Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Organização Pedagógica

I

Descrição: Tradicional, em grupos, personalizado, etc.


Arquivos\1º Ciclo\Abel> - § 5 referências codificadas [5,90% Cobertura]

Entretanto, vou para Castro Daire. A colega que estava a substituir em Mortágua, numa terra que se chama Marmeleira... A colega estava de atestado médico, estava de licença de maternidade. Entrou ao serviço e eu fiquei sem escola. Fui para (incompreensível) e foi uma situação horrível, porque eu fui substituir um colega que eu conhecia e que tínhamos alguma relação de amizade - morreu de acidente. Eu era confrontado todos os dias, durante uma série de tempo, com "o professor J. não fazia assim". Eu até consegui apanhar aquela turma... foi terrível. Curiosamente, o momento de eu os conquistar foi num dia em que se começou a ouvir um carro de rally a fazer barulho. Eu disse: "Vamos ver o rally!" Eles disseram para mim: "O professor J. também fazia isso". Eu apanhei-os neste momento. Apanham-se com pequenos pormenores, eventualmente, se eu não fosse ver o Rally nunca mais apanhava-os.


Arquivos\1º Ciclo\Bruna

Nós gostávamos daquilo que fazíamos. Depois, quase ninguém nos questionava, nem perguntava o que é que se esteve a fazer, como, quando, avaliação... Nós fazíamos uma avaliação diária, nós sabíamos o que é que os meninos sabiam, o que é que os meninos não sabiam, embora não tivéssemos registo, quase nenhum, da nossa realidade. Eu acho que nós trabalhávamos... Hoje em dia isto era impossível.


Arquivos\1º Ciclo\Carmina

Assim como se faz o acolhimento aos novos alunos que ingressam no primeiro ano... Temos também na nossa escola os padrinhos e os afilhados. O quarto ano é responsável pelo primeiro ano. Eles sentem-se importantes. "Vocês têm de dar o exemplo!". E nós também aproveitamos essa parte (risos). Os pequeninos ficam sempre com uma ligação muito engraçada. De 15 em 15 dias, tentamos fazer uma atividade em comum. Este ano já fizemos com a alimentação - provarmos alimentos em comum. Já fizemos Educação Física em comum, já cantamos. Sempre a parte mais lúdica, que eles adoram e dizem: "Já há muito tempo que não vamos aos padrinhos!". É muito gratificante.


Arquivos\1º Ciclo\Clara

Olhe, posso referir a Área Aberta. É como digo, as coisas não aparecem por acaso. E muito antes da década de 90 eu trabalhei (estava na escola do Magistério Primário quando foi aberta uma escola que existia nos Capuchos e que o espaço já era diferente). Nós já colaborávamos umas com as outras, as que estavam perto. Nós não tínhamos o espaço da área aberta, mas já colaborávamos com os alunos e com atividades…


Arquivos\1º Ciclo\Filipa

Eu costumava dizer, no princípio do ano, quando fazia reunião com os pais, que eu era uma pessoa imperfeita, e que ao longo do ano eu poderia ter uma atitude que revelasse impaciência, uma atitude um pouquinho mais agressiva – agressiva na maneira de falar, nada como antigamente – ou um castigo que eu pudesse dar. E eu dizia aos pais que eu era uma pessoa imperfeita, e que, por isso, errava como qualquer outra. Se eles tivessem alguma coisa que achassem que tinha corrido mal, que primeiro conversassem comigo para esclarecermos. Depois, se achassem que eu não tinha razão, que tomassem as providências que estavam ao seu alcance.


Arquivos\1º Ciclo\Gabriela

E tive apenas, se calhar há dez anos para cá, a visita de uma inspetora que esteve aqui mas que foi lá à minha sala, e eu nessa sala tinha uma criança invisual e tinha um com trissomia 21. Portanto, estes miúdos devem andar, se calhar, no oitavo ou nono ano. Portanto, não foi há tantos anos assim, e tinha uma criança de etnia cigana. O resto da turma era uma turma que acompanhava muito bem, mas havia estas crianças. E eu tinha muito apoio, tinha a psicóloga e a terapeuta da fala. E a outra terapeuta que acompanhava aquela menina invisual. Mas pronto, tinha momentos em que a gente estava com todos na sala e não era fácil. Então esteve lá a inspetora, e disse-me a coordenadora "olha vai para a tua sala, a inspetora", e eu disse "olha deixa-a vir, que é para ela ver o que eu lá tenho, deixa-a vir que faz bem". E ela chegou e disse-me "hoje venho estar um bocadinho aqui na sua sala", "faz bem senhora inspetora!", "e onde quer que me sente?", "onde a senhora quiser, onde a inspetora quiser". Sentou-se e nesse dia, o quarto ano estava a apresentar as elevações de Portugal, as serras, os rios. Eles tinham feito em casa um trabalho, em grupo, depois nesse dia iam apresentar, portanto nem foi muito a mim que ela viu, porque foram mais eles que estiveram a apresentar, eu estava a coordená-los e orientá-los, mas ela gostou muito. Tinham sido trabalhos feitos em grupo, por eles, e cada grupo ia apresentar.


