I
Factores que promoveram o desenvolvimento do ideal profissional
Arquivos\1º Ciclo\Abel - § 1 referência codificada [0,74% Cobertura]
Nessa altura, quando regressei, conversando com a diretora da escola, surgiu a oportunidade de eu ficar só com a coordenação do departamento e com alguns apoios - que é o que eu tenho neste momento. Tenho coordenação do departamento, tenho coordenação de AEC, tenho coordenação de cidadania. Tenho lá mais uma série de gestão de projetos. Depois, faço duas horas e meia de apoio. Tenho duas turmas em que dou introdução à Informática.
Arquivos\1º Ciclo\Anita
E pensei... o saber não ocupa lugar, tenho uma licenciatura, tenho mais alguns conhecimentos e – não é que isso me interesse - sabe muito bem estar num patamar que, as minhas colegas, provavelmente, na minha idade, não chegam a estar, estou mesmo no topo, estou no 10.º escalão – colegas que não fizeram esta licenciatura estão pelo 6.º, pelo 5.º escalão. Eu já para aí há 2 anos que cheguei ao topo da carreira. A licenciatura deu-me essa possibilidade, de subir mais rapidamente.
Arquivos\1º Ciclo\Carla
Outra coisa que me deu muita felicidade: demos início à construção do Lar da Terceira Idade, que ainda hoje está a funcionar. Na altura, eu costumava dizer para mim e para os meus pais que não faz falta, porque nós estamos cá para cuidar deles. Na verdade, entretanto acabou por servir para a minha mãe. Agora é a maior entidade empregadora da aldeia.
Arquivos\1º Ciclo\Carmina
Eu pertenci ao Conselho Geral do Agrupamento, desde 2008 até o ano passado. Desde 2015 fui presidente do Conselho Geral. Foi uma experiência em que aprendi muito. Eu tinha uma excelente diretora e sabia que podia contar com ela. Sabe o que é o Conselho Geral das Escolas? Na reunião entre pares, entre professores, nós às vezes podemos bater um murro ou dizer isto não é assim. Ali, é diferente. Tem que se ter uma postura. Temos os pais, a autarquia, vários professores, alunos, representantes de parcerias. São 19 pessoas em que só sete são professores. Há ali um jogo de cintura que nós temos que fazer. Eu aprendi muito. Tive que ler legislação, que detesto.
Arquivos\1º Ciclo\Clara
Bem, a década de 90 foi mesmo a grande década. Foi um grande impulso da comunicação. Na década de 90 eu começo a atirar-me (perdoe-me a expressão do “atirar-me”) eu começo a interessar-me, [aliás, já me tinha interessado antes], eu começo a utilizar o computador na escola. A usá-lo com os alunos… Nós ainda não tínhamos material na escola. Eu tive um computador na sala de aula com os meus meninos que era um fascínio.
Arquivos\1º Ciclo\Clotilde
Também ainda passei pela educação especial. Chamado ensino especial, nas equipas de Ensino Especial. Estive três anos. Depois vim para Setúbal. Estive num contexto muito difícil, mas também muito desafiante, numa escola da Bela Vista - já deve ter ouvido falar - é uma zona com alguns problemas. Mas foi, talvez, um dos anos mais significativos da minha [carreira], no meu estar na profissão, exactamente pelo desafio. Mas também tínhamos sempre esta ideia da equipa de trabalho, da equipa com quem se está a trabalhar. Foi muito importante! Depois também estive numa instituição de ensino especial, tipo uma APPACDM, mas foi só um ano.
Arquivos\1º Ciclo\Graziela
em 1993, fui fazer a especialização para o Piaget, a Vila Nova de Gaia, à Arcozelo.
Entrevistadora: E foi que especialização, professora Graça?
Graziela: Na Educação Especial.
