I
Descrição: Tabuleiro de gelatina, quadro eletrónico, etc.
Arquivos\1º Ciclo\Bruna
Nós agora temos quadro interativo, não é nada como na nossa altura, mas é um prazer imenso. Depois, os nossos manuais escolares são muito fraquinhos. Por exemplo, hoje damos uma letra, tem ali duas ou três linhas sobre essa letra e acabou. Nós vamos estar a incentivar um aluno à leitura, à aprendizagem só com o manual? É impossível.
Arquivos\1º Ciclo\Carmina
Estar na sala de aula, manipular materiais até para a concretização da parte da Matemática, de Português, é muito importante. Os power point, os filmes que nós vamos buscar à escola virtual são de facto ferramentas.
Arquivos\1º Ciclo\Clara
E foi realmente começar a usar o computador. A aprender eu e eles. Começamos a aprender todos e foi muito interessante.
Arquivos\1º Ciclo\Gabriela
Mas como as aldeias não tinham assim tantos alunos, tinham, por exemplo, 15, 16, 17, mas dos quatro anos, então só podia estar colocada uma professora, o que era bastante difícil. Não era fácil, mas a gente ia-se habituando. Já sabia que era aquilo, que tínhamos de planear o dia de amanhã com antecedência, levar várias fichas. Olhe, e naquela altura não havia fotocopiadoras como agora e lembro-me perfeitamente que, nos primeiros anos, tínhamos um tabuleiro que fazíamos com uma receita, como se fosse uma receita de um bolo - eu ainda hei-de ter essa receita - que fazíamos com gelatina, tipo gelatina e então só fazíamos uma ficha à mão. Nos primeiros anos era assim: a gente fazia uma ficha à mão e calcávamos naquele tabuleiro, naquela gelatina e tirávamos, por exemplo, 20 ou 30 fichas iguais para a semana. Mas depois aquela gelatina já se ia arrancando, a gente lavava com um paninho e com água quente para tirar aquelas letras que ficavam lá para depois poder fazer outra. Eu trabalhei muito tempo com esses tabuleiros. Era um tabuleiro desses que vão ao forno, fazíamos uma receita tal qual fosse uma gelatina, e depois tirávamos as fotocópias. Dava para tirar, por exemplo, 100 fotocópias. Depois de já estar estragado, fazíamos outra vez aquilo, levávamos ao lume, nós fazíamos outra vez e aquilo ficava limpinho. Ainda foram vários anos que trabalhamos com o tabuleiro. Já era uma grande coisa! Naquela altura já estávamos na aldeia, já podíamos fazer aquilo.
Arquivos\1º Ciclo\Gisela
Antigamente nós fazíamos estas coisinhas, eu dava-me ao trabalho de fazer estas placasinhas com o nome raiz, por exemplo, e o menino ia pôr na raiz, o caule... nós dávamos estes retângulos com os nomes, certo? E depois eles escolhiam e colocavam no lugar certo. Eram coisinhas simples, mas que para eles eram interessantes.
Arquivos\1º Ciclo\Graziela
Os materiais eram muito poucos, nós tínhamos que fazê-los. Para fotocopiar, arranjávamos um tabuleiro de gelatina [...] e era assim, porque os materiais eram poucos, ou quase nenhuns. Em escolas mais centrais havia mais um bocadinho, em escolas mais pequenas e mais nas aldeias, não havia. Praticamente, nós tínhamos de nos reduzir ao quadro, aos materiais que íamos fazendo e aos livros, que também havia pouca escolha na altura.
Arquivos\1º Ciclo\Inês
A primeira coisa que decidi fazer era uma escola do plano dos centenários - não sei se sabe como é que é. Tinha um recreio onde chovia imenso, os miúdos nem sequer podiam lá estar... pedi à Câmara Municipal para me fechar o recreio e fiquei com aquele espaço todo fechado. Montei aí uma oficina para os miúdos, montei um canto de pintura, montei uma série de coisas para eles poderem fazer qualquer coisa enquanto estavam no recreio, porque lá não tinha condições. Lembro-me que cheguei a essa escola e ela estava cheia de carteiras, daquelas antigas, castanhas...
Arquivos\1º Ciclo\Isadora
A primeira coisa que me veio à ideia foi o químico, porque era um material que eu utilizei muito no início. Depois, encontrei a caixa de carimbos que também descobri lá no sótão. A coleção que acabei por comprar - a coleção dos carimbos da Ágata.
Arquivos\1º Ciclo\Morgana
Portanto, o computador era mais um instrumento e era o que se usava naquela altura.
