I
Visões sobre as colegas e os colegas expressas ao longo da entrevista expressas ao longo da entrevista
Arquivos\1º Ciclo\Abel
Com colegas sempre tive uma relação de excelência... só para lhe dizer, não veja isto como estar aqui a puxar de galões, mas também não quero ter falsa humildade. Por exemplo, a última eleição para coordenador do departamento... eu fui eleito com um voto contra e o resto dos votos a favor. Acho que tenho boa relação com as pessoas.
Arquivos\1º Ciclo\Bruna
Fui muito bem aceito. Os colegas eram muito afáveis. Tinha um colega de educação física que me ajudou imenso, quase que trabalhávamos em conjunto, ele com a turma dele no pavilhão e eu com a minha turma no pavilhão. Dávamos aulas em conjunto. Fui muito mimada, nessa altura, o que me fez muito bem para depois regressar a Nelas.
Arquivos\1º Ciclo\Carla
Só aconteceu porque uma colega queria vir para uma aldeia da Guarda e eu estava no Monte. Então, trocamos. Foi por troca. Eu fiquei feliz de ficar na minha aldeia. Foi fantástico. E agora esses colegas da minha idade, que tinham os filhos na escola, diziam: "E agora?". Eu respondia: "Não te preocupes. Lá dentro estou com os garotos. Cá fora estou convosco. Vou ser o que sempre fui.". Graças a Deus correu tudo bem, continuamos todos amigos. Outra coisa que me deu muita felicidade: demos início à construção do Lar da Terceira Idade, que ainda hoje está a funcionar. Na altura, eu costumava dizer para mim e para os meus pais que não faz falta, porque nós estamos cá para cuidar deles. Na verdade, entretanto acabou por servir para a minha mãe. Agora é a maior entidade empregadora da aldeia.
Arquivos\1º Ciclo\Carmina
Tem a ver com o acolhimento que teve por parte de professores e professoras com mais idade, com mais experiência, também. Muito importante. Nos primeiros anos [da profissão] é extremamente importante.
Arquivos\1º Ciclo\Celeste
Sim, porque é uma associação de professores. Tem diferentes vertentes, portanto, na formação contínua, oficinas de formação, cursos, congressos, atividade nos diferentes núcleos regionais, que acabamos depois também por.... Grupos cooperativos, grupos de cooperação, de autoformação, de professores mais experientes com professores menos experientes e colocam-se diferentes gerações. Mesmo em relação a mim, que sou uma professora que já podia estar muito desanimada, acabo por me revitalizar. O facto de estar com jovens é delicioso. Porque isto depois não há aqui uma hierarquia. Eu não sei mais porque sou mais. Quer dizer, eu posso dar o meu contributo, mas numa certa horizontalidade de partilha e de relação de confiança. (risos) Só assim é que eu posso dizer ao outro. Só se eu tiver uma relação de confiança com outra pessoa - que eu vou construindo - é que eu posso dizer as coisas desgraçadas que me acontecem. Porque tenho vergonha. Desgraçadas, entre aspas. Que eu não sou julgada. Há sempre coisas com as quais temos mais dificuldade em lidar e que depois, ao falar e ao partilhar - às vezes nem é o feedback que recebo. Às vezes é eu poder falar sobre aquilo. Ao poder falar já estou de algum modo a resolver metade do meu problema. Primeiro, porque partilho a angústia, depois porque ao falar, se calhar, até me surgem novas pistas de trabalho. Depois também: "Olha, eu fiz isso e resultou nestas condições." Depois, criámos compromissos até à próxima reunião, o que é que eu me proponho fazer, é uma formação de base com implicação na prática, com vista ao sucesso escolar das crianças, com vista à inclusão, mesmo aquelas crianças que muitas vezes têm mais dificuldade e que nós estamos com mais dificuldade em chegar a elas. Vamos para a mesa, como fazer, como resolver, como ajudar, como não deixar ninguém para trás. O professor é isso.
Arquivos\1º Ciclo\Clara
Se me perguntarem: fazia sentir na escola o peso do Estado? Obviamente que se faz sentir sempre porque se a educação está na esfera da política, quem manda, politicamente, é quem vai delinear o que se pretende da Educação. Faz-se sentir sempre, mas nós contornávamos isso. Nós, eu digo “nós” a minha geração. Acho que a minha geração já foi uma geração que, permita-me a expressão que é pouco académica, “deu a volta ao texto” (risos).
Arquivos\1º Ciclo\Clotilde
E eu acho que o fundamental da minha carreira foi o facto de ter sempre um grupo de professores com quem me reunia. E eu acho que isto é fundamental e não me canso de dizer, porque nessas reuniões era onde nós também desabafávamos mas onde aprendíamos a ver o que é que podíamos fazer para melhorar as condições, a nossa e dos alunos, porque não é fácil.
Arquivos\1º Ciclo\Filipa
Sim, eu só queria fazer um parêntesis, que eu não disse: que também aprendi muito com as minhas colegas, portanto, não só tenho boas recordações dos alunos como também tenho boas recordações de muitas colegas com quem aprendi muito. Eu também queria fazer uma comparação entre as colegas mais antigas e aquelas que eu fui encontrando, que eram mais novas […] As colegas mais antigas não partilhavam connosco, pelo contrário, escondiam, porque havia uma certa rivalidade, portanto, cada uma queria ser a melhor da escola, queria ser conhecida na zona como a melhor professora da escola, e então não havia partilha. Foi isso que eu fui encontrar no meu início de carreira, portanto, colegas que não partilharam nada. Pronto. Os anos foram passando, foram entrando na carreira colegas mais novas e já começámos a partilhar – e mesmo devido às reuniões que tínhamos de fazer em conjunto – aprendemos a partilhar. E agora acho que partilhamos muito mais do que quando iniciei a minha carreira, quando eu cheguei a meio da carreira…eu acho que, agora, uma mais-valia que temos é essa partilha entre colegas, que não havia no princípio
Arquivos\1º Ciclo\Gabriela
Também havia muita ajuda entre uns e outros, os colegas também quase não sabiam, a não ser estas mais novas que vinham mas muito recetivas. Portanto, a gente dizia "ajuda-me aqui porque eu não sei".
