Histórias de Ensino e Formação

Histórias de Ensino e Formação






FINANCIAMENTO

FCT - Fundação para a Ciência e a Tecnologia
(Grant no. PTDC/CED-EDG/1039/2021)
https://doi.org/10.54499/PTDC/CED-EDG/1039/2021




COORDENAÇÃO

Amélia Lopes
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto
amelia@fpce.up.pt
http://orcid.org/0000-0002-5589-5265

Leanete Thomas Dotta
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, Universidade do Porto, Portugal
leanete@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-7676-2680




EQUIPA

Amândio Braga Santos Graça
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
agraça@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1539-4201

Ana Mouraz
Universidade Aberta
ana.lopes@uab.pt
http://orcid.org/0000-0001-7960-5923

Angélica Monteiro
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
armonteiro@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-1369-3462

Fátima Pereira
Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
fpereira@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-1107-7583

Isabel Viana
Universidade do Minho
icviana@ie.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0001-6088-8396

José João Almeida
Universidade do Minho
jj@di.uminho.pt
https://orcid.org/0000-0002-0722-2031

Luciana Joana
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
lucianajoana@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0869-3396

Luís Grosso
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
lgrosso@letras.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2370-4436

Maria Assunção Folque
Universidade de Évora
mafm@uevora.pt
https://orcid.org/0000-0001-7883-2438

Margarida Marta
Instituto Politécnico do Porto
mcmarta59@gmail.com
https://orcid.org/0000-0002-0439-6917

Maria João Cardoso De Carvalho
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
mjcc@utad.pt
https://orcid.org/0000-0002-6870-849X

Paula Batista
Faculdade de Desporto da Universidade do Porto
paulabatista@fade.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-2820-895X

Ricardo Vieira
ESECS | Instituto Politécnico de Leiria
ricardovieira@ipleiria.pt
https://orcid.org/0000-0003-1529-1296

Rita Tavares de Sousa
Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE) Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto
rtsousa@fpce.up.pt
https://orcid.org/0000-0002-0919-4724

Sónia Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
srodrigues@reit.up.pt
https://orcid.org/0000-0003-0571-024X
FYT-ID Financiamento
DESIGN
José Lima e Pedro Meireis

PROGRAMAÇÃO
Pedro Meireis

Pré-Escolar, Anos Iniciais

I

Consulta de codificação em matriz - Visualização do [Conjuntos estáticos\Pré-Escolar, Códigos\Categorias FYT\1. Percursos\Primeiros 5 anos de trabalho]


Arquivos\Pré_Escolar\Gina

Referência 1 - 1,28% Cobertura

As câmaras na altura, quando eu terminei o curso, criaram jardins de infância que eram autárquicos. E eu logo que terminei o curso concorri para um deles. E fiquei durante, salvo erro, dois anos, nesse jardim de infância que pertencia à autarquia. Há dois deles onde eu estive, acho que foram dois anos. Sim, um ano num, outro ano noutro. Éramos educadoras da autarquia e eram edifícios construídos de raiz, porque na altura já se vislumbrava a questão da rede de educação pré-escolar ser alargada na rede pública. Depois acabei por concorrer mesmo para a rede pública, então não autárquico, mas do Ministério da Educação. E fui colocada numa aldeia aqui muito perto de Évora.
Entretanto eu não cheguei a ficar o ano inteiro nesse jardim de infância, uma vez que o meu marido na altura foi convidado para ir para a universidade. Era esse episódio que eu estava a contar. E eu segui com ele, portanto tive a permissão de ir e fui também para um público, ligado à autarquia, mas era público, entrava no sistema, isto era tudo no início. E eu agora nem lhe sei dizer o que é que enquadrava este jardim de infância, mas enquadrava porque o tempo foi-me todo contado. E eu pertencia ao ministério, às delegações escolares, era lá que nós fazíamos o nosso processo todo. Estive numa aldeia chamada Constantim, muito perto de Sabrosa. Talvez seis meses e depois concorri e segui fiquei colocada num sítio longíssimo, no Douro. Covas do Douro, é perto do Pinhão, conhece?

