I
Consulta de codificação em matriz - Visualização do [Conjuntos estáticos\3º Ciclo e Secundário, Códigos\Categorias FYT\1. Percursos\Primeiros 5 anos de trabalho]
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina
Quando comecei a dar aulas, houve uma coisa que mudou a minha vida como professora. Como eu queria seguir as aulas de Direito, pedi para dar aulas à noite na escola secundária de Q., na minha terra. E eu, quando entrei, dava aulas a freiras, professoras primárias e GNRs.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amélio
Depois, antes de completar os cinco anos, houve ali um período em que havia muitas convulsões a nível da universidade.... E houve ali um período em que o Ministério da Educação interrompeu as aulas no ensino superior, creio eu, no segundo semestre [...]. E nesse período fui-me estrear, digamos, na vida de professor. Obtive um lugar em substituição de uma professora que estava a gozar a licença de parto. Foi aí que me iniciei. Depois passei para outra. Era por três meses. Depois passei para outra escola, nas mesmas condições também. E depois, no ano seguinte, é que fui fazer o estágio, e depois iniciei a vida, a carreira profissional.
Eu acho que entrei bem. Por acaso, entrei num sábado à tarde. Quando eu dei a primeira aula, foi num sábado à tarde. Na altura havia desdobramento de turmas dada a dificuldade das instalações... Não havia instalações porque tinha sido alargado o ensino obrigatório até ao ensino preparatório, como se chamava na altura, o quinto e sexto anos. Havia dificuldade em instalações e, então, muitas escolas recorreram à construção de pavilhões em madeira. E foi aí, num pavilhão desses que eu iniciei. E acho que me correu bem. Acho que foi uma estreia... Gostei, não tive nenhum problema. Os alunos, penso que também gostaram. Foi agradável. Não foi nenhum choque. Não perturbou.
Referência 5 - 0,88% Cobertura
Após o estágio eu concorri em primeiro lugar para Pombal e em segundo lugar para a Marinha Grande. Não concorri para Leiria porque achei que não gostaria de estar na escola que eu tinha frequentado. Porque eu podia ter concorrido para Leiria. Sei que tinha lá lugar e não quis. Não havia escolas secundárias em Leiria na altura [era] o liceu e a escola. A Escola Industrial e Comercial. E foi por isso. Fui para a Marinha Grande.
Porque havia muitos professores que me conheciam como aluno. E eu também não gostaria de ser colega de antigos professores. Acabei por vir à Marinha Grande, vir a ser colega de alguns que tinham sido meus professores no Liceu de M. Havia só uma escola secundária designada Secundária e Polivalente da N. Hoje em dia, desde há uns anos para cá, já há duas escolas secundárias lá. E é assim.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana
Referência 4 - 0,62% Cobertura
Na volta eu explicava e fazia mais do que os professores da altura, porque tinha uma relação pedagógica completamente diferente. Organizei visitas de estudo a castelos e, enfim... aos sábados dava andebol, porque eu era jogadora de andebol, e dava inglês. E foi uma situação completamente distinta e o colégio encheu, com toda essa loucura que eu transportava e foi muito interessante. Fiquei aí durante uns anos.
Depois arranjei outro colégio já com o secundário em Sintra. Mantive os dois porque o outro era à noite. Entretanto entrei, em 72, na faculdade, mas depois fui suspensa na Faculdade de Ciências pela PIDE... sim, e depois... o que me deu algum tempo...mais tempo livre...e portanto arranjei outro colégio em Sintra onde [dava aulas ao] secundário. Os alunos eram poucos e eram quase da minha idade. Em 75 fui colocada no liceu, o de Queluz.
Referência 6 - 0,85% Cobertura
Estive dois anos no Liceu de Queluz, que se chamava assim na altura. Hoje é a Escola Secundária QBN acho eu. Depois fui um ano para uma escola básica 2+3 BT no Cacém. Gostei menos. Gostei menos dos colegas, gostei menos do ambiente. Conclusão: não gostava muito das básicas. Apesar de ter gostado muito de estar no primário e no básico em que tinha estado no colégio. Mas ali não gostei muito. Estive um ano só e depois fui colocada na GE. Portanto, em 78 entrei na GE. Como tive aquele ano de suspensão. Só consegui acabar em 78. Depois em 79 fiz estágio na Secundária da Amadora.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila
Referência 2 - 0,46% Cobertura
No primeiro ano em que efetivei tive que ir para Espinho, porque havia aquela regra dos 30 quilómetros que tinha que ser pelo menos até 30 quilómetros de distância. E depois de Espinho venho para Valadares, que já era mais perto e depois acabei por efetivar logo no Porto.