Arquivos\1º Ciclo\Gaspar
Com colegas eu sempre me relacionei bem, embora que ultimamente, com estes novos modelos de gestão, nem tanto. Acho que com algumas pessoas, o poder sobe à cabeça e não descem ao nível das pessoas que estão no terreno. Acham que as pessoas que estão no terreno têm que fazer tudo e têm que ser obrigadas a fazer tudo. Mas se elas lá estivessem ou por lá passassem, se calhar, não podiam fazer ou dizer aquilo.
Arquivos\1º Ciclo\Gisela
Acho que é muito bom haver bom relacionamento com os colegas e sempre procurei que esse relacionamento fosse saudável e prestável umas para as outras. Agora, nós sabemos que num grupo de 15, 20, 30 professores que agora, no caso dos agrupamentos [...] sempre aquelas que querem ser meninas bonitas, que às vezes querem evidenciar o trabalho delas. Porque às vezes, eu sabia que havia colegas, muitas vezes o trabalho não era feito por elas, mas sim por outras que estavam ao lado, mas que à maneira delas eram mais caladas, eram mais tímidas e não queriam evidenciar. Muitas vezes quem se evidenciava não era quem fazia o trabalho, era quem estava naquele grupo e muitas vezes, olha, o trabalho era feito por outras, mas se calhar os chefes pensavam que era feito por ela. Eu acho que antigamente, até há 30, 40 anos, as colegas eram mais, mais sinceras, não é? No entanto, ainda agora, no final da minha carreira, não tenho uma colega que diga assim "não falo com ela". E se eu precisasse ir à sala delas, pedia-lhe ajuda. Na altura destas novas tecnologias, as mais velhas têm mais dificuldade e às vezes eu ia à sala das mais novas pedir ajuda.
Arquivos\1º Ciclo\Graziela
Há os donos das escolas. Antigamente havia muito os donos das escolas [...] E…eu, quando chegava a minha vez, dizia aquilo que tinha a dizer e pronto. E não tinha… Não tinha problema nenhum em falar. Mas achava as reuniões um bocadinho secantes, porque depois havia sempre aquelas que se julgavam as donas e queriam ter sempre a palavra.
Arquivos\1º Ciclo\Ilda
Havia uma escola nova, que não estava a ser ocupada porque a diretora não estava disposta a sair do seu comodismo, portanto, que era aquela escolinha com a casa da diretora, portanto, ela só tinha que atravessar o patamar para ir para a escola, e nós, as outras pessoas, davam aulas, eu, por exemplo, dava aulas a 28 meninos, num primeiro andar de uma casa de habitação… Pronto, os meninos a andar faziam tremer o candeeiro da senhora do rés-de-chão, que se estava sempre a queixar. E eu… pronto, ingénua, não é, escrevi para a Câmara a dizer: “mas porque é que não vamos para a escola nova? Temos ali uma escola a estragar-se, está nova”. Bem, a diretora ficou furiosa comigo, pronto, de facto eu ultrapassei-a, não é? E disse: “vêm aqui estas novatas, cheias de teias de aranha na cabeça…”, e eu a pensar: “teias de aranha?”. O que eu sei é que eu era para ficar mais um mês, e de repente a outra professora apresentou-se.
Arquivos\1º Ciclo\Inês
Os colegas mais velhos achavam que não podia ser assim, alguns diziam qualquer coisa, e quando eu utilizava métodos diferentes para a Matemática e não sei quê… agora, eles estavam muito presos a um determinado método. Às colegas da minha idade gostavam, e gostavam que eu partilhasse experiências com elas… os mais velhos, nem por isso.
Arquivos\1º Ciclo\Isadora
As colegas [eram] espetaculares, receberam-me como uma filha. Ainda guardo muitas memórias da Dona C., da Dona B. e da Dona T. Eu e a Dona C. trabalhávamos de manhã. As outras duas colegas trabalhavam de tarde.
Arquivos\1º Ciclo\João
Engraçado que nesta última escola do primeiro ciclo, antes de ingressar no ensino especial, havia uma professora. Depois ficou com a turma, com aquela turma que tinha muitos alunos, tinha, sei lá, 28. Era assim, era uma turma… e já não era permitido na lei que os meninos do primeiro ano ficassem retidos. As pessoas ainda arranjavam maneira de contornar as coisas. E acabavam por pôr os meninos a repetir o ano. E a mim calhou uma série de miúdos ciganos. E essa professora ficou com a turma. Ela tinha, era mais velha do que eu, tinha problemas na coluna, usava, portanto, um colar cervical. É assim que se chama. E ficou com a turma. Portanto, ela gostou de mim, e a mim dava muito jeito ter uma professora com tantos alunos.
Arquivos\1º Ciclo\Lisboa
Fui muito bem recebida e acompanharam-me muito. Se calhar porque estava grávida e porque se tratava de uma grávida também… (Risos) mas sim, não tenho que dizer, fui mesmo muito bem recebida.
Arquivos\1º Ciclo\Mara
Ninguém respeita Sábados, Domingos, nada, nada. Nunca mais me esquece que um dos e-mails que recebemos no ano passado foi no dia de Páscoa. E-mail de direção, de trabalho, que, depois, nos dizem assim: “Mas se vocês quiserem não têm de ler nesse dia, têm de ler e responder nos dias de trabalho”. Quem é ansiosa e gosta de ter as coisas em dia é incapaz de ver um e-mail de trabalho a entrar e não ver o que é que se passa. Nem que não responda, delinear logo o que é que eu vou fazer, o que é que eu vou dizer…isto cria ansiedades, é impossível. Portanto, nesse aspeto também ninguém está a saber gerir. Se calhar, daqui a uns anos, isto já vai estar mais esbatido e mais rotineiro; neste momento, estamos a passar por isto tudo. Vamos ver. Agora, vejo colegas à minha volta que, além disto tudo, não têm vivências positivas, porque estão sempre a mudar de escola, estão com 15-20 anos de serviço sem ter estabilidade, estão sempre a mudar, longe de casa…isso, para mim, é complicado. Com filhos pequenos…depois nem podem constituir a família que queriam, fazer projetos de compra de habitação, várias coisas, porque nada é seguro. São muitos anos numa situação precária, muitos anos que eu vejo colegas.