Entrevistadora: Será que esse gosto já se tinha manifestado nessa altura quando…
Graziela: Se calhar, porque eu às vezes estava em apoio, já apoiava miúdos com deficiências. Eu estava em Arcozelo… Ah, antes disso, eu estive na escola de Lagos e tinha lá uma turma de miúdos com deficiência. Só uma turma com nove miúdos. E esses miúdos, eu ia com alguma frequência à sala desses miúdos. Ia observar. E eu lembro-me que nós lá…na hora do almoço, uma vez por semana, uma [professora] ficava na cantina. No dia em que eu fiquei na cantina, no primeiro dia, com aqueles deficientes graves e profundos, eu chorei o tempo todo. A dar-lhes comida, eu chorei o tempo todo. E lembro-me da cozinheira me dizer: “Só chora hoje”. Foi verdade, e foi verdade. Só chorei aquele dia. E depois, como fui contactando com alunos deficientes, fui-me interessando. E um dia, eu estava também numa escola, e tinha lá uma aluna deficiente na turma, e eu aprendi, na escola de Lagos, às vezes a controlar os impulsos mais agressivos dos deficientes. Aprendi com as colegas de Lagos.
Arquivos\1º Ciclo\Ilda
No ano seguinte, quando eu já estava outra vez na escola, outra vez com primeiro ano, já sem a M.B., que entretanto foi para outros desafios, mas pronto, as pessoas da escola e os pais já me conheciam, ou seja: “ok, esta tem estas metodologias estranhas”, porque nos primeiros quatro anos foram acompanhadas, portanto éramos as duas com primeiro ano, que foi bom, portanto eu já me sentia mais à vontade para poder trabalhar da forma que eu defendia, porque os pais percebiam. “Olha, mas os meninos aprendem, os meninos até gostam da escola, e pronto”. E então, tive um telefonema do Sérgio Niza, a dizer que ia dar o meu nome, porque de Barcelona pediam uma pessoa que estivesse na escola, para fazer um projeto Comenius, com pessoas de Barcelona e pessoas de Turim. Eu disse: “pronto, eu tenho que falar com as pessoas na escola, porque não vou aceitar isso, obviamente, sozinha”, e quando eu falei na escola houve imensa gente interessada, porque isto implicava a deslocação a Turim, a Barcelona duas vezes por ano, em princípio. Ah, e o tema era avaliação formativa. Pronto. Então lembro-me do primeiro encontro… Lá fui, íamos normalmente três pessoas, eu, que coordenava o projeto, mais a coordenadora da escola, e mais outra pessoa. E o primeiro encontro foi em Barcelona, não estava ninguém de Turim porque houve um problema qualquer, bem o problema da língua, da aferição de conceitos, o que é que elas entendiam por avaliação formativa, e eu tinha muitas coisas, na altura, da Nunziati e do Perrenoud, avaliação formativa no sentido formador, portanto não é exatamente o professor a controlar todas as etapas para poder ensinar, mas ajudar as crianças, os alunos, a tomarem consciência do seu percurso de aprendizagem, e, no fundo, apropriarem-se dos critérios da escola. Só é formativa, no sentido de formadora - que a Nunziati faz esta distinção - se estas condições se verificarem, e isto não foi fácil, porque vinha uma colega com um dossier enorme, com os testes todos, os exames todos, e as grelhas todas, portanto isto é que era a avaliação formativa. Portanto, foi muito partir pedra, no início, mas um partir pedra muito construtivo.
Arquivos\1º Ciclo\João
O fascínio dos meninos escreverem livremente, de se trabalhar o texto, de nós irmos aproximando pouco a pouco das pessoas que eram referências no Movimento da Escola Moderna e que estava ao mesmo tempo a construir o Modelo. Porque quando eu comecei no movimento, mesmo a nível de terminologia, tudo isso foi pensado, até chegarmos àquilo que somos hoje. Um Modelo pedagógico, relativamente finito. Como costumo dizer. Está fechado. Não sei se respondi.