Referência 4 - 1,83% Cobertura

Gina: Posso-lhe aprofundar mais na questão do acolhimento. Agora não, porque somos nós a acolher as mais novas (risos), mas no princípio da carreira fui sempre muito bem acolhida. Eu lembro-me que em Covas, Covas do Douro, que era uma aldeia mínima, as figuras principais eram o Padre e o Professor primário. Nessas aldeias era assim. Entretanto chego eu e eles acolhem-me de uma forma...Eles queriam que eu ficasse em casa deles, que não viesse dormir a casa, porque eram muitos quilómetros. Davam-me tudo, "o que precisas, tudo o que precisares, diz". Eles faziam-me tudo. Era como se fosse uma bebé recém chegada. Era uma coisa impressionante! Às vezes, recordo-me que uma vez, era ensino público, escola pública, e uma vez o professor diz-me assim "é quase Natal, as férias estão aí, mas tu vai mais cedo porque tu moras tão longe, vai ter com a tua família, vai mais cedo que aqui não vem ninguém" (risos). Chegou a este ponto! (risos). Depois em Vila Real que já é uma cidade, é uma cidade onde tinha muitas colegas e onde nós às quartas-feiras, na altura, à tarde, salvo erro, nós não trabalhávamos. Nós tínhamos reuniões.


Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda

Referência 1 - 1,72% Cobertura

Eu terminei o curso com a média mais alta da minha turma e, à partida, nós dizemos que os melhores alunos têm sempre mais possibilidade. No meu caso foi o contrário. Como tinha saído com a média mais alta, fui a primeira a ser colocada. A colocação era por média. Era e ainda é. Então, andei a substituições. Enquanto as minhas colegas ficaram colocadas dia 1 de Outubro e começaram a trabalhar, mantendo-se o ano inteiro, eu trabalhei 13 dias. Eu fui fazer uma substituição de um atestado médico e a colega depois regressou. Voltei para casa. Estive em casa durante algum tempo sem trabalhar. Depois, voltei a ficar num jardim de infância, de novembro até dezembro. Em dezembro, a colega aproveitou a interrupção letiva do Natal e voltou ao serviço. Eu fiquei novamente sem colocação e só em janeiro do ano seguinte é que voltei a ter um jardim de infância até o final do ano letivo. Durante uma série de anos aconteceu isso. Nos primeiros meses, até janeiro, eu normalmente andava de jardim de infância em jardim de infância. Era quase como um caixeiro viajante. Quando à sexta-feira eu ia a Évora - porque eu sou do distrito de Évora - eu via as colocações e nunca sabia para onde é que eu ia começar a trabalhar. A mala já tinha aqueles objetos que me acompanhavam na rotina. Lamentavelmente, ligado com esta instabilidade da carreira docente - eu já estou aqui há 19 anos no Gavião.