Arquivos\1º Ciclo\Marlene
Acho que sim. Sempre tentei cultivar. Eu acho que não se pode confundir colegas com amizades. Cada um no seu lugar. Não quer dizer que uma colega não possa tornar-se amiga, mas para ser colega não é preciso ser amigo, desde que as pessoas respeitem e trabalhem.
Arquivos\1º Ciclo\Mónica
A relação, é assim… a relação entre as colegas novas que entravam e por acaso tive sempre, vou-te dizer, tive sempre muita sorte com as colegas que apanhei, mesmo em Paredes, lá naquela… [Elas] tinham sempre a ideia: “Ah, esta colega vem de longe, vamos dar-lhe aqui uma ajuda, vamos fazer assim.” E o convívio entre as colegas era um convívio muito, como é que hei de dizer, muito familiar.
Arquivos\1º Ciclo\Morgana
E outra coisa, há um discurso muito comum entre os professores, que a mim me faz muita confusão, eu agora vejo que eu sempre me desenvolvi profissionalmente em meios em que íamos todos aprender a fazer em conjunto, e as pessoas dizerem "mas eu não sei fazer isso porque eu não tive formação", mas vamos aprender todos juntos como é que se pode fazer.
Arquivos\1º Ciclo\Nélia
A relação colaborativa é boa. A relação pessoal nem tanto. Mas eu acho que isso tem a ver com questões sociais. Não tem a ver com o facto de ser na minha escola ou outra, porque eu acho que conversando com outras pessoas, de outros trabalhos, o que se passa é exatamente o mesmo.
Arquivos\1º Ciclo\Olívia
Há bocado perguntou-me se eu me sentia apoiada. Sentia-me apoiada pelos mais velhos, porque eu aprendi muito com eles. Aprendi muito com eles porque eles tinham a experiência, tinham muitas coisas para me transmitir. Mas, por outro lado, eu acho que também dei alguma coisa.
Arquivos\1º Ciclo\Roberta
Acho que é o medo. É o medo de serem mal vistos pela direção, do que é que isso pode causar depois no futuro. Só que essa parte, normalmente, não querem assumir. Mas ainda no outro dia houve alguém que escorregou e disse "ah, agora que estou cá e que fiquei, finalmente, a substituir outra colega. Agora, se eu faço greve, como é que iria ficar o diretor?". Ela escorregou e disse isto. E eu pensei "pois, realmente, as pessoas, não é o dinheiro, não é só o dinheiro".
Arquivos\1º Ciclo\Zacarias
O relacionamento com os colegas sempre foi bom, quando começaram a criar os jardins de infância havia uma boa relação com o jardim escolar. Gostei.
Arquivos\2º Ciclo\Adelina
Depois mudei imediatamente de escola e, depois, fui para o Mindelo. Realmente nessa escola, como digo, pelo espaço em si, havia realmente uma ligação muito grande entre os professores. A escola era pequena e havia uma ligação muito, muito, muito forte. Na altura acho que senti alguma agitação porque havia os concursos, e eu lembro-me que um colega dizia: "Ai tu vieste de Estremoz!? Lá estavam colegas teus a fazer estágio?". E eu disse que sim. "Mas eu também concorri e sou mais velho e tenho mais tempo de serviço e não fui colocado". Portanto, havia ainda muita confusão ao nível das colocações e da forma como os professores, pronto, eram colocados. Eu lembro-me que ele até tinha razão e fez uma exposição na altura... sei que quando cheguei lá nós falávamos uns com os outros e eu disse: "Estive em Estremoz, tal e tal. Tenho lá colegas, colegas que ficaram a fazer o estágio". "Ai sim?". E pronto, havia ali uma confusão muito grande e algumas das situações não eram muito claras.
Arquivos\2º Ciclo\Alda
Fazíamos muitas coisas em conjunto, mas depois começaram os programas a mudar. Começou aquilo tudo a alterar. Entretanto, começaram a entrar outros no grupo que já nem me conheciam, percebes? Eu não sei agora como é que é a relação com os professores, mas agora acho que está tudo um bocadinho mais... As pessoas não estão.... Não sedimentam tanto, talvez, as amizades, por muitos fatores, pode até nem ser do ensino. Parece que andamos todos sem tempo, não sei. Olha assim uma coisa que nos invade a todos e nem sabemos bem o que é.
Arquivos\2º Ciclo\Aldina
Também pelo horário ser algo leve, porque ali na Escola da Ajuda, em termos dos meus professores de Português, eu não me senti apoiada. Depois percebi, ao longo do tempo, o que é apoiar um professor novo.
Arquivos\2º Ciclo\Carlos
Também me trouxe alguns dissabores porque os meus colegas foram para o Piaget e eu fui o único na altura em Ciências da Educação e aí começou um certo mal estar na escola. Quando saiu uma lista com a nossa habilitação os licenciados tinham um L (licenciatura) e os que foram ao Piaget um CF (complemento de Formação). Foi um terramoto na escola por essa diferença, por isso é que a classe docente é desvalorizada porque alguns professores com certas atitudes contribuem para isso.
Arquivos\2º Ciclo\Carmo
Ainda ontem tive que falar com um colega de Informática: "Tu chamas burros aos alunos, os miúdos não podem ter dúvidas, batem à porta e tu dás uma desanca que ia morrendo ali com dez anos. Eles não percebem o que escreves no quadro! O que é AAA? Eles copiam para o caderno e tu dás uma desanca! O que está em causa é que eles não percebem que AAA é o ano! Eles não sabem. Tem de ter cuidado porque a miúda nem a data de nascimento sabe, foi adotada, foi vítima de violência doméstica, foi operada ao coração”. Eu na escola tolero pessoas com dificuldades, ajudo no que puder os meus colegas. Agora não tolero, não tolero, não tolero incompetências em que as crianças são prejudicadas.