Arquivos\1º Ciclo\Mara
Eu fiz já tinha 33, 34 anos, por aí. Nunca deixei de dar aulas, eu já tinha 14, 15 anos de serviço. Fiz porque foi uma oportunidade. Eu sabia que era uma oportunidade que não podia deixar de agarrar, tinha um longo caminho pela frente. Tinha sido sempre minha ambição fazer uma Licenciatura, só que o meu curso não a tinha. Portanto, vi-me confrontada, com o mercado de trabalho, e entrei em formações que não davam licenciatura. [Por isso], nessa altura, nem duvidei. Eu era casada, tinha dois filhos, o marido a trabalhar longe e a vir aos fins-de-semana – trabalhava, tomava conta dos filhos e estudava. Inscrevi-me, na altura, no Politécnico do Porto, na Escola Superior de Educação do Porto, que já estava aberta, nessa altura, há pouco tempo. E, na altura, era a apresentação de uma candidatura com currículo e tudo. Fui aceite. Quando fui fazer a matrícula percebi que tinha de estar lá, sempre, às sextas-feiras à noite e ao Sábado de manhã. Não poderia, porque o meu marido só chegava ao Sábado, porque ele trabalhava longe, e eu não podia deixar os meus dois filhos com ninguém. Com muita pena minha – tinha pagado a inscrição, tinha pagado tudo, apresentado currículo e não pude. Mas pronto, felizmente também consegui saber que a Universidade Aberta, na altura, também fazia o programa de formação, e, nesse mesmo mês, fiz a inscrição na Universidade Aberta e também fui aceite, e entrei e, em dois anos, fiz a Licenciatura e fiz especialização em Português. E gostei imenso.
Arquivos\1º Ciclo\Morgana
Depois desta experiência, eu já não consigo lembrar-me bem. Eu fui convidada para, por isso eu também me sinto privilegiada, porque tive oportunidades de sair da escola que foram muito importantes para mim. Eu fui convidada para ser professora de um grupo de crianças com a L. A., que fazia parte, já deve ter ouvido falar daqueles grupos, Círculos de estudo do Sindicato dos Professores. Ela fazia parte desse grupo e foi a criadora, em Lisboa, do Jardim Infantil Pestalozzi, antes do 25 de Abril. No final da década de 50, eu acho, criou o Jardim Infantil Pestalozzi, com toda a ideia da Escola Nova, das crianças poderem justamente aprender de outra maneira. No fundo, um trabalho muito próximo do modelo do Movimento da Escola Moderna, porque eles tinham trabalhado todos em conjunto e tinham aprendido muito em conjunto, e ela queria fazer esse trabalho com crianças de outro meio social que não pudessem pagar. Então, fez essa proposta ao Ministério da Educação. Havia um espaço de uma associação, que era a CEFET, que fazia formação de professores. E eu fui a professora.
Arquivos\1º Ciclo\Nélia
Sim, com o complemento de formação também. Com o complemento de formação conseguimos chegar - como licenciados - conseguimos chegar ao décimo escalão. Penso que já não há, mas quem não tinha licenciatura só chegava ao nono escalão.
Arquivos\1º Ciclo\Roberta
Depois disso, dentro desta escola, tive várias vezes como coordenadora, já não sei quantas. O último período foi há cinco anos - já tive duas turmas depois disso - portanto, já foi há nove anos. Há nove anos atrás estive cinco anos como coordenadora. Já tinha estado uns anos antes, também como coordenadora. E já tinha estado numa comissão instaladora da escola, numa altura em que não havia direção.
Arquivos\1º Ciclo\Zacarias
São diferentes! São completamente diferentes. Isso é uma coisa boa que trouxe a pandemia e que agora já se vê mesmo os colegas da minha idade ou um bocadinho mais novos - que são colegas com uma porta aberta, coisa que não se via muito na escola. A pandemia obrigou a que os professores abrissem a escola, que não tivessem medo de falar com a porta aberta. Ainda há muita gente que gosta muito de estar com a porta fechada, mas a pandemia trouxe isso de bom, o facto de as escolas terem que arejar (risos) fez com que as portas tivessem que estar abertas. Há males que vêm por bem! .