Referência 5 - 2,44% Cobertura

Fiquei muito ansiosa. Lembro-me de que nessa noite eu não dormi. Lembro-me que escolhi a roupa com muitos pormenores - que eles se identificassem comigo em alguma coisa. Os pequeninos são muito espontâneos, comentam muito e dizem: "Estás tão gira!". Depois, por outro lado, estava ansiosa também com os pais. Eles já tinham tido outra educadora nesse ano letivo. Eu pensava: "Será que a educadora tinha muita experiência? Como é que ia ser? Vai haver uma comparação?" A primeira noite não dormi. Lembro-me que levantei-me muito cedo, estava pronta muito cedo. Lembro-me de ter trocado de roupa - ainda não estava muito bem. Depois, a minha ansiedade aumentou porque Évora Monte é uma aldeia pequenina e tem uma população - como a maior parte do Alentejo - muito envelhecida. Lá tinha uns banquinhos, daqueles de jardim com ripinhas de madeira, onde se sentavam os senhores da aldeia - que não trabalhavam já. No Alentejo, os homens usavam boina ou chapéu. Na altura usava-se. Toda a gente já sabia que eu era a nova educadora. Então eu ia muito incomodada, a olhar para o chão. Ao longo do caminho, os senhores levantavam-se e tiravam os chapéus e diziam: "Bom dia professora. Bom dia senhora professora.". Eu tinha 21 anos acabados de fazer [...] Foi assim, mas depois correu muito bem. Os miúdos do meu grupo, por acaso, eram muito simpáticos - daqueles grupos que se levam até muito bem. Tinha uma particularidade que era ter dois gémeos - nunca mais voltei a ter - e eu estava muito aflita com eles porque eles eram exatamente iguais. Não conseguia distinguir e andava sempre a trocar o nome. De tarde eu disse à mãe: "Sabe, isto é complicado. Eu não sei qual é um e qual é o outro.". E ela disse-me: "Oh professora, é as botas. Olhe para os pés. Um precisa de bota ortopédica e o outro não. As botas são iguais, mas elas têm ali uma diferença.". Só que eles eram muito espertalhões. Eles ouviram a mãe a contar-me e no outro dia foram à casa de banho e trocaram de botas (risos).

Referência 9 - 1,51% Cobertura

Aprendi muito neste ano. Foi um ano de muita aprendizagem. Nós terminamos os cursos - eu não tinha essa veleidade de dizer: "Ah, eu sei tudo!". Tinha a noção que tinha muito que aprender e era com a prática que eu ia aprender. Aprendi muito porque, os dois colegas que lá estavam no primeiro ciclo, era um primeiro ciclo muito tradicional. Mesmo, muito tradicional. Eram muito acolhedores e integravam, mas eram aquela visão do primeiro ciclo quase do meu tempo. Isso fez com que eu dissesse: "Não! Eu não quero ser assim. Eu quero fazer diferente". Ao mesmo tempo, pensei que os meninos que iam entrar no primeiro ciclo, depois podiam sentir uma diferença muito grande. Então, eu fiz ali um misto. Lembro-me que utilizei, no final do terceiro período, algo com que eu não concordava - e continuo a não concordar até hoje - que eram as fichas. As fichas, feitas a papel químico. Eu tinha muito medo. Eu respeitava muito os professores do primeiro ciclo. Eles estavam quase na reforma. Eram figuras nobres da terra. Eu tinha muito receio - ao receber os meninos - do julgamento que ele ia fazer ao meu trabalho. É interessante que, nos primeiros anos, eu estava muito focada em fazer um bom trabalho, mas também um bom trabalho da perspetiva do outro.


Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar

Referência 3 - 1,05% Cobertura

Trabalhava bem em qualquer lado, por isso... então eu fui trabalhar para lá, trabalhei um ano e durante esse ano, o provedor da Misericórdia foi ter comigo outra vez para [eu] vir trabalhar para a [instituição]. E andaram ali até agosto, foram a minha casa um e outro e eu não sabia para onde me virar. Então, o diretor da Misericórdia, disse que não queria que eu fosse educadora, queria que eu fosse diretora. E eu disse: "Mas o senhor tem lá uma diretora, tem lá uma colega (que nos damos muito bem até hoje), tem lá a colega como educadora." Ele disse: "Mas aquilo não está a correr bem e eu vou mandá-la embora" e eu disse "Se o Senhor a mandar embora, eu não vou. Ainda vou se o senhor deixá-la ficar como educadora. Se a mandar embora já não vou, vou me sentir culpada e não vou". E ele responde: "Se quer assim vamos falar com ela e ela fica como educadora." Fomos falar os três, juntamos três e ele lá falou, lhe disse, e a colega concordou e lá eu fiquei como diretora aqueles anos todos que estive lá até 1992.
[Neste mesmo ano], eu saí para o oficial. Disseram-me "Olha que tu não vais te dar bem no oficial porque não tens a autonomia que tens aqui... vamos te dar um ano de licença sem vencimento, se tu te deres mal, volta para nós." Fiquei contente, deram-me o ano sem vencimento e fui para o oficial. Claro que a ganhar muito mais. No primeiro ano fui para longe, mas no segundo já estaria mais perto, de maneira que eu optei por ficar depois no oficial. Mas ia lá muitas vezes ajudar a colega que ficou a substituir-me na direção.