Arquivos\2º Ciclo\Cecília
Comecei a lecionar também algumas horas no ensino profissional. Mas fui muito bem recebida. Eu acho que é muito importante o acolhimento que se faz aos professores que chegam às escolas.
Arquivos\2º Ciclo\Constança
Entrevistadora: Com a formação destes agrupamentos e dos mega agrupamentos, este trabalho colaborativo foi comprometido?
Constança: Não. O trabalho colaborativo existe. Se melhorou muito, se aumentou muito, eu acho que não aumentou porque os grupos são muito grandes. As pessoas acabam por se dispersar muitas vezes em discussões de pontos de vista, porque são ciclos diferentes, com realidades diferentes, com exigências diferentes. E às vezes eu não consigo ver a realidade do outro e o outro não vê a minha. E por aí perde-se um bocado. Agora o trabalho colaborativo existe se as pessoas têm vontade de o fazer, também há pessoas que não têm vontade e criam barreiras nos grupos e, portanto, aí... agora o trabalho colaborativo já era feito nas escolas, nós fazíamos.
Arquivos\2º Ciclo\Esmeralda
Porque um dos professores não estava preparado para dar segundo ciclo, ele estava a fazer o mestrado para terceiro ciclo, ele era afetuoso, mas eu acho que as técnicas que ele usou não foram as melhores, ou não usou os melhores materiais, inclusivamente acabei por descobrir mais tarde, quando lhe pedi, olha, eu não tenho nada (ele era brasileiro), eu preciso de materiais teus, andei a pedir o ano inteiro, ele não deu, eu não posso forçá-lo. Claro. Eu dizia à minha antiga diretora, "Olha, vou-lhe apontar uma carabina, passa para cá o teste já?!". Não posso. Então, a minha atitude também perante as coisas é sempre cordata, eu não… acho que entramos em conflito. Posso-me zangar, claro, zango-me com as crianças, sobretudo se elas são mal-educadas, mas a minha atitude é cordata com os pares, é de empatia porque eu entendo-o, ele estava a fazer um mestrado, etc. O que aconteceu? Que as crianças fizeram testes com textos, um era brasileiro, o outro era português da Angola, a formulação das perguntas não era adequada, o que lhe valeu foram os testes que eu lhe mandei, e que eram obrigatórios aplicar. Isso é o meu papel como coordenadora, mas esse é um papel que eu assumo, eu assumo, acho que o trabalho é importante.
Arquivos\2º Ciclo\Fátima
Olhe, a experiência da primária foi muito boa. Eu tinha umas colegas na Benedita muito mais velhas do que eu, muito mais velhas, mas tratavam-me quase como se eu fosse filha. E foi uma relação muito boa, lembro-me perfeitamente disso. Depois estive numa escola onde éramos só duas, era eu e outra colega da minha idade. E depois, quando fui para o ciclo, o primeiro ano em que eu estive no ciclo preparatório foi em Alcobaça, eu ainda não era licenciada. Tínhamos um grupo de gente muito jovem, porque foi ali 1974-1975. Claro, aí o ambiente…era assim: tínhamos um grupo de colegas muito bom, convivíamos, íamos almoçar juntos…e depois havia outros, mais pela política, com que nos sentíamos um bocadinho constrangidos…lembro-me que uma vez uma colega disse: “Não me digam que eu sou a única pessoa progressista nesta escola.” Mas fui sempre muito bem acolhida. Lembro-me que depois, no ano seguinte, fui para a escola de Q. N. e o meu grupo era um grupo muito curioso, porque a grande maioria dos professores de Português-História eram mais velhos e eram ex-padres - os três eram ex-padres - que se tinham licenciado em História ou que estavam a fazer a Licenciatura, mas que eram ex-padres. Mas que eram muito mais velhos do que eu e, então, eles chamavam-me “a nossa menina”, porque eu tinha para aí menos 20 anos do que eles ou mais. E eles tratavam-me mesmo por “a nossa menina”. Depois estive um ano na secundária de B., mas foi só um ano e quando fui para o ciclo fazer o estágio para Leiria foi o primeiro ano do estágio plurianual. E tínhamos um grupo de estagiários dos vários grupos, trabalhamos muito em conjunto, muito em equipa. Tínhamos uma área que era a Área de Projeto – era o projeto da escola - em que fizemos coisas muito curiosas…eu lembro-me de andar grávida a dançar o folclore.
Arquivos\2º Ciclo\Fernanda
Avaliação para as aprendizagens… E discutíamos um pouco isso relativamente ao decreto-lei 98 que faz este ano 30 anos em que se falava na avaliação formativa e que já estava plasmada nos diplomas desde essa altura, mas que efetivamente tem sido muito difícil de realizar e que tem sido muito difícil os professores apropriarem-se dessa postura formativa ou eminentemente formativa
Arquivos\2º Ciclo\Glória
Entretanto eu já tinha feito conhecimento e amizade até com as colegas de Inglês que estavam a dar Inglês na experiência… ficamos sempre muito amigas. E pronto, “Mas claro, a escola está cheia de professora primárias, naturalmente”, e estava, e estava. Tudo quanto era horário para além dos horários dos professores efetivos eram professoras primárias. Professoras primárias que estavam a dar História, que estavam a dar Português, que estavam a dar Desenho, que estavam a dar Matemática, que estavam a dar o que fosse preciso.
Arquivos\2º Ciclo\Iva
Por exemplo, uma professora de música que ainda está lá na escola dizia: "Eu agora não consigo ensinar música porque não tenho computador.". Então e antes não se ensinava música? As pessoas precisam daquele suporte mais para si próprias do que para beneficiar os alunos.