Referência 3 - 1,50% Cobertura
Encarar a profissão foi muito engraçado porque eu fui colocada numa escola só masculina, que na altura eram masculinas e femininas. Uma escola técnica. E lembro-me perfeitamente que, quando subi as escadas da sala de professores para dar a primeira aula, estavam os alunos todos fora, já grandes, altos, no terceiro geral, que seria o equivalente ao nono ano. E o primeiro comentário que eu ouvi foi assim "Oh pá, já há miúdas na escola" e eu pensei logo "Isto vai ser lindo!". Ou eu, como se costuma dizer, não mostro os dentes ou então vai ser um problema. Mas não. Depois dei-me muito bem com eles. Tive alguns problemas no princípio. Enfim, no princípio tudo muito sério e muito disciplinado, depois à medida que o ano foi passando criaram-se relações até muito agradáveis, eu gostei muito. Depois dei aulas à noite, também tinha um horário que tinha um misto noturno, e aí adorei.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Catarina
Referência 1 - 1,86% Cobertura
Mas voltando ao que me perguntou, eu acho que fui bem recebida no essencial dos meus primeiros anos. Quer antes, quer depois do 25 de Abril. O nosso problema era - e, por exemplo, o meu grupo era uma disciplina que tinha poucos lugares, tinha poucas vagas. E uma pessoa que fazia estágio... e depois eu fui para Vila de Conde como professora agregada, não era efetiva ainda, mas já tinha feito o estágio, mas não era efetiva porque não havia vagas e, infelizmente para mim, entrei numa lista para um conselho diretivo e, portanto, aqueles dois anos eu sabia que ficava ali, porque era do conselho diretivo, e então concorri para efetiva - Havia muita dificuldade de lugares para Filosofia, então concorri efetiva pelo país todo. Pela costa, a ter que sair queria ir para a beira-mar [risos], que é à beira-mar que eu vivo. Então fui pela costa e fiquei em Vila Real de Santo António. Quer dizer, mais um passo estava em Espanha, [risos]. Fui lá só uma vez apresentar-me, tinha ido ao Algarve e fui lá apresentar-me, mas não fiquei. Depois também fiquei em Sintra e depois a pessoa vai-se aproximando. No segundo ano, fiquei em Sintra já e fui-me também lá apresentar, mas continuava na escola onde estava, ainda estive para lá uns três anos assim. E finalmente fui para - eu pensei que era muito perto, mas depois quando fui lá de carro é que vi que não - fui para Mangualde. E Deus me livre. Eu acho que a esse nível nós tínhamos uma vida tramada - e eu penso que ainda têm, porque a gente tinha que manter a casa que tinha, não é?