Arquivos\1º Ciclo\Gisela

E a gente fazia assim, estava um bocadinho a trabalhar com um ano, o primeiro ano, o segundo, deixava os outros lá fazer um texto, as tabuadas, que era uma coisa que a gente tanto massacrava para aprenderem as tabuadas. Eu acho que era totalmente diferente, então, sei lá, meia hora com outros, quando havia uma atividade que pudéssemos fazer com todos, uma canção, um jogo… tínhamos tempo para tudo, para tudo. E dávamos os quatro programas e fazíamos festas, encontrávamos com outras escolas, era o conselho escolar como a gente chamava. Às vezes fazíamos aquelas festas de Natal numa escola qualquer. Ensaiávamos, tínhamos tempo para tudo. Agora ninguém tem tempo para nada. Os meninos andam a correr de um lado para o outro.


Arquivos\1º Ciclo\Graziela

E eu então ensinava esses miúdos a apanhar a camioneta sozinhos e depois a virem embora sozinhos. Como é que eu fazia? A primeira vez ia com eles dentro da camioneta e saía. E depois vinha. A segunda vez, ele entrava na camioneta, eu tinha o meu carro numa posição em que eu tinha que parar primeiro do que a camioneta, para ver se o miúdo saía no sítio certo ou não. Compreende? E era assim que eu treinava os miúdos.


Arquivos\1º Ciclo\Ilda

Tudo o que seja responsabilizá-las. Por exemplo, eu faço com eles o plano do dia. Ainda sou eu, muito, a dizer o que vamos fazer, embora haja rotinas que eles já integraram. E há dois responsáveis por escrever o plano do dia numa folha, porque [no final] precisamos de apagar o quadro, [para] se fazer o balanço do dia. Invariavelmente esqueço-me do balanço do dia. Eles não se esquecem! “Professora, olhe o balanço do dia”, “Ah, ok, ok, vamos lá” (risos).


Arquivos\1º Ciclo\Inês

Não, mas era assim. Uma professora de manhã, outra de tarde, portanto, não nos encontrávamos muito. Mas, entretanto, fizeram uma sala, ao lado, para a educadora, e trabalhávamos imenso em conjunto com ela, porque trabalhávamos ao mesmo tempo. E foi uma experiência muito engraçada, gostei imenso, porque fazíamos imensos trabalhos juntas. Foi muito giro.


Arquivos\1º Ciclo\Irene

Eu queria trabalhar com crianças, portanto eu estava num agrupamento de escolas que tinha uma escola bilingue para alunos surdos, a minha especialidade. Foi para essa escola que acabei por concorrer, para esse agrupamento precisamente para poder trabalhar na minha área, com os surdos. Portanto, tinha turmas de primeiro ciclo. Eu trabalhava com alunos surdos de primeiro ciclo, que têm turma específica. Mas como eu sou muito apologista da inclusão, embora na escola bilíngue os meninos surdos, severos e profundos, devam estar juntos para poderem em língua gestual, receber o seu currículo, currículo de primeiro ciclo. Eu tentei sempre que os meninos estivessem juntos com meninos ouvintes para poder [estarem juntos também] nas questões da aprendizagem, não só nos recreios, não só nas atividades mais práticas como educação física e, às vezes, artes. Então eu fazia parcerias com os meus colegas para podermos fazer troca de trabalhos, para fazer trabalhos em conjunto.


Arquivos\1º Ciclo\Isadora

Recordo-me de uma menina que tinha muito jeito para a expressão plástica. Eu fazia máscaras no Carnaval, a única coisa que nós fazíamos no Carnaval era máscaras. Não havia desfiles, não havia nada disso. Aquela menina tinha muito jeito. Ela fazia umas máscaras muito giras e eu aprendia com ela. (risos). Também encontrei um miúdo que tinha um cálculo mental extraordinário. Eu tive que treinar o meu [cálculo mental] porque ele dava-me as respostas e eu quase nem tinha pensado nela. "Deixa-me cá treinar. Vou preparar a pergunta e pensar na resposta para quando eu perguntar, eu já saber." (risos). Naquela altura, eu ainda era muito inexperiente.


Arquivos\1º Ciclo\João

Setúbal sempre me agradou muito, tanto que ainda cá estou. E fui trabalhar para Vendas de Azeitão e apanhei o primeiro ano logo. Foi fascinante. Eu e a I. pertencemos desde sempre ao Movimento da Escola Moderna. Eu acho que as pessoas, antes de serem disto ou daquilo, antes de pertencerem às coisas, já lá têm que ter os embriões, as ideias, as afinidades. E nós tivemos. E eu penso que, sorte, ainda no Magistério contactámos as escolas anexas. E tivemos a sorte de contactar com pessoas que queriam outras práticas pedagógicas.