Arquivos\2º Ciclo\Adelina
A situação de gestão de uma escola... na altura, isto foi 2000. A gestão de uma escola não é uma coisa muito fácil e eu não faria disto carreira. Ou seja, eu fui pela experiência e achei que sim, que devia experimentar também, uma vez que me convidaram, ok. Eu não fiz nada por isso, ou pelo menos não foi essa a minha intenção. Na altura, pensei um pouquinho e disse para mim mesma: "Se calhar é uma boa oportunidade para eu perceber melhor o funcionamento desta organização". Nessa questão, apesar de tudo, não faria carreira. Não seria esse o meu propósito. Mas acho que foi um contributo importante. Acho que me senti mais realizada no sentido de perceber que eu também fazia parte deste mundo que era a escola e o meu contributo, no meu ponto de vista, seria importante. Eu iria com certeza agarrar esta situação no sentido de transformação. Nesse aspeto, acho que sim. Não sou mulher para dizer que fui muito bem sucedida, mas sim, acho que sim. Acho que cumpri muito bem o meu papel e acho que sinto que consegui algumas transformações importantes na escola.
Arquivos\2º Ciclo\Aldina
É a mesma classe social que eu vou encontrar em Carnaxide, mas era como se fosse uma pequena aldeia, e estes aqui eram de Lisboa e a mentalidade das pessoas que são de Lisboa, muitas vezes, é "nós temos tudo, estamos bem", no bom sentido. Mas eu achei que a escola, enfim, era desorganizada. Venho-me embora! Abre concurso e - eu estava a cinco minutos de casa - digo em casa "vou concorrer!". Os meus filhos ficam espantados, o meu marido fica espantado. "Mas vais porquê?”; "Apetece-me mudar"; "Mas tu mudaste agora há dois anos"; "Aquilo ali é muito desorganizado".
Arquivos\2º Ciclo\Cecília
Eu tinha um professor coadjuvante, uma professora coadjuvante, uma professora fantástica, e achei que tinha de dar voz à professora que me estava a coadjuvar, porque eu não estava em pleno e posso até utilizar esta expressão. Eu achei que cada ano que passava estava a ser pior, estava a desempenhar pior as minhas funções e não estava a gostar de mim na sala de aula, estava a gostar cada vez menos de mim na sala de aula. Eu tive de tomar a decisão de – única decisão que me custou. Eu só podia optar por sair da direção ou... Sinceramente, foram ali uns dias em que eu estive a pensar mesmo, mas tinha um compromisso. Tinha assumido a parte pedagógica toda de segundo e terceiro ciclo, e também ia criar ali uma rutura muito grande. Se não estivesse com a parte pedagógica de segundo e terceiro ciclo, talvez a minha decisão tivesse sido outra, mas como eu sabia, também, que fazia falta e que a minha decisão, se deixasse a direção, se iria refletir na sala de aula... e como a turma também estava bem entregue, eu decidi deixar a sala de aula.
Arquivos\2º Ciclo\Constança
Olhe essa segunda turma supletiva que eu tive aqui, já em Benfica, fez-me repensar muitas vezes muita coisa. Primeiro, porque nós temos que nos adequar, aquilo não eram currículos alternativos, aquilo era mais do que currículo alternativo. Eu sei lá, nós íamos conversando [nos conselhos de turma e íamos] adaptando-nos aquelas crianças. E era diariamente, não havia planificações que resistissem, porque todos os dias havia um problema. Eu acho que dei mais cidadania do que matemática àquelas crianças. Cheguei a uma altura em que eu achei que o que tinha que lhes ensinar era o básico para a vida e fiz isso de uma forma quase que intuitiva e própria. Fui comentando isso com a colega que, na altura, era a coordenadora do grupo, mas eu questionava-me: para que é que eu estava ali a ensinar expressões que eles não percebiam nada? Problemas que não lhes diziam nada? Eles não percebiam nada! Eles não conseguiam fazer e portanto, aquilo foi um andar para trás, até tentar chegar ao nível em que eles compreendiam alguma coisa do que eu lhes queria ensinar. E no meio dos ensinamentos iam muitas regras, muita cidadania e muitos valores.