Referência 5 - 0,29% Cobertura

Na altura os concursos eram diferentes, eu só podia concorrer à vinculada, eram os concursos de vinculação, e só depois, no ano a seguir, podia concorrer a efetiva. Eu concorri à vinculação e vinculei-me no distrito de Viseu, eu era o número um da lista. Eu dizia: "Eu tenho Viseu aos meus pés. Primeiro escolho eu e depois as outras ficam com o resto", foi a brincar, que era muito brincalhona. Então escolhi ir para Cinfães, porque para Viseu eu tinha que ir pela autoestrada, mas aqui eu ia por aqui entre os Rios, mais perto e não pagava portagens nem nada. O distrito de Viseu é muito grande, aqui deste lado de Gaia, digamos, faz fronteira com Vila Nova de Gaia quase. Gaia concelho.

Depois quando concorri ao segundo ano como efetiva fui parar a Bragança, em Macedo de Cavaleiros. Aí já tinha que ficar lá, que era muito longe. Já tinha marcado reunião com os pais. Entretanto uma colega telefonou-me, a que estava já no oficial há mais tempo que eu, que tinha sido minha colega da Misericórdia, e disse: "Olha Guiomar, vai receber uma proposta assim, assim, prepara- te." Eu disse: "Mas porquê?" - "Para vires para aqui para Valongo, que é mais perto aqui de Gaia também, porque o presidente da Câmara de Valongo quer abrir 19 jardins de infância este ano e perguntou-me se eu conhecia educadoras, boas educadoras, excelentes, não quer lá cascalhos, e eu dei o teu nome" e eu disse "Oh meu Deus do céu, olha se eu fracasso e não dou conta do recado" - "Então, não te conheço bem? tem que ser".

As câmaras podiam requisitar, vinha um verbete que era um papel verde mesmo, a requisitar-nos e a delegação, chamáva-nos. A delegação chamou-me para ir lá, e eu fiquei um bocado apreensiva porque ainda nem tinha começado, ia ter reunião de pais na segunda-feira. Chamaram-me numa sexta. Estive em Valongo esse ano. Ajudamos lá a abrir os jardins de infância, eu fiquei num deles. Outra colega minha que também estava em Resende quando eu fui para Cinfães, dei o nome dela para chamarem, que era uma excelente profissional também, era mesmo excelente.


Arquivos\Pré_Escolar\Helia

Referência 1 - 0,63% Cobertura

Havia um irmão de um colega meu - que tinha feito comigo o liceu - isto tudo são mesmo tempos muito velhos (risos). E uma vez a conversar, eu encontrei-o e eu dizia "mas isto tudo dos miúdos não é assim tão fácil", e ele "mas passas o dia a brincar", "oh pá, mas isto não é assim tão fácil. Sabes que é preciso entendê-los um bocado", e ele diz-me "olha o meu irmão foi para psicologia, fala com ele, ele deve ter para lá processos". E realmente eu entrei e então foi aí que eu comecei a ter contacto com as psicologias, com o Piaget e aquilo tudo, porque ele próprio ia averiguar para entender um pouco.


Arquivos\Pré_Escolar\Maria Tiago

Referência 1 - 0,61% Cobertura

Sim, sempre quis os meninos mais pequeninos. Aliás, há uma coincidência muito engraçada, porque em 78 acabei o curso em Coimbra e a minha orientadora levou-me à rede pública. Ela disse-me: "Vai abrir uma rede pública de jardins de infância. Escolhe e concorre." Nessa altura, foi o primeiro ano, havia entrada por idades. Eu vim viver para Almada, mas escolhi Lisboa, em Benfica, onde fiquei colocada. Eu gostava mesmo dos meninos mais pequenos.