Arquivos\1º Ciclo\Mónica

Nas escolas maiores, por exemplo, tinha duas turmas de segundo ano, ou duas turmas de terceiro ano, fazia-se as planificações já em comum, a metodologia que se ia aplicar, como é que se ia fazer, como não se ia fazer; essas coisas já se iam fazendo, ainda que… pronto, [ainda] que não fossem… talvez, o problema da nossa classe fosse não ficar registado. Faz-se e não fica registado porque é natural fazer-se. Não é nada de especial o que se está a fazer. É uma coisa natural, portanto, porque é que tem que ficar registado? Há algumas coisas, dessas boas que se fizeram que ficaram perdidas na memória porque não ficaram registadas, mas era natural. Para quê que nós precisávamos de registar aquilo se a função que nós tínhamos era fazer esse tipo de trabalho?


Arquivos\1º Ciclo\Morgana

Todos estávamos a aprender como é que se podia tirar o máximo, utilizar o máximo das potencialidades dos computadores na sala de aula. Depois havia aquela discussão de que é preciso que cada menino tenha um computador ou não, ou se podia vir a uma organização em que eles pudessem circular por todos os computadores que estivessem na sala de aula. Perante isto, no primeiro ciclo, é muito fácil entender e é mais fácil de ver. A partir do quinto ano era a questão das salas de computadores em que eles iam todos ao mesmo tempo, é completamente diferente. Mas até desse ponto de vista, até o primeiro ciclo, acabou por ter um papel interessante e questionador por ser mais fácil, por um lado, pela questão da monodocência. Quando era um professor com um grupo e, sobretudo, os professores que já tinham uma maneira diferente de trabalhar com os seus alunos, facilmente lidavam com haver um computador, era a mesma coisa que na pintura, também não podiam estar muitos ao mesmo tempo ou nas experiências, na biblioteca, na sala do primeiro ciclo, nesses momentos de atividades autónomas, havia já uma série de regulação e de regras que foi muito fácil integrar o computador. O que estava ali em causa mesmo era aprender a usar o computador, as potencialidades do computador. E isso foi muito interessante.


Arquivos\1º Ciclo\Roberta

É bom existir aquele horário para eu pensar, porque eu tenho que escrever o sumário todos os dias e tenho que escrever o que é que fiz no Português, na Matemática, na Educação Física, e às vezes ao escrever o sumário, eu faço o balanço do dia e penso "trabalhei muito tempo Matemática e devia ter estado menos tempo". Ajuda nesse aspeto. De resto, não serve para mais nada, porque ninguém os lê e é uma obrigação que a gente tem e ninguém os lê. Nem os pais têm acesso ao sumário - que eu julgava que tinham. Eu pensei que nós íamos escrever sumário para depois os pais poderem consultar, mas não! E, portanto, é uma formalidade. E é impossível ensinar Matemática naquelas 7h. Português e Matemática têm que ser em muito mais horas do que as previstas. E o Estudo do Meio também tem um programa extenso, e não é que não seja importante, mas é muito trabalhado no meio das outras atividades, do Português e da Matemática, no primeiro ciclo. Depois já não. Mas isso não me afeta. Não me afeta mas vou dizer: afetou imenso o ensino porque os meus colegas passaram a ensinar assim. Há muita gente que dá uma hora de Matemática, acaba aquela hora, pára onde estiver, a seguir dá a hora de Português, faz tudo como tem escrito e pronto. Eu sempre [fui] contornando a situação e nunca tive problemas com isso, antes pelo contrário.


Arquivos\2º Ciclo\Alda

Por exemplo, eu recorria à Matemática para relacionar com a vida pessoal. "Todos os problemas têm solução, quer da vida, quer da Matemática.". Nós não podemos, digamos, cruzar os braços. Depois aquela ideia de que tínhamos que ver para além da montanha, que é também o desenvolvimento de capacidades. Não pode ser só o que eu tenho na frente. Se o que está na frente não me ajuda, eu tenho que ir procurar para além.


Arquivos\2º Ciclo\Carmo

Um dia, fui a um encontro de bicicletas dessas e conheci o irmão do vice-presidente da federação. Estava a passear e vi-os! Convidei-os a entrar na escola. Ele ficou abismado. E ele disse-me: “Tens de me ajudar. Vai ser lançado agora na federação um mega projeto que se chama ‘Ciclismo para Todos: o Ciclismo vai à Escola’". Na altura já não estava na faculdade, nós fazíamos tudo fora de horas.