Referência 2 - 1,29% Cobertura
Foi por aí em 82-83, porque eu em 85 já estava cá, já estava aqui perto ou estava em Fafe, ou estava em Braga… Em Santo Tirso e na H.I. Mas depois na H.I, eu moro aqui na Foz e era muito perto de casa. Também não gostei muito, porque imagine que, por qualquer motivo, eu faltava ao primeiro tempo da manhã, por qualquer motivo, ou tinha que ir aqui ou acolá, e saía e dava logo de cara com eles e isso irritava-me [risos]. E eles também, eu tinha um que às vezes faltava e eu uma das vezes vinha para casa, desci a rua do Crasto e o que é que eu vejo? [Ele] com a prancha de surf a subir a rua. Esse aluno! E eu "Oh, J., como é isso?”, e ele "Oh, professora, esta coisa de morar tudo aqui não dá". Tinha faltado para ir fazer surf! [risos]. E portanto, concorri para Matosinhos, porque era uma boa escola, toda a gente dizia a H.A. na altura. Concorri para lá. Ainda estive em São Mamede de Infesta, também numa bela escola, mas já estava por aqui mais perto.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia
Referência 1 - 3,58% Cobertura
No final de 1974, no início de 1975, concorri para vários liceus, várias escolas secundárias. Se me permite, conto-lhe uma história. Eu tinha medo de dar aulas, porque eu não tinha feito o ramo educacional. Eu achava que seria Física de investigação, ou achava que sabia. O confronto com uma sala de aula, com jovens, era uma coisa de que eu não tinha nenhuma experiência. Entretanto, escrevi várias cartas para várias escolas e responderam de uma primeira escola, a R. D. A.: "Venha e apresente-se.". Não se ria! (risos) Eu disse: "Não, não posso, não. Afinal não quero.". Até que, passado uns dias, recebo uma chamada do Liceu NB. Eu disse: "Isto não pode ser. Eu mandei as cartas. Já sou crescidinha. Vamos assumir isto.". Disseram-me: "Sim senhora, então venha cá falar.". Ainda hoje me dou com a pessoa que me telefonou. (risos). Eu tinha 25 anos. Entretanto fui lá, talvez quinta ou sexta feira da semana. Isto é importante que é para perceber o que é que aconteceu. Eu cheguei lá e disseram-me: "Tem aqui este horário.". Era um horário brutal de 26 horas, uma coisa assim, com aulas de manhã e toda a tarde. Eu disse: "Tudo isto é para começar quando?". Eu achava que tinha que me preparar. A colega diz-me: "Isto é na segunda feira, segunda-feira começa!". Eu disse: "Bom, sim senhor, vamos lá!". Fui para casa, fui ver o programa [curricular] e preparar as aulas. Na segunda-feira, lá estava eu numa aula do antigo sexto ano, que é atualmente o 10.º ano [de escolaridade].
Referência 2 - 1,76% Cobertura
Depois, no ano seguinte concorri. Eu pensei que tinha de fazer o estágio porque, como já lhe disse, eu não tinha feito o ramo educacional. Concorri ao estágio e fiquei em Lisboa, sempre fiz o meu percurso todo em L. Fiz o estágio no Liceu QBA. Foi uma aprendizagem. Passei a aprender, também, a parte pedagógica. A orientadora era muito boa. Foi bom, nesse aspeto. Partilhavam-se as aulas, porque eram assistidas, vinham os professores assistir. Éramos muito criticados, pelos próprios estagiários, que aquilo era uma competição. Não há dúvida nenhuma disto. Foi um ano, enfim, muito interessante, de muito trabalho, sem dúvida. Era em função da classificação do curso, do estágio. Eu fiquei efetiva, primeiro na Moita, na Escola Secundária da N., mas não fui. Havia uma lei, a dos cônjuges. O meu marido era assistente do [Instituto Superior] Técnico e eu concorri e fiquei no Liceu NB., outra vez. Depois, voltei a concorrer para professora efetiva e fiquei no Liceu D., sempre em grandes escolas. (risos).
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César
Referência 1 - 1,29% Cobertura
Entretanto, eu tinha concorrido àquilo que havia na altura, os mini concursos. Fui chamado em Abril para substituir um colega que tinha ido para o serviço militar. Eu morava em Queluz, portanto concelho de Sintra e apresentei-me na escola. As pessoas até se admiraram [e perguntaram]: "Tem habilitação própria?" [Respondi que] sim, que tinha habilitação própria, tinha concluído o bacharelato, na altura. Fiquei. Foi uma experiência. Eu quando saí da escola, como aluno, foi em 1975. No fundo, eu andava naquilo que era o curso complementar - ensino secundário era só dois anos - dos liceus que equivale hoje ao 10.º e 11.º ano [de escolaridade]. Foi quando se deu o 25 de Abril. Houve aquelas confusões de mudança de regime, as escolas também passaram por um período conturbado.