Referência 2 - 1,24% Cobertura

Foi um trabalho de instituição do próprio serviço. Estava tudo ainda muito pouco formalizado. Sabia-se que íamos para aqueles contextos trabalhar e depois tínhamos que criar as salas, tínhamos que ir buscar os materiais. Estivemos na génese da abertura, o que é sempre muito entusiasmante e permite dar cunho. Não estava formalmente instituído como, e nós tivemos que ir à procura das respostas. O que é que se pretende com esta rede pública, o que é que se pretende fazer com as crianças, e foi sendo construída aos poucos. Mas eu lembro-me, que nós chegávamos a uma sala e não tínhamos material. E era hábito, e ouve-se ainda dizer que as educadoras andam sempre com caixotes. Pois, nós tínhamos que fazer as bibliotecas, íamos buscar os avós que martelavam-nos aquelas coisas todas… Foi um processo muito interessante de descoberta.


Arquivos\Pré_Escolar\Mariana

Referência 2 - 1,43% Cobertura

Fui colocada num jardim de infância nas Termas do Carvalhal que não existia. Na altura, as Câmaras diziam que sim que havia, mas não havia edifício. Lembro-me que fui, procurei a escola primária e pensei, os professores devem saber, e chego lá e diz-me um professor "oh menina, vens dar o leite?, ainda bem que vens dar o leite que é a coisa que não gosto nada é de dar o leite aos miúdos, não gosto nada dessas coisas.". "Não, eu sou educadora de infância ", "oh menina, eu não sei que é isso, professores primários, não sei o que é isso”. Eu regresso novamente à vila e pergunto ao delegado escolar: "Sr. delegado, mas não há sala, não há jardim de infância, como é que eu faço?"; " Ah sabe colega, isso foi tudo à pressa, isto foi aberto, mas o presidente da Câmara ficou de arranjar as instalações, ainda não estão". Eu estive, tinha que cumprir o meu horário. Arranjei um quarto lá nas Termas do Carvalhal e tive setembro, outubro sem fazer nada... até que a certa altura estava eu, estávamos mais umas 10, estávamos lá e não tínhamos nada, porque não tinha instalações.

Pressionamos o delegado escolar, isto vê-se mesmo a força que nós tínhamos aos 21 anos, que mudávamos o mundo e mudamos, e resolvemos logo encetar uma reunião com a Câmara, com o presidente da Câmara, e dizer que nós tiramos o curso, que não era para ficarmos dentro do quarto sem fazermos nada. Portanto, o que é que se passava. Ele se reuniu com os presidentes de junta e lembro-me que havia muita abertura e proximidade connosco. Lembro-me que me apresentaram um quarto numa casa com quatro metros quadrados, porque eu fui fazendo as inscrições e já tinha 25 crianças. E eu disse "mas aqui as crianças só cabem em pé, não se podem mexer, isto não pode ser", "ah, mas é o que se pode arranjar"; "não, o que se pode arranjar não, se o sr. se comprometeu que tinha instalações agora o sr. presidente da Câmara tem que dar solução"; "oh, e se deitássemos esta parede", "não, não é suficiente, tem que deitar esta abaixo, tem que deitar aquela abaixo, tem que deitar.." e ficou uma sala mais ou menos com as medidas... capaz para as crianças se movimentarem.

Depois colocou-se outro problema, casa de banho, não havia. As crianças iam ao monte, e eu não tinha casa de banho, todos os dias os pais que vinham lá com uns cântaros, que era assim a designação, uns cântaros d'água, com uma bacia para lavarmos as mãos. E foi assim esse ano. Eu para construir, voltei a construir mantas à mão, prateleiras, livros, tudo. Entretanto, o presidente da Câmara, já que eu tinha sido uma das que tinha exigido instalações desse grupo, chamou-me para ir a Viseu, com o motorista da Câmara, para comprar material para as salas que estavam a abrir; material, mesas e cadeiras… Ah, e ele depois queria lápis para os meninos escreverem, então lá fomos, lá fui eu, pedi a uma outra colega também que fosse, para termos apoio, e fomos a uma loja, dentro do que havia em Viseu, nós conseguimos apetrechar as salas que abriram de jardim de infância.