Arquivos\2º Ciclo\Cecília

Envolvemo-nos num projeto, no projeto MAIA. Trabalhamos com os professores e explicamos aos professores que os instrumentos de avaliação não são unicamente os testes de avaliação, podem nem ser, podem nem fazer sentido naquela turma, naquele período, naquele tempo… explicamos isso aos pais, também. Depois, os pais veem-se confrontados com outras realidades. É um percurso muito difícil, muito demorado. Que faz sentido, mas demora o seu tempo.


Arquivos\2º Ciclo\Constança

Eles não percebiam nada! Eles não conseguiam fazer e aquilo foi um andar para trás, até tentar chegar ao nível em que eles compreendiam alguma coisa do que eu lhes queria ensinar. E no meio dos ensinamentos iam muitas regras, muita cidadania e muitos valores. Pronto. Eu na altura até lhes dava matemática 6h00, era diretora de turma, tinha duas horas extra para estar com eles porque era uma turma difícil, portanto foram dados dois tempos para estar com eles. Ainda não havia aqueles tempos para direcção de turma com alunos, nem formação cívica. Não havia nada disso. Mas nesta turma, a escola entendeu e muito bem e, de facto, eles tinham.


Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda

Eu, no ano passado, e há dois anos, tive uma turma em que eram duas meninas que se destacavam. Ambas [eram] descendentes de Caboverdianos, mas elas têm nacionalidade portuguesa, uma mãe era de cá, e eu disse “vocês eram alunas para mim”, e eu disse “olha, vocês têm na vossa mão a capacidade de mudar o vosso destino, porque vocês são crianças inteligentes, agora têm que cumprir o que a professora diz". E isso faço com todos, ensiná-los a estudar, obrigá-los à força de entregar-me apontamentos no dia do teste, ou seja,"é a única maneira“. E dizer-lhes: “quem me entregar os apontamentos escritos e souber, porque eu vou ver no teste, que eu sei, isto no caso da História, eu dou mais cinco pontos”; “A sério?” Sempre que é necessário, eu dou o desconto necessário, porque eu vi que eles fizeram um esforço para estudar. Enquanto que alguns vão para os ATL e para as explicações, aqueles não têm mais ninguém, estudam sozinhos, e estando em casa sozinhos... Nós vimos nas aulas online, com um grupo familiar às vezes em casa, com muita gente, como é que eles podem ter um cantinho e serenidade para se concentrarem? Eles têm que fazer um esforço suplementar, e portanto, eu sempre lhes disse que eles acreditassem que eles são capazes de mudar o destino.


Arquivos\2º Ciclo\Fátima

Eu penso que era a aula, propriamente dita, sobretudo tentar incentivar os alunos a que eles fizessem perguntas, se entusiasmassem. Eu sempre contei muito as histórias da História… Sempre gostei muito de dar a História através de histórias, e incentivava-os muito, por exemplo, a ler a coleção das Viagens no Tempo… E era uma coisa que me dava gozo – inclusivamente, aceitei sempre, de bom grado, ser professora da mesma turma das duas coisas – de Português e História – porque eu conseguia ler histórias, ler textos, na aula de Português, em que, depois, repegava na História. Claro que numa turma de miúdos interessados a coisa era muito melhor...


Arquivos\2º Ciclo\Fernanda

Mas a articulação é uma situação que incomoda muito. Os professores trabalharem colaborativamente... Quando tínhamos a Área de Projecto isso acontecia efetivamente. Tínhamos de trabalhar em conjunto…


Arquivos\2º Ciclo\Glória

Pronto, com aqueles horrores de 34 alunos por turma, tínhamos nós, naquelas salinhas… ainda tínhamos aquela disposição em U – que apareceu depois do 25 de abril, a disposição em U para as preparatórias.


Arquivos\2º Ciclo\Iva

Eu também uso [o computador], sem dúvida, mas numa perspetiva um pouco diferente. Não uso, propriamente, para só transmitir conhecimento. Há, por exemplo, a oportunidade de observar monumentos nacionais ou outra coisa do género. Também [uso] para divulgar o trabalho dos próprios alunos e melhorar o trabalho que os próprios alunos construíram. Assim eles melhoram, segundo o meu ponto de vista, a sua aprendizagem num suporte que é deles e não nosso.


Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís

Fiz a reunião de pais e, às tantas, no meio da reunião de pais, confronto-me com os pais todos e todos a falarem entre eles. Uma confusão que ninguém me ouvia. E olhe, foi mesmo assim, cruzei os braços e calei-me que era o que muitas vezes fazia com os alunos. Quando eu começava a ver que não vale a pena berrar se eu falo mais alto que isto, eles vão falar mais alto. Portanto, eu vou cruzar os braços e vou-me calar. E eles quando diziam "a professora está calada, a professora está calada", "Eu estou à espera que vocês me dêem autorização para continuar a aula". E com os pais fiz o mesmo. Cruzei os braços e calei-me. E os pais ficaram assim, admirados, eu disse: sabem uma coisa e eu agora percebo porque é que a turma é assim. É que os pais que eu tenho na minha frente, os filhos, são iguais aos pais. Falam, falam e ignoram que está aqui um professor a fazer uma reunião.