Arquivos\2º Ciclo\Joca
Os colegas não queriam acabar com os agrupamentos horizontais. Isso não aconteceu aqui. Aconteceu em todo o país. Os agrupamentos horizontais, pura e simplesmente, deixaram de existir e tiveram que ser anexados e, naturalmente, eram anexados em outros agrupamentos que estivessem mais próximos. Foi esta, digamos que a regra que foi seguida em todo o lado. A partir de certa altura, a partir do momento em que começou o ano letivo, já com as coisas montadas, aqueles primeiros meses não foram fáceis e isso é que me deixou perplexo. "Isto não vai voltar atrás", era o que eu lhes dizia, "Isto não vai voltar atrás". E reparem, nem eu, nem a minha equipa diretiva, nem ninguém, pediu para anexar-nos. Isso são ordens superiores. E pá, muitas vezes temos que perceber que há quem manda e que nós não temos meios para combater este tipo de ordens, de regras, ponto final. As pessoas também não são estúpidas. Ao fim de algum tempo, lá entenderam que não valia a pena continuar com uma guerra surda, sem qualquer tipo de proveito para ninguém.
Arquivos\2º Ciclo\Maria Luís
Porque nós professores somos tratados pelos colegas da direção, neste momento está uma diretora nova que eu não conheço, mas que montou o gabinete dela no segundo andar e também só se lá vai se marcar hora para subir. Quer dizer, eu acho inadmissível.
Arquivos\2º Ciclo\Orlanda
Até tive um conflito com uma colega, colega nossa, que eu tive de pôr ao nível, que andava lá a pressionar o conselho de turma por causa das notas.
Arquivos\2º Ciclo\Quitéria
Lembro-me de ter colegas que tinham 14h letivas e que elas passavam a vida na escola e que faziam coisas e faziam exposições e que faziam porque tinham esse gosto... os professores tinham o gosto de desenvolver as atividades.
Arquivos\2º Ciclo\Rosário
Quanto à escola em si: no início, antes de 1975, eu penso que havia mais grupos conforme os ideais… mas de qualquer maneira, as pessoas, de maneira geral, davam-se todas bem. Havia determinadas alturas em que… eu, no início, não percebi porque é que era, porque eu era muito anjinha. Depois é que comecei a perceber que realmente se juntavam mais de acordo com o ideal político, pronto, havia aqueles que cochichavam - porque tinha de se cochichar ainda na altura, não é? - o ideal político. Eu não percebia porque é que havia essa - e porque é que havia, às vezes, zangas: não eram bem zangas, má vontade entre
Arquivos\2º Ciclo\Sofia
Depois, fui dois anos para a Régua, em 1981-1982. Gostei muito. Gostei muito de lá estar - não vou falar em nomes de escolas. Na altura foi a primeira vez que apareceu ali muita gente de fora. Isto porque na Régua já havia professores do quadro, na altura chamados de efetivos. Era muito engraçado, pelas diferenças que havia de tratamento. Havia os professores, as professoras, que eram os de lá, de quadro. Depois, havia a 'Susana', a 'Teresa', e não sei o quê, que eram os que tinham vindo de fora. Havia aqueles que nem sequer entravam na sala dos professores, que eram os colegas de Trabalhos Manuais, de Educação Física. Eu não percebia o porquê. No primeiro ano em que estive na Régua, a escola funcionava na antiga Manutenção Militar. Era uma série de edifícios, de casarões, de casernas. Um era sala dos professores, outro era onde ficava a direção. Depois, as aulas funcionavam em pré fabricados. Eu achava estranhíssimo, no início, esses professores [de Trabalhos Manuais e de Educação Física,] subirem os degraus e pedirem, do lado de fora, o livro de ponto. Foi uma coisa de que nos fomos apercebendo. Entretanto isso mudou. Nós dávamo-nos muito bem com todos, portanto, isso mudou. Por exemplo, nós éramos as únicas mulheres, as professoras, que iam ao café, isto em 1982, na Régua. Mulheres adultas nos cafés? Não havia na Régua. Realmente, não foi só o ensino que mudou, a sociedade mudou. E acho que, em algumas situações, a nossa passagem por essas terras contribuiu um bocado para isso. Inclusive, na altura do Liceu [onde trabalhei pela primeira vez], foi a altura das grandes assembleias de professores. Chamavam-se as RGP, as Reuniões Gerais de Professores, num anfiteatro com lugares marcados!!! Em baixo, ficavam os professores efetivos e aquilo ia subindo, subindo até os andares de cima, onde estavam pessoas como eu, que tinham ido fazer substituições e os tais professores [de Trabalhos Manuais, de Educação Física]. Aliás, eu nos primeiros dias nem entrada na sala [dos professores], porque a primeira pessoa que eu encontrei à porta da sala dos professores tinha sido minha professora no H.P. (risos)
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Agustina
Nós temos lugares privilegiados na minha escola, porque temos um diretor excecional. Um homem honesto, um grande formador, uma pessoa fora de… um bocadinho até antissistema, mas de nível intelectual. Ele compreende muitíssimo bem a questão dos horários.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amália
Depois, é sempre aquele discurso, durante muitos anos, que há problemas, mas é porque os professores são uns calaceiros, não fazem nada, têm não sei quantos meses de férias. Quer dizer, se calhar, até, nalgumas circunstâncias pontuais, alguma coisa até era verdade, mas isto não é para generalizar, nem é para depois considerar que todos são uns calaceiros e que têm todos de ser castigados da maneira que têm sido. Esta sensação de injustiça perdura, tenho uma nítida consciência disso. Os professores estão muito revoltados. O que é... é uma revolta um bocado surda, porque também – não sei se têm medo, se acham que não vale muito a pena contestar…vão contestando. Mas isso está lá, essa sensação de injustiça, de que fomos maltratados, injustiçados, culpados na praça pública, julgados na praça pública como uns malandros que só querem regalias… isso não é assim, não é nada assim, porque – até, como eu disse há bocadinho – a grande maioria dos professores que eu conheci são pessoas que se empenham, pessoas que trabalham.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Amélio
Nunca achei que houvesse muita cooperação. Eu tive uma felicidade porque arranquei com um projeto, na altura, de uma de recolha de alimentos para pessoas carenciadas e anualmente fazia-se no dia da alimentação. Mas para isso é que realmente pedi a colaboração de uma professora do segundo ciclo, que aliás já conheceu, a professora R.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Aurora
Porque, a mim era uma coisa que me impressionava, era, por exemplo, no segundo período, ou mesmo até no terceiro, alguns colegas meus diziam assim: “Ah é o número não sei quantos”. “Aí é o número 15 ou o número 20”. Eu,” mas eles não têm nome?”