Arquivos\1º Ciclo\Roberta
Exatamente! E eu adoro a escola onde trabalho e sempre gostei imenso. É uma escola num sítio lindo, no centro de Lisboa, que é ao pé do Jardim do T. E a escola tem um tamanho que eu considero razoável. Não é grande nem pequena, portanto tem o tamanho ideal. Somos oito turmas e um jardim de infância. E estou lá desde 1994. Quando entrei, estive um ano, comecei logo a dar aulas, mas depois disso estive um ano com um projecto de uma ludoteca Como eu vinha da associação de professores de Matemática, montei-a na escola numa sala que estava desocupada. E tive a possibilidade de ficar sem turma. E então eu convidava, convidava não, eu criei um horário para os professores irem à ludoteca com as crianças e eu estava lá para acompanhar o professor. Podem utilizar diferentes materiais manipuláveis da Matemática ou jogos ou puzzles, jogos matemáticos.
Arquivos\2º Ciclo\Cecília
O manual é importante, até porque para eles, no fundo, orientam-se um bocadinho, mas há tanta coisa para eles… Eu uso o manual até, um bocadinho, por respeito aos pais, porque há tantos materiais tão interessantes, há um acervo tão grande de tantas coisas enriquecedoras…
Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda
É o livro da Alice Gomes. É uma edição tão antiga, não consigo ver, é uma edição tão antiga que eu já não encontro no mercado. Alice Gomes que se chama “Bichinho Poeta” e que tem poemas… Ora, eu lia isto ao meu filho em 1999, mas eu já o tinha, ele já era meu, ele está todo amarelado. Ele já era meu da minha prática letiva. Estes poemas que são muito engraçados e que eu usava para as crianças memorizarem, apropriarem-se das palavras, do vocabulário, depois deixarem de ter vergonha de os apresentar perante a turma.
Arquivos\2º Ciclo\Fátima
Eu penso que era a aula, propriamente dita, sobretudo tentar incentivar os alunos a que eles fizessem perguntas, se entusiasmassem. Eu sempre contei muito as histórias da História… Sempre gostei muito de dar a História através de histórias, e incentivava-os muito, por exemplo, a ler a coleção das Viagens no Tempo… E era uma coisa que me dava gozo – inclusivamente, aceitei sempre, de bom grado, ser professora da mesma turma das duas coisas – de Português e História – porque eu conseguia ler histórias, ler textos, na aula de Português, em que, depois, repegava na História. Claro que numa turma de miúdos interessados a coisa era muito melhor...
Arquivos\2º Ciclo\Fernanda
Eu também sou coautora de manuais, mas também sou professora que manda rasgar páginas de manuais que não interessam ou que são menos bem conseguidas. Faço-os questionar: “Oh professora vamos rasgar uma página do manual?" "Vamos sim" "E porque é que vamos rasgar, vamos questionar…” E é o questionamento constante, o posicionamento crítico…
Arquivos\2º Ciclo\Iva
Estamos no século XIX. Acabaram os quadros de giz e passou a haver um quadro digital, digamos assim. Mesmo assim não se trabalha com o quadro digital, é só com PowerPoints de suporte. Em muito poucas aulas se utiliza o quadro interativo com as suas capacidades.
Arquivos\2º Ciclo\Orlanda
Ao longo dos anos, as editoras começaram a contratar professores para fazerem os planos de aula. Eu ainda fui delegada de disciplina: era eu que fazia os planos de aula para os colegas, para eles contextualizarem às suas turmas. Mas depois vem tudo feito. Em termos de recursos, as editoras fazem tudo, não sei se sabe disso. Tudo! Planos de aula, os recursos todos a nível informático, tudo: o professor tem a papinha completamente feita, e eu acho que isto também desqualifica um bocado os professores – bem sei que são colegas nossos que fazem aquilo, com a melhor das intenções, mas, de facto, a papinha vem toda feita. Programa de Matemática: a planificação de Matemática vem toda, projetos de fichas, vem tudo feito. E a escola virtual, que acho que é muito importante, também, mas tudo, vem tudo feito. A nível de, digamos, de anuais, as editoras, aí, começaram a desqualificar um bocado os professores. Os professores começaram a ter pouca autonomia naquilo que faziam, porque vinha tudo feito e vem tudo feito. Eu estou a falar de recursos didáticos. E é por isso, que, muitas vezes, formação na área das didáticas, os professores não aderiram. Para quê?