Referência 12 - 1,15% Cobertura

No terceiro ano… onde estive 5 anos. Aí já ia e vinha todos os dias para o Porto. Eu saía de casa às seis e meia da manhã e regressava às oito e meia da noite. E o primeiro ano andava 12 quilómetros a pé, seis para baixo e seis no sentido contrário. De manhã era a descer, quase que tinha que pôr travões nos joelhos, mais saltos de tacão alto e saia travada. Era na altura a moda, ou de calças, mas era o tacão... E para cima era subida íngreme. Também foi um exercício físico muito interessante que me levou aos 35 quilos e, no fim deste ano, a um internamento, porque eu perdi a vontade de comer, não comia nem bebia, não sentia vontade de nada. Na altura, agora eu acho que estava anoréxica, agora diz-se, na altura não se dizia nada, e mesmo assim eu via-me gorda. Portanto, perdi a vontade de comer, foi, em termos de saúde foi assim um bocadinho periclitante.
Em termos de trabalho, era por cima de um café, a casa de banho, não era a casa de banho, era uma sanita e era uma só que tinha, depois tínhamos uma bacia para lavar as mãos. E era por baixo do café. Eu tinha que descer 15 escadas de pedra para cada criança ir à casa de banho e tinha, já neste ano, uma criança em cadeira de rodas, com paralisia cerebral, e sem auxiliar. Só que na altura, a criança estava ávida de tudo e eu dizia "olha vou lá embaixo à casa de banho e vocês ficam, não saem. E eles não saiam.


Arquivos\Pré_Escolar\Nena

Referência 1 - 0,68% Cobertura

Mas depois tive três anos na segurança, a trabalhar em jardins da Segurança Social. Em 79, 80, 81 e 82. Em 82 concorri à função pública. Na função pública efetivei logo, fui para longe de casa, claro! Macedo de Cavaleiros, estive dois anos lá. Mogadouro também, uma aldeia de Mogadouro, e depois Arouca. Andei longe, sempre.
Custou-me um bocadinho. Também era assim, era uma instituição ligada à Segurança Social. E nós já sabemos o que é. O que existe muitas vezes por trás destas instituições. E eles não foram assim pessoas muito corretas. Eu também era uma pessoa inexperiente. E, claro, provavelmente não teria sido a melhor profissional. É natural, o primeiro ano de experiência.

Referência 3 - 0,94% Cobertura

Fui para outra instituição, estive lá melhor. Depois, entretanto resolvi concorrer ao oficial e estive de facto no oficial, eu concorri para um jardim de infância, que era numa aldeia com o maior índice de analfabetismo do distrito de Bragança. Era longe, mesmo longe. Tinha muita dificuldade no transporte. Tanto que eu só vinha a casa de três em três semanas. E as condições de alojamento, também não eram assim... mas gostei muito de estar lá.


Arquivos\Pré_Escolar\Noel

Referência 1 - 1,04% Cobertura

Quando eu comecei a exercer a função de educador de infância foi em 75, profissionalizado mesmo foi em 81. Eu tirei o curso depois de trabalhar. Aliás, uma coisa curiosa é que eu dei alguns seminários na escola e recebia estagiárias na minha sala de jardim de infância - das futuras educadoras -, porque eles não sabiam que eu não tinha curso e quando souberam é que me vieram dizer "é uma pena, porque é que você não tira o curso de educador?", e eu: "Eu tenho um filho e está a meu cargo, não me posso desempregar agora para ir estudar". "mas a gente tem um curso pós laboral". Era um horário de segunda matiné, era das 18h e tal até às 21h. "Ah, se for assim ainda pode ser". E acabei por me inscrever na escola de Educadores de Infância, que era a Maria Ulrich, agora tem um outro nome, e tirei o curso e acabei em 81. Mas comecei a trabalhar mais cedo.