Referência 4 - 1,12% Cobertura
Fiquei quatro anos. Aquele primeiro ano não contou, porque eu comecei em abril de 1982 e depois fiquei até 1986. Na altura, a minha esposa, que é médica, foi colocada na Região Autónoma da Madeira e eu concorri também para lá e estive três anos lá. Essa foi a minha segunda escola, na parte norte da ilha da Madeira, em Santana, tinha o 3.º ciclo [do ensino básico] e o ensino secundário. Aí foi diferente, o próprio ambiente da ilha nos condiciona um bocado. A Madeira é muito bonita, não há dúvida nenhuma, mas para fazer turismo! Estar lá algum tempo para viver, aquilo cria alguma fobia. Não é o que é hoje. Nós fazíamos 20 ou 30 quilómetros, a subir e a descer, curvas contra curvas.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico
Referência 2 - 2,38% Cobertura
Não foi nenhuma decisão muito planeada antes. Até porque na lógica da educação, a coisa não se distingue muito em relação à matéria científica. Distinguem-se as idades e é a atuação com os miúdos e aquilo que se deve valorizar, mas do ponto de vista do currículo não se distingue muito. Pelo menos para nós, não se distingue muito. […] antes concorria para estágios, depois de tirar o curso, ou concorremos para o antigo preparatório ou para o Unificado. O secundário tinha dois grupos de peso, o 270 e o 620. E nessa altura dizia-se que havia mais possibilidade de trabalho e de estágio no secundário. Eu lembro-me que no secundário havia dezenas de professores sem habilitação, miúdos que saíam do 12.º ano. Eu trabalhei nos Açores. E houve uma altura lá, já nos anos 90, que havia cerca de 40 e tal por cento de professores que não tinha habilitação. Dizia-se que havia mais possibilidades de trabalho. E penso que foi assim. Não foi nenhuma, até porque eu fui professor de todos os níveis de ensino, menos do primeiro ciclo. Também trabalhei junto do primeiro ciclo, mas não por aí. Não foi oficialmente.
Referência 3 - 2,76% Cobertura
Professor: A primeira escola foi… É uma escola muito engraçada. Foi a escola que se chamava Escola Preparatória QX. Quando eu cheguei à escola… É muito engraçado… eu não sei se quer que eu conte coisas curiosas…
Entrevistadora: Sim, sim, sim, isso mesmo.
Professor: Eu quando apareci na escola, fiz o terceiro ano. Tinha bacharelato e entrei para o quarto ano do curso e tinha concorrido e fui colocado nessa escola.
É uma escola ali no Restelo, uma escola com uma população mista, uma escola muito engraçada. Quando eu cheguei, a escola tinha dois pavilhões pré-fabricados incendiados. Tinham sido uns miúdos que incendiaram. A escola queria expulsar os miúdos. Houve um grupo de professores que se constituiu como um conselho de turma e decidiu oferecer-se para juntar estes miúdos todos e fazer uma turma e trabalhar com eles. É engraçado porque um desses professores era o Domingos Fernandes, professor de matemática. Sabe quem era o Domingos Fernandes com certeza… É uma pessoa muito conhecida, em avaliação… do Instituto de Educação de Lisboa. Já foi secretário de Estado. É engraçado, por causa disso, que essa foi uma escola assim meia, com esses opostos, não é? Com gente que quer expulsar, expulsar miúdos, e com gente que diz “não, estes miúdos são connosco”…é uma coisa engraçada. As pessoas andavam de bata por causa do giz.
Nesse mesmo ano, fui para outra escola. Um processo muito engraçado, porque os professores, juntamente com os pais, construíram um pavilhão na escola. Ao fim de semana. Durante os fins de semana. Os pais eram pedreiros e construtores. Uma coisa horrível, um caixote, mas era um espaço interior em que se podia fazer atividade física.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda
Referência 1 - 0,14% Cobertura
Nós, às vezes, não estamos preparados. Tinha 21 anos, era uma miúda. Estive três anos nessa escola. Entrei em 1971 e sai em 1974-75. Com muitas histórias pelo meio.