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Caetana
No Liceu de Queluz fui muito bem recebida, até porque tive uma professora minha. Eles trataram-me cinco estrelas. Eu era a primeira a escolher o horário. Eles pediam-me ajuda para tudo, para fazer visitas de estudo para aquilo que eu sabia...mas também ajudaram-me muito na escolha do horário e facilitaram-me muito a vida. E não, não, não tive qualquer...porque estava sempre "em casa" com os alunos, estava nas aulas...estava sempre na boa. Nunca tive problemas e tive à noite também. Mas passou sempre tudo de uma forma pacífica, apesar de toda aquela turbulência eu tinha capacidade de gerir toda essa turbulência e de alinhar com eles, muitas vezes, a fazer asneiras.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Camila
De uma maneira geral fui bem recebida, até porque a primeira escola para que eu fui era uma escola técnica. Mas não era só por isso. Mas eu era talvez a professora mais nova da escola daquela altura, de maneira que fui bastante acarinhada nesse aspeto. Tive muita sorte. Fui bastante acarinhada pelos meus colegas coitados, que achavam que tinham que tomar conta da miúda, porque, como os alunos diziam, agora temos miúdas cá na escola. E lembro-me também que no ano em que dei aulas na escola em que eu própria fui aluna, que foi o D.N., que era assim um liceu, enfim, de referência cá no Porto, lembro-me de ter tido como colegas professoras minhas que também me tratavam... era a menina, tinha sido aluna delas e ainda se lembravam de mim como aluna e sempre me acompanharam. Depois tive sempre, no nosso grupo, no meu grupo, Português-Francês ,tive sempre relações excelentes. Entendemo-nos muito bem.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Célia
Estes livros todos estão antes. Isto que vou dizer também e antes do GAVE. Eu e a J. pensamos: "Porque é que nós não montamos uma editora? Porque temos de estar na [Editora] Didática?".
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\César
A minha vice-presidente tinha sido minha professora Físico-Química nas C.R., portanto, eu nunca a consegui tratar por tu. Às vezes, era um bocadinho complicado - aquilo que a gente chama 'os pesos pesados da escola'. Eram pessoas já com uma certa idade, que já tinham mais experiência, até na parte pedagógica, se calhar administrativamente e na parte da gestão não tinham experiência, mas na parte pedagógica sim. Quer dizer, eu era um novato ali. Depois, eu era reconhecido de alguma autoridade na parte do conhecimento da legislação, no pôr a escola a funcionar, quer em termos de horários, de recursos humanos, etc. Não foi fácil, mas, ao mesmo tempo, foi desafiante.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Chico
Mas aborrece-me a reação dos professores neste momento. À custa de dizerem que o ministério é um malandro, as pessoas têm menos brio, deixam de estudar…uma coisa que me faz muita, muita confusão. O DC [desenvolvimento curricular] nas escolas está ao nível de muitos anos atrás. É uma exceção os contextos em que os professores fazem trabalho colaborativo. As pessoas não acreditam que junto com os colegas fazem melhor. Fizeram assim, continuam a fazer assim. E pronto. Mesmo o discurso do excesso de burocracia que é real, mas 80% das vezes a burocracia é feita por nós próprios. Fazer por favor, sem sentido, é burocrático. Só é burocrático se não servir para nada. Um plano individualizado não é burocracia. Só é burocrático quando aquilo não serve para nada. Agora, um miúdo ... não merece um plano diferente, não é? Não merece o investimento diferente dos...
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Clorinda
Trabalhos interdisciplinares havia... quer dizer... havia e eram frequentes, mas não eram continuados. Por exemplo, fazíamos interdisciplinaridade em Matemática, com o Português, com a Química, com a Física, com os alunos de Ciências que eram aquelas que eu ensinava. E fazíamos, por exemplo, uma visita obrigatória todos os anos no âmbito do Memorial do Convento, ao Convento de Mafra. Não havia também muito tempo, cada um fazia os seus materiais para vivermos aquele dia. Em Português faziam o guião. Em Matemática aproveitavam-se os jogos de sombra das colunas. Depois reuníamos só para organizar o dia. Não era assim um trabalho efectivo, não era um trabalho de grande continuação, era pontual. Ao nível da escola, claro que depois havia estruturas dentro da escola onde nós também partilhávamos, por exemplo os conselhos. Como é que se chamava? Ai que vergonha! Não me lembro.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Eva
O problema agora está em mais três anitos e os velhos foram todos embora. E é assim, há colegas jovens com muito nível, só que andam a saltitar de escola para escola, por isso não ganham raízes. Tivemos três ou quatro colegas ótimos, ótimos como pessoas, como profissionais, ótimos. Mas que andam a saltitar de escola para escola.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Hélder
E que venham bons professores, porque já é sabido que agora vai haver falta de professores, mas a maior parte dos jovens já tem licenciatura, já tem outra visão das coisas também. Agora, claro que precisa da pedagogia e é muito importante. Essa formação tem que existir. Mas mesmo agora nas escolas, nas reuniões que são feitas, às vezes, pelo menos nas chamadas reuniões setoriais, lá se vai discutindo isso muito bem, já se vai integrando os colegas que vão surgindo novos e pode ajudar. Estou convencido que vai ajudar.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Ivone
No entanto, há colegas que se mantêm numa rigidez grande. Eu lembro de uma colega minha, mais velha que eu uns bons dez anos, que nos dois últimos anos em que lecionou - lecionava História no [ensino] secundário que é uma cadeira de peso com um programa muito denso - não havia um conselho de turma que lhe passasse as notas. Aquilo, depois, quase que se contagiava. Eu vejo que isso continua a ser feito. Agora, ainda mais de uma maneira sem [a apresentação de] uma justificação plausível. Por exemplo, situações de que eu tenho conhecimento, através das minhas filhas. Esta aluna está no 12.º ano [de escolaridade]. Em determinada disciplina não tem aprovação, mas vai ficar um ano só com esta disciplina. Então, são capazes de lhe dar uma subida de cinco valores, como já aconteceu. Cinco valores! O que é mais perverso é que o aluno já sabe que isso vai acontecer, portanto, compensa. Compensa passar o ano sem se esforçar, sem ter a mínima...