Referência 2 - 1,95% Cobertura

Ora bem, eu já tinha alguma - quer dizer até pelo meu passado estudantil e depois de intervenção em coletividades de cultura e recreio - que tinha várias leituras de vários pedagogos, aliás, desde o Freinet até o [...], quer dizer, uma série de coisas, portanto, também não estava assim tão virgem em relação a isto [risos]. E uma das coisas nós pusemos logo, aquilo era um casarão com 54 divisões, logo ali na calçada da Ajuda. Hoje é um condomínio fechado. As instalações desta associação tiveram que mudar para outro sítio, mas dentro da freguesia da Ajuda. E depois uma das coisas que propusemos foi isto, com crianças tem que haver uma dimensão. Uma dimensão para elas. E, portanto, um jardim de infância com mais de 50 crianças, nem pensar! E estabelecemos logo um limite de crianças. Isto são aspetos quantitativos, mas traduzem também aspetos qualitativos, sobretudo a nível relacional, que é muito importante, é fundamental. E cada vez mais, então agora com as novas tecnologias é de uma atualidade incrível! E depois pensamos: "vamos ocupar o espaço com outro tipo de atividades". Ali cabiam uma quantidade de coisas, desde artistas, artistas plásticos, outros eram de tecelagem, outros eram idosos da freguesia, até porque a situação do edifício era a meio da Calçada da Ajuda e já havia uma população bastante envelhecida e os únicos espaços para se estar era no Jardim Botânico, em frente ao Palácio da Ajuda, ou então cá em baixo, em Belém, que eram distâncias grandes para as pessoas de idade. O que é que nós fizemos? Aquilo tinha um espaço exterior bastante grande e uma das coisas que fizemos foi tornar aquele jardim, aquele espaço, semi-público.
E era muito giro, quer dizer, porque eram já “velhotes” e que depois se afeiçoaram a uma criança ou a outra, depois levavam um rebuçadinho no bolso. E isso era extremamente interessante e enriquecedor, sobretudo uma instituição que funcionava em regime de semi-internato. E eu questionava muitas vezes, afinal, estas crianças são cidadãos de quê? Da instituição ou desta comunidade? E, portanto, era abrir aquele espaço à comunidade. Inclusive, nós tínhamos uma oficina de carpintaria, onde as pessoas, por exemplo, precisavam de arranjar qualquer coisa, mas não tinham ferramentas em casa, iam lá para arranjar as suas coisas. Havia, portanto, esta polivalência. Depois juntou-se também uma comissão de reformados e idosos da freguesia que também fazia as atividades, ao fim de semana, juntava-se um grupo de escuteiros, também, e fazia uma série de atividades. E foi assim a criar sempre esta perspetiva de que a educação é global. Não é só dos senhores educadores ou das senhoras educadoras. Não, é uma coisa que envolve a comunidade toda, a comunidade deve ser envolvida nisso.


Arquivos\Pré_Escolar\Rita

Referência 1 - 1,18% Cobertura

Eu fui dar aulas e a Madre, a diretora do colégio, e disse-me "Olha, tu não tens curso, mas nós estamos a precisar de professoras. Tu vais dar aulas, vais dar durante a primeira semana e eu vou estar sempre na tua sala. Se depois achar que tu tens condições de seguir, segues, senão vais embora e a gente arranja outra pessoa". Eu disse "ok". Bom, eu tinha 18 anos na altura. Lá estive, comecei a dar aulas. E ela entrava todos os dias para a minha sala, sentava-se lá atrás e dizia "eu não incomodo nada". E depois saía nos intervalos e tornava a entrar como se fosse uma aluna mas sentadinha lá atrás durante uma semana todinha e eu às tantas páginas até me esquecia que a senhora estava lá.
Eu dava as aulas conforme gostava de ter recebido, porque tive uma professora da minha terceira classe que adorei e era o meu modelo. Era aquela senhora e foi sempre o meu modelo. E eu tentava fazer o meu modelito ali dentro das aulas que eu gostava. Bom, ela chamou-me e disse-me "Olha, eu estou muito contente com aquilo que vi, vais cá continuar connosco. Espero que não te estragues. E podias escrever um livro sobre o teu método de dar aulas". E eu "um livro de métodos?". Eu não conhecia nada de pedagogias nem nada. Enfim, método, mas que método é que eu tenho? Não sei, não faço ideia. Eu disse: "está bem, Madre, quando eu souber fazer isso, eu faço". E ela "mas não te estragues, continua assim e eu de vez em quando vou lá passar mas é para me deleitar". Lá continuei eu a dar as aulas e ela de vez em quando aparecia.