Referência 3 - 0,44% Cobertura
É verdade. Isso foi o seu lado fantástico. Nós criamos conversas de futuro. Isso contribuiu para os meus primeiros anos depois de atividade como professora. Quando cheguei em 1971, eu estava com a cabeça formatada para esse mundo.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva
Referência 2 - 1,90% Cobertura
Ainda que fosse o antigo oitavo ano. E eles assim a acalmar "É a professora?", "Sou sim!". Porque agora há as substituições eu não sei quê, na altura aquelas criaturas estiveram desde outubro até fevereiro sem professor. Por isso foi assim que eu entrei na profissão. E foi assim que eu comecei a me tornar professora, muito por instinto, porque é o que eu digo, nós não tínhamos a parte de pedagogia, todas as metodologias, as didáticas [...] Não tínhamos nada disso. E eu, claro, socorri-me desse tal meu primo e da mulher que também era professora de Português, para perguntar como é que se faz um teste. Sabia lá como é que se fazia um teste! Porque eu tinha a noção que não podia ir buscar aquilo que era do meu tempo, já nessa altura. Quer dizer, repetir não! Porque entretanto passaram três anos e houve uma mudança profunda de 73 a 76, porque foram aqueles dois anos da revolução, a todos os níveis. Mas, quer dizer, a pessoa não tinha teoria nenhuma, aquilo foi prática, pura e simples. E foi assim que eu fui professora e que é a minha profissão, é o que eu gosto de fazer, dar aulas.
Referência 6 - 3,56% Cobertura
No liceu, genericamente, nós éramos novatas aqueles quatro anos. Mas eu posso considerar que éramos bem tratadas ou bem tratados. Ouvíam-nos nas reuniões, ainda que nós às vezes tivéssemos algum receio porque é o que eu digo, "os monstros". E depende de que tipo de reuniões fossem. Mas não sentíamos - eu estou a falar do grupo e depois do resto dos professores - havia um outro professor que olhava com um ar de "Vêm para cá estes novatos, eu é que sou o professor, eu é que sou". O catedrático cá do sítio. Mas era meia dúzia de professores sem exemplo. Geralmente, éramos bem tratados. E despejavam algum serviço menos bem quisto para nós, mas não éramos assim o 'faz tudo'. Não me senti mal, nunca! No S. não! Nós entrávamos na sala aos professores e era o canto dos estagiários, porque tínhamos estagiários a montes de disciplinas. Para começar, a própria estrutura da escola é pesada, porque aqueles liceus antigos, aqueles corredores muito amplos. Quando fui aluna para o liceu X. eu fui estrear a escola, ela tinha acabado de abrir por isso é aquela escola de bloco, já era moderna. Pronto, a S. não, é aquela pompa e circunstância. Que tem o bloco central, depois os corredores laterais, acho que são três andares com umas escadas imponentes. Aquilo intimida um bocadinho. Fazer estágio na altura era assim, nós sentíamos que éramos zero, ainda que nós todos, os seis do grupo, tivéssemos todos experiência e duas colegas até tinham muita experiência, eram bem mais velhas que nós. Mas aquilo que havia na sala dos professores era o triplo disso, depois madeira, pedra, as mesas daquelas maciças, cadeirões, o cantinho dos estagiários, que evitávamos e íamos para os gabinetes. Era os estagiários e os professores, e que olhavam para nós e nem ousávamos abrir a boca. Não valia a pena porque podia dar mau resultado. Depois também não íamos às reuniões de grupo porque as “metodólogas”, as orientadoras, dispensavam-nos. Por isso às vezes o contacto também não era tão grande. Nos conselhos de turma nós limitamo-nos a dar as notas e tínhamos pouco voto na matéria.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Hélder
Referência 2 - 0,43% Cobertura
Era essencialmente alunos dos cursos noturnos. Eram estudantes trabalhadores, adultos. Ah, e tinha uma turma de dia com crianças dentro da idade normal de aprendizagem. Portanto eram alunos do sétimo ano. Havia as cadernetas, eu ainda guardo essa caderneta do meu primeiro ano, às vezes olho para ela e rio-me! Como é que a gente conseguiu desembaraçar-se no meio daquilo tudo? Era uma caderneta com umas quadrículas muito pequeninas, onde tinha anotações sobre o modo de ser e de estar dos alunos. Portanto, se eles eram participativos ou não, se eram alunos educados ou não, depois tinha outras quadrículas que era para registar em número as classificações das provas que eles faziam. Mas era assim que as coisas iam avançando. Já tinha havido nessa altura uma alteração grande relativamente às classificações dos alunos, porque no tempo em que eu era estudante não era a nota do último período que era considerada como avaliação final do ano. Juntava-se, imagine que tinha dez no primeiro período, dez no segundo, se tivesse nove no terceiro passava. Somava-se e dividia-se por três.O que não podia era, no terceiro período, tirar menos de 4 valores. Era assim que as coisas eram, assim que as coisas aconteciam. Não foi fácil para a integração. Depois lembro-me que nessa escola, professores de francês contratados, éramos sete, jovens com o sétimo ano. Professores que tinham verdadeiramente pulso eram só três ou quatro. E nós amparávamo-nos uns aos outros. "Olha eu fiz assim ou fiz assado", "nesta turma o aluno fez-me isto, como é tu farias'". As nossas reuniões eram mais reuniões depois fora da escola, do que lá dentro da escola.