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Joana
Criou-se um ambiente óptimo. Uma das coisas que mais me ficou gravado, positivamente, é o ambiente entre professores que vivi durante muitos anos.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Lara
É fundamental, porque nós, as nossas angústias, e aqueles nossos, pronto, e as nossas revoltas e tudo isso é tudo muito gerido a nível de grupo. E isso é muito bom E é a solidariedade e é a cumplicidade, essas coisas. Não, a nível de grupo isso é excelente e sei que noutros grupos não é. E isso depois contribui para que as pessoas não se sintam tão bem na escola, porque esse trabalho de relações humanas é fundamental.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Luciana
Agora parecemos mais funcionários à espera que alguém nos diga o que é que vamos fazer.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maia
E eu conheço muitos Diretores que não têm respeito nenhum pelo trabalho dos professores, mas nenhum. Nenhum. E dizem-no publicamente, ainda por cima têm lata.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Maria
Há algumas escolas que têm esse paradigma e que são boas nisso e quem está no desporto escolar sabe muito bem quem são os professores que trabalham bem e que fazem a boa formação desportiva.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Matilde
E eu dei, nós tínhamos seminários, mas alguns dos meus seminários foram aulas de gramática que eu tive que dar. Portanto eu hoje, olhando para aí, eu digo "como será agora?", "como será o professor que vai sair agora?". Essa foi uma experiência que eu tive. Aliás, eu começava, no primeiro seminário a fazer um texto com as estagiárias e com todos os "tes" possíveis. Era uma desgraça, eram tudo pronomes relativos. Professores acabados de licenciar. Evidente que isto não me espanta muito, embora haja aulas de linguística, etc. Mas aquela gramática básica depois não é retomada. Agora, a verdade é que o professor tem de saber de gramática!
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Otávia
Hoje há muitos professores sem pudor, não se preocupam com isso, têm a liberdade de ser quem são e não estarem a obedecer a regras, formatações de quem deseja formatar a vida dos outros, condicionar a vida dos outros.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Rómulo
E depois a gente também vai criando o grupo de professores dentro da escola, entre aqueles 100, cento e tal professores havia sempre um grupinho de 20 com quem se conseguia fazer coisas, projetos.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Teresa
Porque eu acho que a maior parte dos professores gosta de debitar matéria. É muito mais fácil ir para a sala de aula e despejar e pronto.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Tita
Não, não pegaram. Nós fizemos o nosso trabalho, a diretora, depois, achou que eu até estava a fazer bem, fez as pazes comigo, vá lá…
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Violeta
Mas o acolhimento, eu, pelo menos, pela minha parte, eu nunca senti nenhuma…nunca senti nenhuma pressão. Aliás, eu acho que nós nos dávamos todas tão bem, havia dois ou três professores mais antigos – a primeira vigilância de exames que eu fiz foi com um professor de Físico-Química já desses mais antigos, que depois ainda lecionou comigo uns quantos anos. E ele tudo bem, não tivemos…não houve…aliás, pelo contrário: acho que até sempre houve uma preocupação nossa em pedirmos ajuda e eles, de nos ajudarem…não tenho nenhuma memória de alguém que nos tenha recebido mal.
Arquivos\3º Ciclo e Secundário\Virgílio
Infelizmente, agora, cada vez mais os colegas têm mais dificuldade, são colocados muito longe, têm horários muito pesados. Precisam cada vez mais de ajuda. Eu acho que os mais velhos têm essa obrigação e ainda por cima eu era o representante, não poderia ser de outra maneira.
Arquivos\Pré_Escolar\Alexandra
Com as colegas também, também nalguns momentos... há sempre alguns dissabores, mas no geral... o que mais marcou pela negativa é realmente o Conselho Pedagógico, isso é o que mais me marcou pela negativa... estas lideranças intermédias, de uns anos para cá, já não tem aquele caráter que eu estudei... era, digamos assim, a supervisão pedagógica, num sentido não de vigiar mas de partilhar... de partilhar.
Arquivos\Pré_Escolar\Ana Rosa
Depois, no Sátão, já tinha um grupo de crianças. Fui muito bem acolhida e, depois, também houve uma colega que fez o favor de dizer às crianças: “Cuidado que agora vem uma educadora de João de Deus”. Portanto, devíamos ter ali também uma má fama, de exigência. Não sei dizer se é ou não. Sei que não me preocupei nada com aquilo. Acho que ela nem me conhecia, nem nunca me tinha visto. Não era isso que ia afetar de certeza absoluta. Sabe como é que são estas coisas. [...] Dizia eu, que nunca liguei muito a estas coisas, mas também havia quem nos pusesse assim um bocadinho de lado… eu senti isso. Ensinámos coisas aos meninos que não era para aprender naquela altura, porque ensinávamos letras e ensinávamos números e podíamos às vezes ser um bocadinho… sim e sim. Eu, depois... era completamente ultrapassado... porque eu sempre me integrei muito bem nas escolas onde estive, sempre estabelecendo muito boas relações com toda a gente. Às vezes, no início, havia um bocadinho esta coisa de ser João de Deus.
