Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Pessoas Críticas e Significativas

I

Pessoas que pela positiva ou negativa tiveram impacto no percurso profissional


Arquivos\1º Ciclo\Abel

Tive a pessoa que mais me marcou, em termos profissionais, e que continua a ser aquela que é a minha mestre... Foi uma senhora que depois mais tarde foi diretora de uma instituição em Mangualde, a Doutora R. É uma senhora com 75 anos, 80 anos, que ainda está a fazer orientações de mestrados em Angola.


Arquivos\1º Ciclo\Celeste

O que fez a diferença foram mesmo as relações pessoais com colegas com quem foi mais fácil a comunicação, talvez por alguma identificação a nível de princípios, talvez de vida. Foi um pouco isso. É o que eu recordo e que foi determinante. Depois, havia uma outra colega que também trabalhava ali e que também ia de autocarro, com muitos sacos na mão, muitos materiais e aquilo fazia-me alguma curiosidade. "Olha que interessante". Começámos também ali a estabelecer um diálogo e depois, mais tarde, acabámos por reunir e por falar de forma mais organizada destas questões da pedagogia. É isto que eu recordo como marcante. Os encontros com pessoas, com quem progressivamente fomos trocando experiências e que me ajudaram a crescer do ponto de vista profissional e pessoal.


Arquivos\1º Ciclo\Filipa

É assim, eu digo com toda a sinceridade: eu sempre dei o melhor, mas era uma pessoa – e eu já conversei com outras colegas que tinham a mesma reação – eu sabia que dava o meu melhor, mas não tinha a certeza se estava a fazer o melhor. E o que me ajudava a prosseguir, e, se calhar, pensar que eu estaria no bom caminho, era depois os pais dos alunos dizerem [...] nunca mais me esqueço de um pai dizer: “Eu fui à reunião do 5º ano…” – portanto já próximo do final do 1º período – “… e a professora disse que os alunos…” – que eram de duas turmas – “…estavam todos muito bem preparados”. E eu recebi esse elogio do pai porque ele encontrou-me na rua e começou a conversar comigo e quis dizer isso. Eu recebi isso como um elogio, como um incentivo e como um recado: olha, afinal, se calhar, estás no bom caminho e fazes um bom trabalho. E uma colega, há cerca de 4 ou 5 anos – eu telefono-lhe sempre no dia do aniversário dela – e ela ter dito: “Olha, Filipa, eu lembro-me muito de ti, e quando te apoiei…” – porque ela era professora do apoio – “…eu aprendi muito contigo”. E isso deu-me a certeza de que eu dava o meu melhor e, se calhar, estava no bom caminho.


Arquivos\1º Ciclo\Graziela

E eu conheci essa N. em Lagos, e isso foi-me despertando o interesse em ir à turma, em trazer, às vezes, uma miúda para a minha beira, porque eu estava em apoio. Eu estava em apoio, neste ano. E em Arcozelo apanhei na turma uma miúda com uma deficiência bastante acentuada. E então, tinha uma colega que já estava a tirar Educação no Piaget, que era a colega de apoio. E perguntei-lhe: “Tu achas que eu sou capaz de tirar aquilo?”, e diz ela: “És, então, não és?”. E eu então candidatei-me, e fui.


Arquivos\1º Ciclo\Inês

Depois, falava muito com a minha tia sobre atividades e materiais, e ela ajudou-me imenso, porque eu acho que o meu curso não me preparou como eu achava que devia estar preparada, e a minha tia ajudou-me imenso nesse aspeto. Fui fazendo as minhas coisas.


Arquivos\1º Ciclo\Irene

Mas há uma professora que trabalhou sempre connosco e que foi professora de meninos surdos e que era diretora de uma escola, que era a escola primária anexa ao Magistério Primário. Portanto, era ali que se faziam os estágios quando aquilo ainda era Magistério Primário. Essa professora tinha uma relação connosco grande, com quem eu já fazia a inclusão desde a CERCI. De facto, ela e os professores permitiram que na escola dela se arranjasse um espaço onde podíamos construir, constituir uma turma de meninos surdos. Isto em 93, muito antes ainda que o despacho desse tal despacho