Referência 5 - 1,27% Cobertura
Nós olhávamos para eles quase como se fossem uns deuses, porque nós ainda tínhamos sido formados no Antigo Regime. Aqueles senhores professores eram intocáveis. Era mesmo “magister dixit”, o que eles diziam era sagrado. Se dissessem que um tronco era pedra, a gente tinha que ir dizendo. Mesmo que soubesse que era tronco. Nós tínhamos que fazer como o Galileu, a mesma coisa. "Sim senhor é pedra, mas eu sei que é pau". Era assim. A única vantagem que eu tive foi dessa professora que me ajudou bastante, porque tinha sido minha professora durante dois anos e essa foi diferente. Quanto ao resto, não. Aquela gente olhava para nós, penso eu, olharia para nós como se fossemos ali uns marginais do ensino. Mas foi de nós que o ministério serviu para que os alunos tivessem aulas. Agora perguntamos assim seriam verdadeiramente aulas? Não! As aulas que eu vim a dar depois não tinha nada a ver, mas foi um princípio que me ajudou a ganhar consciência do que era necessário fazer para efetivamente contribuir para uma boa educação. Depois, ao cabo de cinco anos eu já tinha o curso de Línguas e Literaturas Modernas.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia
Referência 1 - 0,60% Cobertura
Depois andei a correr algumas escolas, como é costume. Comecei no Marco, foi uma experiência engraçada. Depois estive em Aveiro, foi uma experiência terrível. No sentido em que não havia…era o antigo Liceu de Aveiro, o Liceu L. Eram aulas de manhã e à noite, e [eu] não podia ir e vir, quando Aveiro é ali. Portanto, eu tinha aulas de manhã, estudava à tarde, tinha aulas à noite, ou seja…esgotamento ao fim de uns meses. Pronto, corri várias escolas, como toda a gente. Tive a sorte de apanhar algumas muito interessantes. A minha primeira sorte foi o estágio.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria
Referência 1 - 0,85% Cobertura
Depois, quando acabou o curso, foi o ensino unificado em Lisboa. Quando eu acabei o último ano fizemos greve a uma cadeira de biologia… de fisiologia. Porque achamos que o professor estava a dar matérias que não serviam para nada, aquilo não é nada de especial. E então fizemos greve. Mas como não podíamos fazer estágio com cadeiras atrasadas, houve três ou quatro colegas que furaram a greve. Depois apanhamos o 25 de Abril em pleno. Em 73/74 fizemos essa greve e depois continuamos por aí na revolução (risos). E depois foi aquilo que nós sabemos…
Referência 2 - 0,92% Cobertura
Ainda trabalhei dois anos em Lisboa no liceu J.O. Lembro-me perfeitamente. Trabalhei lá dois anos e depois concorri. . Depois arranjei um marido aqui do Porto e concorri para cá. Eu estava muito ligada ao voleibol e à dança. Lembro-me perfeitamente, quando concorri lembrei-me de ir para uma escola que tivesse condições para fazer aquilo que eu gostava: a dança. Então eu lembro-me de que foi para a escola de Matosinhos, para a atual G. Tinha boas condições, tinha ginásio, e foi para aí que eu fui, mas depois concorri para a A.