Arquivos\2º Ciclo\Fátima
O que eu acho é que, nos últimos anos em que trabalhei, nós deixamos de ter tempo para esse tipo de projetos. Muitas reuniões, muitos papéis, muitas fichas de avaliação… E depois deixou de haver tempo e vontade de fazer coisas diferentes. E eu, sinceramente, comecei a ficar desiludida, porque eu gostava muito de fazer coisas diferentes na escola. E achava que tinha muito sucesso com isso – eu não, os alunos. E houve experiências… uma vez, o Ministério de Educação lançou um concurso para os alunos sobre trabalhos sobre a Europa – para os alunos dos Clubes Europeus - e eu lembro-me que fui a Estrasburgo com três alunos, um deles até era um dos meus filhos, o filho mais novo, porque fomos selecionados para ir. Até acho que foi o PS que organizou, que patrocinou essa viagem. Fomos de autocarro até Estrasburgo. E foram experiências incríveis, que marcaram os miúdos até hoje. Lembro-me que quando o meu filho mais novo saiu da minha escola - foi para a E. T. - a Direção Regional de Educação telefonou para a G., que era a Presidente do Conselho Diretivo e disse: “Pediram-nos um aluno de 15 anos que vá representar a região Centro no Conselho da Europa” - fazia 50 anos do Conselho da Europa - “Vocês aí têm Clubes Europeus, sei que têm alunos empenhados…arranjam-nos um aluno?.” E a G ligou-me. Os alunos de 15 anos eram os que tinham saído do 9º ano, tinham ido para a secundária. E eu disse: “Alunos de 15 anos que saíram daqui, assim 3 ou 4… É assim, o melhor de todos, o melhor aluno desses é meu filho…” - “Era o que faltava ser prejudicado por ser teu filho!” E ele foi representar a região Centro. Eram tantos alunos portugueses como deputados havia no Conselho da Europa. Foi uma experiência incrível. Ele já não estava na minha escola, já estava noutra, mas foi uma experiência incrível, porque ele foi ao Parlamento.
Arquivos\2º Ciclo\Fernanda
Nessa altura, o que fez a diferença, sobretudo, foram as aprendizagens com outros colegas de profissão. Foi o trabalho que tivemos de fazer colaborativo. Eu não sou, de formação, de didática do Português. Eu sou de Inglês/Alemão, portanto, humildemente integrei a equipa e aprendi tanto, mas tanto! E foi aí que eu disse assim: “É isto mesmo que eu quero. É ser professora de Português!”. Depois integrei a equipa de formação de professores e de implementação do novo programa e havia muitas práticas que eu achava que eram boas práticas, mas que afinal não eram assim tão efetivas e consequentes.
Arquivos\2º Ciclo\Joca
E então, nessa reunião, as três professoras - nós éramos cerca de 60 professores, a escola era grande, tinha muitas turmas. E nessa reunião, as três professoras mais velhas disseram quais eram os professores efetivos, qualquer um deles poderia ser eleito - ia haver uma votação. O que acontece, Educação Física era uma das últimas disciplinas, portanto começava pelos professores de Português, Francês, então era um dos últimos, tudo bem, se todos ouvirem o nome, Educação Física, surgiu o nome do colega mais velho e a seguir, Joca, e desatou tudo a bater palmas. Eu fiquei absolutamente... eles estavam todos preparados, todos avisados. Eu fiquei completamente, aquilo foi inesperado para mim, "Esta gente está toda doida". É que eu não tinha experiência nenhuma.
