [necessidades], outros a outras [necessidade]. Eu acho que é fundamental.

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