Em 73/74 e 74/75, ainda me lembro na docência serem só alunas, na J. Ainda não havia unificado. Quando vim para o Porto foi em 75/76 que começou unificado. É isso, não é? Eu fiz o percurso ainda aí com as meninas e isso era tudo muito fácil de trabalhar. Era o ginásio e aquilo que nos ensinaram tipicamente, eram as aulas de ginástica. Era tudo muito formal. E depois começa a ver algum desporto. Havia alguma coisa, mas o dominante na educação física era a ginástica sueca, digamos assim. Tinha a ver com aquilo que o professor sabia fazer... aquilo que ele praticou. Já havia aquilo que nós chamamos de iniciação desportiva, iniciação ao desporto. O basquete, o voleibol, andebol. Já se fazia iniciação, mas não havia condições porque os ginásios não estavam preparados. Estavam preparados sobretudo para a ginástica. Já havia lá os cestos de basquete e então fazia-se. Mas numa turma de tantos alunos, era muito difícil organizar as aulas para essas atividades. Não havia espaço. Agora, o que se fazia era a iniciação na modalidade com coisas básicas.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde
Referência 1 - 0,49% Cobertura
Formei-me e fui ensinar. E concorri logo para o estágio. Entrei logo no estágio no G.O e ainda fiquei lá um ano. Depois para me efetivar tive que sair do Porto, estive três anos fora e voltei.
Referência 2 - 2,22% Cobertura
Olhe eu comecei a trabalhar como estagiária. A ideia que eu tenho, um facto que me marcou foi na primeira aula assistida. Eu tinha um oitavo ano que era considerada a pior turma do liceu - na altura chamava-se liceu - e calhou-me, creio que era de francês. E, então, na primeira aula assistida a certa altura, um fulano, um rapaz já grandote, estava-se a portar muito mal e eu disse "Olha, faz favor, sai!". Ele respondeu "Não saio!". Até ao fim da aula não houve aula e tinha lá a professora, e as colegas todas a assistir. Quer dizer, não tinha outra saída, não podia continuar a aula. O rapaz não saía, eu não podia pegar nele e pô-lo fora porque ele era grande. Então foi assim uma coisa que nunca mais me esqueci. Depois a professora disse "Olhe muito bem, fez aquilo que tinha a fazer". Então fiquei já sossegada. E depois disse-me assim: "Olhe, não se preocupe. Pior que esta turma não pode ter!" (risos)
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia
Referência 5 - 0,41% Cobertura
Eram alunos do ciclo preparatório, portanto, teriam 12 anos. Eram crianças que se conquistam com amor, com um sorriso. Mas essa já era a minha tendência natural. Em termos de grupo, estranhei o facto - era comum naquela época - de o representante do grupo de Português nos incumbir de fazer exposições escritas e orais. Cada um [dos professores] tinha de fazer uma apresentação oral sobre um tema. "Tu vais falar disto, tu vais falar disso, você vai falar disso.", o que me fez estremecer um pouco. Abandonei-me à consulta do material, de informação, à pesquisa, era uma maneira de incentivar o professor a pesquisar para, depois, poder cabalmente cumprir essa missão de que estava incumbido no desenvolvimento de um tema. Era sobre o ensino da disciplina. Um bocado estranho, coisa que nunca mais aconteceu. Foi só nesse primeiro ano, nesse ano antes do 25 de abril. Com certeza já existia antes. Tenho pena de não ter guardado o meu texto. Gostava de ler. Fiz a exposição, fica a memória.