Arquivos\2º Ciclo\Orlanda

Aliás, eu sempre que havia um problema com um aluno ia ter com o Conselho de Turma, ou com o professor do primeiro ciclo e perguntava: “O que é que se passa com este aluno para ele não estar a acompanhar?”. Então, nós discutíamos estratégias diferentes para que esses alunos acompanhassem.


Arquivos\2º Ciclo\Quitéria

Na E.E., trabalhei na biblioteca da escola e a trabalhar na biblioteca uma das coisas que nós fizemos com os garotos era tentar incentivá-los a saberem consultar um ficheiro e procurar um livro, ir buscar o livro à prateleira, voltar a arrumar no sítio todas [as] coisas. Trabalho de biblioteca.


Arquivos\2º Ciclo\Sofia

Não sei. Acho que não. Tenho muitas positivas, sobre aquelas atividades do plano da escola que deram muito resultado porque motivou e interessou os alunos a aprender.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina

“Então, se vocês saem de casa para vir às aulas, e depois vão para casa e não fizeram nada – e eu também saio da minha casa e depois vou outra vez e não ensinei nada… vocês não aprendem nada, não ensinei nada… não me está a agradar isto. Nós temos que arranjar aqui uma forma de aprendermos qualquer coisa”. “Oh, professora, mas nós saímos…” – Eu tinha uma aluna que andava uma hora a pé pelo túnel dos carris para chegar a casa, por volta da meia-noite – “Nós vimos tão cansados…”. “Pois, eu também acho que vêm, também acho… mas olhem, vamos aqui… vou dar esta matéria, convosco… vamos organizar aqui um grupo, vamos formar um grupo, eu formo convosco, um grupo, um grande grupo!” E vamos todos aprender. Eu prometo uma coisa: Não mando fazer nada para casa. Mas era a mesma professora exigente que sempre fui, eu nunca fui diferente. “Vamos aprender tudo aqui. Eu não consigo mandar-vos fazer trabalho nenhum em casa, mas também não consigo deixar de dar a matéria que estava a dar de dia.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu

É curioso porque nós não tínhamos nem computador. Eu fazia recortes e colagens para fazer [trabalho] com os aspectos técnicos. [Tenho] cadernos feitos à mão e outras coisas escritas. Portanto, no meu tempo de estágio eu fiz esse trabalho todo. Eu tinha um livro de (incompreensível), aqueles livros franceses. Então, eu tirei fotocópias, cortava, colava e tinha ali os erros todos para me ajudar a melhorar no conhecimento do conteúdo para depois transmitir.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália

Colaborei – e alguns dinamizei – em vários projetos com os alunos. Projetos que agora chamam-se projetos, que, na altura, eram atividades... vamos fazer aqui umas coisas engraçadas para mobilizar os alunos. Isso também me dava muito prazer, gostava.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora>

Porque eu dizia aos alunos: “Amanhã ou no dia X, vai dar um programa sobre, por exemplo, a inflação, vocês ouçam, não vão perceber nada, depois nós aqui discutimos”. Levava recortes de jornais e coisas para incentivar, para motivar. Era o problema da motivação. Eles diziam: “Oh professora, não olha para o livro?”. Eu respondia: “Eu não preciso de livro, eu tenho as minhas palavras (risos), não preciso de livro para nada”. Dava exemplos e eles é que chegavam às definições. Eu, depois, incentivava-os e dizia assim: “Estás a ver? Vocês afinal sabem mais de economia do que pensavam” - eles é que chegavam lá. Eu queria mostrar que não era preciso decorar. Há coisas que é preciso decorar, como os rios, as serras - isso é preciso. Em economia quase não é preciso decorar nada. Então, mostrava a + b + c... eles chegavam lá - ficavam muito contentes. Iam para casa e diziam: “Eu li o livro e não percebi nada do que está no livro”. Eu dizia: “Percebeste o que eu disse?”. “Percebi tudo, mas do livro não percebo nada”. “Então anda cá! Olha isto é isto que eu digo”. “Ai é?”. “Pois, tu não sabes, é português” (risos). O problema é esse, era de interpretação.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila

Em relação a escritores contemporâneos, por exemplo, José Luís Peixoto, etc.. o primeiro contacto que tive com [o escritor], com o que ele escreveu, foi através de um aluno, eu tinha uma turma de Literatura. Foi quando as aulas mudaram de 50 para 90 minutos. Os meus não aguentavam aqueles 90 minutos e então fazíamos sempre um intervalo em que cada um deles trazia um texto que líamos e comentávamos. Eu também levava textos, os meus, que eram selecionados. E um dia, um rapaz que agora por acaso é professor nas Letras, apareceu com um texto lindíssimo, um poema lindíssimo e eu perguntei "Oh P. onde arranjaste isto?", ele disse "Oh, foi na internet, num site de um rapaz que se está lançar, o José Luís Peixoto". E eu a partir daí comecei a seguir para ver e hoje é um dos meus autores contemporâneos preferidos. Aprendi muito com ele.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva

É assim, eles sabiam que iam ao teatro, mas que depois tinham que fazer qualquer coisa a propósito. Às vezes eu quase que ia, como eu costumo dizer, eu quase que ia a Lisboa para ir a Braga. Porquê? Porque tentava sempre aproximar-me do programa, do autor que estivéssemos a trabalhar na altura ou da obra ou o que já tivéssemos trabalhado. Houve um ano em que eles participaram no projeto do Teatro Nacional São João, que se chama "Escolas no Teatro". E eles fizeram o suplemento do jornal da escola, fizeram um suplemento com os trabalhos deles, textos de opinião, recensões críticas, por aí fora. E eu e outra colega selecionámos os textos dos alunos, por isso eles sabiam que tinham que fazer qualquer coisa e por isso não era só ir passear. Aliás, qualquer atividade fora de portas - eu fui buscar essas expressão exatamente ao Teatro São João, quando eles vão representar para outros sítios - atividades fora de portas e eles não vão a seco, nem vêm a seco. Eles têm que fazer qualquer coisa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana

Foi muito difícil porque eles eram, de facto, alunos muito fracos. Eu primeiro comecei com o Inglês, porque eu tinha o curso Inglês-Português. Nunca mais me esqueci. Precisamente numa dessas turmas, estávamos a dar o vestuário, e a certa altura diz um: "Stora, como é que se diz cuecas?". Eu fiquei assim, a sentir-me corar, mas virei-me de repente para o quadro e escrevi a palavra. Calou-se, tudo bem. Estes pormenores pequeninos. Vamos lá testar a professora e ver até onde aguenta.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara

Eu gosto de chegar às minhas aulas e gosto de olhar para as minhas turmas, para os meus alunos, e estou assim, em pé. Às vezes encosto-me à secretária, não é? Portanto, estou virada para eles, e a minha aula preferida é essa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia

Houve um menino, que não era, de facto, muito bom aluno, mas que se esforçava imenso, e num teste eu fiz uma coisa estúpida, que era incapaz de fazer num exame. Consegui, na [escola] D., que houvesse percentagem nos testes, Não havia, eram os Sufs, e os Bons, e os Muito Bons, e eu disse: “Que é isso? E o resto, guardas para ti? Na caderneta? Nem penses, é obrigatório!”. Obrigatório, sim, houve algumas coisas em que eu era um bocadinho ditadora. Essa era uma delas. Os meninos têm direito a saber a percentagem que tiveram. No seu tempo isso já é óbvio, mas não era assim. Bem, mas esse miúdo tinha 49%. Eu não estava muito atenta, mas às tantas ele estava ao pé da janela e chora, chora, chora, chora. Eu vou ter com ele: “Que se passa, pá?”. “Oh Professora, 49%?”. Eu disse: “Tens razão, é uma nota foleira que se farta, 49 não se dá a ninguém. Mas não é importante, para mim 49, 50, 51, 52, é a mesma coisa, qual é a diferença de 1 ponto em 100? Pensa lá, qual é?”. “Ah, para a professora não é, mas para a minha mãe é”. Eu virei-me para a turma e perguntei: “Meus amores, posso virar isto 50?”. E eles: “Claro, professora”. Risca, 50, rubrica por cima. Pronto, este tipo de coisas a que os miúdos não estão habituados, e deviam estar faz com que a relação seja muito próxima.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria

Era o meu grande desafio, saber lidar com as diferenças dos alunos em termos de competências e das capacidades. Então tentava fazer as duas coisas, tentava dar os mais evoluídos ter prazer na aula e pô-los a jogar. E então eles os tiraram da aula e era isso que eles queriam. Depois pedia a eles para integrarem os mais fracos e a função deles não era tirar partido do jogo, mas era “OK, vocês vão ajudar os vossos colegas a evoluir. Olha manda lá a bola para ele passar para o lado de lá, pões a bola para receber”. Eu não sabia, chegava lá e a bola estava sempre no chão e a mim doía-me isso.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde

Não, não. Eu sei o que quer dizer mas não é do meu tempo. Não sei, francamente, acho um bocadinho estranho. Se calhar tinha uma razão, mas eu nunca percebi qual era a vantagem disso. Nunca percebi a vantagem dessa mudança. Já não é do meu tempo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia

Por exemplo, o álbum de fotografia da família. Nós éramos uma família. Arranjamos um cartaz grande, onde cada aluno colocava a sua fotografia, nome, etc. Todos eles se sentiam acarinhados. Um jogo que se faz muito no [ensino] básico é aquele em que um assume a identidade do outro. Apresenta o colega que está ao lado. "O que vocês acham que é importante saber de cada um? Nome, idade, onde reside, passatempos,...". Eles é que dizem o que querem saber de cada um e nós fazemos um esquema. Cá está, isso também é disciplina. Depois de tudo negociado começamos o jogo.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo

Aí tive uma experiência engraçada de trabalho... era uma aldeia, e podia fazer algumas coisas que eu gostava muito, que era vir com os miúdos para a rua, descrever o que se via, ver os animais. E é uma experiência muito boa.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Teresa

E então na altura, a Biologia fala muito sobre a biotecnologia e as tecnologias de ponta e então na altura estávamos a falar da hereditariedade e do DNA e eu lancei-lhes um desafio - "e se vocês pegassem em artigos de investigadores? Podem ser portugueses, podem ser estrangeiros. Vocês, que dominam a internet, vocês vão procurar artigos de investigadores e vão fazer um textinho que toda a gente entenda". Pronto, isto é uma trabalheira, porque eles eram 20 e tal alunos e eu tive que corrigir aquilo tudo.

Entrevistadora: Em que ano é que foi professora?

Teresa: Já foi em 2000 e pouco, foi por aí. Já lá vão assim uns anitos e eles aceitaram o desafio. Foram eles que depois acharam qual seria o formato da revista, todos fizeram o formato igual dos textinhos. Como é que seriam os títulos, e ficou uma revista muito bonita. Aquilo era para ser tipo uma brochura.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta

E, por exemplo, os telemóveis: eu não vou tirar o telemóvel a ninguém, mas façam o favor: o telemóvel vai para a mochila. Não é no bolso, nem é aqui nem é ali, é na mochila. Porque aí, se forem buscá-lo eu percebo, se forem buscá-lo eu percebo! Se não forem… portanto, não podem ter o telemóvel noutro sítio. Depois, outra: tive uma turma muito difícil, um 9º ano muito difícil. Eu cheguei a dizer a um – aí zanguei-me a sério, porque ele era muito malcriado – “Olhe que se eu tiver que pegar na cadeira e dar-lhe com ela na cabeça, eu dou”. Não dava nada, mas pronto. Mas não passou disto. Mas essa turma nunca mais me esqueço, eles – havia dois terríveis, lá ao fundo da sala, claro. Eu estava a dar aula: eu nunca me sento, eu ando sempre. Depois tinha uma preocupação muito grande, que é: eu levo a aula – que veio do estágio, não é? – eu levo a aula na minha cabeça preparadinha, portanto, eu não estou dependente de papéis disto ou daquilo, então, eu ando pela sala…e vi que eles estavam entretidíssimos com um disparate qualquer. E eu continuei a dar aula: falo nesta fila, venho para aquela, venho para aquela, vou para os distrair, vou, vou pela fila do fundo, chego à beira deles…eles estavam com um desenho na mão, tão entretidos que nem sequer se aperceberam que eu cheguei. E eu cheguei lá, tiro-lhes a folha: ficaram brancos. “Ai professora, ai professora, ai professora…”. O que é que era a folha? Estavam a desenhar um homem dobrado e o outro a fazer…pronto, dois homossexuais. E eles estavam a desenhar. E eu disse: “Ora, pois muito bem: isto vai já para a Diretora de Turma!” – “Ai, professora, não, não, não, ai, os nossos pais” – “Pensou nisso antes?” – que eu também não gosto de tratamento por tu, nunca me habituei – “Olhe, nós vamos fazer o seguinte: isto vai ficar comigo, eu vou guardar isto até ao fim do ano. Para a próxima, isto vai direitinho para a Diretora de Turma. Mas direitinho!”. Foi remédio santo. Foi a maneira de eu depois conseguir…quando havia qualquer coisa, eu dizia: “Olha a folha”. Foi o meu seguro de vida.


Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio

O destino ou algo que foi, juntou-nos em Vila do Conde e foi um ano muito produtivo, muito produtivo. E fizemos nesse ano, só para falar de algumas atividades, por exemplo, fizemos um almoço medieval. E eu estava a lecionar literatura medieval. E então: “O que é que vamos fazer?”. Resolvemos fazer com os alunos, sempre tudo com os alunos, um almoço medieval. A escola abriu, foi fantástico, porque os miúdos produziram, os miúdos envolveram-se imenso, fizeram textos, tínhamos lá uma miúda, já não me lembro do nome, que produziu uma pauta para uma cantiga de amigo. Eles dançaram. Foi muito interessante.


Arquivos\Pré_Escolar\Adelaide> - § 1 referência codificada [1,00% Cobertura]

Tínhamos dos três meses até aos cinco anos, até o ingresso do primeiro ciclo e fazia-se rotativamente. Tenho saudades de quando estava na sala dos bebês - eram grupos pequeninos, adoráveis. Dentro das instalações - que já eram usadas - conseguíamos ter ambientes de trabalho mesmo espetacular.


Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa

Também nos meninos da primeira escola para onde eu fui... era uma escola muito pequenina, com meia dúzia de crianças. Aquilo custou-me imenso. Diria que foi o pior ano da minha carreira. Não gostei da experiência. Eu vinha habituada a um grupo grande e ali era um grupo heterogéneo, muito reduzido. Tinha dias de ter três crianças, sem saber o que ia fazer... sempre a cumprir um horário rigorosamente com três crianças. Quer dizer, não gostei da experiência. Foi péssimo. O ano não passava, não gostei.


Arquivos\Pré_Escolar\Arminda

Havia um planeamento conjunto, sempre fiz um projeto curricular do grupo onde distinguia as duas aulas lá, mas só nisso, porque havia períodos... eles iam lanchar todos juntos. Por exemplo, a meio da manhã, eu fazia sempre uma atividade conjunta com as duas salas. Ao voltar, ou ao desenvolver qualquer coisa, era sempre em conjunto, por mim ou por ela. Eles estavam ali. Depois, íamos para a sala, fazer o registo, as tarefas - mais no ambiente de fazer registos - de trabalhar isso e aquilo, era mais viável dentro de cada sala por causa do número de crianças, até que começava a funcionar.


Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda

Acabava por ter muito boas condições. Mas tinha aquilo que todos os jardins de infância tiveram durante muitos anos, que era a criatividade dos educadores. Criatividade para começar a fazer as áreas - os chamados cantinhos das salas. A maior parte deles [dos educadores] não tinham mobiliário. Agora a gente olha para os catálogos e mobila o jardim de infância com tudo e mais alguma coisa.


Arquivos\Pré_Escolar\Helia

Eu sempre tive, as ciências faziam parte. Aliás, eu planificava a semana, neste dia vamos fazer isto [...] mas não é as atividades, é a área. Vamos aqui, vamos trabalhar a linguagem, vamos ler histórias todos os dias. Agora vamos trabalhar a matemática e assim vamos fazer esta história. E sempre determinei com eles, o meu jardim de infância sempre foi uma comunidade tal e qual como em casa. Isto é muito mais simples do que aquilo que as pessoas sonham.


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana

Andava com as crianças pelo monte.... E os pais vinham buscá-las às sete horas, porque eu vivia por cima de um café, portanto havia tranquilidade... e procuramos fazer visitas de estudo e aí nós tivemos a colaboração da autarquia, ao nível de dinheiro para alugarmos os autocarros. Foi a primeira vez que as crianças foram a Viseu, Fomos ao Portugal dos Pequenitos. Foi a primeira vez que as próprias mães tinham saído. Por exemplo, no Portugal dos Pequenitos, nós não tínhamos auxiliar, ia lá uma senhora depois limpar a sala ao fim do dia.


Arquivos\Pré_Escolar\Noel

Eu tirava muitos diapositivos porque nas reuniões de pais, em vez de estar só com conversa, eu achava muito mais importante dar a imagem dos filhos deles no jardim de infância e, portanto, não tenho dezenas, [tenho] centenas de diapositivos!


Arquivos\Pré_Escolar\Olga

O avental faz parte. Não consigo estar com a roupa normal na sala de atividades. Eu já saí com ele noutros sítios, sim, mas dentro da sala, no contexto dos ateliers, tenho que ter uma coisa que limpe a cola, que apare a tinta. Às vezes vai para as calças, para os sapatos, mas de qualquer maneira, o avental faz-me sentir que estou dentro da sala de atividades com as crianças. Se me falta o avental, parece que me falta uma peça de roupa, que me sinto quase, enfim, quase nua, digamos.


Arquivos\Pré_Escolar\Rita

E então quando cantávamos canções, principalmente a dos fantoches, e cantávamos em português, em francês. Eu sempre, desde o princípio, usei as outras línguas - o inglês e o francês principalmente, o espanhol era raro - para lhes dar a noção de fonéticas e fonemas diferentes. Tudo isso ajuda e, portanto, nós depois pegamos aqueles bonequinhos e cantávamos em português. Depois cantávamos em francês também. Isso andou de geração em geração. Então, comecei a usar em atividade plástica, já.


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia

Foi dificil. No Colégio do X., só os primeiros cinco anos é que não tive grupo. Depois, pedi logo para ter o grupo de creche, porque assim podia estar com os meninos durante a manhã. Como os meninos, normalmente, à tarde dormem, eu tinha duas auxiliares, e eu podia fazer a coordenação. Fiz a gestão desta maneira e foi aceite. As reuniões eram marcadas para a parte da tarde, para eu não faltar aos meninos. Foi uma aprendizagem, em termos de organização e gestão de equipas.

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