Arquivos\1º Ciclo\Lisboa

Olhe, quando entramos para o agrupamento por acaso tivemos a sorte de ter um diretor que era uma pessoa compreensiva. Sentia os problemas, ouvia, sabia ouvir, sabia dar até uma certa liberdade aos professores para poderem eles próprios tomarem as suas decisões. Era um excelente diretor o Professor M. Já está aposentado também por questões de saúde e essas coisas, mas era uma excelente pessoa. Uma pessoa muito humana e que geria muito bem as coisas. Depois passámos para o agrupamento… e juntaram também a secundária. E na altura, o Professor M. era também professor do 2º ciclo, depois o diretor era da secundária e pronto, começou a haver aqui um bocadinho de afastamento. O primeiro ciclo talvez desvalorizassem, também, não sei… Que éramos tratados assim de uma forma não tão boa como com o professor M.. Mas não tivemos problemas com ele. Até ao nível da distribuição de turmas, ele dava-nos a liberdade de sermos nós a fazer esse trabalho, os professores mais velhos, os que estavam na lista acima, os mais graduados iam escolhendo a turma. Não tenho assim muitas razões de queixas, não.


Arquivos\1º Ciclo\Marlene

Eu tive sorte de ter conhecido uma senhora. Para mim, foi uma segunda família. Era uma pessoa que, apesar de ter curso de arquitetura, nunca pôde ir para o segundo ciclo, senão perdia as regalias do primeiro ciclo. Os filhos dela eram praticamente da minha idade. Foi uma pessoa que me apoiou muito, muito.


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Eu acho que em relação ao Crato, ele destruiu toda a legislação que havia da educação. Ele mexeu em tudo. Portanto, teve que ser tudo reconstruído quando foi eleito o governo do PS. Portanto, é importante termos essa consciência.


Arquivos\1º Ciclo\Olívia

Tinha que levar a garota para a escola! Ela nasceu em julho, eu comecei a trabalhar em setembro. Ela tinha um ano. A chover, a chover. Eu a meio do percurso tinha de me sentar. Nessas coisas, eu acho que foi terrível, foi um bocadinho difícil. Mas havia uma senhora que tinha uma vivenda, perto da escola, que me via todos os dias. Era um casal sem filhos, já de idade. Houve um dia que ela chega-se a mim e diz: "Professora, não quer ficar na minha casa? Anda aí com a bebé!". Eu aceitei e ela alugou-me um quartinho. São pessoas que também me ficaram [na memória].


Arquivos\1º Ciclo\Roberta

Não sei se se lembra do Paulo Abrantes, ele era da associação de professores de Matemática e esteve no Ministério da Educação e também criou um grupo, e estivemos reunidos três dias, para escrevermos algumas coisas sobre o programa.


Arquivos\2º Ciclo\Aldina

Não me senti apoiada em termos de Português: "olha, este é o programa, esta é a planificação, estes são os documentos". Eu não me lembro se me deram alguma coisa, mas isso também não foi handicap para nada. O que eu percebi logo ali foi: "acabou! Não vou andar à procura de mais nada. Isto é aquilo que eu quero, que eu gosto de fazer". Eu penso que também há aqui um fator pessoal que eu acho que tem muita importância, que é eu estava com 22 anos e já tinha tido uma adolescência amadurecida. Eu venho de uma família em que a minha mãe era uma mulher muito exigente, exigente no sentido de regras em casa. E eu acho que isso deu-me uma grande estrutura enquanto mãe, enquanto mulher e enquanto professora, enquanto profissional do ensino.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda

E então a F. ficou comigo, eu sou a formiguinha, porque eu trabalho muito e preocupo-me, ela é a cigarra, como ela diz, canta, dança, nunca se preocupa e as coisas correm bem. (risos) Ou seja, mesmo que corram mal, ela não se preocupa.

Entrevistadora: …dá a volta.
Dá a volta e dá muito bem e com imenso talento, porque ela nasceu para estar num palco. Eu sou mais tímida. Ela é que me ensinou a enfrentar os desafios de estar perante um público, porque eu apesar de ter anos e anos de trabalho, quando tive que enfrentar os pais e apresentar…, agora já o faço com naturalidade.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima

Recordo-me perfeitamente que, no dia em que eu entrei na biblioteca da escola para uma reunião com a orientadora de Coimbra e com a da escola, eu ouvi coisas que nunca mais me esqueci. “Trabalhar muito não significa ser uma pessoa dinâmica”; “Não a considero uma pessoa dinâmica”; […] Eu não consegui dizer absolutamente nada. Quando saí, sei que estávamos a ensaiar a festa final do ano no Teatro José Lúcio da Silva e eu fui chorar. Chorei, eu estava grávida, desde dezembro, e isto foi em junho, e os meus colegas diziam: “Olha o teu bebé”; “Tem calma contigo, olha o teu bebé…”…e eu só conseguia chorar. Lembro-me que cheguei a casa e o meu filho – que era bebé também – veio para o meu colo e disse: “Oh mamã, não chola”. E depois a nota que me saiu na Área de Projeto era muito mais baixa que a dos outros colegas. Foi de tal forma que, no Conselho Pedagógico, os orientadores das outras disciplinas não deixaram – era a minha e a de outra colega – não deixaram a nossa nota sair assim. E decidiram subir a nota.