Referência 8 - 2,05% Cobertura
Entretanto, fui dar aulas para Águas Santas, como professora agregada. Depois aproximei-me de Paredes, porque Águas Santas ficava perto da casa dos meus sogros. Eu pensei "posso ter aqui um apoio, posso viver aqui". Inclusive, eles disseram-me que eu podia fazer a minha mudança de casa para Paredes. Quando eu estava a pensar em mudar de casa, vem uma vizinha, aqui de Paredes, que me diz: "Tu vais mudar? Não mudes, fica cá connosco". Não tenho força para dizer que não. Éramos vizinhas há imenso tempo, desde 1970 e tal. Então, não mudei de casa. Acabei por ficar. Então, decidi aproximar-me e, no ano seguinte, fui dar aulas para a Escola Secundária de C., já como professora efetiva. Primeiro como agregada em Águas Santas, depois como efectiva em Baltar-Paredes e, finalmente, como efetiva em Paredes-centro.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta
Referência 1 - 0,85% Cobertura
Eu fui parar no liceu de G. como professora agregada, era a designação que se tinha. Estive lá dois anos como professora agregada, 1973/1974, 1974/1975, e dispunha-me a ficar a vida toda ali como professora agregada, não saía dali. Entretanto, em 1973/1974 acontece o 25 de Abril e, no ano seguinte, 1974/1975, abrem os quadros. Não justificava ficar lá, porque eu tinha de concorrer. Esses dois anos lá, no Liceu de G., o segundo ano, sobretudo, foi de uma experiência tremenda, porque os alunos tinham, naquela altura, a seguir ao 25 de Abril, os alunos também achavam que tinham direito de fazer tudo.
E eu recordo-me de dar aulas – porque o Liceu de G., na altura, tinha uma população escolar muito grande; agora tem menos. E tinham construído uns pavilhões – que nós chamávamos casotas – e eu tinha as turmas quase todas nos pavilhões. Como aquilo era uma estrutura que se podia destruir com facilidade, eles assim se encarregaram de fazer. Era o chão que se arrancava, eram os estores que se estragavam. Porque depois também não se arranjava – a instalação elétrica também se estragou – e, portanto, no Inverno, quando anoitecia, acabavam as aulas, não havia condições. Eu lembro-me perfeitamente de, nessas casotas, dar aulas em cima de uma trave. O soalho era um buraco, mas junto ao quadro havia, de um lado ao outro, uma trave assim desta largura, e nós dávamos aulas equilibrando-nos em cima da trave e escrevendo no quadro. E depois, por tudo e por nada, havia exigências…depois chamavam-se as Forças Armadas, depois… era uma animação.
Referência 4 - 1,29% Cobertura
No ano seguinte, concorri. Mas como havia, penso eu, muitos professores a regressar das colónias – eu penso que terá sido por isso – porque ficaram vagas por preencher no Liceu onde eu estava, mas nós, quem tivesse menos de 10 anos de serviço, só podia concorrer para escolas a mais de 30 quilómetros da área de residência. E, portanto, eu, com muita sorte, fui parar a Braga, ao Liceu SM. Estava grávida do meu filho mais velho. E custou-me muito, porque, nessa altura, como digo, estávamos com a democracia a nascer, portanto, tudo se decidia em reuniões. Eu tinha – eu pedi para ter aulas de tarde, porque eu não tinha carro sequer nessa altura. E, portanto, eu ia – e não havia autoestrada, que há hoje, era pela antiga estrada nacional, aquilo que eles chamavam as Voltas de Macada, que havia acidentes atrás de acidentes. Eu ia de autocarro até à Areosa - tinha uma colega que tinha carro e morava lá…eu vivo em Gaia, em Santo Ovídio. Eu apanhava dois autocarros para ir à Areosa, ela dava-me boleia, depois eu ia com ela até Braga e no regresso era a mesma coisa: ela deixava-me na Areosa, eu apanhava outra vez os autocarros para chegar a casa. Imaginem o que é que aconteceu quando nós chegamos a Braga – porque fui parar, outra vez, eu e uma das colegas que tinha feito o estágio comigo – e tínhamos um horário com todas as tardes e o Sábado incluído. E nós ficamos: "mas isto…quer dizer, nós não temos vida, andar assim todos os dias…porque, no fundo, pede-se aulas de tarde, mas a manhã era quase para os transportes, para chegar lá." Para acrescentar a isto, ainda nos começavam a marcar reuniões gerais de professores para o final das aulas, 18h. Reunião geral de professores, em que se discutia tudo e mais alguma coisa, e depois, se a ordem de trabalhos não fosse cumprida, passava automaticamente para o dia seguinte à mesma hora. E isto dava semanas: a reunião que ia continuar, que ia continuar e que ia continuar. Chegava a casa 21h, 22h…assim.