Arquivos\2º Ciclo\Rosário
Quanto também às aulas, eu, dando Ciências, gostava de ter um laboratório para fazer as experiências: não havia laboratório. Às vezes, eu juntava as coisas que tinha em casa que me podiam dar jeito e andava com um tabuleiro e fazia, nas salas de aula, uma experiência, que era melhor do que eles estarem a ler somente o que estava no manual. E pronto, foi assim.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amadeu
Eu vejo bem, porque é uma constante em todas as áreas. Até acho que será uma via de futuro, em termos de Educação Física, a utilizarmos muito mais meios audiovisuais para corrigir os alunos, para dar feedback imediato. "Tens aqui as imagens, vê". Acho que pode ser uma ferramenta extraordinária como é hoje já no treino.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana
Por exemplo, se quando eu comecei a dar aulas eram as revistas Maria... que eu abria a janela e mandava-as em voo planado, na fase final da minha carreira, é o Correio da Manhã ou coisas assim parecidas, quando eu queria que eles todas as semanas comprassem o jornal. Até porque os exames são sempre centrados nas notícias do ano - climáticas, agrícolas, industriais por aí fora. Porque é que o Correio da Manhã não era o jornal? Só porque eu não reconhecia o Correio da Manhã como jornal quando os pais deles achavam que era um bom jornal. Mas, na verdade, a água mole em pedra dura tanto bate até que fura.? A gente precisa mostrar uma notícia falsa e confrontar com outra que vem no Diário de Notícias, ou no Expresso. Confrontar para ver a diferença. Depois já percebem.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila
Eu em francês utilizava, com consentimento e com a ajuda das minhas professoras de técnicas de informação, das TICs, na altura utilizava a sala de computadores para trabalhar com eles em sites e coisas do género de francês. E eles gostavam muito mais do que de estar ali a fazer exercícios no quadro. Achava muito mais piada se fossem esses textos feitos no computador.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria
Ah dávamos. Podíamos dar dança nas aulas e desafiar os alunos para fazer exercício físico através da música.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio
A sala [atualmente] tem tudo. A sala tem um computador, projeta-se uma imagem com uma facilidade imensa...aqueles acetatos eram uma grande confusão. É muito mais fácil hoje, não é o ideal, mas não tem nada a ver, a facilidade. Os manuais também são muito mais apelativos, já nem são manuais, são projetos. As editoras fazem coisas fantásticas. Eu realmente acho que os projetos que elas nos apresentam… às vezes até é muito difícil, eu dizia isso muitas vezes aos representantes das editoras, é difícil escolher um. Eles são tão bons, todos tão bons. É muito difícil.
Arquivos\Pré_Escolar\Alexandra
Fizemos projetos bonitos, lembro-me, que, por exemplo, eu desenvolvi um projeto com uma colega que era o correio. Então, nessa altura, não se falava em orientações curriculares, nada disso. O correio... nós fazíamos uma teia onde daí derivávamos todas as nossas áreas curriculares, as nossas áreas de conteúdo e através do correio nós chegamos a... lembro-me que fomos ao correio, que escrevíamos cartas, que líamos cartas, que fomos depois fazer uma visita a um jornal... por isso, era um projeto com continuidade, com sequência, onde o gosto, os interesses das crianças estavam sempre muito presentes. Isso foi sempre muito importante para mim, a partir daquilo que eles me pediam.
Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa
Eu nunca dei a cartilha. Porque lá as crianças eram divididas. Havia uma educadora - eu tinha uma autorização especial do Ministério da Educação para dar aula até ao primeiro ano. Havia uma colega que dava a parte da cartilha maternal e eu dava a disciplina de Matemática e Expressões, digamos assim. Portanto, eu nunca dei a cartilha maternal. Eu gostava mais da parte da Matemática, em que eu trabalhava muito à base de materiais, Cuisenaire, Froebel… o calculador multibásico. Eu só tinha essa parte de Matemática e depois, digamos, mais da Expressão Plástica.
Arquivos\Pré_Escolar\Gina
Nós, ao fim e ao cabo, avaliamos. Não temos fichas porque eu não quero fichas de avaliação. Eu propus que não àquelas fichas de cruzinha, isso não faz sentido nenhum. São fichas descritivas. E que eu o ano passado também modifiquei, fiz a proposta de modificar a ficha de avaliação tendo como base outro documento do Ministério de Educação. Nós somos uma escola com semestralidade, portanto, temos dois momentos de avaliação: um em fevereiro, outro no final do ano. E este ano vamos pela primeira vez adotar outra ficha de português. Estamos sempre a aprender. Se fizermos uma ficha hoje, para o ano podemos ver que houve erros enormes nessa ficha. É essa especificidade que estou sempre a falar. E então fizemos a experiência o ano passado, na pausa do semestre e fizemos o preenchimento desta ficha, para experimentar, e com a colaboração dos pais. Portanto, os pais connosco preenchem a ficha de avaliação! Os pais e os meninos, então, os meninos, têm um campo em que avaliam. Avaliam uma determinada situação. Por exemplo, o ano passado, fizemos duas experiências. A pergunta era "o que é o diário de grupo?", que é um instrumento que eu utilizo para avaliar. Então eu queria saber se eles tinham percebido - isto é que é avaliação -, se tinham percebido a importância daquele instrumento e para que servia. E eles descrevem a gente percebe se os meninos já entenderam para que é que ele serve ou não e temos que ajustar. Por isso é que serve uma avaliação. Não é só para dizer que se porta bem e que sabe os números até cinco, que eu acho que isso não tem relevância nenhuma. Pode não saber os números até cinco e ser um miúdo que partilha, que reflete bem, que tem ideias, que se preocupa, por exemplo, com o planeta, que é uma coisa que se fala muito em sala. Conhecer os números até cinco ainda não conhece, não me faz diferença nenhuma.
Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda
Como educadora, acho que foi feita uma evolução bastante positiva. Primeiro, pelos tijolos, aquelas tábuas e aqueles materiais todos alternativos que nós tínhamos que utilizar para fazer as atividades - e que eu continuo a utilizar. Utilizo muito para trabalhar a matemática e a área das ciências. Faço uma saída de campo onde recolho materiais e eles vão servir para trabalhar a matemática. Utilizo muitos materiais recicláveis, tampinhas de garrafas, molas de roupa, ainda uso muito. Não utilizo só [isto], tipo joguinhos que compramos em qualquer lugar. Isso ficou-me. Isso foi uma coisa boa.
Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar
E a verdade é que nós, na altura, construímos tudo, o jogo que tu imaginavas para desenvolver isto e aquilo, para matemática, para isto ou para aquilo, para a linguagem... Tinha que fazer em cartolina e a gente ficava até às três da manhã, a engendrar aquele jogo, a fazer tudo para de manhã levar para os meninos.
Arquivos\Pré_Escolar\Helia
Eu estou agora ali num grupo onde tem aqueles computadores sempre inclinados, que mexem, olhe tem sido um holocausto (risos). E de maneira que até essas experiências são boas, não é?
Arquivos\Pré_Escolar\Mariana
Era tudo à base de sacos, que na altura os sacos de farinha, que eram de papel, lá a padaria Barbosa já sabia quantos sacos arranjasse, era tudo para mim, sacos de farinha ou lençóis, não havia cá… havia sim emoção, sentimento e bem-estar. Pompa e circunstância não havia porque eu nunca trabalhei assim. E não havia aqueles ensaios, a mim incomoda-me há ensaios, ensaios e ensaios... Nós escolhíamos aquilo que tínhamos feito ao longo do ano, não podíamos escolher tudo, mas escolhíamos com as crianças.
Arquivos\Pré_Escolar\Rita
O primeiro objeto que eu usei como ajudante pedagógico, enfim, que trouxe comigo da escola onde eu me formei, que foi a Paula Frassinetti, foi o boneco branco. O boneco branco era mais um ajudante do foro emocional, portanto era um boneco, era só uma cabeça branca, era um fantoche, digamos, feito de papel. Só tinha um narizinho e uma bolinha que era o nariz. Ele era todo pintado de branco e tinha sainha do pescoço para baixo e pronto. E um pauzinho por dentro. Esse boneco branco ajudava a educadora nos grandes problemas de sala ou resoluções de maus comportamentos, quer com os colegas, quer consigo próprio. Então aquele boneco ficaria triste ou ficaria feliz de acordo com o que se passasse na sala.
Arquivos\Pré_Escolar\Tânia
Tenho este que se chama "O bolo". Não sei se consegue ler bem "O bolo"...
Entrevistadora: Consigo ler bem, está muito bem.
Tânia: "O bolo" é um conto russo. Agora se calhar era proibido dizer, mas eu tenho amigos russos de quem gosto muito. Foi editado em Moscovo, em 1951. Este talvez seja o livro mais antigo que eu tenho. Comprei-o na feira do livro de 1983, exatamente no ano em que eu comecei a trabalhar. Ele já está assim um bocadinho usado, mas é um livro que eu conto sempre a todos os meus grupos. Dá para várias coisas. Tem umas ilustrações engraçadas, porque o bolo anda sempre a fugir, andam sempre todos atrás do bolo. Eu trouxe este [objeto], mas depois pensei assim: "Se calhar era giro trazer um objeto mais ligado à minha experiência no ensino superior". Depois deixei cair porque [essa experiência] é pouca, relativamente pouca, é de dois anos, embora eu tenha estado também já ligada à Universidade durante um semestre. Mas depois falaremos mais à frente.