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Por exemplo, este ano, foi engraçado, tive a felicidade de ter dois autistas. Um deles absolutamente extraordinário. Uma inteligência suprema, brilhante, mas muito crítico no sentido de que todas as tarefas que eu apresentava (que eu trabalho muito por tarefas) ele questionava-me: “Mas para que é que eu vou precisar disto para a minha vida ativa, professora? Explique-me.” E eu tinha de ser muito convincente para ele desenvolver essas tarefas porque ele é muito resistente à escrita. Muito resistente ao trabalho. Como tem uma mente em que tudo flui muito rapidamente, que decodifica tudo muito depressa, houve lá algumas tarefas que eu, realmente, achei que devia questionar se elas eram efetivas ou não.


Arquivos\2º Ciclo\Glória

E depois, no fim deste 2º ano, um daqueles colegas que me tinha estado a espiar quando eu cheguei à escola – V. G., era professor efetivo do 4º grupo, Matemática e Ciências – tinha-me ouvido a refilar tanto que um dia apareceu-me aqui em minha casa e disse: “Olha, tenho aqui um papel para tu assinares”. Um papel azul, de 25 linhas. “Mas assinar o quê?”. “Vou fazer uma lista para o conselho diretivo e tu vais ser a vice-presidente” [risos]. “What?”, “sim, sim, sim, vais, vais, assina aí”. “Mas eu não sei nada!”, “Pois não, não é preciso”. E eu assinei, pronto. De maneira que lá fui, a minha primeira entrada triunfal [risos] na direção, foi realmente em 75/76. Vice-presidente do V. G., com quem aprendi IMENSO! Imenso!


Arquivos\2º Ciclo\Iva

No meu percurso, há um Ministro da Educação que me ficou para sempre e que eu quando me lembro de educação, lembro-me dele, o Roberto Carneiro. Aquele homem foi excecional. Foi uma pena não continuar mais uns anos.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís

Eu vou lhe dizer, tudo piorou, e não sei se este nome pode ficar aí, quando a Maria de Lurdes Rodrigues foi a ministra da Educação. Eu identifico o período assim: Estragou tudo o que o ensino tinha de bom. Porque virou os professores contra os os professores, com essa coisa do professor titular, conseguiu virar professores contra professores. Realmente ela teve esse dom fantástico e acho que aí tudo descambou.


Arquivos\2º Ciclo\Rosário

A minha mãe era professora do ensino primário.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Estes desenhos, para mim, até foi na altura uma chamada de atenção em relação à atitude que eu estava a ter com a miúda. Mudei por causa disso, porque comecei a perceber que ela realmente até estava interessada e até participava. Depois, no ano seguinte trocaram-me, puseram-me com outras turmas, e eu ia muitas vezes à aula de História da turma onde ela estava. Ela chamava-me sempre e pedia-me para me sentar ao pé dela. No início foi uma relação um bocado complicada, mas depois acabamos por criar [uma relação].


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

E a culpada, entre aspas, foi a professora que me avaliou, que me conheceu na altura de umas determinadas situações que já não me lembro, muito jovem, ainda estava nas primeiras formações de professor. E ela dizia que eu tinha todo o perfil para a Administração Escolar. E foi por indicação dela que eu depois fiz esse percurso.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu

Nós tivemos sempre a sorte de ter profissionais - não direi de referência - aglutinadores, que foram marcantes na dinamização e no reconhecimento institucional da disciplina. Estou-me a lembrar do Pompílio Ferreira, que ainda foi meu colega, que era na altura treinador também da Rosa Mota, uma figura de referência. Depois, logo a seguir, tivemos o B. que, com a sua forma muito particular de estar, relativamente ao exercício profissional, era, sobretudo, um grande dinamizador. Ele tinha uma voz dentro da instituição muito forte e que levou, progressivamente, a haver um reconhecimento maior da disciplina.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia

Entretanto, eu tinha deixado de falar durante uns anos com a professora H.S. Porquê? Porque tinham passado, não sei... Dez anos? Deixe-me dizer isto antes de falar da H.S.. A Editora Raiz fez muita coisa, era muito interessante, mas era preciso investir mais. Chegámos a uma altura em que, das duas uma: Fazemos mais manuais noutras áreas, porque é preciso mais dinheiro, ou paramos. Reunimos todos, éramos família, exceto a J., mas era como se fosse. Nessa altura resolvemos que a Editora Raiz vai continuar mais um ano ou dois, depois logo se vê. Quem já investia.... Eu não podia pedir mais. Entretanto, recebo uma chamada. Veja bem como começam as coisas. Na Editora Raiz tinha uma secretária, a O., e disse-me: "Está aqui uma senhora, a H.S..". Perguntei-lhe o que era e ela disse-me: "Eu quero convidar-te para uma task force." Era o GAVE! (risos). Eu pensei assim: “a vida é muito interessante". O Plano era acabar com a Editora Raiz e agora tenho aqui este projeto novo - coisa que me empolga sempre. No GAVE fiz uma coisa interessante - coordenação do Projeto PISA na área de Ciências. O projeto PISA foi um projeto com todos os países da OCDE e eu estava na coordenação. Era a avaliação de todos os alunos de 15 anos de idade.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César

[Era uma equipa] inexperiente. Sucedeu a uma pessoa, que cientificamente tinha muito valor, o A.L.. O pai pertenceu à equipa do Prémio Nobel da Medicina. Portanto, era uma pessoa de Biologia já com os seus 50 e tal anos e que foi posto ali a ser obrigado a assumir as funções de presidente do Conselho Directivo. Aquilo estava, de facto, muito desarrumado em termos de serviços administrativos, mesmo no relacionamento com os colegas, etc. Foi um desafio. Eu, que mal conhecia o que era uma escola, de repente era Vice-Presidente do Conselho Diretivo. Eu estive quatro anos no órgão de gestão. Dois como vice-presidente ou como secretário e o último desses quatro como presidente. Só como presidente é que não tive turma. Tinha o concelho, tinha que ir várias vezes a Lisboa, à Direcção Geral, mas tive sempre contacto com alunos. Esta entrada foi, assim, meio repentina, quer como professor, a lecionar, quer como gestor, digamos assim.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda

Mudei nesse ano. Nesse ano, foi o ano em que me casei, civilmente - ainda em Caldas e organizámos ir viver para Lisboa. Assim fizemos. O meu pai, que era a pessoa central, achou que era altura. Olhe, digo-lhe sinceramente. Vi-me confrontada com o grande dilema que é as meninas ficarem em casa para seguir o resto da família ou continuar a minha vida. Eu achei que estive cá [por] três anos, dei tudo possível. Fiz tudo o que era possível, mas achei que isto não era a minha vida. Viver nesta simultaneidade com um cargo tão pesado... Falei com o meu pai e ele compreendeu isso. Foi um grande dilema, é verdade, mas fui. Portanto, em 1974-75 passei a lecionar já em Lisboa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana

Depois em termos positivos, o que é que me tem marcado? Marcou muito esse trabalho de grupo, no Monte da Caparica, onde fomos construindo o projeto de Educação Física. Marcou-me essa experiência… de estar nos programas, toda a formação que fiz. Essas coisas vão-nos marcando positivamente, pois também trabalhei no programa de coadjuvação do primeiro ciclo em Oeiras, que também me trouxe coisas boas e mais valias, em especial a formação que fomos fazendo. E a preparação da formação também. É uma coisa que nos ajuda muito a crescer. Mas tudo isto eu ressalto porque eu fui fazer a formação com alguém. É sempre para mim, pessoalmente, que não sou uma pessoa muito estudiosa, não sou rato de biblioteca, não tenho perfil académico. Também fiz uns cursos de avaliação. Gosto muito de avaliação…. também fiz uma pós-graduação. Escrevi um artigo.
Essa formação eu ganho porque trabalho com os outros e sou obrigada a preparar coisas com os outros e a partilhar e a discutir e a refletir Eu acho que é daí que vem o meu percurso ser feito, disso não tenho dúvida nenhuma, quer no contexto escolar, quer nas associações, quer na equipa dos programas, quer quando trabalhei, também, agora mais recentemente no IAVE, quer quando… Estava nesse projeto com a avaliação, também era um projeto coletivo. Todos os marcos da minha carreira são com pessoas.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia

E correram todos muito bem, eu e o M. quase que não precisávamos de falar. As nossas mentes funcionavam muito na mesma onda, ainda hoje funcionam, continuamos grandes amigos. Costumamos ir almoçar muitas vezes, isto é uma amizade que tem mais de 35 anos,. Ficou uma amizade muito forte. E uma grande admiração, eu chamo-lhe "o meu mestre" e acho mesmo que ele é o meu mestre.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria

Ah, mas a P. é de excelência. Eu não encontrei ninguém como ela! Para mim a P. é de excelência! Ela tem um dom. Ela tem um dom muito grande a nível pedagógico. Sabe muito, ela sabe muito… E muito respeito pelo outro. Não abafa os medíocres, digamos assim. “Ah pá, eu não percebo nada disso”, mas ela… Ela é espetacular. A P. foi muito boa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tit

Eu tive aí, também, uma altura um bocado complicada, mas agradeço à minha professora, que me telefonou a dizer para eu não desistir (risos).