Arquivos\2º Ciclo\Quitéria
Mas mesmo assim eu acho que a pandemia trouxe isto de bom para a escola, os pais começaram a respeitar mais o trabalho dos professores porque viram o trabalho que dava, fazer os miúdos fazerem qualquer coisa, teve essa vantagem.
Arquivos\2º Ciclo\Rosário
Sinto, porque, lá está, os filhos, a mãe, os filhos, o pai. Infelizmente ainda estão convencidos que as mulheres têm mais… como é que eu hei-de dizer? Os homens são mais desculpados se estiverem fora de casa ou se tiverem outra coisa qualquer. Não, as mulheres têm mais obrigações. Nesse aspeto, o meu marido disse: "vai, se te sentes bem, vai". Mas soube da minha filha, foi agora há dias, há pouco tempo, que me disse isso: "ai, eu fiquei sozinha…", ficou com o irmão e com o pai, não é? Mas pronto, não é a mesma coisa. O colinho da mãe. Mas eu não estou arrependida. Não, porque me abriu horizontes, abriu-me horizontes, fez com que eu fizesse formação, que ao fazer formação uma pessoa também tem que pensar mais sobre as coisas, tem que se preparar muito mais, porque com salas de 20 e tal pessoas - e eu fiz várias formações - uma pessoa não pode chegar lá... tem que ir bem documentada e acho que sim, que fiz bem.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia
Eu fui diretora de turma. Entretanto, fui convidada pela professora G., que foi também ela convidada pelo seu Ministro, que era o Marçal Grilo, na altura - já percorremos muitos anos! Estamos no início dos anos 1990. O Senhor Ministro convidou-a para diretora do Gabinete de Avaliação Educacional, o GAVE, que agora se chama IAVE. Na altura, foi criado para fazer provas de exame. Era um gabinete de avaliação, onde se faziam todas as provas de exame, de todos os níveis. A professora G. convidou-me para coordenar a Física e a Química no GAVE e eu fui. Estive destacada no GAVE [durante] 11 anos.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César
Depois, fiz uma saída de seis anos para, com mais dois colegas, abrirmos uma EBI, portanto foi também uma experiência nova. Isto foi em 1998. EBI é uma Escola Básica Integrada. Foi das primeiras escolas que apareceram, em que, no mesmo edifício, funcionava desde o 1.º ano de escolaridade até ao 9.º [ano de escolaridade.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico
Por exemplo, e não sei se vai fazer algum efeito, mas esta organização do ano letivo em semestres… Isso mexe com o seu sucesso. Essa coisa de acabar com os três períodos é uma coisa que, de algum modo, pode conseguir afastar a aprendizagem da classificação e da avaliação universal e decisiva de classificação. Pode desvalorizar um bocado a classificação porque há menos momentos para a nota. Pode ser uma coisa positiva, não sei se se vai conseguir.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana
Depois de Pataias, fui para a Ameixoeira. Fui para o Ministério. Foi quando eu fiz um upgrade em relação à minha cultura sobre a Educação Física, modelos de currículo, onde aprendi muito por estar a fazer parte de uma equipa de elaboração dos programas e aprendi imenso dos meus colegas. Trabalhámos muito, mas aprendi muito e fui obrigada a estudar e a envolver-me, a perceber a Educação Física de outra maneira.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia
Senti, mas não foi logo no início, foi um ou dois anos depois. Mas antes de 2009, foi a mudança para o nono ano [de escolaridade], em 1986. Notei diferenças porque chegavam alunos - vou dizer assim - de todas as etnias, de todos os meios, de todas as classes sociais. Começaram a aparecer alunos que respondiam torto, alunos que não sabiam como falar com os professores. Depois, há os professores que têm mais paciência e os que têm menos paciência para explicar. A escola de massas. Senti bastante, mas senti como um desafio para mim. Eu tinha que ultrapassar esse desafio. Eu tinha que conseguir. Eu concordava com a política do ensino ser para todos, todas as oportunidades. Havia alunos de classe social muito baixa, mas que eram inteligentes e conseguiam aprender tudo. Outros, mal comportados, mas também saber o porquê desse mau comportamento. É preciso estudar cada caso e lá fui eu ler mais. É importante analisar a indisciplina, as suas causas. Tentámos analisar as causas da indisciplina, do mau comportamento, e a partir daí descer ao nível do aluno. Dá muito trabalho ao professor.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo
Foi uma experiência muito enriquecedora, em termos de, de facto, de interdisciplinaridade e de camaradagem entre professores.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita
Olhe, eu assisti a uma conferência, quando estava na ESE de Viana do Castelo, o Senhor Bispo ia lá sempre fazer a sessão de abertura. Eu, na altura, estava grávida do meu menino, e ele benzeu-o quando estava ainda na barriga. Então, ele fez a palestra dele, e disse uma coisa que eu fiquei de boca aberta a olhar para ele, ele dizia assim: “Viana precisa de poluição”. Ora nós, a ouvir isto, um professor de Ciências, e todo voltado para as… Depois eu comecei assim a pensar... Nós não tínhamos indústria. Viana do Castelo, se for ver, agora já vai tendo alguma coisa, mas, na altura, nem os Concelhos passaram a cidades, como aconteceu em Braga, e nos outros, continuaram [...] Arcos, Ponte da Barca, Valença, Monção [...] Valença acho que já é cidade… mas a maioria deles continuaram a ser vilas, porque não havia desenvolvimento, só havia os serviços, não havia mais nada. Ele, então, dizia que precisava de poluição para o desenvolvimento. Eu, depois, entendi e desculpei-lhe…
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio
Entretanto, houve aquela abertura e foi com o ministro, com o professor Roberto Carneiro. Com ele, houve uma lufada de ar fresco. Houve uma grande abertura de vagas, o que me permitiu saltar do Entroncamento para Vila do Conde, foi um salto imenso.
Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa
Hoje vemos com outros olhos, sobretudo as colegas do primeiro ciclo. Completamente diferente. Mas foram, sim, momentos um bocadinho… [hoje] não temos assim grandes problemas. Mas foram momentos complicados.
Arquivos\Pré_Escolar\Arminda
Eu agora tenho outra perspetiva, isso eu ganhei quando vim para o terreno. Era tudo muito mais orientado, o trabalho no João de Deus era muito mais orientado para isso e para aquilo, trabalhávamos com materiais, fazíamos muitos materiais também... tinha uma intencionalidade pedagógica não tanto atrás da brincadeira que era cá fora no público, isso era aquilo que eu achava.
Arquivos\Pré_Escolar\Gracinda
Eu, na minha terra, cresci muito como educadora. O facto de eu conhecer os pais [dos meus alunos] fez acontecer aquilo que eu mais gosto na educação de infância, que é trabalhar com a família. Temos de trabalhar cada vez mais com a família. A escola assume muito hoje esse papel, esse papel social, cada vez mais. E, nesse ano, foi o ano em que iniciei essa minha forma de ser e de estar na educação. O facto de conhecer as pessoas, mais facilmente conseguia cativá-las. Estava na terra e, portanto, fazia encontros, festas, festas de Natal, festas disto, festas daquilo, ao sábado ou domingo, de acordo com a disponibilidade dos pais. Eu era uma rapariga solteira.
Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar
Eu quando saí da Misericórdia, eu já quando estava lá pensava: "Eu acho que já esgotei tudo o que sabia, parece que já não sei, eu tenho que procurar conhecimento, tenho que ir para algum lado" [...]. E andava com isto na cabeça e quando saio para o oficial, saio mais pela mudança... Eu tinha que dar ideias e estar com elas e dar-lhes o meu conhecimento e fazer com que trabalhassem melhor… E dentre outros.