Referência 3 - 1,61% Cobertura

Estávamos naquela altura, em 1973, em que se tentava combater o analfabetismo, tanto lá em Angola, como no Brasil, Paulo Freire, por ali. Então resolveram dar formação aos professores - professores que não eram professores - que estavam a dar aulas mas que não eram professores. Íamos tirar o Magistério, mas sem estarmos no Magistério. Isto era feito assim: era feito via rádio, como faziam aqui com a TV, que fizeram aqui durante uns anos. Como fizemos agora com o COVID. Lá não havia televisão e era uma estação de rádio, a partir das 05h00, uma estação de rádio em que se davam as aulas. Pedagogia, Didática A, Didática B, [...] e Matemática. Davam aulas ao sábado. Íamos todos - quem estivesse ali em Nova Lisboa, mas também havia noutros lados - a uma escola central, iam lá os professores, íamos debater, tirar dúvidas, falar sobre o que tinha acontecido durante a semana e recebíamos, de novo, as próximas sebentas para a próxima semana.


Arquivos\Pré_Escolar\Rute

Referência 1 - 0,90% Cobertura

Depois disso concorri. Fui parar a uma aldeia de Vale de Cambra. Uma aldeia muito isolada, fiquei completamente isolada, sem condições nenhumas, mesmo para habitar, com condições muito precárias... Porque era uma aldeia que ficava a caminho de São Pedro do Sul, bastante já na Serra, um local muito bonito, mas que não tinha alunos.

Referência 2 - 0,89% Cobertura

Depois disso regressei logo, no segundo ano fiquei logo efetiva, era assim que se designava, era dos quadros de agrupamento e fiquei muito mais próxima do Porto. E estive lá 17 anos nessa escola, que se chamava T.E. aqui perto de Lourosa, a 20 quilómetros da cidade do Porto.


Arquivos\Pré_Escolar\Tânia

Referência 1 - 2,13% Cobertura

O colégio M.D. onde eu trabalhei já não existe. Era um colégio pequenino na Rua da J., que fica em Lisboa, naquela rua entre A. e P.B. Não havia trabalho de equipa. Eu não conhecia os outros professores. Isso também foi, se calhar, marcante. Depois chego à BQJB, onde fui entrevistada pelo N. Eu fui indicada por uma professora, porque eu era conhecida como uma aluna muito ativa, uma estudante trabalhadora. [Naquela altura,] já era desenhadora gráfica na fábrica O. C., uma fábrica muito conhecida que fornecia todos os equipamentos para as escolas da rede pública dessa época. Quando eu lá cheguei, o N. mostrou-me aquele espaço que tinha sido uma ocupação pós 25 de Abril. Era um palacete com muitos problemas. Estava em muito mau estado, em termos de estrutura física. Foi um desafio imenso para mim. Eu fiquei logo como coordenadora por dois anos. Mesmo no início, ter este desafio de ser educadora que ainda estava a aprender a profissão e em simultâneo também ser coordenadora - porque a outra colega, na altura era namorada do N., também foi embora e dentro das educadoras com habilitação era eu quem tinha mais habilitações - para mim foi muito difícil, muito desafiante. Eu tive de começar a aprender como é que era ser educadora. Depois, outro aspeto que eu tive de começar a aprender era como ser educadora no Movimento da Escola Moderna.

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