Arquivos\Pré_Escolar\Arminda
Aqui em Lamas, nesta zona onde eu estava... passaram por cá boas educadoras, que me deram a conhecer... eu fazia umas leituras prévias dos documentos, das orientações, disso e daquilo, portanto, isso eu acompanhei tudo, e não estava muito longe...
Arquivos\Pré_Escolar\Gina
E fui colocada numa aldeia aqui muito perto, muito perto de Évora. Também eram edifícios ligados sempre às escolas primárias, sempre ligados, portanto, era uma salinha que abriam ao lado para o pré-escolar. Portanto, a ligação com os professores de primeiro ciclo era forte. Porque estávamos lado a lado e porque era uma coisa nova. Agora também estamos lado a lado e, às vezes, não é assim tão forte.
Arquivos\Pré_Escolar\Guiomar
Isto é o que eu vejo no dia a dia. "Não sei fazer, não sou capaz", "é capaz, não quer porque sabe que vai ter mais trabalho"
Arquivos\Pré_Escolar\Helia
Eu costumo dizer que esta gente passa pela educação pré-escolar e nem consegue ver a beleza.
Arquivos\Pré_Escolar\Luísa
O pessoal do Primeiro Ciclo... depois também depende muito dos contextos. Mas por exemplo, aqui na nossa realidade, o pessoal do Primeiro Ciclo, sobretudo as colegas que estão à frente, são colegas muito organizados, muito estruturados, e isso, de alguma maneira, tem sido, às vezes, quase exemplo para colegas dos outros. E então há um reconhecimento, porque: “Ah, olhem lá o que o Pré-Escolar fez, ou o Primeiro Ciclo fez, em termos de planificação, foi muito interessante”, portanto há ali um reconhecimento que já tem a ver, muito, com esta coisa da partilha, e de um trabalho cooperativo.
Arquivos\Pré_Escolar\Maria Tiago
Se não começarmos a trabalhar as estações do ano, é uma estupidez. Depois as crianças trabalham as estações do ano até ao sétimo ano. O meu filho uma vez disse-me: "Porque é que todos os anos, na escola, tenho que falar da primavera, do verão e do outono?". E eu ia dizer: "Porque a escola mudou pouco", mas não disse para não criar clivagem. Também como mãe, sei que aquilo tinha que ir sossegadinhos. Não vale a pena fazer discurso. As novas colegas que chegam, às vezes, vem cientificamente mais bem preparadas que nós, mas pedagogicamente mais frágeis. Esta coisa de Bolonha -eu estive na ESE e na licenciatura de quatro anos - e os três primeiros anos da licenciatura é muita coisa só formal, muita disciplina. Chegam depois ao mestrado e perguntam pela professora. [Eu pergunto] "Está a falar da educadora? É educadora que dizemos". Porque sempre pesa aquilo que é que é mais evoluído. O pré-escolar sente-se mais evoluído do que a creche. O primeiro ciclo - pré-escolar. O segundo ciclo - o primeiro ciclo. Mas há diferenças.
Arquivos\Pré_Escolar\Nena
Tive uma fase meio complicada, porque houve um choque entre mim e a coordenadora. Era coordenadora do ciclo na altura e, portanto, é uma pessoa que tirou o curso e ficou por ali, não é? Eu na altura tinha feito mestrado, tinha feito tudo e supervisão e tive uma cadeira de administração em que até tive um 18, portanto a nível de leis na altura estava assim bem fresquinha. E havia uma lei aqui que não estava, a mim não me estava a agradar. E então eu disse "nós temos que falar sobre isto" e elas ficam contra mim, que eu não tinha trazido a Associação de Pais e tinha envolvido outros agentes e não sei quê. A verdade é que depois ela ia fazer queixinhas à direção, a direção acabava por me olhar como a má da fita, não é verdade? Mas a verdade veio à tona e eu venci a batalha (risos).
Arquivos\Pré_Escolar\Noel
Às vezes, nem é matéria, é o manual, porque muitas vezes - e isso constatei inúmeras e inúmeras vezes - há uma dificuldade muito grande em descodificar o próprio programa. Agora não é programa, são as aprendizagens essenciais, mas mesmo isso - que aquilo é uma confusão do arco da velha - mesmo essas coisas, quer dizer, é mais prático darem o manual e vão por ali. E, daí, uma certa rigidez.
Arquivos\Pré_Escolar\Olga
Para as minhas colegas, para algumas foi gratificante, para outras foi uma grande chatice, porque tiveram que trabalhar umas coisas diferentes nesse ano.
Arquivos\Pré_Escolar\Rita
A receção foi muito má porque o que elas diziam era "Esta retornada veio tirar o lugar a uma pessoa daqui". Elas diziam que nós vínhamos tirar o lugar a outros de cá. Nós não tiramos o lugar a ninguém. Para entrar para lá eu fui a uma entrevista.
Arquivos\Pré_Escolar\Rute
A minha grande alavanca era a professora do primeiro ciclo.
Arquivos\Pré_Escolar\Tânia
Eu dou-lhe um exemplo. Eu sendo uma educadora do Movimento da Escola Moderna, tenho que respeitar todos os modelos das minhas outras colegas, sem dúvida. Mas considero que o trabalho em equipa, quando se está a trabalhar num determinado contexto, tem de ser feito quando se tem que fazer a planificação das atividades que são comuns às três salas, que são comuns à escola, etc. O ficar mais uma hora, ou um bocadinho mais, para se falar era um grande obstáculo. "Não, isso já não é hora. Eu tenho que trabalhar 25 horas letivas. Tenho dez que não são letivas". E eu pedia que dentro das dez [horas semanais] houvesse uma [hora] para se trabalhar um bocadinho mais, mas não era possível. Depois, em termos formativos "Olha há uma formação que quero partilhar convosco, para vocês fazerem". "Não, não, não, não. Já tenho as horas de formação que são necessárias para progredir de escalão".