Arquivos\Pré_Escolar\Luísa
Comecei o meu trabalho mais sério, em termos de uma formação em serviço, com o Movimento da Escola Moderna. Eu comecei com o núcleo do trabalho com o Movimento da Escola Moderna, que foi para mim simbólico em termos de tomada de consciência, e de uma maior concetualização de muitas das coisas que eu até vinha, muitas vezes, a defender e a fazer.
Arquivos\Pré_Escolar\Maria Tiago
Começando pelo acolhimento, lembro-me sempre de um bom acolhimento, de conversas entre colegas, de apoios e de ajudas. Fazíamos muitas reuniões, às vezes, até informais. Conversávamos: "Não estou a conseguir fazer isto com aquele miúdo.”; “Olha, manda para a minha sala. Manda para aquela sala. Vamos fazer.". Nesse tempo, em que a pedagogia estava no centro das nossas preocupações, estávamos a descobrir a pedagogia do projeto, estávamos a descobrir tudo. Quando vinha uma colega nossa [nova], integrávamos. Não me lembro de dificuldades ao nível... claro que me lembro de gostar mais de umas colegas do que de outras, mas lembro que isso foi um trabalho sempre feito, com, digamos, partilha e sustentação umas das outras.
Arquivos\Pré_Escolar\Nena
Depois consegui aproximar-me, aqui perto da vila da Feira e depois concorri e fiquei. E agora, saí de lá e vim aqui para Gaia. Quando me aproximei de Gaia, como disse, tinha feito o curso com o quinto ano, quando estava nas instituições de solidariedade socia,l fui fazendo o sétimo ano à noite e depois quando me aproximei mesmo, concorri e entrei na Faculdade de Psicologia, nas Ciências da Educação. Depois fiz também um Mestrado e fiz supervisão. Fiz a parte curricular, a defesa não fiz porque eu já tinha o mestrado. Eu era assim: "o que é que uma pós graduação me vai trazer mais?" Então no dia que era para defender meti-me num avião e fui para o Brasil (risos).
Arquivos\Pré_Escolar\Noel
Nós na altura tivemos a sorte de o Provedor da Misericórdia de Lisboa - porque em Lisboa a Misericórdia de Lisboa substituía a Segurança Social - e quem era o provedor, já faleceu, era o professor A.B.C, que tinha uma sensibilidade ímpar em relação a esse tipo de coisa. Ele de facto abriu a porta para que nós passássemos a ter subsídios como outras IPSS, que depois se vieram a constituir com o estatuto que saiu no tempo de governo de Maria de Lurdes Pintassilgo, em 79.
Arquivos\Pré_Escolar\Olga
Mas isto para dizer que no contexto em que éramos diretoras de nós próprias, tínhamos um grau de autonomia grande.
Arquivos\Pré_Escolar\Rita
Até me senti mais segura, profissionalmente, com outra segurança para defender a minha posição. Aprendi muito sobre pedagogia. Li muitos pedagogos, como exigia até o mestrado. Depois começou a fazer sentido muita coisa que eu fazia. Tive outro entendimento, mesmo para interpretar os sinais das crianças. Foi muito bom.
Arquivos\Pré_Escolar\Rute
Portanto regressei ao meu lugar, onde estive dois anos (risos) muito feliz mesmo e depois fui convidada para ir para a dinamização das bibliotecas escolares. Também ainda fiz isso no tempo em que estive na Associação de Ludotecas do Porto. Fiz também formação para bibliotecários, na altura estavam a ser dinamizadas muitas, criadas muitas bibliotecas mesmo a nível municipal. Não havia técnicos com formação e a associação de bibliotecas tinha uma vertente, uma área que prestava apoio e formação a esses funcionários para fazerem também animação e, portanto, eu tinha esse know how todo e davam-me as horas necessárias para poder assegurar este cargo, é preciso X horas de formação.