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio

Há um professor de Português que me marcou para sempre, [que] foi o professor Óscar Lopes. Fui aluno do professor Óscar Lopes, quer no antigo liceu, quer na faculdade. Esse sim, senhor. Eu era um catraio. Há muitos anos. Eu diria o equivalente, sei lá, no 8.º ano... Ele já nessa altura deixava as correções ao lado das questões. Eu sempre achei aquilo fantástico. E lembro-me perfeitamente, ele: "Meninos, a primeira coisa que vocês vão fazer é somar, que eu posso ter me enganado". E nós… eu sempre fiz questão de fazer isso com os miúdos.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa

Acho que não tive dificuldade nenhuma. Inclusive, uma vez uma inspetora disse numa ação, realmente, que uma pessoa que tinha a formação João de Deus... até as próprias inspetoras achavam que nós tínhamos ali uma formação que ia muito ao encontro daquilo que elas achavam que seria o correto. Ela disse que havia uma educadora com nome muito grande [...] Claro que aquilo ficou comigo, ninguém soube de quem ela estava a falar, mas também me lisonjeou, tendo em conta que, às vezes, éramos assim um bocadinho postas entre aspas.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar

E depois, quando eu fui capaz de fazer minha tese de mestrado, o livro que lhe levei foi esse. A senhora, há poucos, quatro ou cinco anos, levei-lhe o livro e disse "Irmã, lembra-se disto assim, assim." "Não me lembro, mas se eu te disse isso... Porque eu tive um acidente muito grande em França, perdi muito das minhas memórias, fiquei muito esquecida de tudo, mas eu acredito no que tu dizes, porque eu era menina para te fazer isso." Ela ainda disse: "Posso dar a outras colegas que estão aqui a fazer estudos?" "Pode irmã, pode usar como quiser". E foi o livro que eu lhe ofereci.


Arquivos\Pré_Escolar\Luísa

E agora, outro ponto de viragem no meu percurso. Estava eu a fazer a preparação da defesa da tese, em 2005, e a R., uma das minhas irmãs de coração, filha dos meus padrinhos, estava a dar aulas na Universidade de Évora, era colega da A. F., e ela era responsável por um seminário sobre a família. Ela lembrou-se que eu estava a fazer a tese, e convidou-me para ir a esse seminário. Disse: “Olha, ok, eu até tenho aqui algumas coisas, dentro do âmbito do levantamento, de algum trabalho que eu fiz para a tese”, não me ia dar muito trabalho, e aceitei. Eu fiz o seminário, elas gostaram muito e entretanto a R. liga-me a dizer: “Olha, a A. F. pediu-me o teu número de telefone”, por isso é que eu lhe estou a dizer que isto e tudo…”. Ela me convida para eu dar aulas para a Universidade de Évora. E eu disse assim: “Não, isto não é verdade, isto é… Eu dar aulas para a Universidade de Évora?”, então o que é que era? O Américo Peças, um colega, era do 1º ciclo, já estava na Universidade de Évora [...] estamos na Universidade de Évora como professores convidados.


Arquivos\Pré_Escolar\Maria Tiago

Depois, referir que foi determinante a existência de professores que para mim são uma referência. Ajudaram-me a fazer uma conceção sobre a educação, enquanto espaço cívico, enquanto compromisso da cidade, de nós todos. Estou-me a referir ao professor J. B., o professor R. C. e o Professor A. N. - para mim são uma referência. A alguns colegas de profissão. Depois, tenho casos esporádicos de crianças que me ensinaram algumas coisas, mas não sei se interessa.


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

No segundo ano, nós no centro de estágio aqui mais próximo de Valongo, na altura estava lá um projeto dinamizado pela T., que depois mais tarde esteve no Ministério, uma pessoa muito falada, que tinha um projeto muito ambicioso, muito diferente já naquela altura. Eram várias salas em que as crianças passavam, não havia grupos pré definidos. Elas podiam circular por diferentes salas onde estavam disponíveis diferentes ateliers, uma sala era mais para artes, outra sala era mais para outros domínios. E foi uma experiência que me marcou pela diferença .

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